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Caneca de Letras

Caneca de Letras

11
Jan19

A Morte De Um Filho...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Tenho as mãos ardentes;

De carregar contigo ao colo,

As lágrimas já ausentes,

Despejadas nesse solo...

 

Tenho o desespero plasmado em meu rosto;

A angústia no olhar,

Essa marca de desgosto,

Que insiste em me arrepiar...

 

Tenho mágoas e memórias;

Feridas adormecidas,

Pedaços de histórias,

Que deixo para trás...

 

Tenho-te sem vida;

Em meus braços,

Amargurada despedida,

Em meu despedaçado regaço...

 

Outrora um coração;

Que pulsava alegremente,

Agora desilusão,

Sucumbindo loucamente,

Sem ti...

 

Tenho somente dor;

Filho meu,

Neste sufocante ardor,

Chamado morte...

 

A tua morte;

Que é a minha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

04
Jul18

Obrigado Nour Machlah!

Filipe Vaz Correia

 

Numa altura de gritos e crises em relação a migrantes e refugiados, nada melhor do que as palavras de Nour Machlah para nos acalmarem a alma, darem esperança ao olhar e verdadeiramente sentir orgulho nesta espécie de imensidão que se amarra ao "Ser" Português.

Num texto no Facebook que se tornou viral, Nour enalteceu o gesto de Cristiano Ronaldo, naqueles instantes finais do jogo entre Portugal e o Uruguai, onde o craque Português ajuda de forma fraterna Cavani a sair de campo.

O jovem Sírio compara essa situação, àquela que o mesmo viveu em 2014, tentando fugir de um País dilacerado por bombas e mortos, tendo então recebido uma bolsa de estudo do Estado Português, assim como, outros 50 companheiros seus, acolhidos nesta terra tão nossa.

As palavras de gratidão, amizade e amor, espelham a forma como este jovem foi recebido e integrado, num gesto que diz muito da generalidade deste nosso Povo...

Nour vai mais longe, recordando as dificuldades económicas e a crise que então atravessava o País para reforçar o gesto e dar dimensão ao peso que isso teve na sua vida.

" Nunca vou chamar este País de segunda casa, nunca vou chamar este povo de segunda família."

" Portugal é a minha casa e o seu povo é a minha família."

São estas as palavras com que Nour Machlah decidiu finalizar o seu texto, deixando pouco espaço para alguém acrescentar outras, tal a beleza e amplitude de tamanha gratidão.

No entanto, corro o risco...

Obrigado Nour.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

14
Abr18

Meu Caro José Diogo Quintela...

Filipe Vaz Correia

 

Meu caro José Diogo Quintela é com tristeza que lhe escrevo, não por si, mas essencialmente pelas enormidades explanadas em seu texto e que o tornaram na chocante realidade de uma singela estupidez...

O seu texto denominado Oncolamúrias é um pedaço de insensibilidade, misturada com a arrogante presunção de julgar algo, absolutamente inimaginável.

O topete demonstrado por si, julgando a indignação desses Pais que vendo os seus filhos de tenra idade, prostrados em corredores de um Hospital, lutando pela vida em condições inaceitáveis, enquanto ingerem doses de quimioterapia, numa última esperança de se amarrarem a esse destino que lhes sobrou, soluça esta minha escrita incapaz de verbalizar a tamanha incredibilidade que me assola.

Reportar as mortes de Crianças nos bombardeamentos químicos na Síria, como ponto de comparação com este caso, não respeita nem a memória desses mártires, nem tem em consideração a dor e o sofrimento destas Crianças e Pais que agonizam nos corredores do dito hospital.

Será que poderemos falar de Lares que maltratam e deixam velhos subnutridos, quando em África, tantos e tantos, morrem sem comida?

Será que poderemos falar em violação, quando em vários Países, esse casos são flagrantemente sentidos, numa escala maior do que neste nosso País?

Será?

A crónica de José Diogo Quintela é, na minha opinião, absolutamente fedorenta, mesmo nauseabunda, desrespeitadora da mais básica expressão da solidariedade Humana.

Já aqui escrevi, vezes sem conta, o que me vai na alma quando o assunto é o drama Sírio, o massacre constante a que estão sujeitos Velhos e Novos, Pais e Filhos, enfim gente...

Já aqui gritei, através da tinta soletrada pelas  minhas palavras, o horror que se vive na Síria, no entanto, não posso aceitar que esse argumento seja utilizado para menosprezar a dor imensa a que devem estar sujeitos, aqueles meninos e meninas, combatentes nessa batalha pelas suas vidas, contra o cancro.

Não existe comparação...

Nem tem de haver.

Por isso e como gosto pouco de almas fedorentas, mentes tacanhamente dispostas a tudo por um punhado de polémica, distancio-me desse texto, desejando apenas que o seu autor nunca tenha de estar num corredor de Hospital, com um filho seu, guardando em si o desespero de tamanha luta.

Quanto a mim, sobra-me indignação para poder escrever sobre os dois temas, com a mesma revolta e sem senãos...

Sem hesitações em criticar o inaceitável.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

04
Mar18

Sem Vida...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Crianças esquartejadas;

Empilhadas,

Sem vida...

 

Olhares perdidos;

Parados,

Rostos feridos,

Desencontrados...

 

Sem vida...

 

Marcas de desgostos;

Horrores profundos,

Homens pequenos,

Pequenos segundos...

 

Sem vida...

 

Tantos mortos;

Sem idade para sentir,

Que a vida chegara,

Chegara a partir...

 

Sem vida...

 

Eternamente sem vida,

Por entre as lágrimas que não chegaram,

As dores que não calaram,

As mágoas que não contaram,

Os medos que se concretizaram...

 

Em vida...

 

 

04
Mar18

60 Minutos Na Síria Ou A Vergonha Da Humanidade?

Filipe Vaz Correia

 

Imagens assustadoras, arrebatadoras, devastadoras...

A SIC Noticias exibiu ontem, uma reportagem sobre mais um genocídio químico na Síria, no programa 60 Minutos.

Espero que a vejam...

Tenham medo, receio, pois o devem ter, num tremendo confronto com a dor e devastação inimaginável, por entre os olhos sufocados de várias crianças, vozes silenciadas sem expressão, espasmos contínuos esmagados pela mortandade de Gás Sarin.

Crianças e mais crianças, Pais e Mães, Novos e Velhos.

Nada escapou ao criminoso gesto de Bashar Al-Assad, a mais um criminoso acto de um regime genocida.

Vejam...

Por favor vejam!

As imagens não editadas, integralmente passadas pela CBS, num gesto corajoso, afrontador da consciência Humana, retira de tantas frases feitas a hipocrisia, dos medos civilizacionais a estupidificante razão de existirem.

Se ali estivéssemos, só poderíamos querer fugir, se víssemos os nossos filhos ali, apenas nos restava correr com eles nos braços, para evitar que o seu destino fosse igual ao daqueles meninos, estendidos naquelas terras...

Se ali estivéssemos, apenas nos restava esperar que aquelas bombas não chegassem, que aquele fim não fosse cumprindo.

Nos olhos daquela gente, morta, espumando de suas bocas, presas por um momento, singelo segundo, às vidas outrora seguras, se encontra a vergonha disfarçada de todos aqueles que permanecem cúmplices...

Calados.

Não quero fazer parte desse conjunto de pessoas e por isso grito...

Vejam!

Vejam como na Síria, nos dias que correm, se mata sem pudor, se esmaga a esperança de tantas crianças sem que nada mude...

Sem que o mundo se indigne.

E no meio de tantos silêncios, de tanta hipocrisia, continua a reinar a desesperante vontade de um déspota. 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

22
Fev18

Um Massacre Sem Fim!!!!!

Filipe Vaz Correia

 

 

Estão a morrer pessoas, crianças, em Ghouta Oriental, assim como, já muitas haviam morrido em outras partes da Síria...

O mundo assiste perplexo, sussurrando palavras ocas, tímidas ameaças, consentindo uma vez mais as ofensivas de Bashar-Al-Assad.

Nunca acreditei na Primavera Árabe, nesse movimento, essa espécie de clamor que invadiu o mundo Ocidental, num apoio desmedido a rebeldes que se tornaram em muitos casos, mais tiranos, do que os supostos ditadores que tanto queriam depor.

Sempre temi essas Odes escritas de improviso, contando os feitos de heróis fundamentalistas...

Nunca confiei nos revolucionários que zurziam ao vento a libertação dos seus povos, em diferentes destinos, em cenários distintos.

Não funcionou na Líbia, não funcionou no Egipto, não funcionou na Síria, simplesmente não funcionará.

O Egipto, é um Estado profundamente laico, enraizadamente preparado para a separação de poderes, Religião e Estado...

Talvez isso os tenha salvo, justificando assim o facto de terem conseguido a tempo, perceber o gigantesco erro que acabavam de cometer, destituir Mubarak, para o substituir pela Irmandade Muçulmana, pois apesar de estes serem eleitos democraticamente, ameaçavam mudar radicalmente a face do seu País...

Daquele povo.

Os mesmo jovens Egipcios que os levaram ao poder, nas ruas, pelas ruas...

Perceberam o perigo deste tipo de caminho, do poder Teológico que ameaçava se instituir, através das suas leis discriminatórias e medievais.

Por todas estas razões sempre desconfiei do preço a pagar pelas populações, depois destas revoluções varrerem aquela parte do mundo...

Sempre pensei ser preferível ter cautela, mesmo sabendo que Mubarak, Kaddafi ou Assad, não eram propriamente uma solução.

No entanto, no caso Sírio, o mundo tem assistido, vezes sem conta, ao massacre constante das populações que se encontram em cidades tomadas pelos rebeldes, com gás ou fogo, por terra ou ar...

Assad com a conivência do Irão e da Rússia, tem vindo a trucidar aquelas populações, aqueles infelizes cidadãos do seu País ou do que dele resta, inocentes ou não, mulheres, homens, crianças.

As imagens que nestes dias nos têm chegado de Ghouta Ocidental, são para qualquer um de nós, um chocante relato do desespero civilizacional a que definitivamente chegámos, cumplicimente silenciados pela inaptidão daqueles que nos governam...

E pela intensa distância daquelas bombas, do barulho daqueles gritos, do vazio daquelas crianças despedaçadas.

Enquanto o mundo discute onde deverá ficar a capital de Israel ou o doping olímpico ou mesmo os muros sonhados por Donald Trump, mais um massacre sem fim acontece naquelas terras, há muito, carregada de feridos e mortos.

Assad ultrapassou todos os limites, como aliás já o havia feito, sendo assim completamente inaceitável que os Estados Unidos e a Europa, se calem uma vez mais...

A História não nos perdoará.

Quanto àquelas vidas, àquele povo...

A escolha que neste momento lhes resta é:

O Regime de Assad ou os Rebeldes terroristas?

Pobre povo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

08
Nov17

Vidas A Correr!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

As bombas ensurdeceram o meu sentir;

A dor emudeceu o meu carpir,

A mágoa escureceu esse intenso colorir,

Fugindo sem fugir...

 

O sangue pintou cada morte,

Cada desaparecer ensurdecedor,

Destino sem sorte,

Fétido fedor...

 

Cada olhar,

De uma vida vazia,

Intenso desesperar,

Dia após dia...

 

Ainda não fiz doze anos;

Nem sei se os farei,

Por entre feridas e danos,

Perdendo tantos que amei...

 

E continua a vida a correr;

A vida a correr,

E eu parado,

No meio deste meu eterno sofrimento.

 

 

 

02
Ago17

Sírios: Entre Assad E O Daesh!

Filipe Vaz Correia

 

Os desaparecidos da Síria é mais uma reportagem impressionante da BBC, sobre o conflito naquela região e a forma como a oposição foi esmagada à mercê do regime de Bashar Al-Assad.

Na história ali contada, sobram os relatos de brutalidade, de uma viagem desesperada pelo caminho penumbroso, de morte e assassinatos, de raptos e tortura, de impunidade e sofrimento.

A trágica vida daqueles que um dia se opuseram a um regime de Algozes, corrupto, sanguinário, num dilema absolutamente insolúvel...

A história de homens e mulheres, velhos e crianças que se encontram encurralados entre o poder dos Alaúitas, representado por Assad e os desmandos fanáticos do Daesh.

É aqui que se entende o fim de uma Nação, o labirinto sem escapatória de gente comum, devastada pelo simples facto, de ousar sonhar com esse direito inalienável de ser livre...

Liberto enfim, nesse desejo de escrever sem grilhões, falar sem amarras, pensar sem receios, expressar a sua vontade sem medo de ser cerceado.

Neste horror, espelhado é mais uma fantástica reportagem, fica a sensação que será impossível resolver este conflito, que serão irrecuperáveis as vidas, ali perdidas em vão...

As vidas que se perderam, apenas porque ousaram dizer não.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

14
Abr17

Administração Trump: Escolaridade Obrigatória, Precisa-se...

Filipe Vaz Correia

 

Esta semana Donald Trump e a sua administração, brindaram o mundo com mais uma demonstração, de profunda ignorância, já pouco surpreendente, para quem acompanha a política Americana...

Num momento importantíssimo, marcado pela investida sobre uma base militar Síria, como retaliação ao ataque químico supostamente perpetrado, pelo regime de Assad, nada pior para a Casa Branca, do que a entrevista de Trump e as palavras de Spicer.

Comecemos por Trump, que numa entrevista estupidificante, explicou como decidiu atacar o Iraque, naquela noite festiva, enquanto jantava com o Presidente Chinês.

Leram bem, Trump equivocou-se e confundiu a Síria com o Iraque, tendo sido corrigido pela entrevistadora, claramente constrangida...

Disse ainda Donald Trump, que estava a jantar com o Presidente Xi Jinping, quando tomou essa decisão de bombardear aquele país, descrevendo em pormenor a sobremesa que tinha diante de si, um bolo de chocolate servido em camadas, certamente delicioso.

Um bolo de Chocolate e algumas bombas tomahawk, ou seja, um cocktail explosivo à mercê de um destemperado cowboy...

Nesta mesma semana, Sean Spicer, o homem responsável por lidar com a imprensa, num encontro com os jornalistas, resolveu expor a sua sapiência, ao nível da 1ª classe, diante de todos nós...

Dizendo:

" Nem Hitler desceu tão baixo como Assad".

Ou:

" Hitler não usou armas químicas sobre o seu próprio povo".

Em primeiro lugar senhor Spicer, qual é a diferença entre gazear milhões de pessoas do seu próprio povo, ou de outro povo qualquer?

Em segundo lugar, usou!

Dos  milhões de Judeus que morreram em campos de concentração, encontravam-se muitos que haviam nascido nessa pequena aldeia, chamada Alemanha...

Dos idosos lá incinerados, estavam muitos nascidos em terras Germânicas...

Dos deficientes desaparecidos durante o regime Nazi, grande parte eram Alemães e assim sucessivamente, atingindo opositores e muitos outros...

Desconhecer isto, é na verdade, assustador.

Assustador para o mundo, que tem à frente da maior potência nuclear, gente tão incapaz, ignorante e perigosamente boçal.

A leveza com que Trump e os seus, começam a usar bombas para disfarçar a inépcia da sua governação, disparando e ameaçando em várias frentes, associado a este aterrorizador desconhecimento, plasmado em tantas declarações feitas por esta administração, poderá nos guiar para uma espécie de Apocalipse...

Assim, desesperadamente preocupado com a cena política e estratégica mundial, entendo que seria aconselhável que estes personagens, pudessem pelo menos completar a escolaridade obrigatória, pois o conhecimento traz com ele, os ensinamentos apropriados a quem detêm tamanho poder.

O mundo, certamente, agradece.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

06
Abr17

Síria!

Filipe Vaz Correia

 

Choram na Síria;

Envergonha-se o mundo,

Lágrimas no dia,

Em que esse gás vagabundo,

Entorpece, asfixia,

Num sono profundo,

Que devagar silencia,

Aquelas pobres gentes...

 

Gritam na Síria;

Gritam emudecidos,

Gritos esquecidos,

Gazeados, feridos,

Em sonhos perdidos,

Tornados pesadelos...

 

Tombam na Síria,

Gente, crianças,

Tomba na Síria,

A imensa esperança,

Desta triste Humanidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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