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Caneca de Letras

Caneca de Letras

18
Jul19

As Saudades do Presidente Marcelo...

Filipe Vaz Correia

 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, despediu-se hoje desta composição parlamentar, num formalismo que marca um tempo, antes da campanha eleitoral e respectivas eleições.

Nessa cerimónia, Marcelo assinalou as saudades que vai sentir deste parlamento, deste tempo inovador e surpreendente.

Muitos de nós, nos quais me incluo, jamais acreditariam numa legislatura completa, assente numa maioria de esquerda, Geringonça, cumprindo inesperadamente o seu percurso até ao fim.

Marcelo, como é seu apanágio, aparou arestas, dourou a realidade e expressou essa "saudade" de um tempo, na sua visão, carregado de entendimentos e salutar convivência.

Não posso estar de acordo.

Poderia falar dos incêndios, da saúde, dos professores, de tantas outras coisas...

Mas compreendo o alcance das palavras, das suas palavras, pois também o Presidente da República acreditava numa legislatura carregada de belicismo, num falhanço certo neste acordo da esquerda radical com o PS...

E nada disso aconteceu.

Para Marcelo, para o seu legado e futuro, nada poderia ter corrido melhor, pois este cenário conferiu à sua figura um papel de mediador, de garante popular, como nenhum outro lhe poderia conferir.

Por este motivo consigo entender as suas palavras, as suas saudades...

No entanto, convém ser comedido, não pintar um quadro da realidade, muito além daquele que verdadeiramente existiu.

E assim, por entre, as saudades "Marcelistas" encontramos um pedaço deste nosso tempo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

19
Mar19

Fazer Anos, Por Entre, Saudades e Recordações...

Filipe Vaz Correia

 

O tempo voa, passa num pequeno pestanejar, como se fosse areia numa mão, vento por entre um momento, um singelo momento intemporal.

Cada ano que passa vamos perdendo pessoas, deixando para trás memórias, histórias, laços que se quebram, sem retorno.

Parece que se acalma silenciosamente a impulsiva vontade de correr, de viver intensamente sem parar, sem esperar, desesperando nesse receio desencontrado por um outro sentir.

O tempo passa, voa, entrelaça a alma pueril à sua idade real, à descoberta desse caminhar das nuvens por entre o céu, do viajar da água por entre o rio, do ondular das ondas no mar.

Caminhando sempre no mesmo sentido, sem regressar...

Como tenho saudades, de mim e dos meus, daqueles que hoje não se encontram a meu lado, nesse abraço perdido, que jamais voltarei a sentir.

Como tenho saudades dos cheiros, desses mesmos cheiros que um dia me pertenceram...

Como tenho saudades do escuro da manhã, de mãos dadas com minha Mãe a caminho do colégio.

Como tenho saudades das viagens para o Alentejo, das vozes carregadas de alma em cada ruela de Santa Luzia.

Como tenho Saudades de correr por entre os corredores da minha escola, sem temer o tempo, desconhecendo que cada pequeno instante, seria importante para mim.

O tempo passa, voa...

Por entre as vitórias e perdas de um destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

30
Dez18

Menino...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Suspenso no ar;

Numa redoma de encantar,

Vai caminhando o menino,

Buscando esse destino,

Que desmesuradamente perdeu,

Quando a ternura desvaneceu,

E lhe sobrou a tristeza,

Pedaço de dor sem beleza,

Que é solitária e ardente,

Sufocando loucamente,

Como se um dia,

Se pudesse tornar poesia...

 

E perdido o menino se encontrou;

Por entre a mágoa que chegou,

Sorrindo disfarçado,

Num desabafo entrelaçado,

Olhando para trás no tempo,

Procurando aquele momento,

Que para sempre ficou marcado,

Como o dia amargurado...

 

De tua partida.

 

 

 

 

 

 

20
Dez18

Adeus, Nunca Te Direi...

Filipe Vaz Correia

 

Oito anos se passaram e parece que foi ontem...

Parece que ainda há pouco te abracei, sem ter coragem de me despedir, sem ter coragem de te ver partir.

A imensa cobardia submersa nas lágrimas que escorriam pelo meu rosto, num misto de ardor e desgosto, de revolta e dor, de desespero sem fim.

Oito anos se passaram e continuo te procurando como da primeira vez, como de todas as vezes, como sempre foi e será.

Poderia me despedir numa carta, numa poesia, num adeus que permanece encravado na minha alma, mas continuo sem o saber fazer, sem saber como me despedir de ti, minha Mãe...

Como me despedir de alguém que dentro de mim pulsa e habita.

Tenho saudades do teu sorriso, do teu olhar, das tuas reprimendas, da tua mão em meus caracóis, do teu cheiro junto a mim, da tua voz, de ti...

Tenho saudades de tudo o que contigo vivi, do que ficou por viver, do que não sei descrever.

Mas do que mais falta sinto, é desse amor incondicional que me acariciava o coração, como se num pequeno beijo, eu pudesse sentir todo o carinho do mundo, ali preso, só para mim.

Nunca te agradeci, minha Mãe, pelo simples facto de existires em minha vida e com essa tua presença, teres sido a minha maior alegria, pois sem ti...

Nada, mesmo nada, teria feito sentido.

Sem ti...

Jamais saberia despejar no papel o que amarra a alma, jamais saberia chorar e sorrir sem temer, dizer ou libertar sem silenciar, olhar para o mundo sem ressentimentos, soletrando baixinho cada pedaço de mim mesmo.

Oito anos se passaram e ainda busco o cordão umbilical, ainda procuro, vezes sem conta, a tua mão.

Quando os dias estremecem, ainda busco o teu regaço, como refúgio maior da minha imberbe alma.

Neste vazio que ficou por preencher e que não mais será preenchido, contam-se dias e anos, somam-se saudades que não findam mas essencialmente ficará em cada lágrima minha, um pedaço de todo o amor que contigo descobri...

Que, intensamente, me ensinas-te.

Como canta Caetano:

"Todo o homem precisa de uma Mãe..."

Por tudo isso, por tudo o que pulsa no meu coração...

Obrigado Mãe!

E até sempre...

Pois adeus, nunca te direi.

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

04
Set18

A Minha Querida Professora...

Filipe Vaz Correia

 

A vida é feita de memórias, de tantas e tão poucas, nessa mistura que traz o vento, nessa saudade que o vento traz.

Sempre me amarrei a essa coisa insuportável chamada nostalgia, pedaços de recordações, de momentos que se escaparam por entre o caminhar de uma vida.

Nesse meu baú de memórias guardo um espaço muito especial para a minha querida professora de Português...

A Drª Jesuína.

Professora e Directora de Turma, assim como dona do colégio...

Guardo comigo ensinamentos intemporais, esse gosto por escrever compulsivamente, por amar cada palavra como uma apaixonante noite de luar.

Guardo as referências educacionais, as lições de valores e comportamentos, a exigência nos princípios.

O respeito exigido contrabalançado com aquele carinho severo, quase imperceptível, sendo que todos nós, alunos, o conseguíamos decifrar sem o revelar, nessa proibida intimidade.

Tenho saudades suas...

Tantas que não seriam possíveis de adivinhar.

Saudades desse tempo que reserva a alma, dos ensinamentos, dos muitos conselhos e repreensões.

Guardo e guardarei todos esses pedaços de nostalgia, sabendo que uma parte de mim é e será sempre sua responsabilidade, fruto do tanto que me deu...

Olhando para o hoje, com a tolerância de tempo que estas décadas trouxeram, temo tê-la decepcionado, tendo a certeza de que nos valores e princípios em nada a defraudei...

E não será isso o mais importante?

Segundo o que me foi ensinado por si...

É!

Um beijinho com saudade por entre essa malfadada eternidade que se interpõe entre a sincera realidade e a singela memória.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

03
Jun18

Saudades Tuas...

Filipe Vaz Correia

 

Minha Mãe...

Num dia como este, 2 de Junho, dia dos teus anos e também da Avó Alice, as saudades tornam-se maiores, apertam um pouco mais, sendo que jamais desaparecem, se esquecem.

Tantas coisas para escrever, te dizer, nesta distância de oito anos, quase oito anos que marcam a partida tua, que se tornou nossa separação imposta...

Tão dolorosa como sufocante, numa mistura constante, constantemente na alma minha, que eternamente será tua.

Tenho saudades de tudo e de nada, dos momentos de risos e tristezas, dos olhares só nossos e daqueles silêncios ruidosos, escondidos por entre as gargalhadas sonoras que apenas a nós pertenciam.

Tenho saudades do cheiro aconchegante, que se tornou no aconchego que sempre conheci, do calor da tua mão, da fragilidade da tua voz, que sendo frágil escondia a firmeza do carácter que sempre em ti apreciei...

Tenho saudades do carinho, do amor incondicional que sempre soube em ti ter, da segurança imensa que somente contigo parecia existir, da imensidão de dias e noites só nossas que agora parecem pequenas...

Parecem distantes e ao mesmo tempo tão poucas.

Quase oito anos...

De saudades, soletradamente saudades que jamais acabarão.

Neste dia que sempre foi o teu, deixo-te aqui através deste jogo de palavras denominado de escrita, amor esse que também de ti recebi, este infindável amor que sempre te pertencerá...

Um beijinho deste teu filho que eternamente te amará.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

23
Nov17

Tem dias...

Filipe Vaz Correia

 

A vida é misteriosa, assim como, misteriosa é por vezes esta imensa vontade, de aqui escrever.

Em desabafar palavras que se seguram, sentimentos que ouso guardar em mim, para mim...

Enfim, só em mim.

Tenho dias em que penso mais nas despedidas que tive com aqueles que mais me marcaram...

Tem dias assim.

Por razões e desatinos, recordo vezes sem conta Minha Mãe e  aquele sorriso que me acalentava, aquecia, trazia esse imenso amor que só ela me sabia dar.

Nada se compara a essa expressão maior...

Nada!

Um amor maior do que a extensa dimensão de um texto, do que a densidade descrita numa singela poesia, do que a incessante  busca por um encontro, entre o pensamento e a palavra.

Foi através de minha Mãe que herdei este gosto pela escrita, pela forma poética de expressar o que dentro da alma habita, seja em grito, em sussurro ou simplesmente em silêncio...

Num silencioso desejo de desabafar.

Tem dias em que a tristeza é maior, tem dias que não...

Tem dias em que me recordo mais desse instante final, outros dias em que tudo me traz o brilho, que sempre subsistiu em seu olhar.

Tem dias em que se esconde  a um canto, essa tristeza, sempre presente mas que se fingindo ausente, vai deixando a alegria voltar, o sorriso permanecer maior...

Tem dias que não, que essa tristeza se agiganta, volta a ser maior do que o bater da alma, regressando a dor, a invasiva e esmagadora dor.

Tem dias assim...

Mas no meio desses dias, pego numa caneta ou ligo o computador e aqui desabafo umas linhas, perco-me neste pedaço de mim.

Tem dias que sim...

Tem dias que não.

Mas essencialmente sobra a memória, a recordação constante de tantos e tantos dias passados, indescritíveis dias, que trazem consigo a imensa certeza...

De que valeu a pena.

Valeu sempre a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia 

06
Out17

Saudades...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Podia falar sobre tanta coisa;

Mas tenho saudades tuas...

 

Podia escrever sobre tantos assuntos,

Mas saudades tuas, tenho...

 

Podia sonhar com tamanhos desejos,

Mas tuas saudades, são minhas...

 

Nessa minha saudade;

De ti,

Nessa saudade que sinto,

Por ti,

Saudade essa, minha,

Tão tua...

 

Tenho saudades;

Somente isso,

De tudo em ti,

Ser meu,

De tudo em nós,

Ser intensamente,

Nosso.

 

 

21
Jan17

Juventude...

Filipe Vaz Correia

 

Tenho saudades;

De não ter sono mas sonho,

De não ter medo mas coragem,

De nada me ser enfadonho,

Do horizonte me parecer risonho,

Sem dor, ardor...

 

Tenho saudades;

De tantas noites e de tantos dias,

Desse desejo ardente,

Me preencher de alegria,

E de voar constantemente...

 

Tenho saudades;

De estar sol ou a chover,

Dessas histórias a escrever,

Numa vida a viver,

Sem ter medo de morrer,

Tendo amigos para fazer...

 

Tenho saudades;

De olhar para o meu espelho,

E reconhecer aquele reflexo,

Aquele pedaço tão complexo,

De mim...

 

Tenho saudades, tuas;

Minha imensa inquietude,

Minha perdida juventude...

 

08
Dez16

Meu Querido Amigo...

Filipe Vaz Correia

 

Faltou-te tempo para viver;

Faltou-te tempo para amar,

Faltou-te tempo para crescer,

Faltou-te tempo...

 

Sobrou tempo para esta dor;

Sobrou tempo para tamanha Saudade,

Nesse tempo sem temor,

De levar esta amizade...

 

Destino ladrão;

Vagabundo,

Cancro maldito,

Sem vergonha,

Nesse grito profundo,

Que se liberta...

 

Caminho inacabado;

Uma vida por cumprir,

Planos, desejos imaginados,

Sonhos a fugir...

 

Ainda recordo o teu olhar;

A esperança e a frustração,

Que por vezes tinha lugar,

Dentro do teu coração...

 

Tantos anos se cumpriram;

Já não voltam,

Não regressam,

Desde essa tua despedida,

Que não sara, ferida...

 

Não consigo trazer-te de volta;

Nem voltar a te abraçar,

Nessa espécie de revolta,

Que por vezes quer escapar...

 

Ainda sinto a tua falta;

Ainda recordo aquele abraço amigo,

Aquelas travessuras de criança,

Que passei contigo...

 

Saudades, eternas, tuas;

Amigo que sempre quis,

Dessas lembranças nossas;

Luis!

 

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