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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Quantos Actos Tem Uma Vida?

Filipe Vaz Correia, 29.03.22

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Busco nas mais imperfeitas coisas pedaços da perdida perfeição, contos e poemas que possam dar um sentido àquilo que se questiona, às coisas mundanas e sacras, desconhecimentos por refletir.

Nas mais sentidas dores, desilusões, aumentam as questões, aqueles momentos de tormento em que tudo parece findar na mais rebuscada interrogação.

Sei lá para onde caminho, tantas vezes grita a alma, carregada de receios e medos, chão que foge sem parar nesse amor que desvaneceu...

As ilhas rodeadas de mar, isoladas de terra e calor, tão sós na imensidão de mundo, sem ninguém para abraçar, é assim que me sinto, vezes sem conta, nas mais frias noites, nas mais infindáveis prosas da minha imaginação.

A poesia salvou-me tantas vezes, nesse desabafo que passa para o papel, como num salto sem rede de uma qualquer ponte impiedosa, de um penhasco de dores pinceladas por séculos de grito.

Palavras soltas que se juntam por vontade própria, quase como um puzzle que se constrói por si mesmo, sem pedir autorização.

Vejo a dor plasmada em imagens, de Tróia a Cartago, das ruas de Kiev às grutas de Damasco, do sangue na Somália aos campos de concentração na Chéchenia, de Alcácer Quibir ao palácio de Nabucodonosor...

Tamanhas mágoas de ódio e amor, tecendo entre teias de lágrimas o pensamento humano, desespero de desencontros que se forjam no tempo.

Sei lá...

Quantas vidas terei, teremos?

Quantos erros iremos repetir?

Quantas vezes amar será apenas esse gesto inebriado de um fim que se aproxima...

Seria fácil desistir, não tentar mais, percorrer o caminho mundano sem expectativas de encontrar o outro, transformando o impulso carnal nesse desvanecer que se entrega sem compromisso, sem expectativa da contracena.

Mas para almas velhas, aquelas que persistem em regressar, os sofrimentos do sentimento obrigatoriamente se transformarão nesse entregar sem fim, repetindo em cada vida esse abraço, pequeno retrato do regaço que impele o coração, vezes sem conta, a gritar...

Será que Alexandre reencontrou Heféstion, Romeu reencontrou Julieta, Pedro reencontrou Inês ou aquela Mãe reencontrou aquele filho, queimados nas ruínas de Pompeia?

Será?

Será que a roda do destino nos impele a continuar mesmo que nessa busca por reencontros possamos cruzar a nossa caminhada com os nadas que ecoam e magoam, com o vazio que se disfarça de sentir para esmagar ainda mais essa saudade que reconhecemos sem saber...

Perdidos em melodias vamos intervalando a vida e o seu sentido com o rebuliço quotidiano, com os pequenos intervalos de um filme, respirando sofregamente pelo momento principal, pelo epílogo que se aproxima de mansinho.

Apagam-se as luzes...

Novo acto, novas cenas, nova vida...

E continuamos a correr.

 

 

Filipe Vaz Correia

Até já, Vida!

Filipe Vaz Correia, 22.10.19

 

Ando pelas ruas, sem poiso, sem lugar aonde pertencer, numa frenética busca de algo que jamais ousei alcançar.

Perdi-me por entre rostos, cansados desgostos que oiço repetitivamente, numa desamparada correria entrelaçadamente alucinada.

Voltas e mais voltas nas pedras da calçada, dormindo aqui e acolá, fazendo de cada esquina, casa, em cada fria noite que me abraça, despedaçadamente solitária, desnudadamente sem retorno.

Já partiram todos os que importavam, mesmo persistindo nos erros que sobravam, assinaladamente desesperadores, sempre regressando ao mesmo tempo, momento onde se desamarraram as águas, se perderam as lágrimas, se soltaram as questões.

Estou cansado...

Tão cansado que já me esqueci desse cansaço, pequeno pedaço de mim, amargura sem fim, por entre, as soluçantes vozes de outrora.

Os que amei...

Os que esqueci...

Os que não importando se impuseram, como fantasmas regressando, vezes sem conta, para me atormentar.

Às vezes a penumbra, o trémulo vislumbrar do que ficou perdido no tempo, lá atrás, onde fui feliz...

Será que fui feliz?

Será possível?

Mais uma noite que chega, mais um dia que finda, nesta desventurada aventura denominada de destino...

Fecho os olhos, oiço o barulho dos carros, as vozes e passos daqueles que passam a meu lado no passeio, de tanto e tão pouco.

De tanto e tantos que partilham este mundo comigo e de tão pouco que me sobrou...

Para além desta tristonha solidão que me alimenta.

Alimentando cada pedaço de palavra que soletradamente salta de mim para o papel, do papel para as estrelas, das estrelas para um desencontrado reencontro com aqueles que um dia me pertenceram, que um dia partiram...

Até já.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A “Intemporal” Viagem De Todos Nós...

Filipe Vaz Correia, 01.10.19

 

Ainda sangra ou já estancou o pedaço de ferida que teimava em se fazer sentir?

Nesse caminhar constante, vulgo destino, tantas foram as vezes que desassombradamente a vida chega e nos derruba, nos amarra nessa tristeza que parece ficar para sempre.

O nascer do dia chega mas a noite escura parece reinar, tenebrosamente presente, ameaçando, nessa escuridão, os coloridos sonhos de outrora.

Já não existe brisa ou maresia, riso ou contentamento, esse leve sentimento desnudado e esquecido, entrelaçado sofrimento, amargurado e ferido.

O escorrer do sangue, como lágrima que não se esconde, intensifica a espécie de ardor que marca e esventra, num desmedido querer silencioso, grito calado que ensurdece o pobre coração...

Ainda sangra?

Ainda vociferas pedaço de ferida na alma?

Alma?

O olhar meio perdido que abraça a realidade vai ditando o caminho, trilhando o destino ensurdecedor, trauteando palavras e frases, descontraídas formas de choro que se confundem com a ausente poesia numa folha em branco...

A despida contradição num cumprimento que se perdeu.

Nem sei como soletrar esta contraditória melodia que num momento se degladia, num outro irradia, e em todos eles se desvanece numa alucinante montanha russa de lembranças, amarguradas desesperanças que outrora pulsavam, antigamente se soltavam, por entre, a saudosa esperança que tudo transformava.

O sol partiu, discretamente se despediu, devagarinho, de mansinho, num aceno que pareceu timidamente discreto, incertamente nostálgico.

Sem saber se num novo dia voltará a irromper por entre os céus...

Num repetido quadro intemporal.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Velha Imagem...

Filipe Vaz Correia, 29.09.19

 

Silêncios e vazios;

Desaguando repetidamente,

Vazios rios,

Secando secamente,

Por entre desvarios,

Que gritam insanamente,

Ao luar...

 

Onde te escondes lua?

Triste tristeza,

Dançando nua,

Na firme certeza,

De que não será tua,

Essa intensa beleza,

Que se despedirá...

 

Vai passando sem parar;

Esse tempo,

Num corrupio, viajar,

Caminhando num tormento,

Até se acabar,

Num segundo ou firmamento,

A palavra a soletrar...

 

Soletro uma vez mais;

E mais uma vez soletro,

Desesperançadamente diante do espelho...

 

Quem sois velha imagem?

Quem sois?

 

 

 

Será Coates O Vilão?

Filipe Vaz Correia, 24.09.19

 

Mais um jogo do “meu” Sporting...

Mais uma vergonha indisfarçável.

Nas bancadas querem um vilão, na blogosfera querem um vilão...

Mas não contem comigo para esse “previsível” vilão.

Sebastien Coates, internacional Uruguaio, excelente jogador, vive um momento terrível entre penáltis e autogolos, por entre, a contestação e a frustração...

Não contem comigo para esse peditório.

Exprimir a indignação, como Sportinguista, é avaliar o todo, esse somar que nos leva a quem nos dirige, aos superficiais dirigentes que contribuíram e construíram este plano que hoje nos amarra e acorrenta.

Frederico Varandas é medíocre, enquanto Presidente do Sporting Clube de Portugal, o maior responsável pelo momento que vivemos.

Existirão muitos que exigirão silêncios, “Camarotes” Leoninos, submersos nesse Status Quo do poder mas que não conseguirão calar aqueles que sentindo o Clube se insurgem diante dos algozes do “nosso” destino.

O vilão desse futuro, dessa esperança, é o actual Presidente e a sua estrutura, esses Yupies Varandistas que dominam as nossas decisões, os nossos trilhos.

E não me venham com os fantasmas Brunistas, pois basta percorrer este blog para perceber que, ao longo do tempo, fui mais oposição a Bruno de Carvalho do que estes que agora se assumem como relatores da História.

Mais do que nunca se impõe a rebelião, o grito maior que nos dará a alforria desses Senhores pequenos, tão pequenos que não conseguem vislumbrar a dimensão diminuta dos seus pensamentos.

Não se voltem contra Coates, contra Bruno Fernandes ou Mathieu...

Será mais importante procurar o que mudou para justificar tamanha devastação em tão experientes jogadores.

Querem um vilão?

Procurem no Afeganistão ou em Lisboa...

A senha é:

Frederico Varandas.

 

 

Filipe Vaz Correia