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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Alcochete: Uma Sentença Ou Uma Piada?

Filipe Vaz Correia, 29.05.20

 

Sou Sportinguista desde que me recordo de mim, desde as mais imberbes recordações de mim mesmo, nessa entrelaçada recordação que me descodifica, me caracteriza, me define.

A sentença que absolve Bruno de Carvalho dá um novo folgo às milícias Brunistas, uma esperança do ressurgir de um tempo tenebroso para os lados de Alvalade.

Não preciso de sentenças...

Não são necessárias proclamações para identificar Bruno de Carvalho como um "Mal" que consome o quotidiano Leonino, assente nas suas gentes, nos seus braços delinquentes. denominados de claques.

O Sporting não poderá estar dependente deste tipo de sentença para seguir em frente, antes pelo contrário, deve colher da experiência destas pessoas para jamais cair em tão medíocre realidade.

Que venha o futuro...

Sem ditadores, sem bouçais, sem gentalha...

Todos nós merecemos melhor.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Sporting: Silas "Morto", Amorim Posto!

Filipe Vaz Correia, 04.03.20

 

Rúben Amorim será apresentado hoje, Silas despediu-se ontem...

Para onde caminhas Sporting?

Rúben Amorim parece-me um excelente projecto de treinador, a melhor aposta de Frederico  Varandas desde que tomou posse, no entanto, isso não diminui a  cartada "All-in" perpetrada pelo actual Presidente do SCP.

O que me impressiona nesta contratação são os valores envolvidos nesta transacção, 10 Milhões de Euros, valores quase obscenos e inimagináveis para a actual realidade Leonina.

Daqui partiremos para esse futuro, arriscado futuro para todos, num desenhado quadro carregado de obstáculos e intransigências.

Amorim tem pinta de treinador, tem toque de "Special One", perdoem-me o optimismo, mas isso não valida o despautério de dinheiro por ele pago, ainda por cima, numa estrutura esvaziada, incompetente e estéril.

Desejo o melhor a Rúben Amorim, esse desejo será o melhor para mim, adepto Sportinguista...

Desejo o melhor para Silas, que não conseguindo cumprir os requisitos, cumpriu os princípios de dignidade e honestidade no cargo.

Nos tempos que correm não será de somenos.

Enfim...

Rei morto, Rei posto!

Ou melhor:

Silas "morto", Amorim posto!

Que Rúben Amorim possa ter a sorte e felicidade que escapou ao seu antecessor.

Com esta estrutura, só mesmo a adivinhada sorte para salvar o próximo treinador Leonino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

O Calvário De Um Adepto Sportinguista...

Filipe Vaz Correia, 10.02.20

 

Triste destino este, por onde caminha a desgarrada voz que ainda sobrevive nas bancadas.

Agressões...

Supostas agressões...

O que sobra?

Nada...

Tudo?

Mais um jogo em Alvalade, mais um triste espectáculo de discórdia e demagogia, entre yuppies incompetentes e bouçais indignados.

Para onde caminhas Sporting?

Para onde caminhamos Sportinguistas?

Neste lamaçal sobra um Presidente encurralado, amarrado à sua teimosia, desprezando os sinais que o dão como moribundo, entrelaçado às suas tontas palavras, "ideias", promessas.

Quanto mais não seja, Varandas, deveria convocar eleições pela inapta condução deste futuro adiado em que se encontra o nosso Sporting, por esse abismo crescente em que se encontra o clube.

Mas não...

Varandas permanece acreditando nos seus idílicos chavões, mesmo que a realidade o desminta.

O futuro não pode ser entre Varandas e Brunistas...

Não pode ser!

Pois isso será o fim...

O futuro tem de ser acerca de ideias, de todos, de cada um de nós, expurgando radicais mas também incompetentes.

Como disse Paulo Bento:

"6 mil não podem amordaçar 60 mil."

Mas também não podemos compactuar com aqueles que querem usar o terror destes 6 mil para garantir a continuidade de administrações incompetentes.

No tempo certo...

A alternativa surgirá...

Como expressou João Benedito.

Haja oportunidade.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Palavras Para Quê?

Filipe Vaz Correia, 10.12.19

 

Palavras para quê?

Ao ler os depoimentos dos jogadores Max e Mathieu, sobra em mim uma tristeza imensa entrelaçada com essa vergonha que esventra a solitária alma Leonina, deste que aqui vos escreve.

Solitária porque este tipo de texto tem de ser escrito na solidão, sem ruídos ou acompanhamentos, de forma crua e desnudada como cada singela agressão que naquele malfadado dia “estuprou” a História do Sporting Clube de Portugal.

Ouvir Luís Maximiano é escutar as palavras de um menino que tem uma década de "casa", sonhando em cada dia vestir a camisola do seu Sporting, como esse sonho maior que serviu de alimento a tantos e tantos sacrifícios.

Para Max era também a possibilidade de desfrutar da companhia do seu ídolo de sempre, aquele que havia tido o mesmo percurso...

Rui Patrício!

O que Max conta no seu depoimento traduz o período sombrio que atravessou o clube, justifica a neblina que ainda nos encobre.

Naquele balneário, por entre aquelas paredes, soltaram-se petardos e fumos, murros e estaladas, ameaças que se agigantam nesses relatos de assustadores momentos plasmados no olhar de um jovem, um dia menino, observando in loco o poder do populismo Brunista.

De outro ponto de vista escutámos Mathieu, este sem uma ligação emocional ao clube...

Este jogador experiente, passou pela selecção Francesa e por clubes como Valência ou Barcelona, deixou através das suas palavras um testemunho sobre o medo que ali viveu, medo esse que diz ainda se manter, assim como a incerta certeza que lhe passou pela cabeça de não mais voltar a jogar pelo Sporting Clube de Portugal.

As coisas mudaram, acalmaram, mas fica evidente o horror experienciado por estas pessoas às mãos de arruaceiros criminosos, “cordeiros” impregnados por um boçal discurso que se fazia sentir em cada recanto de Alvalade...

Em cada “Fidelista” entrevista na Sporting TV. 

Que tristeza...

Que vergonha.

Lendo estes depoimentos fico convicto, já tinha esta certeza, de que era impossível para jogadores como William ou Patrício, tendo como Presidente Boçal de Carvalho, tomarem outra atitude que não fosse a de rescindir o seu contrato de trabalho...

Pelo ambiente, pela pressão familiar, pela incerteza da permanência do “esquizofrénico” ditador ou por tantas outras razões que se devem ter materializado após aquelas bárbaras agressões.

No banco dos réus sentam-se os "canalhas" que perpetraram tamanhos crimes, sendo de salientar a coragem daqueles que, jogadores ou outros elementos, presenciando aqueles actos se prontificam a contar o que necessita ser recordado.

Para que sejam punidos os envolvidos e  para que “Alcochete” jamais se possa repetir.

Palavras para quê?

Para que não se apague a memória do mundo verde e branco.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

As “Claques” Que O Deixaram De Ser...

Filipe Vaz Correia, 28.10.19

 

Nasci em 1977, um ano depois da fundação da Juventude Leonina, o que faz com que não conheça outro rosto do “velho” Leão, a não ser aquele marcadamente representado por aqueles jovens que acompanhavam a equipa para todo o lado.

Não me recordo do “meu” Sporting sem a Juve Leo, nem um jogo sem o calor dos seus gritos, o ecoar das suas canções, melodias essas que saltavam do campo, pulavam o estádio, ultrapassavam qualquer limite, para tomarem conta do pensamento no dia a dia, no mais profundo sonho de um eterno Leão.

Desde a minha tenra idade habituei-me a olhar para a Juventude Leonina com tremendo carinho e admiração...

Mas tudo mudou!

E não sejamos hipócritas, não mudou há um ano, nem dois, nem com um ou dois Presidentes...

A Juve Leo mudou há muito tempo atrás.

A claque, outrora a alma que puxava pela equipa, transformou-se num grupo de arruaceiros, jovens de péssimo aspecto envolvidos em tráfico de droga, roubos ou outra espécie de crime e que muitas vezes serviam de brigada armada do clube, ao serviço de interesses, capazes de atormentar, ameaçar e chantagear todos aqueles que não cumprissem com as suas vontades e desejos.

Fizeram reféns Presidentes e direcções, treinadores e jogadores, até adeptos receosos de confrontar este tipo de “Gang”.

Esta é a mais pura das verdades.

Ainda me recordo quando no final de uma partida, João Moutinho e Miguel Veloso se aproximaram da bancada sul para entregar as suas camisolas, provocando uma reacção indescritível por parte daqueles bouçais que se intitulavam de “claque”...

Cuspiram-lhes em cima, atiraram as camisolas para o fosso, enquanto, gritavam os mais aberrantes impropérios.

Naquele momento, dois pensamentos invadiram a minha alma:

O primeiro foi que no lugar daqueles rapazes, sendo Sportinguista desde o dia em que nasci, teria me ido embora do clube na hora...

Sem olhar para trás.

E o segundo pensamento foi o de perceber o quanto o Miguel Veloso “amava” o seu Sporting.

Veloso desceu as escadas do relvado e ao invés de ir para o balneário, dirigiu-se ao fosso, mesmo por de baixo daqueles animais que se entretinham a cuspir para cima de si, num gesto que me emocionou e constrangeu...

Tudo isso “somente” para resgatar a sua camisola.

Não deixou ali caída, abandonada, a camisola do SCP que tinha entregue àqueles animais.

Meus caros amigos, guardo da Juve Leo e do seu papel no apoio ao Sporting Clube de Portugal, a melhor das memórias, alguns dos melhores momentos de minha vida, em que sorri, chorei ou sonhei com as suas musicas, através dos seus gritos, amarrado às suas vozes que se tornavam nas vozes de todos nós, no entanto, a Juve que aqui descrevi já não existe, há muito, sucumbida às mãos de meliantes e criminosos, parasitas e drogados.

Não me representam...

Não representam o meu Sporting Clube de Portugal, nem os valores que o fundaram.

Assim acompanho, com o maior dos gostos, o Presidente Frederico Varandas neste gesto de coragem e bravura, de decência e sabedoria, mesmo que os ventos o derrubem ou que esta medida possa não ser a que lhe fosse mais aconselhada.

Por uma vez teríamos de concordar...

Caro Frederico, fico feliz que tenha sido desta.

 

 

Filipe Vaz Correia