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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Correria de Versos

09.09.21, Filipe Vaz Correia
            Corro e corro sem parar; como se o fôlego não tivesse fim e continuo a caminhar a caminhar em busca de mim.   Corro como se estivesse numa maratona; numa estrada infinita por entre miragens e delírios rosas e lírios.   Corro sem esperança; há muito perdida nos versos de Caetano ou Cazuza, ao mesmo tempo que o meu coração balança balançando por entre os versos de uma abstracta poesia.   Corro... sem fim à vista.    

A Última Carta De Um Velho...

06.05.21, Filipe Vaz Correia
          A lareira acesa... A noite que cairia e eu ali sentado, no mesmo sitio de sempre, por entre, o infinito vazio. Esse vazio que respira e se faz sentir, nesta casa outrora repleta de gritos e movimentos, de calor humano e alegria. Ainda aqui estou... Só. A velha manta ao meu colo, repleta de buracos de cinza ardida, destes cigarros que continuam a ser o laço que me une a esse passado. O copo de Whisky a meu lado... A luz do candeeiro, o rádio ligado enquanto as mãos me (...)

A Menina, O Cão, A Cegueira

29.04.21, Filipe Vaz Correia
      O mundo visto a cores ou as cores que se transformam em preto, branco, nada... Estava a tomar o pequeno almoço, tardio, quando chegou um grupo de três meninas e um cão. Olhei enquanto escrevia uma ou outra palavra, num texto que acabaria por apagar... E ali, num segundo, o meu maior medo, não sei se maior mas um dos mais antigos, se dispunha diante do meu olhar, num quadro transparente de um vazio assustador. A cegueira! Uma daquelas meninas, jovem senhora para ser (...)

Amar... Dói Imensamente

24.02.21, Filipe Vaz Correia
          Boa noite... Palavras ao vento nesse tormento que me persegue, que amiúde busca essa inquietude própria dos mortais, mortais almas que na inquietude se reencontram. Se nas entrelinhas da História podemos amarrar partes da essência perdida, será nos teus olhos, desencontrados olhos que se reescreve a verdadeira certeza, de uma absoluta incerteza, de um amor. É crua a natureza Humana, cruel o desapegado amor que infinitamente brilhará, na despedida certeira, na partida (...)

Estranha Forma de Viver...

20.01.21, Filipe Vaz Correia
      As palavras nesta carta; Que te escrevo; Escrevinhando com a alma, A desdita de uma vida...   De um destinado destino, Descrito de maneira indescritível, Lágrima sem tino, Desenho inexplicável...   Sincera forma de amar, Perdida por entre segredos, Amargura a guardar, Os receios e medos...   Porque nesta estranha forma de dor; Aprisionado doer, Sobra tinta neste amor, Nessa estranha forma de escrever...   E escrevinhando; Sem parar, Libertando, S (...)

Puta

16.10.20, Filipe Vaz Correia
      Todas as noites na mesma rua; Tantos homens nessa esquina Numa vontade nua De te ver...   De te querer, desejar; De te terem por um momento Esse dinheiro a pagar Pelo teu sofrimento...   Tantas noites nesse lugar; Onde te vendes, mulher, Vendo a vida a passar Ou o que dela te restou...   Envergonhada, esventrada, esquartejada; Nesse corpo vazio Porque essa alma abandonada Já partiu, desistiu...   Assim despida, ferida; Entregue ao seu destino Ao som (...)

“Sempre Tive Medo”

15.10.20, Filipe Vaz Correia
      Sempre tive medo de te perder; Sempre tive medo de crescer Sempre tive medo, esse ter...   De não saber caminhar; De enfrentar esse sol a nascer Esse rumo a escolher...   De me perder na encruzilhada; Não conseguir encontrar essa estrada Tive medo, do nada...   Sempre tive medo; De enfrentar o mundo sem ti De caminhar sozinho...   Porque o mundo é meu; Mas o meu mundo...   És tu.    

As Trincheiras Do Covid-19... (Desabafos Poéticos)

16.04.20, Filipe Vaz Correia
  Não te escondas de mim futuro, entrelaçado medo que percorre minhas veias, numa escuridão tão imensa como o bater da alma, desnudada, perdida... No meio destes corredores o pânico, ao mesmo tempo que se sente o querer de todos, de todos aqueles que lutam, desesperadamente lutam, por resgatar dos mortos, vidas, rostos, gente. Nos olhos a pressa, essa corrida contra o tempo, num tempo desconhecido em terra de ninguém, onde alguém solitariamente olha em volta, sem volta, à volta. Sento (...)

O "Deus" Do Tempo

11.04.20, Filipe Vaz Correia
  Passou tanto tempo; Depressa, Tão pouco tempo, Com tanta pressa, Tantos e tantos dias, Num instante, Como se nada fosse importante, Tudo fosse relativo, E esta vida, minha, Nada significasse.   Tantas certezas; Que agora não importam, Tantos pensamentos, Que desvaneceram, Tantas caras e rostos, Que desapareceram, Assim...   Num ápice.   Já não tenho Pai nem Mãe, Perdi Amor e Amigos, Família e abraços, Perdidos em antigos regaços, Pincelados no (...)

Morte “Morrida”

08.04.20, Filipe Vaz Correia
  Ousam voar das entranhas da indecisão; Mortos e mortos para a ribalta dos jornais, Vociferando a impotência, Nossa, enquanto, animais...   Somos pó e vento; Pedaços de nada em forma de gente, Num sopro o tormento, Num instante que se sente...   Caminhamos parados, Trancados em casa, Perplexos, embasbacados, Como um pássaro sem asa...   Volta, volta vida; Do lugar para onde partiste, Sara, sara ferida, Cala a dor que ainda subsiste...   E do fim de tamanho terror; (...)