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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Uma Aventura No Centro De Saúde...

Filipe Vaz Correia, 12.02.20

 

Estou sentado no centro de saúde de Sete Rios...

E de facto nada faz mais falta do que saúde, essa palavra abreviada de saudade, o sentimento que nos sobra, imagino, à medida que o tempo vai avançando e as maleitas vão tomando conta de nós.

O olhar das pessoas, muitos deles velhos, neste ambiente pesado e amorfo, carregado de tosse e espirros, de desabafos e lentidão.

Não consigo deixar de pensar como será quando chegar, se Deus quiser, a minha vez, o meu tempo de velhice, de impotente convivência com esse corpo envelhecido...

Neste instante, em que vos escrevo, sentam-se a meu lado duas pessoas, por entre tremores e silêncios, tosse e mais tosse.

Levanto-me!

Isto de um hipocondríaco estar no meio de um centro de saúde...

Vou deixar esta divagação por aqui, neste desabafo Canequiano sobre esta temporalidade que nos persegue e amarra, sem limites, até ficarmos velhinhos.

Velhinhos, se tudo correr bem...

Esperemos que sim!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Um Interior de Interrogações...

Filipe Vaz Correia, 19.10.17

 

São dias de rescaldo, estes que agora passam sobre esta imensa tragédia, que se abateu sobre todo o povo Português, por entre as cinzas de tantos e tantos mortos que tombaram nestes incêndios de 2017, sobrando a certeza e a convicção, de estarmos perante um tempo de responsabilidades mas também de futuro.

E é esse futuro que urge ponderar, aproveitando o embalo das palavras de Emmanuel Macron e do Comissário Pierre Moscovici, utilizando essa flexibilidade prometida, numa tentativa de reconstrução, de uma parte deste nosso País, que infelizmente, desapareceu.

Não deveremos apenas ponderar o reordenamento do território, a reflorestação destas terras um dia verdes, pois não me parece menos importante, debater a desertificação de uma parte deste País, abandonado à sua sorte, isolado...

Não será possível criar um plano que possa ser seguro, que possa revigorar todo um terreno, agora devastado, sem gentes, sem o vigor de um futuro, de crianças, de vidas.

O Governo, a Sociedade Civil, todos teremos de ponderar sobre esta questão, que considero uma das mais importantes, e que poderá ser a chave para um novo despertar, de um interior esquecido...

Como fazer regressar as gentes, ao interior deste nosso País?

Esta resposta, passará sempre pelas condições de vida que os jovens sintam poder alcançar, por uma certa esperança de oportunidade, que deixou de existir...

A não ser que se viva, numa grande metrópole.

Só assim, criando razões para existir futuro, voltaremos a ter gente, onde há muito, apenas existe um nada.

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 Filipe Vaz Correia