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Caneca de Letras

Caneca de Letras

20
Nov19

Gritar...

Filipe Vaz Correia

 

Queria gritar...

Selvaticamente gritar...

No horizonte trancado esse querer que se liberta.

Queria gritar...

Selvaticamente gritar.

Nesta gruta onde me encontro, enjauladamente peregrino, peregrinadamente ansiando cada ritual carregado de hipocrisia, tão impiricamente ensaiado ao pormenor.

Queria gritar...

Selvaticamente gritar...

Mas no meio do pó, nesse pó transformado em quadro, não sobra espaço para sentimentos, emoções ou verdade.

Queria gritar...

Selvaticamente gritar...

As palavras, sempre elas, amordaçadamente cedendo às linhas do papel, a esse enquadramento sintomático que espartilha e esventra.

Queria gritar...

Selvaticamente gritar...

Mas não tenho força, não tenho voz, tão solitariamente sós na imensidão da folha em branco.

Queria gritar...

Selvaticamente gritar...

Mas não sobrou tempo nem momento para a tamanha vontade, nessa perdida saudade de um destino que jamais o foi.

Gritar...

Gritar!

 

 

Filipe Vaz correia

 

 

10
Ago19

O Bater De Asa

Filipe Vaz Correia

 

Bater as asas...

Frase tão forte e definitiva, tão triste e afirmativa, tão libertadora e saudosista.

Nunca um momento terá a tamanha importância desse bater de asa que se tornará marcante, definitivamente marcante.

Nenhuma poesia ou prosa conseguirá pincelar, com precisão, cada curvilínea parte dessa tela, cada esboço entrelaçado desse instante, cada tremer existente nesse presente segundo.

Quando se bate a asa e se levanta voo, sobra a sensação de perda, desse deixar para trás, sem abandonar, desde partir deixando sempre um pouco de nós.

Mas esse mundo novo que nos espera, essa sensação do que por descobrir está, alimenta a imaginação, a independência que estando por construir seduz, nesse sonho que só a nós pertencerá.

Bater as asas e voar...

Como um pequeno pássaro arriscando saltar do ninho, sem olhar para trás, sem olhar para aquele local onde moram as certezas, as seguranças, enfim, esse passado presente que aconchega.

É nesse bater de asas que se constrói o futuro, esse horizonte carregado de desconhecidos momentos, duros e leves, preenchido de lágrimas e sorrisos, de amores e desamores, talvez dor e ardor.

Nesse futuro pincelado pela nossa mão, sem bússola ou co-piloto, morarão os capítulos dessa história por chegar e que chegando nos levarão ao infinito momento onde nos recordaremos do preciso instante em que, pela primeira vez, batemos as asas.

E aí...

Serão as saudades do ninho que irão valorizar cada bater dessas asas, das nossas asas, rumo ao infinito destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

07
Mar19

No Caneca Com... A Minha Sobrinha Matilde!

Filipe Vaz Correia

 

Sou uma planta bonita e delicada, mediana em altura mas fina.

As minhas pétalas são brancas, mais brancas do que a neve...

Cheiro bem, como se fosse perfume mas cheiro mal quando me arrancam do meu lar.

Lar doce lar, onde vivem as minhas amigas, a Margarida, a Girassol e a minha melhor amiga...

Uma Rosa encarnada, a mais bela de todas elas, assim como, eu sou a mais bela das Rosas brancas.

Muitas amigas minhas já foram arrancadas do seu lar, à força, até perderem as raízes...

Com sorte, ainda não fui eu.

Mas só ouvi-las a gritar, a pedirem ajuda e a murcharem, já é uma tortura.

Há dois dias arrancaram a minha Irmã, a Rosinha, que só tinha 10 anos...

Coitada!

E existem criaturas perigosas que rastejam pelo chão, comendo pétalas e folhas, chamadas Lagartas.

Agora já sabem como é a vida de uma planta.

 

Matilde Bessa

9 Anos

 

 

01
Out18

Desencontrado Reencontro...

Filipe Vaz Correia

 

Busquei o mesmo rumo de ontem, o mesmo rumo de hoje, o mesmo rumo que anteriormente se poderia fazer sentir, sentindo nessa estrada de caminhos imperfeitos, as imperfeições que esmagam a consciência, como se a consciência fosse arquivada, salpicada com esse tempero que não se esconde mais. Mas como poderia escrever um texto compassado se o que dentro de mim habita se descompassa, perdendo-se infinitamente. Desejo espaçar as linhas, sorrir intensamente mas não páram de surgir palavras compulsivamente, descontroladas na imensidão de letras e ideias. Quero mudar de linha, num texto que se agiganta, se mistura, se entrelaça sem fim, como se esse fim fosse menor do que o parágrafo de uma historia. Denso imaginar, como se a imaginação compactuasse com rótulos ou qualificações, grilhos ou prisões. E esvoaçando, por entre, repito, este desconexo texto, sobra em mim a certa incerteza de que neste conjunto de palavras...

 

Me Reencontro.

 

 

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