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Caneca de Letras

Caneca de Letras

23
Out19

Velho Olhar...

Filipe Vaz Correia

 

Sabes bem que nas entrelinhas da história;

Mesmo calada, enfraquecida, solitária,

Se reaviva a memória,

Sempre que se desperta esse pedaço de querer,

Que um dia nos uniu...

 

Não sei se num olhar;

Num presente desesperar,

Num abraço a intensificar,

A eternidade ao luar...

 

Não sei se perdidamente;

Me perderei todas as vezes,

Tantas vezes intensamente,

Intensamente por ti...

 

Nos silêncios que tomaram conta deste nós;

Que calaram a melodia que outrora trauteava,

Mesmo aí...

 

Sobrará sempre um tempo;

Para confessar desesperadamente,

Que é amor,

O que vês neste meu, tão teu, velho olhar.

 

É amor.

 

 

 

14
Set19

Contraditórias Palavras...

Filipe Vaz Correia

 

São contraditórias as palavras;

Meio enraizadas,

Nessa expressão maior,

Misturada dor,

Que se entrelaça na ardente expiação,

Dessa pequena emoção,

Outrora ferida,

E que agora se transformou em recordação perdida,

De uma desassossegada alma.

 

Já não grita a amargura;

Nem a desventurada desdita,

Essa amargurada aventura,

Perdidamente descrita,

Por entre letras soletradas,

Palavras inacabadas,

Momentos infinitos...

 

Um dia voarei;

De asas abertas,

Rumo a esse horizonte,

Que perpetuamente desnudado,

Se definirá como eterno,

Eternamente melodioso...

 

Melodiosamente único.

 

 

02
Set19

Insistentemente Amor

Filipe Vaz Correia

 

Queria escrever sem parar;

Sem parar de gritar,

Gritando de uma vez,

Uma vez inteira,

Inteiramente desnudada,

Desnudadamente primeira,

Sem contar com o ardor,

Desse antigo antigamente,

Sem nexo o torpor,

Repetindo novamente,

Esse bater, tambor,

Insistente, insistentemente...

 

Insistentemente amor!

 

 

 

 

 

19
Ago19

Férias “Canequianas”

Filipe Vaz Correia

 

Férias, finalmente férias...

Sentado na esplanada do Hotel Casablanca, onde sempre venho para um tomar um “drink”, começo mais uns dias de férias em Montegordo, como quase todos os anos faço, numa praia que me liga a momentos soletradamente felizes.

O sol que parecia se esconder em Lisboa, por entre, este verão quase Outonal, parece reinar nesta terra Algarvia, poderoso, esplendoroso, magicamente imponente.

Como tinha saudades de sentir este cheiro de mar, este rebuliço silencioso que amarra a alma ao mar salgado, aos cheiros e sabores carregados de salmoura.

O tempo descansa, não cansa, parece parar por um pedaço, dando a verdadeira dimensão desse querer que importa...

Apreciar as boas sensações da vida, desse destino cruzado, por entre, vento e sol, areia e mar, brindando a esse Oceano que chega e molha os pés, num mergulho nos envolve e resgata da sensação de stress que no quotidiano nos cerca e condiciona.

Para quem está de férias...

Boas férias!

Para quem esteve...

Que tenham valido a pena.

Para quem ainda as irá ter...

Não desesperem.

Agora vou dar um mergulho, brindando este tempo que se torna eterno em cada memória que se guarda.

Boas férias a todos os Canequianos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

09
Ago19

O Desenho De Tantas Vidas...

Filipe Vaz Correia

 

Não sei explicar, não consigo gritar, não se entrelaça esse expressar que poderia desenhar cada palavra deste texto.

Música ao fundo, silenciosamente tocando, olhos cerrados, meio perdidos em mim, por entre, aquela voz interior que soletra desapegadamente o sentir maior, tão maior como a imensidão da esperança, aquela inocente esperança, outrora inexpugnável, agora despida de crença, amarrada a feridas, sabedorias doridas, de estranhas caídas ilusões.

O palco montado, as luzes presentes, o brilho tornado verdade, numa misturada saudade que não quero perder...

Estranha saudade esta que parece resgatar a palavra, cada palavra, cada dor ardente, amor que se sente, ardor que desmente a tamanha crueldade.

Já me perdi no meio das vírgulas e pontos que se intrometem por este texto, me desencontrei com os prometidos encontros que ficaram nesse passado, esquecido, desmentido, cravado naquele horizonte que já não vislumbro.

Abro os olhos...

Finjo não perceber que a tinta da pena se extinguiu, que se perdeu o rosto e o tempo, transformado em desgosto e tormento, tempero preciso para tão impreciso caminho, árduo caminho de um desatinado destino.

Em cada linha, por cada destemperada linha de um secreto texto, se completa o desenho de tantas vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

29
Jul19

Dicionário Do Amor

Filipe Vaz Correia

 

Amor...

Essa palavra, conjunto de letras inusitado, que parece simplista e desenhada, por vezes dormente ou silenciada, muitas vezes inquietantemente solitária num canto do quadro, num pequeno espaço da folha.

Tanta tinta escrita em seu motivo, gravada em lágrimas ou gargalhadas, em afagos ou desabafos, em sorrisos ou tristonhos retratos imprecisos.

Amor...

Esse sentir que por vezes magoa, destoa, amarra e abraça, outras vezes apenas se apresenta com aquela inevitabilidade própria dos momentos únicos que se impõem ao tempo, pelo tempo, através do tempo.

Como se pode explicar o tamanho sentimento que representa a pequena palavra?

Como soletrar para o papel cada espaço desta palavra, cada sentir de cada uma das letras que a compõem?

Questões soltas, tão desmedidamente soltas como amarradas à confusa tradução deste estranho sentir.

Respirar...

Respirar bem fundo, como se esse fundo não tivesse fim, como se o beijo, esse beijo, não se extinguisse no tocar dos lábios, no entrelaçar da saliva, no bater do coração.

Cada pedaço de amor, desse amor encadernado na imaginação dos poetas, escondido na virgindade das donzelas, no ardor corajoso dos valentes cavaleiros...

Cada pedaço desse amor arde infinitamente, soluça atrevidamente, sonha intemporalmente, como se jamais chegasse esse futuro que ameaça o imediatismo dos amantes, o querer romântico da prosa, o inquietante impulso da alma.

Amor!

Exclamação que nos define, indefinidamente nos completa, sem receio de gritar o que parece somente uma palavra, um pedaço desconexo de uma frase.

O Amor...

Ou simplesmente aquilo que mais importa.

Somente o que mais importará.

Que o tem nem sempre o reconhece e quem o perdeu...

Disfarçadamente sabe que dificilmente o voltará a sentir.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

19
Jul19

Quando?

Filipe Vaz Correia

 

Quando o silêncio se impõe;

E parece silenciar a alma...

 

Quando o gritante vazio,

Se atreve a chegar...

 

Quando o destino se cala,

Se atreve a calar...

 

Quando não se mostra o sorriso,

Tristeza chegando de improviso...

 

Quando o sol se põe,

Dando lugar ao desconhecido...

 

Quando nada mais faz sentido,

Esse sentir perdido...

 

Quando?

 

Quando apenas sobra a contradição,

Nessa forma de aflição...

 

Quando o mundo se revolta,

E desnuda o medo maior...

 

Quando o temor acrescenta,

Sem receio de esventrar...

 

Quando é pequeno o querer,

Esse querer que é desassombrado...

 

Quando?

 

Quando o escrever soluça;

A alma se agiganta,

A certeza se inquieta,

A entrelaçada querença se torna incerta...

 

Quando tudo isto se desenha;

Numa prepotente e assimilada resenha,

Voltando as pegadas presentes no nascimento,

Esse reescrito tormento,

Que nos pertence.

 

Quando...

 

Quando?

 

 

 

09
Jul19

Nem Sempre

Filipe Vaz Correia

 

Nem sempre consigo encontrar as palavras, aquelas palavras que chegam desnudando, por vezes, destemperando a realidade, tantas vezes somente desencontradas do querer.

Nem sempre...

Nem sempre consigo transpor para palavras essa emoção transbordante, esse transbordar emocionante, esse querer dizer o que realmente significa.

Tantas vírgulas e abreviações, pontos e interrogações, tinta e mais tinta, num rio de letras tão certas e distantes, longínquas e próximas.

Nesse entrelaçar de destinos, curtos e longos caminhos, se aquece a alma, mesmo que despida de sentido.

Nem sempre a conversa flui, a poesia se entrega, o sentido, aquele pedaço que se faz sentir...

E o nexo vira certeza, o desconexo melodiosa canção de Caetano.

Nem sempre...

Quantas vezes vos entrelaçou esse nem sempre?

Esse nem sempre capaz de se tornar presente, outras vezes insistente, tantas e tantas vezes, simplesmente, ausente...

Nem sempre consigo expressar o que grita a dolorida esperança, essa dor que alcança, sem medo de voar.

Mas o que interessa a esperança se nem sempre balança a doce contradição?

Nem sempre...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

08
Jun19

Sorrir...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Sorri, sorri sempre;

Mesmo que arda demasiado,

Que o querer esteja ausente,

Ou te roube o significado...

 

Mas não deixes de sorrir;

É a forma de sobreviver,

De esconder esse ferir,

Esse pedaço a morrer...

 

E preso no olhar;

Que habita dentro de ti,

Lá permanecerá esse magoar,

Que sussura sem fim...

 

Talvez um dia seja passado;

O que efectivamente se perdeu,

O que outrora era amado,

E hoje desvaneceu...

 

Sorri, sorri sempre;

Mesmo que não saibas sorrir,

Sorri, sorri sempre,

Sem medo de sentir.

 

 

29
Mai19

Quem Conheceu A Tão Desejada "Felicidade"?

Filipe Vaz Correia

 

 

Doses pequenas de querer numa busca presente pelo encontro com a desmedida vontade de ser feliz.

Dias bons, dias maus, nesse caminhar que se cruza desatinadamente com esse destino que desconfiamos sem saber, queremos sem conhecer, acreditamos desconfiando.

Tantas interrogações que se apresentam numa entrelaçada questão...

Seremos nós felizes?

Sabemos o que é a felicidade?

Essa palavra que nos persegue desde o início de tudo, desde a alvorada dos tempos, continuando a consistir por si mesma como a meta a atingir por qualquer um de nós.

Mas o tempo passa e com ele vai trazendo ilusões e desilusões, gentes que partem e chegam, dias que se põem levando com eles momentos inesquecíveis ou trazendo outros momentos que nos esforçamos por esquecer.

Assim nesta caminhada que se impõe ao querer, desgastante passar do destino, se amarram palavras, outras vezes sons e silêncios, nessas infindáveis interrogações que não conseguimos silenciar...

Para onde vamos?

O que deixamos?

Como almejar essa felicidade ou sonho que parece inatingível?

E chegados lá, bastará por si só essa parcela de nós que se sente feliz?

Talvez sim...

Talvez não.

Fica a interrogação...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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