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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Um Amor De Verão...

 

Faça frio ou calor... Faça o tempo que fizer, demore o tempo que demorar, a teus braços regressarei, em teu braços voltarei a estar. Sem medos ou receios, as palavras saiam da boca, descontroladamente aquecidas pelos lábios apaixonados, de um louco e insano querer. Um querer maior do que esse pueril tempo que marcava o momento, os momentos, os intemporais momentos de um verão. Mas como julgar a imberbe juventude? Como interromper essa esperança, incapaz de saber, o que ainda desconhece? Naquele instante faz sentido sentir, aquele sentir maior que é amor, um amor que só aquele coração conhece, reconhece, se atreve a conhecer. Como é belo este imperfeito pedaço de uma perfeita imperfeição e que jamais voltará a ter tamanho valor? Como explicar que nada será tão poético como aquela despedida? Naquele verão se desnudam sentimentos, se amarram dores, se perdem ilusões que se misturam com as lágrimas que percorrem o rosto. Parece que esmaga e esventra, o perder das palavras, o ser efémero... Parece que esventra e esmaga não abraçar aqueles beijos e guarda-los eternamente, não poder escapar, por entre, as páginas de um livro e viver para sempre ali. Voltei várias vezes à mesma praia, aos mesmos locais, olhando para o mesmo horizonte... Busquei-te as mesmas vezes e as mesmas vezes te encontrei. Mas os teus olhos já não eram aqueles que guardei junto a mim, talvez os meus também não, para ti. Aquelas pessoas não eram as mesmas. Crescemos... Mudámos. Voltei verão após verão mas tudo mudou, se transformou, desaparecendo a inocência que alimentara tamanho amor. Sobrou a desilusão, a crescida mudança, carregada desesperança, marcada forma de ser adulto. Apaguei as linhas do caderno, arranquei as folhas acrescentadas e fechei-o... Ali o tempo não passaria, nem morreria o nosso inocente amor, pois naquele caderno, esse verão seria eterno. Assim como eterno deveria ser um amor de verão. 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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