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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Deserto

Filipe Vaz Correia, 14.08.19

 

Cuspi para o papel

Meia dor, meio fel

Ardente sabor de mel

Nesse amor pastel

Que outrora imaginei...

 

Imaginei na imaginação

A contraditória repetição

Insistente contradição

Trancada nessa desilusão

De um encantador coração...

 

Mas as palavras cansadas

Exaustas de lutar

Estão agora repousadas

Nesse presente soltar

De emoções passadas...

 

E partindo à descoberta

Por entre sorrisos perdidos

Vai soletrando essa parte incerta

Certa de ardores extinguidos

De  sabores feridos

Que renascem no deserto

Tão meu...

 

Tão meu que desconhecia me pertencer.

 

 

 

 

Os Solitários Versos De Um Poeta

Filipe Vaz Correia, 16.06.19

 

 

 

Não quero mais sorrir;

Doce forma de mentir,

Num ápice a fingir,

Disfarçando o ferir,

Que se instala...

 

Não quero mais caminhar;

Abrir os braços e voar,

Soletrando o divagar,

Tão imenso renegar,

De um abraço...

 

Não quero mais querer;

Nem tão pouco insistir,

Somente entorpecer,

O leve resistir,

Que ainda subsiste...

 

Entre pinceladas;

Nesse quadro vazio,

Palavras adiadas,

Como peixes num rio,

Se dilui a encruzilhada de tamanhos versos...

 

Solitários versos de um poeta.