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Caneca de Letras

Caneca de Letras

15
Nov19

Afinal... Quem Salvou O Bebé?

Filipe Vaz Correia

 

Isto está mesmo muito perigoso...

Será que já nem neste bondoso sem-abrigo podemos confiar?

Parece que o dito sem-abrigo do professor Marcelo, aquele que apareceu em Telejornais e afins, intitulado como o salvador do “Salvador”, o bebé abandonado num caixote de lixo perto do Lux, não passa de uma grande charlatão.

Já ofereciam casas ao dito homem, que chegou a fazer diante das câmaras de televisão a reconstituição do salvamento e agora...

Agora aparecem dois outros sem-abrigo, aparentemente a dizer a verdade, como se pode observar pelas imagens do dito salvamento, reivindicando a autoria do gesto que pode ter salvo a vida da dita criança.

Isto de facto está tudo perdido...

E agora?

E agora Professor Marcelo?

Volta ao local para uma nova reconstituição com os verdadeiros salvadores ou os irá receber no Palácio de Belém?

Se calhar...

Se calhar é melhor esperar para se ter a certeza de que são estes, os homens que aparecem nas imagens do resgate.

Francamente...

Já não se pode confiar, mesmo, em ninguém.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

14
Dez17

A Caminhada De Um Sem Abrigo...

Filipe Vaz Correia

 

O que estará por trás, do olhar de um Sem-Abrigo?

Daquele Sem-Abrigo?

Quantas dores permanecem encobertas, por aquele ar austeramente abandonado, enlameadamente escurecido, quase ofensivamente perturbador desta vida "normal", das pessoas "normais"...

Barba toda branca, amarelada, cabelos igualmente brancos, encardidos, com a sujidade presente na pele, nas unhas, na roupa.

Tudo me perturba...

Tudo deveria perturbar.

Caminha só, acompanhado pelas palavras que insiste em debitar alto, prometendo continuar sussurrando o malfadado destino que parece se ter cumprido, amarrado à infelicidade presente, na ausente vontade de ser "normal...

Gente comum.

A tristeza e a revolta parecem ter ali espaço, só ter ali espaço, naquele homem, naquele insistente olhar, que por mais que me esforce custo a esquecer.

Um olhar vazio, apesar de ser negro, presente apesar de nada nele existir, tem vida, reflectindo o nada, sempre o nada, que ganha expressão naquele rosto.

Esse vazio assustador, mistura de dor, de mágoa, de um abismo transformado em vida.

Aquele homem, aquela vida, ou o que dela resta, caminha só...

Continua percorrendo a rua, as ruas e os meus olhos acompanham-no, vão acompanhando os seus passos, até desaparecer no horizonte e se tornar para mim, o que antes havia sido...

Nada!

Mas no fundo da minha alma, no recanto do meu coração, aquela imagem permanece, aquela solidão que parecia ser sua companhia, arrepiou esta parte de mim que aqui desabafa...

Querendo vos escrever.

Quem terá feito parte daquela vida?

Como se perderam os desamores e amores daquele homem?

Como ficou vazia uma vida?

Abandonado no meio de tanto mundo, de tanta gente, de todos nós.

Perguntas que esvoaçam por entre as linhas e letras deste post, ficando sem as respostas, que porventura acompanham aquele homem, descendo a rua, prosseguindo o seu destino...

Aquele destino, que há muito, o abandonou.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

29
Jan17

Sem-Abrigo...

Filipe Vaz Correia

 

Porque te chamam sem-abrigo?

Velho que já foste criança,

Só porque não tens um amigo,

E perdeste essa esperança...

 

Esse vazio no teu olhar;

Esse desespero no teu rosto,

Tantas mágoas a contar,

Uma vida de desgosto...

 

Pesadelos sem pudor;

Disfarçando embriagado,

Recordando um amor,

Que ficou preso nesse passado,

Que atormenta sem parar...

 

Já não volta, não regressa;

Esse tempo que te restou,

A essa história já perdida,

Nesse coração que um dia, amou...

 

E por isso, bem agasalhado,

Entregue às ruas despidas,

Por entre um frio, bem gelado,

Tentando esquecer essas feridas,

Que te deixaram,

Sem-Abrigo!

 

 

 

21
Dez16

As Mãos de uma Velha...

Filipe Vaz Correia

 

Vi-te velhinha;

De mãos ao vento,

Vazias, calejadas, penduradas,

Contando o tormento,

E há muito abandonadas...

 

Sentada na porta de uma casa;

Com o desespero estampado no rosto,

À espera que a morte dê asa,

E lhe chame para o seu posto...

 

Nesse dia quem passar;

Não mais a irá ver,

Provavelmente sem notar,

Que a velha acabou de morrer...

 

Mas o que importa uma mulher;

Imunda, suja, desesperada,

O que importa querer ver,

Aquela alma cansada...

 

Esquecemos é que um dia;

A velha já foi gente,

Era nova e até sorria,

E tinha sonhos na mente...

 

Por partidas do destino;

Encontrou a solidão,

A tristeza levou-lhe o tino,

E a dor o coração...

 

Assim que Deus nos proteja;

De tamanha maldição,

E que longe o dia esteja,

De nos levarem ao caixão...

 

E vazia ficou a porta;

Mais limpa aquela rua,

Pois já não sofre a velha torta,

Nem a sua alma nua...

 

Aqui passou uma vida;

De lágrimas, desgostos, sofrimento,

Acabou coitada, perdida,

Por entre a chuva e o vento...

 

Adeus velho coração;

Que Deus a todos nos guarde,

E que nos evite a emoção,

De igual, destino cobarde!

 

 

 

 

 

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