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Caneca de Letras

Caneca de Letras

16
Out20

Puta

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Todas as noites na mesma rua;

Tantos homens nessa esquina

Numa vontade nua

De te ver...

 

De te querer, desejar;

De te terem por um momento

Esse dinheiro a pagar

Pelo teu sofrimento...

 

Tantas noites nesse lugar;

Onde te vendes, mulher,

Vendo a vida a passar

Ou o que dela te restou...

 

Envergonhada, esventrada, esquartejada;

Nesse corpo vazio

Porque essa alma abandonada

Já partiu, desistiu...

 

Assim despida, ferida;

Entregue ao seu destino

Ao som de uma palavra...

 

Puta.

 

 

15
Out20

“Sempre Tive Medo”

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Sempre tive medo de te perder;

Sempre tive medo de crescer

Sempre tive medo, esse ter...

 

De não saber caminhar;

De enfrentar esse sol a nascer

Esse rumo a escolher...

 

De me perder na encruzilhada;

Não conseguir encontrar essa estrada

Tive medo, do nada...

 

Sempre tive medo;

De enfrentar o mundo sem ti

De caminhar sozinho...

 

Porque o mundo é meu;

Mas o meu mundo...

 

És tu.

 

 

16
Abr20

As Trincheiras Do Covid-19... (Desabafos Poéticos)

Filipe Vaz Correia

 

Não te escondas de mim futuro, entrelaçado medo que percorre minhas veias, numa escuridão tão imensa como o bater da alma, desnudada, perdida...

No meio destes corredores o pânico, ao mesmo tempo que se sente o querer de todos, de todos aqueles que lutam, desesperadamente lutam, por resgatar dos mortos, vidas, rostos, gente.

Nos olhos a pressa, essa corrida contra o tempo, num tempo desconhecido em terra de ninguém, onde alguém solitariamente olha em volta, sem volta, à volta.

Sento-me num pedaço de colchão num recanto de nada, porque neste caso um nada pode ser tudo, esse todo de um tudo que se transforma em vazio, num frio que percorre a espinha, num arrepio imenso, tão intenso como gélido.

Não consigo pedir, orar...

Não consigo rezar por entre as lágrimas de sangue amarradas a este filme.

Nada é profundamente Humano quando nos confrontamos com a morte, nada é Humanamente maior do que esse moribundo momento, no calafrio dos números, numerosos amontoados de horror.

Corredores e mais corredores, máscaras e máscaras, rostos tapados, vozes ao longe...

No que nos transformámos?

O que nos sobrou nesse inferno que nos chegou, por entre, dias e meses inverosímeis?

Somos gente...

Somos alma...

Somos nada.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

11
Abr20

O "Deus" Do Tempo

Filipe Vaz Correia

 

Passou tanto tempo;

Depressa,

Tão pouco tempo,

Com tanta pressa,

Tantos e tantos dias,

Num instante,

Como se nada fosse importante,

Tudo fosse relativo,

E esta vida, minha,

Nada significasse.

 

Tantas certezas;

Que agora não importam,

Tantos pensamentos,

Que desvaneceram,

Tantas caras e rostos,

Que desapareceram,

Assim...

 

Num ápice.

 

Já não tenho Pai nem Mãe,

Perdi Amor e Amigos,

Família e abraços,

Perdidos em antigos regaços,

Pincelados no esquecimento.

 

O que sobra?

 

O que sobra de mim?

Dos meus sonhos,

Das minhas desassombradas vontades,

Agora submersas nesta demência que me persegue...

 

Sobrou ar e pó;

Sorrisos e lágrimas,

Um estranho nó,

Que acentua a solidão.

 

Passou tanto tempo;

Tão pouco tempo,

E em cada momento,

Me esqueci de sorrir.

 

 

08
Abr20

Morte “Morrida”

Filipe Vaz Correia

 

Ousam voar das entranhas da indecisão;

Mortos e mortos para a ribalta dos jornais,

Vociferando a impotência,

Nossa, enquanto, animais...

 

Somos pó e vento;

Pedaços de nada em forma de gente,

Num sopro o tormento,

Num instante que se sente...

 

Caminhamos parados,

Trancados em casa,

Perplexos, embasbacados,

Como um pássaro sem asa...

 

Volta, volta vida;

Do lugar para onde partiste,

Sara, sara ferida,

Cala a dor que ainda subsiste...

 

E do fim de tamanho terror;

Que consigamos alguma coisa aprender,

Que este medo não fique torpor,

E a morte não seja somente morrer.

 

 

 

 

 

03
Abr20

Oxalá...

Filipe Vaz Correia

 

Olho pela janela;

E vislumbro os silêncios,

De uma Lisboa despida;

Timidamente escondida,

Receando a coroa;

Que se torna ferida,

Esventrando a alma,

Da esquecida essência Humana...

 

Somos todos sem abrigo;

Neste tempo de pandemia,

Palavras soltas ao vento,

Por entre ondas e maresia...

 

Nada parece fazer sentido;

Tudo parece encoberto,

Nesse futuro entorpecido,

Presente deserto...

 

E por entre a esperança;

Essa que ainda subsiste,

Gritam os sonhos cancelados,

De sonhadores passados...

 

Talvez um dia;

Certamente um dia,

Voltaremos a soletrar,

Cada parte do destino,

Sem medo de sentir,

O "normal" querer de todos nós...

 

Oxalá.

 

 

 

 

30
Mar20

A Vida Da Gente...

Filipe Vaz Correia

 

Lisboa vazia, sem cores ou rostos, sem alma, com as almas escondidas em casa, carregada de medos, medos justificados, que servirão de salvação no meio de tamanha Pandemia.

Os cheiros deram lugar à inodora solidão, ao insonso e desnudado confinamento que nos circunda.

Queira Deus que nos protejamos, que passe este tempo, parado tempo que suspende a vida, as vidas, encontros e desencontros que nos constroem, nos moldam.

País e filhos afastados, avós e netos à distância, amigos separados nesse desfasamento pouco Humano.

O que fazer?

O que fazer a não ser insistir?

Insistir sem olhar para trás, de portas trancadas, janelas fechadas para o mundo, esperando, esperando, esperando...

Como iremos sobreviver e sorrir no pós Pandemia?

Como soletrar ou trautear uma melodia quando os dias voltarem a ser corridos, a agitação rotina, o querer livre?

Nestes tempos até escrever é triste, até sonhar custa, até expressar a singela alma parece infinitamente distante.

Estou cansado...

Cansado mas firme, triste mas esperançado, enclausurado mas esperando o tempo onde possamos todos ousar voar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Mar20

Tic Tac, Tic Tac,Tic Tac...

Filipe Vaz Correia

 

Não tenho vontade de sorrir, de voar ou de sentir, não tenho querer ou esperança, simplesmente desesperança nesta aprisionada existência entre quatro paredes, por entre, os grilhões mundanos.

Cabeças à janela, escondendo medos e anseios, pedaços de desespero pincelados no semblante, no olhar, na alma.

Já não se trocam beijos nem abraços, já não se apertam as mãos, deixando gélido o querer Humano, tão frágil e distante, num plano asfixiante carregado de terror.

Morre gente, muita gente, em todos os cantos dos recantos deste planeta.

E parece não terminar, não findar a angústia, esse pavor que consome o amor, esse fugir sem espaço, correr sem chão.

Faz-se silêncio, tamanhos vazios, secretos silêncios que agora se agigantam tornando hábito o que outrora era irreal.

Parques vazios, ruas despidas, nada e mais nada, numa correria que se perdeu, numa azáfama que cedeu o lugar ao tempo, tempo de espera, desesperada espera.

Apelos e novelos, relatos arrepiantes, que nos demonstram o quão pequeno é o destino diante da Mãe Natureza.

Nada somos...

Nada podemos...

Nada!

Tic tac, tic tac, tic tac...

O relógio não pára de correr, parado no mesmo lugar, assim como o raciocínio, o nosso, das gentes, buscando na memória dias diferentes na vida da gente.

Que Deus nos valha...

Que Deus nos proteja...

 

03
Mar20

As Montanhas Dos Meus Sonhos...

Filipe Vaz Correia

 

Subi montanhas, inimagináveis montanhas, presas aos sonhos inacabados de outrora, aos arrependimentos de agora, às promessas caídas, hesitantes e feridas, a tantos desvelos, em incertos novelos, transbordando de querer...

Subi montanhas, essas tamanhas, onde se escondem tacanhas, as amarguras de uma vida.

Montanhas...

Montanhas agrestes, epidemias e pestes, marcando as vestes de um singelo abandonado.

Já não sobram as marcas, das arranhadelas tortuosas, lágrimas salgadas, palavras sinuosas, de enganos e reparos, esquecidos ao vento, pesado arrependimento, que jamais se repara.

O tempo passa, as escolhas precisas, as mágoas se escapam, por entre, armadilhas vazias, nessa imensidão de esperança que cede lugar ao entediante percurso marcado no trilho de Deus.

Olho para trás...

Bem ao longe...

Buscando as silhuetas de mim, dos meus, dos outros...

Olho para trás...

Para a frente...

Nessa presença, presente, que insiste em se fazer sentir.

Subi montanhas...

Subo montanhas...

Esperando no cimo de todas elas, encontrar esse almejado paraíso que tantas vezes sonhei e encontradamente desencontrar as incertas certezas que temerosamente, por vezes, me invadem.

Subi montanhas...

Para te reencontrar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

28
Fev20

A Rasca Imprensa, Num Silencioso País ... Que Nojo!!!!!!

Filipe Vaz Correia

 

Tenho repugnância por tablóides, por esse género de imprensa que vive à custa da desgraça alheia, da devassa da vida daqueles que lhes podem dar audiência ou tiragens.

A cobertura da morte de Laura Ferreira, a Mulher de Pedro Passos Coelho, por parte do grupo Cofina, é no mínimo asquerosa...

Asquerosamente indescritível.

Fotografias do enterro, das pessoas presentes, de Pedro Passos Coelho e Filhas, da dor plasmada no rosto desses entes queridos.

Neste caso, esse aproveitamento é sobre alguém que sempre primou pela discrição e recato, mas o caso atinge proporções de maior "canalhice", de maior atentado, como se isso fosse possível...

Para piorar a situação, resolveram ainda, esse grupo editorial rasca, fotografar a Ex-Mulher de Passos Coelho, Fátima Padinha, também ela vitima de cancro e inevitavelmente marcada por tão imensa doença, demonstrando pela comparação de retratos antigos e actuais, a evidente diferença entre esses tempos e os dias que correm.

Esta escumalha não se envergonha de desnudar a fragilidade de pessoas que não pediram a exposição mediática, pessoas que estando num momento de fragilidade perante a morte de alguém  próximo, terão ainda de lidar com a exposição medíocre daqueles que trocam a ética por um punhado de Euros.

Ver Fátima Paldinha gordíssima, até disforme, em resultado do cancro com que lutou, porventura ainda luta, e imaginar a sua dor a se confrontar com essa fragilidade escarrapachada nas páginas de uma revista ou jornal, inquieta e repulsa esta alma minha que vos escreve.

Não consigo calar a indignação...

Não quero calar.

É isso que me faz sentir Humano...

A indignação diante de tamanha barbárie.

O que me entristece é o facto de isto, esta escumalha, passar impune perante esta realidade, com as gentes a continuarem a comprar o determinado pasquim, a dar audiência à miserável CMTV, a serem cúmplices de tamanha Canalhice.

Não pude deixar de escrever...

Não posso compactuar.

Talvez um dia, os Octávios desta vida, possam sentir o outro lado e saborear a imensidão e impotência, que deve ser sentida por aqueles que são expostos ao sabor dos desumanos interesses deste grupo económico.

Que nojo!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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