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Caneca de Letras

Caneca de Letras

31
Mai19

"Escrevinhaturas"

Filipe Vaz Correia

 

Escrevo, escrevinho a duras penas, buscando dentro de mim caminhos por desbravar, sentires esquecidos, palavras e cores sem tradução.

Escrevinhar constantemente desde que me recordo de recordar, numa entrelaçada curiosidade entre papel e caneta, mágicas letras completadas na grandiosidade do que juntas representavam.

Sentidos sentimentos na ponta da pena, por vezes com pena, pincelando a cena que se constituía em minha mente...

Silêncios compassados por batuques descompassados navegando por entre os loucos e medonhos receios da insana distância pueril.

Monstros e mestres, lobos campestres, desastres terrestres, tamanhas agruras...

Escrevo, escrevinho, escrevinhando a duras penas, sentindo apenas que vale convictamente essa brisa serena que levemente ecoa em mim.

Será a tua voz minha mãe, será o teu beijo meu amor ou serei somente eu num sonho distante trazido pelo bico de um pássaro...

Escrevo sem mais parar.

 

 

12
Out18

As Infindáveis Cores Dos Meus Sonhos...

Filipe Vaz Correia

 

Parecem muitas as cores que me acompanham nos sonhos, que me amarram insistentemente a esse mundo tão meu... Só meu... Perdidamente órfão dos momentos que passaram e que por vezes ali se reencontram, numa mistura de rostos e palavras, sorrisos desencontrados, por entre, encontros tão ambicionados. Nesse mundo não escolho rumos ou caminhos, não corro nem fujo, não grito nem choro. Nesse mundo esvoaço vezes sem conta sobre mim mesmo, sobre o bater desse coração meu, inundado de um desejo sem fim, dessa intemporalidade só possível naquele encantador reino. Não busco crescer nem morrer, somente viver cada pedaço de recordações que já não recordava, de sentidos que não sabia possuir, de imagens que não sabia ter como minhas. Instantes impagáveis que se esfumam ao acordar, desaparecendo, por entre, a neblina de um novo amanhecer, desapegadamente da triste alma, entristecida forma de um querer. Nos sonhos soletro sem esquecer, esquecendo desesperadamente cada segundo imortal de um desgosto que magoa, de uma dor que permanece, de uma ardente maneira de sentir. Escadas que subi, corredores em que corri, janelas que me pertenceram, olhares que me escaparam, vozes que se calaram, abraços que se perderam. Nesses sonhos regressam, sem regressar, chegam sem efectivamente chegar. Mas sorrio sempre... Mesmo quando choro... Sorrio sempre. Pois na singela esperança desse adormecer, sonhar, posso sempre reencontrar quem mais me falta, aqueles de quem mais saudade sinto. Parecem muitas as cores que invadem os meus sonhos, tantas e tantas que me recordam as aguarelas pinceladas por minha Mãe... Essas aguarelas que gravo na alma com aquele amor que se entrelaça a cada biscoito de limão, em cada popia caiada, em cada cheiro ou abraço teu que, infelizmente, se perdeu...Nesta mistura de saudade e querença se reencontram os meus sonhos, solitariamente entregues ao destino, desamarrada forma de querer, ansiando que a cada adormecer, possa por mim esperar essa terra encantada, onde habitam os pedaços da minha alma que outrora perdi.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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    ohhhh… "Porque o mundo é meu; Mas o meu mundo… És ...

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