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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Aleppo

Filipe Vaz Correia, 10.11.21

 

 

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Em cada casa devastada;

uma alma abandonada,

por cada bomba ali caída

uma esperança que foi traída,

em cada ruína ilustrada

uma lágrima derramada,

por cada rosto sofredor

uma recordação de tanta dor,

em cada pedaço desta história

choram-se balas na memória,

por cada filho desaparecido

um país quase perdido,

em cada pedra dessa estrada

uma mágoa bem trancada,

e por cada palavra esquecida

sobra essa tamanha ferida...

 

De seu nome,

Aleppo.

 

 

 

 

Vidas A Correr!

Filipe Vaz Correia, 20.02.21

 

 

 

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As bombas ensurdeceram o meu sentir;

A dor emudeceu o meu carpir,

A mágoa escureceu esse intenso colorir,

Fugindo sem fugir...

 

O sangue pintou cada morte,

Cada desaparecer ensurdecedor,

Destino sem sorte,

Fétido fedor...

 

Cada olhar,

De uma vida vazia,

Intenso desesperar,

Dia após dia...

 

Ainda não fiz doze anos;

Nem sei se os farei,

Por entre feridas e danos,

Perdendo tantos que amei...

 

E continua a vida a correr;

A vida a correr,

E eu parado,

No meio deste meu eterno sofrimento.

 

 

 

 

Aleppo!

Filipe Vaz Correia, 24.11.20

 

 

 

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Em cada casa devastada;

Uma alma abandonada,

Por cada bomba ali caída,

Uma esperança que foi traída,

Em cada ruína ilustrada,

Uma lágrima derramada,

Por cada rosto sofredor,

Uma recordação de tanta dor,

Em cada pedaço desta história,

Choram-se balas na memória,

Por cada filho desaparecido,

Um país quase perdido,

Em cada pedra dessa estrada,

Uma mágoa bem trancada,

E por cada palavra esquecida,

Sobra essa tamanha ferida,

De seu nome...

 

 

 

Aleppo!!!

 

 

 

 

 

 

A Morte De Um Filho...

Filipe Vaz Correia, 11.01.19

 

 

 

Tenho as mãos ardentes;

De carregar contigo ao colo,

As lágrimas já ausentes,

Despejadas nesse solo...

 

Tenho o desespero plasmado em meu rosto;

A angústia no olhar,

Essa marca de desgosto,

Que insiste em me arrepiar...

 

Tenho mágoas e memórias;

Feridas adormecidas,

Pedaços de histórias,

Que deixo para trás...

 

Tenho-te sem vida;

Em meus braços,

Amargurada despedida,

Em meu despedaçado regaço...

 

Outrora um coração;

Que pulsava alegremente,

Agora desilusão,

Sucumbindo loucamente,

Sem ti...

 

Tenho somente dor;

Filho meu,

Neste sufocante ardor,

Chamado morte...

 

A tua morte;

Que é a minha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obrigado Nour Machlah!

Filipe Vaz Correia, 04.07.18

 

Numa altura de gritos e crises em relação a migrantes e refugiados, nada melhor do que as palavras de Nour Machlah para nos acalmarem a alma, darem esperança ao olhar e verdadeiramente sentir orgulho nesta espécie de imensidão que se amarra ao "Ser" Português.

Num texto no Facebook que se tornou viral, Nour enalteceu o gesto de Cristiano Ronaldo, naqueles instantes finais do jogo entre Portugal e o Uruguai, onde o craque Português ajuda de forma fraterna Cavani a sair de campo.

O jovem Sírio compara essa situação, àquela que o mesmo viveu em 2014, tentando fugir de um País dilacerado por bombas e mortos, tendo então recebido uma bolsa de estudo do Estado Português, assim como, outros 50 companheiros seus, acolhidos nesta terra tão nossa.

As palavras de gratidão, amizade e amor, espelham a forma como este jovem foi recebido e integrado, num gesto que diz muito da generalidade deste nosso Povo...

Nour vai mais longe, recordando as dificuldades económicas e a crise que então atravessava o País para reforçar o gesto e dar dimensão ao peso que isso teve na sua vida.

" Nunca vou chamar este País de segunda casa, nunca vou chamar este povo de segunda família."

" Portugal é a minha casa e o seu povo é a minha família."

São estas as palavras com que Nour Machlah decidiu finalizar o seu texto, deixando pouco espaço para alguém acrescentar outras, tal a beleza e amplitude de tamanha gratidão.

No entanto, corro o risco...

Obrigado Nour.

 

 

Filipe Vaz Correia