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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Amar... Dói Imensamente

Filipe Vaz Correia, 24.02.21

 

 

 

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Boa noite...

Palavras ao vento nesse tormento que me persegue, que amiúde busca essa inquietude própria dos mortais, mortais almas que na inquietude se reencontram.

Se nas entrelinhas da História podemos amarrar partes da essência perdida, será nos teus olhos, desencontrados olhos que se reescreve a verdadeira certeza, de uma absoluta incerteza, de um amor.

É crua a natureza Humana, cruel o desapegado amor que infinitamente brilhará, na despedida certeira, na partida imposta.

Todos nós estamos entregues a esse mistério que nos permite colorir o dia, essa repetida existência que nos cobre, que nos alimenta, que nos ensombra.

Seremos nós a repetição de tamanhos destinos?

Viajaremos nós por entre as nuvens e o sol numa incompleta dança de almas e expectativas?

Quantos reencontros...

Voltas e desencontros marcarão os nossos destinos?

Serei eu uma repetição de mim mesmo?

Seremos nós uma pequena partícula de algo maior?

E as nossas almas...

Viajarão sem regresso a esse intemporal regressar para os braços daqueles que por entre séculos nos pertenceram?

Fará sentido?

Angústias terrenas em dilemas existenciais, pedaços de contradições numa tela maior, de um quadro abrangente que nos completa...

Regresso sempre a Cazuza, sempre ele, um dos que me pertenceram através de suas palavras, dos seus poemas, de sua voz, meio loucura meio ternura.

Se o tempo não pára, a vida louca, louca, percorrendo os blues da piedade, nesse Brasil, mundo, que se torna parte do "seu" show...

"Cazuza dixit"

Se tudo isto fizer sentido e nos reencontrarmos sem senão, se sim ou não, porventura faltará razão à dita razão que nos espartilha e amarra, por entre, dogmas e escrituras.

Receios e anseios, em partituras de uma canção, livre e liberta, desamarrada expressão uma oitava acima.

Anseio os reencontros perdidos, receio os perdidos reencontros, numa tela de Leonardo, num rascunho de Camões, na voz de Vinícius...

Tudo e nada, numa aguarela gigante à beira de um rio.

Por que morrer não dói, como escreveu Cazuza...

Mas amar, por entre séculos, dói imensamente.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

Tudo Outra Vez...

Filipe Vaz Correia, 03.03.19

 

 

 

O amor...

 

Sempre ele;

Nas entrelinhas da vida,

Entrelaçando destinos,

Magoando caminhos,

Tornando dor, 

O que outrora foi amor,

Pincelando de ardor,

O que um dia foi sabor,

Amarrando ao tempo,

Essa forma de sentimento,

Sem nexo,

Por vezes complexo,

Que se agiganta,

Suplanta...

 

Mas por fim;

Nesse final desenhado,

Fica somente a lembrança,

Dessa espécie de esperança,

Que desvaneceu...

 

E mesmo sabendo;

Voltava a correr,

Mesmo doendo,

Tornava a viver...

 

Tudo outra vez.

 

 

 

 

As Infindáveis Cores Dos Meus Sonhos...

Filipe Vaz Correia, 12.10.18

 

Parecem muitas as cores que me acompanham nos sonhos, que me amarram insistentemente a esse mundo tão meu... Só meu... Perdidamente órfão dos momentos que passaram e que por vezes ali se reencontram, numa mistura de rostos e palavras, sorrisos desencontrados, por entre, encontros tão ambicionados. Nesse mundo não escolho rumos ou caminhos, não corro nem fujo, não grito nem choro. Nesse mundo esvoaço vezes sem conta sobre mim mesmo, sobre o bater desse coração meu, inundado de um desejo sem fim, dessa intemporalidade só possível naquele encantador reino. Não busco crescer nem morrer, somente viver cada pedaço de recordações que já não recordava, de sentidos que não sabia possuir, de imagens que não sabia ter como minhas. Instantes impagáveis que se esfumam ao acordar, desaparecendo, por entre, a neblina de um novo amanhecer, desapegadamente da triste alma, entristecida forma de um querer. Nos sonhos soletro sem esquecer, esquecendo desesperadamente cada segundo imortal de um desgosto que magoa, de uma dor que permanece, de uma ardente maneira de sentir. Escadas que subi, corredores em que corri, janelas que me pertenceram, olhares que me escaparam, vozes que se calaram, abraços que se perderam. Nesses sonhos regressam, sem regressar, chegam sem efectivamente chegar. Mas sorrio sempre... Mesmo quando choro... Sorrio sempre. Pois na singela esperança desse adormecer, sonhar, posso sempre reencontrar quem mais me falta, aqueles de quem mais saudade sinto. Parecem muitas as cores que invadem os meus sonhos, tantas e tantas que me recordam as aguarelas pinceladas por minha Mãe... Essas aguarelas que gravo na alma com aquele amor que se entrelaça a cada biscoito de limão, em cada popia caiada, em cada cheiro ou abraço teu que, infelizmente, se perdeu...Nesta mistura de saudade e querença se reencontram os meus sonhos, solitariamente entregues ao destino, desamarrada forma de querer, ansiando que a cada adormecer, possa por mim esperar essa terra encantada, onde habitam os pedaços da minha alma que outrora perdi.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Viagem De Uma Vida!

Filipe Vaz Correia, 15.10.17

 

 

 

Uma porta fechada;

Tantas outras por abrir,

Um caminho, encruzilhada,

Destino por descobrir,

Vontade determinada,

De viver...

 

Pelos olhos adentro;

Vai irrompendo a curiosidade,

Medos e magoas,

Machucada felicidade,

Estradas esburacadas,

Denominada idade...

 

Sempre o tempo a correr;

E tantas as portas que ficaram para trás;

Memórias por esquecer,

Caras meio nubladas,

Dos que perdemos...

 

Tantas as portas;

Tantos os caminhos,

Na tamanha viagem de uma vida.

 

 

A Estrada Da Vida!

Filipe Vaz Correia, 30.06.17

 

 

 

Nascemos sós;

Morremos sós...

 

E nesse entretanto;

Que chamamos de vida,

Buscamos encontrar,

A fórmula perdida,

Para a desejada felicidade...

 

Por vezes chorando,

Outras vezes sorrindo,

Vai a alma caminhando,

Pela mais bela viagem,

Que um dia existiu...

 

Viajando no complexo;

Destino,

De cada um de nós...

 

Pois nascemos sós,

E morremos sós.