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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Houve Um Tempo Que Findou...

 

 

 

Tinha escrito numa folha de papel;

Há muito tempo atrás...

 

Há tanto tempo;

Que escrevera tais palavras;

Enganadoras palavras,

Que trazidas pelo vento,

Amarravam à esperança,

A inquietude...

 

Mas o tempo passou;

E com ele esvoaçaram as palavras,

Para um longínquo destino,

Onde esmoreceram abandonadas...

 

Abandonadas e esquecidas;

Solitários quadros,

De antigas feridas,

Que jamais sararão...

 

Houve um tempo;

Bem distante,

E ao mesmo tempo presente,

Onde a minha voz hesitante,

Queria gritar...

 

Houve um tempo;

Que findou.

 

 

 

Quantas Vidas Tem Um Amor?

 

Por vezes a vida escreve por nós o guião, mesmo que tenhamos a ilusão que não...

Que somos nós quem a redige, que é nossa a pena que traça as decisões de um momento, o olhar que se dirige por entre o horizonte.

Os encontros que se aproximam, programadamente ilusórios, de um destino que a muito custo tentamos amarrar aos planos imaginados da pequena alma.

No longínquo passado pejado de escolhas, mora a incerta dúvida que um dia se apresentou, a certeza intermitente que pareceu acertada, a convicção que somos senhores desse destino, tão nosso.

Mas não...

Por vezes não!

Por vezes e só por vezes, chove sem parar, desaba em nós a duvidosa expressão da alma, entrelaçada com a tristeza imensa que parece eterna, somente eterna, para sempre eterna.

Outras vezes, ela se atenua, essa mesma tristeza que desvanece, por entre um sorriso que se encontra ao virar de uma esquina, num reencontro desconhecido, naquele olhar repetidamente irrepetível.

A mesma empatia de sempre, mesmo que esse sempre, seja inexplicável, de tempos em que a memória não alcança, pois não consegue regressar ao lugar, onde se esconde o derradeiro enigma...

A vida!

Todas as vidas!

Cada vez que a morte reclama esse fim, que resgata para si todos os encontros de uma existência, se apagam na dor os pedaços desencontrados, desses mágicos momentos, onde se amou perdidamente...

Onde perdidamente se amou.

Mas por vezes, poucas as vezes, ultrapassando a razão que insiste em se afirmar, deixando para trás a noção terrena de finitude, se desamarra a imaginação, se liberta do universo a velha chama e se reencontra uma pequena parte de mim, que foste tu...

Ou uma imensa parte de ti, que um dia, me pertenceu.

Nesse momento, mágico instante, volta a fazer sentido o inexplicável olhar, a inacreditável dimensão da alma, sem se explicar, pois não tem explicação o que para lá da razão se encontra.

E apenas o amor...

O raro amor, poderá compreender o que se esconde por entre as nuvens do tempo.

O intemporal tempo, de tão infindáveis destinos...

Do nosso infindável destino. 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Tempo

 

 

 

A vida inteira parecia imensa;

Numa imensidão de dias e noites,

Que tardariam a passar,

Deixando pela frente,

A eterna eternidade...

 

Mas passou;

Depressa correu,

E simplesmente se findou,

Aquela alma que morreu...

 

Passou a correr;

Desesperante tempo;

Finitude de morrer,

Desgraçado tormento...

 

E partiu a velhinha;

Enrugada e cansadinha,

Acreditando que ainda ontem nascera.

 

 

 

 

 

Viagem De Uma Vida!

 

 

 

Uma porta fechada;

Tantas outras por abrir,

Um caminho, encruzilhada,

Destino por descobrir,

Vontade determinada,

De viver...

 

Pelos olhos adentro;

Vai irrompendo a curiosidade,

Medos e magoas,

Machucada felicidade,

Estradas esburacadas,

Denominada idade...

 

Sempre o tempo a correr;

E tantas as portas que ficaram para trás;

Memórias por esquecer,

Caras meio nubladas,

Dos que perdemos...

 

Tantas as portas;

Tantos os caminhos,

Na tamanha viagem de uma vida.

 

 

Só Se Ama Uma Vez....

 

 

 

Raios de sol;

Ventos de mudança,

Clave de sol,

Sons de esperança,

Cheiros de mentol,

Antiga herança...

 

Memórias temperadas;

De faces e rostos,

Lágrimas salgadas,

Tristezas e desgostos...

 

Beijos e abraços;

Afagos perdidos,

Imagens a espaços,

De tempos antigos...

 

Não volta atrás o tempo;

Não regressa o imenso olhar,

Não me pertencerá o infinito,

Desse eterno amar...

 

Porque só se ama;

Uma vez.

 

 

Tempo

 

 

 

As sensatas melodias;

Floridas alegorias,

Inebriantes e luzidias,

Indecifráveis alegrias,

Entrelaçadas pelo tempo...

 

As harmoniosas emoções;

Lágrimas e desilusões,

Temporais e furacões,

Desbravados corações,

Perdidos através do tempo...

 

As insidiosas fraquezas do ser;

Mistura de dúvida e saber,

Interrogação de um viver,

Ignorância do querer,

Esperançoso tempo...

 

Enfim o derradeiro ensinamento;

Amargo sofrimento,

Anunciado distanciamento,

Amor tornado tormento,

Tempo após tempo...

 

Para além de todos os tempos.

 

 

 

 

O Conselheiro...

 

 

 

Já lá vai o tempo;

Lá vai muito longe,

Um distante momento,

Onde no horizonte,

Parecia vislumbrar,

Por entre a penumbra discreta,

Dessa amargura avisada,

A secreta,

Lua...

 

A secreta noite;

Cheia de encantos,

Avisos e prantos,

Ruelas e desencantos,

Escondendo os recantos de tamanho amor...

 

Já lá vai o tempo;

Onde um mero sorriso,

Uma lágrima destemperada,

Mudaria tudo...

 

Porque o tempo é o mais cruel;

Conselheiro,

De um coração ferido.

 

 

O Tempo...

 

 

 

O tempo passa por nós;

Esvoaçante sensação,

Segredando sem voz,

Lembranças ao coração...

 

O tempo vai devagarinho;

Levando as noites e os dias,

Vai roubando de mansinho,

As agruras, as alegrias...

 

O tempo sorrateiro;

Eternizando o presente,

Até ao momento derradeiro,

Em que se torna ausente...

 

E vai o tempo fugindo;

Vai escapando sem dizer;

Vai chorando e sorrindo,

Silenciando o querer...

 

Vai o tempo,

Caminhando pelo infinito,

Infinitamente.