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Caneca de Letras

Caneca de Letras

05
Nov19

Rosto

Filipe Vaz Correia

 

Já me perdi;

Vezes sem conta,

Nessa estrada imaginada,

Vezes sem conta,

Cantando a desencantada,

Voz da alma...

 

Já me esqueci;

Vezes sem conta,

Desse sorriso de outrora,

Vezes sem conta,

Perdido nesse agora,

Que tarda em chegar...

 

Já me feri;

Vezes sem conta,

Nas entrelaçadas memórias,

Vezes sem conta,

Em cada pedaço dessa história,

Que imaginei nossa...

 

Já se apagou a luz;

Intermitente luz de um poema,

Singelamente discreto,

Imponentemente dilema,

Dessa parte que é deserto,

E que não voltará a nascer...

 

Mas se um dia aqui regressar;

Neste tempo, momento,

Numa janela de futuro,

Revisitando o passado,

Saberei reescrever,

Cada leve traço,

Do “nosso” rosto.

 

 

 

08
Jun18

Ó Tempo...

Filipe Vaz Correia

 

Ó tempo...

É nas tuas marcas que me recordo como depressa passaste, de cada vez que ao espelho as revejo, teus sinais intransigentemente marcados em meu rosto.

Em cada ruga uma recordação, um amor revivido, um amigo perdido, um ente querido que partiu...

Por cada vinco em minha pele, um sorriso que se liberta de tantos e tantos momentos, uma lágrima disfarçada ao vento.

Ó tempo...

Pedaço de sentimento resplandecendo ao luar, numa procura incessante por instantes que não voltam, não regressam, esvoaçando intensamente nessa mágoa amargurada que vai correndo sem parar.

Ninguém disse ao tempo para esperar, para aguardar eternamente, imobilizado diante desse milagre denominado vida...

Essa magia espiritual que flameja como uma chama que infelizmente se extinguirá.

No rosto, nas mãos, a pele engelhada entrelaçando o corpo à alma, num percurso siamês sem retorno.

O olhar meio esbranquiçado, já perdido, desgastado, sem a cor de outrora, no entanto, preso à vida, à esperança de recuperar...

Recuperar o tempo, que o tempo levou.

Ó tempo...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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