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Caneca de Letras

Caneca de Letras

28
Ago20

Mãe, Onde Estás? As Saudades De Um Filho...

Filipe Vaz Correia

 

Guardo-te nas minhas memórias onde sobrevive o teu cheiro, o teu olhar, a tua voz, tantos momentos que guardados em mim perpetuam cada parte de nós, intensamente nossos, perdidamente únicos.

Guardo em mim a saudade, ardente e insistente, guardo em mim o amor, intenso e imenso, guardo em mim o adeus, a cada instante, asfixiante.

Guardo tanto de ti, deste que te pertence, desse nós que só existe por tua decisão.

Sou gente porque o quiseste, sou alma porque o desejaste, sou eu...

Porque fui teu...

Sou teu.

As palavras que aprendi a tecer, foram-me dadas por ti, tecidas nesse amor soletrado em cada linha, em cada letra, de cada forma, em cada pozinho de perlimpimpim.

Não sei chorar sem esconder, respirar sem sofrer, esperar, esperar, esperar...

Esperar por esse tempo que não volta, esse ardor que ainda queima, esse desesperante adeus que persiste.

Deitada na cama de teu quarto, sem vida, recordo-me desse último olhar, meu sobre ti, num adeus que sabia seria o mais penoso em mim.

Nesse último instante, a sós, em nossa casa, tinha a certa certeza de que nada seria igual, nada o foi, de que jamais poderia sentir o mesmo bater do coração.

Meu amor...

Tenho saudades de não ter saudades, desse querer maior traduzido em teus olhos nesse navegar em minha direcção.

Nesse olhar descobri, sempre senti, o significado do incondicionalismo, num amar maior do que a vida...

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

29
Abr20

Como Tenho Saudades De Um Abraço...

Filipe Vaz Correia

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Estou cansado desta quarentena...

Não estaremos todos nós?

Ontem voltei à rua, como faço sempre, para a minha caminhada, passeio higiénico dizem os entendidos, e fiquei estupefacto com o movimento que encontrei em plena Avenida da República.

Nesta viagem quotidiana que serve de escape mental para a minha alma, redesenhei o movimentar das gentes, o que tinham sido os últimos tempos e o que encontrei diante de mim...

Um sentimento de libertação parece estar a invadir as pessoas, por entre, os decretos de "milagre" e os desejos de soltura.

Isto é capaz de dar asneira.

Durante a noite, no jornal da TVI 24, um conjunto de empresários se dispôs a dar o seu ponto de vista sobre esse futuro que chega, que se vislumbra...

Restauração, motoristas, cabeleireiros...

Que tristes tempos estes.

Patrícia Piloto, dona dos Cabeleireiros Lúcia Piloto, alertava para as regras de segurança que iria impor, e bem, num misto de segurança e filme de ficção científica...

Os profissionais do seu salão estarão de máscara, viseira, luvas e desinfectante, tudo por cliente, numa segurança máxima de fazer inveja a qualquer prisão.

E deve ser assim?

Deve.

Mas não pude deixar de constatar a tristeza, entre esse manancial de regras e parafernália necessária para uma senhora ir pintar o cabelo ou um senhor ir cortar o cabelo...

Onde se esconderam os Humanos?

No seu medo, no nosso modo de sobrevivência, que nos assegura a forma de respirar, de manter a cabeça à tona de água, buscando a solução para manter os seus negócios e ao mesmo tempo garantir a chancela "livres de Covid" aos seus clientes.

Mas perdemos um pouco de nós?

Perdemos...

Indesmentívelmente este futuro pelo qual lutamos será desprovido de toque e sentir, mais vazio e oco do que aquele a que estávamos habituados.

No restaurante ou no cabeleireiro, sentiremos todos um pedaço daquilo que sentiu o ET quando a casa dos seus anfitriões foi invadida pelos astronautas da Cia ou Nasa...

Máscaras, fatos, luvas e mais acessórios necessários.

Triste...

Mas vital.

Quem se imagina neste quadro de ficção?

Quem será capaz de viver o momento sem verter uma lágrima em nome da nossa antiga realidade?

Como tenho saudades de um abraço...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

18
Abr20

Tenho Saudades... De Não Ter Saudades!

Filipe Vaz Correia

 

Tenho saudades...

Saudades dos meus, daqueles que me fazem falta, nesse grito maior que um telefonema não pode bastar.

Palavras que ganham desmedidamente valor, tentando descrever esse calor que falta, esse abraço que não chega, esse sorriso que se perde, por entre, as imagens do Watshaap ou do House Party.

Sei bem os tempos que vivemos e as medidas que temos de cumprir, no entanto, não será demais libertar essa "raiva" escondida em mim...

E aqueles que se encontram trancados sozinhos, sem ninguém com quem partilhar pelo menos o desabafo, o resmungar, o inevitável desespero que chega?

Distantes dos que mais queremos, de alguns dos que mais queremos, parece que este sentimento, a saudade, cresce, aumenta, desassossega o sentir maior.

Por vezes, no quotidiano, não damos valor aos pequenos momentos que se tornam hábito, aquele encontro diário com pessoas que se tornam "normalidade", até os vizinhos do prédio, da rua, encontros fortuitos se assemelham agora a "família", rostos do dia a dia que se tornaram pertença, aquele assemelhar de realidade perdida, perdida vontade de resgatar algo que sabemos perdido.

Um rosto sem máscara, um olhar desbravado de preocupações, por entre, vozes e silêncios.

Tenho saudades dos meus...

De mim.

Fecho os olhos buscando esse sentido meio entrelaçado à nostalgia que me assalta, nestas linhas ressaltada sem receios ou vergonhas, pois em cada gota de chuva que vai caindo do lado de fora da janela, busca a alma minha esse lavar de esperança, no nascer de novo, no querer desnorteado, na trémula escrita que se pretende firme e crente.

Tenho saudades...

Saudades de não ter saudades.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18
Jul19

As Saudades do Presidente Marcelo...

Filipe Vaz Correia

 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, despediu-se hoje desta composição parlamentar, num formalismo que marca um tempo, antes da campanha eleitoral e respectivas eleições.

Nessa cerimónia, Marcelo assinalou as saudades que vai sentir deste parlamento, deste tempo inovador e surpreendente.

Muitos de nós, nos quais me incluo, jamais acreditariam numa legislatura completa, assente numa maioria de esquerda, Geringonça, cumprindo inesperadamente o seu percurso até ao fim.

Marcelo, como é seu apanágio, aparou arestas, dourou a realidade e expressou essa "saudade" de um tempo, na sua visão, carregado de entendimentos e salutar convivência.

Não posso estar de acordo.

Poderia falar dos incêndios, da saúde, dos professores, de tantas outras coisas...

Mas compreendo o alcance das palavras, das suas palavras, pois também o Presidente da República acreditava numa legislatura carregada de belicismo, num falhanço certo neste acordo da esquerda radical com o PS...

E nada disso aconteceu.

Para Marcelo, para o seu legado e futuro, nada poderia ter corrido melhor, pois este cenário conferiu à sua figura um papel de mediador, de garante popular, como nenhum outro lhe poderia conferir.

Por este motivo consigo entender as suas palavras, as suas saudades...

No entanto, convém ser comedido, não pintar um quadro da realidade, muito além daquele que verdadeiramente existiu.

E assim, por entre, as saudades "Marcelistas" encontramos um pedaço deste nosso tempo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

19
Mar19

Fazer Anos, Por Entre, Saudades e Recordações...

Filipe Vaz Correia

 

O tempo voa, passa num pequeno pestanejar, como se fosse areia numa mão, vento por entre um momento, um singelo momento intemporal.

Cada ano que passa vamos perdendo pessoas, deixando para trás memórias, histórias, laços que se quebram, sem retorno.

Parece que se acalma silenciosamente a impulsiva vontade de correr, de viver intensamente sem parar, sem esperar, desesperando nesse receio desencontrado por um outro sentir.

O tempo passa, voa, entrelaça a alma pueril à sua idade real, à descoberta desse caminhar das nuvens por entre o céu, do viajar da água por entre o rio, do ondular das ondas no mar.

Caminhando sempre no mesmo sentido, sem regressar...

Como tenho saudades, de mim e dos meus, daqueles que hoje não se encontram a meu lado, nesse abraço perdido, que jamais voltarei a sentir.

Como tenho saudades dos cheiros, desses mesmos cheiros que um dia me pertenceram...

Como tenho saudades do escuro da manhã, de mãos dadas com minha Mãe a caminho do colégio.

Como tenho saudades das viagens para o Alentejo, das vozes carregadas de alma em cada ruela de Santa Luzia.

Como tenho Saudades de correr por entre os corredores da minha escola, sem temer o tempo, desconhecendo que cada pequeno instante, seria importante para mim.

O tempo passa, voa...

Por entre as vitórias e perdas de um destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

30
Dez18

Menino...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Suspenso no ar;

Numa redoma de encantar,

Vai caminhando o menino,

Buscando esse destino,

Que desmesuradamente perdeu,

Quando a ternura desvaneceu,

E lhe sobrou a tristeza,

Pedaço de dor sem beleza,

Que é solitária e ardente,

Sufocando loucamente,

Como se um dia,

Se pudesse tornar poesia...

 

E perdido o menino se encontrou;

Por entre a mágoa que chegou,

Sorrindo disfarçado,

Num desabafo entrelaçado,

Olhando para trás no tempo,

Procurando aquele momento,

Que para sempre ficou marcado,

Como o dia amargurado...

 

De tua partida.

 

 

 

 

 

 

20
Dez18

Adeus, Nunca Te Direi...

Filipe Vaz Correia

 

Oito anos se passaram e parece que foi ontem...

Parece que ainda há pouco te abracei, sem ter coragem de me despedir, sem ter coragem de te ver partir.

A imensa cobardia submersa nas lágrimas que escorriam pelo meu rosto, num misto de ardor e desgosto, de revolta e dor, de desespero sem fim.

Oito anos se passaram e continuo te procurando como da primeira vez, como de todas as vezes, como sempre foi e será.

Poderia me despedir numa carta, numa poesia, num adeus que permanece encravado na minha alma, mas continuo sem o saber fazer, sem saber como me despedir de ti, minha Mãe...

Como me despedir de alguém que dentro de mim pulsa e habita.

Tenho saudades do teu sorriso, do teu olhar, das tuas reprimendas, da tua mão em meus caracóis, do teu cheiro junto a mim, da tua voz, de ti...

Tenho saudades de tudo o que contigo vivi, do que ficou por viver, do que não sei descrever.

Mas do que mais falta sinto, é desse amor incondicional que me acariciava o coração, como se num pequeno beijo, eu pudesse sentir todo o carinho do mundo, ali preso, só para mim.

Nunca te agradeci, minha Mãe, pelo simples facto de existires em minha vida e com essa tua presença, teres sido a minha maior alegria, pois sem ti...

Nada, mesmo nada, teria feito sentido.

Sem ti...

Jamais saberia despejar no papel o que amarra a alma, jamais saberia chorar e sorrir sem temer, dizer ou libertar sem silenciar, olhar para o mundo sem ressentimentos, soletrando baixinho cada pedaço de mim mesmo.

Oito anos se passaram e ainda busco o cordão umbilical, ainda procuro, vezes sem conta, a tua mão.

Quando os dias estremecem, ainda busco o teu regaço, como refúgio maior da minha imberbe alma.

Neste vazio que ficou por preencher e que não mais será preenchido, contam-se dias e anos, somam-se saudades que não findam mas essencialmente ficará em cada lágrima minha, um pedaço de todo o amor que contigo descobri...

Que, intensamente, me ensinas-te.

Como canta Caetano:

"Todo o homem precisa de uma Mãe..."

Por tudo isso, por tudo o que pulsa no meu coração...

Obrigado Mãe!

E até sempre...

Pois adeus, nunca te direi.

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

04
Set18

A Minha Querida Professora...

Filipe Vaz Correia

 

A vida é feita de memórias, de tantas e tão poucas, nessa mistura que traz o vento, nessa saudade que o vento traz.

Sempre me amarrei a essa coisa insuportável chamada nostalgia, pedaços de recordações, de momentos que se escaparam por entre o caminhar de uma vida.

Nesse meu baú de memórias guardo um espaço muito especial para a minha querida professora de Português...

A Drª Jesuína.

Professora e Directora de Turma, assim como dona do colégio...

Guardo comigo ensinamentos intemporais, esse gosto por escrever compulsivamente, por amar cada palavra como uma apaixonante noite de luar.

Guardo as referências educacionais, as lições de valores e comportamentos, a exigência nos princípios.

O respeito exigido contrabalançado com aquele carinho severo, quase imperceptível, sendo que todos nós, alunos, o conseguíamos decifrar sem o revelar, nessa proibida intimidade.

Tenho saudades suas...

Tantas que não seriam possíveis de adivinhar.

Saudades desse tempo que reserva a alma, dos ensinamentos, dos muitos conselhos e repreensões.

Guardo e guardarei todos esses pedaços de nostalgia, sabendo que uma parte de mim é e será sempre sua responsabilidade, fruto do tanto que me deu...

Olhando para o hoje, com a tolerância de tempo que estas décadas trouxeram, temo tê-la decepcionado, tendo a certeza de que nos valores e princípios em nada a defraudei...

E não será isso o mais importante?

Segundo o que me foi ensinado por si...

É!

Um beijinho com saudade por entre essa malfadada eternidade que se interpõe entre a sincera realidade e a singela memória.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

03
Jun18

Saudades Tuas...

Filipe Vaz Correia

 

Minha Mãe...

Num dia como este, 2 de Junho, dia dos teus anos e também da Avó Alice, as saudades tornam-se maiores, apertam um pouco mais, sendo que jamais desaparecem, se esquecem.

Tantas coisas para escrever, te dizer, nesta distância de oito anos, quase oito anos que marcam a partida tua, que se tornou nossa separação imposta...

Tão dolorosa como sufocante, numa mistura constante, constantemente na alma minha, que eternamente será tua.

Tenho saudades de tudo e de nada, dos momentos de risos e tristezas, dos olhares só nossos e daqueles silêncios ruidosos, escondidos por entre as gargalhadas sonoras que apenas a nós pertenciam.

Tenho saudades do cheiro aconchegante, que se tornou no aconchego que sempre conheci, do calor da tua mão, da fragilidade da tua voz, que sendo frágil escondia a firmeza do carácter que sempre em ti apreciei...

Tenho saudades do carinho, do amor incondicional que sempre soube em ti ter, da segurança imensa que somente contigo parecia existir, da imensidão de dias e noites só nossas que agora parecem pequenas...

Parecem distantes e ao mesmo tempo tão poucas.

Quase oito anos...

De saudades, soletradamente saudades que jamais acabarão.

Neste dia que sempre foi o teu, deixo-te aqui através deste jogo de palavras denominado de escrita, amor esse que também de ti recebi, este infindável amor que sempre te pertencerá...

Um beijinho deste teu filho que eternamente te amará.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

23
Nov17

Tem dias...

Filipe Vaz Correia

 

A vida é misteriosa, assim como, misteriosa é por vezes esta imensa vontade, de aqui escrever.

Em desabafar palavras que se seguram, sentimentos que ouso guardar em mim, para mim...

Enfim, só em mim.

Tenho dias em que penso mais nas despedidas que tive com aqueles que mais me marcaram...

Tem dias assim.

Por razões e desatinos, recordo vezes sem conta Minha Mãe e  aquele sorriso que me acalentava, aquecia, trazia esse imenso amor que só ela me sabia dar.

Nada se compara a essa expressão maior...

Nada!

Um amor maior do que a extensa dimensão de um texto, do que a densidade descrita numa singela poesia, do que a incessante  busca por um encontro, entre o pensamento e a palavra.

Foi através de minha Mãe que herdei este gosto pela escrita, pela forma poética de expressar o que dentro da alma habita, seja em grito, em sussurro ou simplesmente em silêncio...

Num silencioso desejo de desabafar.

Tem dias em que a tristeza é maior, tem dias que não...

Tem dias em que me recordo mais desse instante final, outros dias em que tudo me traz o brilho, que sempre subsistiu em seu olhar.

Tem dias em que se esconde  a um canto, essa tristeza, sempre presente mas que se fingindo ausente, vai deixando a alegria voltar, o sorriso permanecer maior...

Tem dias que não, que essa tristeza se agiganta, volta a ser maior do que o bater da alma, regressando a dor, a invasiva e esmagadora dor.

Tem dias assim...

Mas no meio desses dias, pego numa caneta ou ligo o computador e aqui desabafo umas linhas, perco-me neste pedaço de mim.

Tem dias que sim...

Tem dias que não.

Mas essencialmente sobra a memória, a recordação constante de tantos e tantos dias passados, indescritíveis dias, que trazem consigo a imensa certeza...

De que valeu a pena.

Valeu sempre a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia 

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