Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Velha "Alma"...

 

Chuva molhada que cai melodiosa, numa esplendorosa forma de poesia...

Mas o velho chora.

Enquanto cai e torna a cair, essa chuva abençoada parece transformar-se nas lágrimas poéticas, de um qualquer "divino" Deus...

Mas continua o velho a chorar.

Do lado de dentro da janela parece bela a pequena miragem, qual aguarela em forma de canção, tendo os pingos da chuva como o batuque de um tambor...

E só o velho chora.

Os trovões e raios chegam de soslaio, encantando o céu, amarrando sem véu a esperança de um poeta.

Porque, tanto, chora o velho?

De encontro à janela, onde se escondem os curiosos olhos, teus, desaparecem os pedaços de água que atrevidamente despencam desse céu, calado, envergonhado, desesperadamente desesperado por dar lógica a tamanhas interrogações...

Quem sois?

Quem foste tu, triste velho?

Continua a chover, talvez sem saber que molhado fica aquele rosto, marcado, enrugado, enregelado, estremecido por tantas memórias, contidas histórias, traços e feridas de um tempo. 

Esse tempo correu...

Findou.

Mas com ele regressou um singelo vento, apressando o presente rumo ao futuro, tornando ausente esse mesmo presente, agora passado.

Esse velho ficou lá atrás...

Perdido nas linhas e traços de textos que outrora foram vida, que se foram embora sem esperar.

Esse velho sou eu...

Ou o que sobrou, do que outrora fui.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

2 comentários

Comentar post