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Caneca de Letras

Caneca de Letras

22
Out19

Até já, Vida!

Filipe Vaz Correia

 

Ando pelas ruas, sem poiso, sem lugar aonde pertencer, numa frenética busca de algo que jamais ousei alcançar.

Perdi-me por entre rostos, cansados desgostos que oiço repetitivamente, numa desamparada correria entrelaçadamente alucinada.

Voltas e mais voltas nas pedras da calçada, dormindo aqui e acolá, fazendo de cada esquina, casa, em cada fria noite que me abraça, despedaçadamente solitária, desnudadamente sem retorno.

Já partiram todos os que importavam, mesmo persistindo nos erros que sobravam, assinaladamente desesperadores, sempre regressando ao mesmo tempo, momento onde se desamarraram as águas, se perderam as lágrimas, se soltaram as questões.

Estou cansado...

Tão cansado que já me esqueci desse cansaço, pequeno pedaço de mim, amargura sem fim, por entre, as soluçantes vozes de outrora.

Os que amei...

Os que esqueci...

Os que não importando se impuseram, como fantasmas regressando, vezes sem conta, para me atormentar.

Às vezes a penumbra, o trémulo vislumbrar do que ficou perdido no tempo, lá atrás, onde fui feliz...

Será que fui feliz?

Será possível?

Mais uma noite que chega, mais um dia que finda, nesta desventurada aventura denominada de destino...

Fecho os olhos, oiço o barulho dos carros, as vozes e passos daqueles que passam a meu lado no passeio, de tanto e tão pouco.

De tanto e tantos que partilham este mundo comigo e de tão pouco que me sobrou...

Para além desta tristonha solidão que me alimenta.

Alimentando cada pedaço de palavra que soletradamente salta de mim para o papel, do papel para as estrelas, das estrelas para um desencontrado reencontro com aqueles que um dia me pertenceram, que um dia partiram...

Até já.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

01
Out19

A “Intemporal” Viagem De Todos Nós...

Filipe Vaz Correia

 

Ainda sangra ou já estancou o pedaço de ferida que teimava em se fazer sentir?

Nesse caminhar constante, vulgo destino, tantas foram as vezes que desassombradamente a vida chega e nos derruba, nos amarra nessa tristeza que parece ficar para sempre.

O nascer do dia chega mas a noite escura parece reinar, tenebrosamente presente, ameaçando, nessa escuridão, os coloridos sonhos de outrora.

Já não existe brisa ou maresia, riso ou contentamento, esse leve sentimento desnudado e esquecido, entrelaçado sofrimento, amargurado e ferido.

O escorrer do sangue, como lágrima que não se esconde, intensifica a espécie de ardor que marca e esventra, num desmedido querer silencioso, grito calado que ensurdece o pobre coração...

Ainda sangra?

Ainda vociferas pedaço de ferida na alma?

Alma?

O olhar meio perdido que abraça a realidade vai ditando o caminho, trilhando o destino ensurdecedor, trauteando palavras e frases, descontraídas formas de choro que se confundem com a ausente poesia numa folha em branco...

A despida contradição num cumprimento que se perdeu.

Nem sei como soletrar esta contraditória melodia que num momento se degladia, num outro irradia, e em todos eles se desvanece numa alucinante montanha russa de lembranças, amarguradas desesperanças que outrora pulsavam, antigamente se soltavam, por entre, a saudosa esperança que tudo transformava.

O sol partiu, discretamente se despediu, devagarinho, de mansinho, num aceno que pareceu timidamente discreto, incertamente nostálgico.

Sem saber se num novo dia voltará a irromper por entre os céus...

Num repetido quadro intemporal.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

29
Set19

Velha Imagem...

Filipe Vaz Correia

 

Silêncios e vazios;

Desaguando repetidamente,

Vazios rios,

Secando secamente,

Por entre desvarios,

Que gritam insanamente,

Ao luar...

 

Onde te escondes lua?

Triste tristeza,

Dançando nua,

Na firme certeza,

De que não será tua,

Essa intensa beleza,

Que se despedirá...

 

Vai passando sem parar;

Esse tempo,

Num corrupio, viajar,

Caminhando num tormento,

Até se acabar,

Num segundo ou firmamento,

A palavra a soletrar...

 

Soletro uma vez mais;

E mais uma vez soletro,

Desesperançadamente diante do espelho...

 

Quem sois velha imagem?

Quem sois?

 

 

 

24
Set19

Será Coates O Vilão?

Filipe Vaz Correia

 

Mais um jogo do “meu” Sporting...

Mais uma vergonha indisfarçável.

Nas bancadas querem um vilão, na blogosfera querem um vilão...

Mas não contem comigo para esse “previsível” vilão.

Sebastien Coates, internacional Uruguaio, excelente jogador, vive um momento terrível entre penáltis e autogolos, por entre, a contestação e a frustração...

Não contem comigo para esse peditório.

Exprimir a indignação, como Sportinguista, é avaliar o todo, esse somar que nos leva a quem nos dirige, aos superficiais dirigentes que contribuíram e construíram este plano que hoje nos amarra e acorrenta.

Frederico Varandas é medíocre, enquanto Presidente do Sporting Clube de Portugal, o maior responsável pelo momento que vivemos.

Existirão muitos que exigirão silêncios, “Camarotes” Leoninos, submersos nesse Status Quo do poder mas que não conseguirão calar aqueles que sentindo o Clube se insurgem diante dos algozes do “nosso” destino.

O vilão desse futuro, dessa esperança, é o actual Presidente e a sua estrutura, esses Yupies Varandistas que dominam as nossas decisões, os nossos trilhos.

E não me venham com os fantasmas Brunistas, pois basta percorrer este blog para perceber que, ao longo do tempo, fui mais oposição a Bruno de Carvalho do que estes que agora se assumem como relatores da História.

Mais do que nunca se impõe a rebelião, o grito maior que nos dará a alforria desses Senhores pequenos, tão pequenos que não conseguem vislumbrar a dimensão diminuta dos seus pensamentos.

Não se voltem contra Coates, contra Bruno Fernandes ou Mathieu...

Será mais importante procurar o que mudou para justificar tamanha devastação em tão experientes jogadores.

Querem um vilão?

Procurem no Afeganistão ou em Lisboa...

A senha é:

Frederico Varandas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

05
Jun19

Noa Pothoven

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Sou por princípio contra a eutanásia...

Porquê?

Nem eu sei.

Talvez por educação, valores que me foram incutidos na terna infância, por palavras, ideias ou através da inquebrantável fé, contada e explicada desde o berço.

Mas será assim?

Quem sou eu para julgar a decisão de outrem, de alguém que decide a sua vida, por entre, as agruras e dores que dentro de si habitam?

Ao ler a notícia que relata a eutanásia de Noa Pothoven, a menina Holandesa de dezassete anos que decidiu ser eutanasiada, senti a necessidade de tentar entender, de através das suas palavras entrar um pedaço nesse mundo seu.

Nessa carta de despedida no Instagram, a menina Noa relatou os abusos sexuais que sofreu ao doze anos, assim como, a violação que sofreu aos quatorze, feridas sangrando que lhe roubaram a inocência ou a perspectiva de viver.

Tantas dúvidas no meio de tamanha tristeza...

Como poderemos julgar o que verdadeiramente desconhecemos?

Nessa carta de despedida, Noa reflecte sobre a falta de cuidados psicológicos ou psiquiátricos na Holanda para pessoas que sofrem deste tipo de doença mental, claramente contrastando com as inovadoras e avançadas leis que permitem a qualquer pessoa, com mais de doze anos, poder decidir sobre o fim de sua vida.

Neste domingo, Noa despediu-se dos seus, dessa vida que tanto sofrimento lhe causava.

Descanse em paz menina Noa e que a sua História possa servir de exemplo para todos nós...

Pelo menos nos faça pensar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

28
Mai19

Versos Desconexos...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Os olhos tristonhos;

Tão meus...

 

Outrora risonhos;

Só meus...

 

Pesadelos medonhos;

Num adeus...

 

A voz calada

Que me pertence,

A dor silenciada

Que se sente,

Vento, ventania,

Insistentemente presente...

 

E por entre a desconexa vontade de escrever;

Por entre versos e poesia,

Caminhando de mãos dadas sem ceder,

Celebrando a derradeira ousadia,

Desse amar ao amanhecer...

 

Ao entardecer;

Ao anoitecer,

Eternamente até morrer.

 

 

 

 

20
Mai19

Todas As Mágoas Do Mundo

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Todos os gritos transformados num só;

Todas as vozes caladas,

Todos os sonhos reduzidos a pó,

Poeira desdenhada...

 

Todas as lágrimas desaparecidas;

Todos os olhares disfarçados,

Disfarçando as velhas feridas,

Em lugares desencontrados...

 

Todas as partes de mim;

Numa entrelaçada estrada,

Desapegadamente em busca de um fim,

Um fim cheio de nada...

 

Mas nesse horizonte ao luar;

Perdidamente entre poetas,

Vinícius, Cazuza, Pessoa ou Gilmar,

Se prende a mim, desperta,

Essa busca sem findar,

Da alma incerta...

 

E sem tradução;

Singelamente desacertado,

Se entrega o coração,

A esse destino acelerado,

Que ainda me consome.

 

 

 

 

 

27
Abr19

Morrer de Amor: A História De Horácio Sala...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Morreu o Pai de Emiliano Sala...

O Sr. Horácio Sala partiu num momento de desistência do seu coração, certamente submerso nas saudades asfixiantes que devem ter marcado estes dias após a trágica morte de seu filho.

Morrer de amor...

Como escrevem os poetas, morrer de saudades, como se entrelaça em cada pedaço de poesia plasmada na imortal alma.

Não tenho palavras, mesmo querendo buscá-las, perdido nesta triste notícia.

Que descanse em paz e que possa reencontrar esse amor perdido, numa fria noite, num "Canal Manchado" de tristeza.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

04
Mar19

Rostos...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Rostos e mais rostos;

Nesse mar de gente,

Deambulando pela rua,

Multidão ausente,

Na solidão crua,

Tornada crescente,

A ausência tua,

Que em mim flutua...

 

Rostos e mais rostos;

Despidos de significado,

Pedaços de desgosto,

Num rosto desamparado...

 

Rostos e mais rostos;

Num entrelaçado silêncio,

Buscando arrepiados,

O que se escapou...

 

Rostos e mais rostos;

Nesse desenho rasurado,

Assinalando a despedida,

Meio ferida,

De um tempo.

 

 

 

 

22
Set18

Quem Nunca Amou?

Filipe Vaz Correia


Não  me sobrou o medo, pois esse medo que me corrompe, me consome, estará apenso à solidão  momentânea  de um desmedido desejo, singelo ensejo de um destino.

Palavras  singelas que se confundem com o bater do coração, esse cego sentir, sentindo cegamente esse querer secreto.

Mas poderá a alma se silenciar?

Poderia ser diferente se de cada vez que é tornado realidade, se desvanece num senão, esse tão puro amor?

Por entre a sapiente sabedoria de um silencio, vai desvanecendo essa esperança, essa intensa querença que se tornou tristeza...

Mas como se explica ao coração que não importa o sentir?

Como se explica ao coração que por vezes apenas sobrará  a desmentida promessa?

Por vezes não importa explicar, apenas soletrar baixinho o triste caminho que sobreviverá eternamente...

Num texto desconexo, por entre palavras descomplexadas, tristemente enumeradas numa carta sem poesia, numa tarde de maresia, afogando o que um dia prometeu ser eterno.

Por vezes não importa amar...

Por mais que esse amor seja o essencial de uma vida...

De todas as vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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