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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Linhas, Traços, Desenhos E Rabiscos...

 

Escrever uma carta nem sempre é fácil, ficando pelas entrelinhas, tantas vezes, letras perdidas, palavras meio feridas e moribundas ideias que permanecerão soltas por entre o papel.

A cada linha se encontram virgulas e "entretantos", desconexas vontades...

Em cada parágrafo uma mudança de linha que nem sempre representa uma mudança de texto, de sentir, de querença.

Por entre a tinta que acarinha cada palavra se entrelaçam gritos e silêncios, memórias e saudades, jamais desnudadas por completo.

A complexidade de escrever uma carta, quando ela se pinta da mesma cor da alma ou segreda o que habita no coração, será esse desvendar do Ser, esse despir da tímida alma.

Num abraço em forma de desenho ou num carregado adeus desenhadamente derradeiro, se perde a temporalidade que se transformará nessa intemporal inevitabilidade...

Da intemporalidade do que escrito está.

É assim mais difícil, por vezes, escrever do que gritar...

Falar com esse espelho de nós mesmos que se reflecte a cada instante quando revês o que se foi libertando de ti, ganhando forma, cor, intensidade.

E como por vezes é belo?

Outras dolorosamente belo?

Outras ainda...

Apenas vazio.

E assim neste desabafo em forma de carta se revê a tímida desesperança, carregada da imensa esperança que se prende a quem escreve...

Numa carta repleta de linhas, traços, desenhos e rabiscos, salpicados com uma pitada de poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Voando Pelas Estrelas!

 

Olho para as estrelas...

Só.

Com o cair da noite, vislumbro em cada uma delas pequenos momentos tão meus, alguns que esforçadamente gostaria de esquecer mas que se avivam, assim como, aviva a tamanha dor que se prende à memória, desgostosamente reluzente em cada pedaço de luz que nessa noite me preenche.

Mas também sorrisos, momentos imprecisos, melodias desafiantes, beijos asfixiantes, abraços inebriantes, querer...

Esse querer que apenas naquele momento, nesse pedaço de tempo em que suspenso parece estar o mundo, soletra devagarinho um silêncio profundo transformado em ruído...

Silencioso ruído dos nossos corações.

Como parece simples escrever, deixar o coração soletrar estas palavras...

Este conjunto de frases que insistem em soltar-se e nelas esvoaçar a imensa vontade de dizer que te amo.

Olho para as estrelas...

Só.

Sorrindo desmedidamente somente porque na minha memória permanece intacto esse cheiro teu, esse sabor teu, esse entrelaçar tão nosso.

E nessa memória...

Tudo será intemporal, meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Não Existe Tempo, Para O tempo Voltar Atrás...

 

São tantas as palavras que parecem se perder em mim.

Parecem perdidas aguardando que as escolha, sem escolher...

Que as pinte, sem pintar...

Que as soletre, sem falar...

Que as perpetue no papel, sem que o tempo as apague.

Neste misto de contradição amarrada à imensidão de memórias, se mistura a desmedida vontade, entrelaçada com os sonhos que ficaram, por entre, o tempo...

Essa viagem de vida onde, por vezes, se confunde o viver com a passagem dos dias e noites.

Sentei-me à janela, nessa janela onde tantas vezes ousei sonhar, vendo o mundo lá fora correndo sem parar.

Mas ousei quedar-me em espera, aguardando serenamente por um destino enevoado, com receio de que as asas, minhas, se quebrassem nesse voo desconhecido.

As estrelas permanecem nos mesmos sítios, mas não as mesmas, o céu permanece silencioso, talvez o mesmo silêncio, acompanhado pela lua...

A lua que continua altiva, brilhante, capaz de arrebatar um qualquer, perdido, coração.

Terá valido a pena sonhar, sem que fosse capaz de caminhar, por entre, esse desejo de fugir sem temer, de ousar sem voltar, de escapar destemperadamente...

Terá valido a pena?

Se calhar sim, se calhar não.

Nunca o saberei...

Pois não existe tempo, para o tempo voltar atrás.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Vezes Sem Conta!

 

 

 

Tenho tanta vontade de sentir;

Novamente sentir,

O sentido bater,

Contraditório fugir,

Da alma a querer,

Querendo pedir,

Que volte a viver,

Repetidamente,

Vezes sem conta...

 

Vezes sem conta;

No mesmo lugar,

Vezes sem conta,

Aquele abraçar,

Vezes sem conta,

Nossas mãos entrelaçar,

Vezes sem conta,

O desmedido amar,

Vezes sem conta,

No teu olhar...

 

Tenho tanta vontade;

De resgatar da saudade,

Essa asfixiante verdade,

Sem fim...

 

Amo-te inteiramente;

Eternamente,

Como se fosse sempre,

A primeira vez.

 

 

Consigo...

 

 

 

Consigo sentir-te;

Discretamente distante,

Nas asas do vento,

Contando a história,

Que há muito,

Nos uniu...

 

Consigo vislumbrar,

Esses dias,

Ausentes pinturas,

De um tempo,

Perdido...

 

Consigo descrever;

Em cada palavra,

A dor e mágoa,

Que sobreviveu,

Por nós...

 

Consigo sorrir;

Mesmo querendo gritar,

Consigo fugir,

Querendo esperar,

Por ti...

 

Consigo tanta coisa;

Que não pensava conseguir,

Guardar dentro de mim,

Todas aquelas letras,

Que outrora,

Foram nossas...

 

Consigo;

Contigo!

 

 

 

 

Vale Encantado...

 

 

 

Um vale encantado;

Cheio de luzes e cores,

Querer disfarçado,

Por entre as dores,

Num céu pincelado,

De desgostos e amores...

 

Oiço os sons do silencio;

Ruídos de ilusão,

Num distante lugar,

Onde mora a emoção,

O secreto olhar,

Deste triste coração...

 

E segredando ao vento;

A ausente companhia,

O presente tormento,

A entrelaçada nostalgia...

 

Num vale encantado;

Onde verdadeiramente,

Aquele menino,

Torna a ser feliz.

 

 

 

 

Pedaço De Mim!

 

 

 

É tão complexa;

A incompleta imaginação,

Incerta e desconexa,

Vontade do coração,

Que deixa perplexa,

A apaixonada emoção,

Da alma reflexa,

De tão grandioso amor..

 

Tão distante,

E ao mesmo tempo presente,

Em cada instante,

E ao mesmo tempo ausente,

Asfixiante,

Imensamente quente,

Assim descrito,

Eternamente...

 

Pois amar-te;

É o melhor pedaço,

De mim mesmo.

 

 

Carinho de Mãe...

 

Vejo agora, as faces da minha meninice;

O olhar, a ternura, a expressão,

O cantinho de cada traquinice,

Própria de um livre coração...

 

Nada me escurecia a alma;

Esplendorosa parecia a minha mente,

Pois apenas o carinho e a calma,

Recebi desde o ventre...

 

Lugar esse que busquei toda a vida;

Por preguiça ou segurança,

Mas sempre de forma sentida,

Sentindo essa perdida esperança...

 

O menino de sua mãe;

Perdeu o seu abrigo,

Escapou-lhe aquela lágrima,

Sobrou-lhe o medo antigo...

 

Ninguém poderá pedir;

Que o meu coração pare de chorar,

E que deixe de sentir,

A falta do teu lugar...

 

Todas as noites olho para o céu;

À procura de um sinal,

Que por detrás daquele véu,

Descubra um teu postal...

 

Que perdido me senti;

Ao ver-te desaparecer,

Restando-me te descrever,

Até esse dia em que morrer...

 

Assim irei continuar;

Poema atrás de poema,

A celebrar o teu amar,

A decifrar o teu teorema...

 

Obrigado com ternura;

É o que sempre te irei dizer,

Por me guiares nesta aventura,

Que sem ti, é viver!