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Caneca de Letras

Caneca de Letras

"Areia No Mar"

 

 

 

Tenho as mãos dormentes;

A voz tremula,

Um batuque insistente,

Que não pára de bater,

Dentro de mim...

 

Parece que é o coração;

Assustado com o que está a sentir,

Uma espécie de emoção,

Que persiste em fugir...

 

Insiste em escapar;

Por entre os dedos,

Como areia no mar,

Como o mais puro dos segredos...

 

Mas na folha em branco;

Na singela pureza desnudada,

Não sobra espanto,

Sobrando a certeza...

 

De que não existe beleza;

Maior...

 

Do que este tímido querer;

Chamado amor.

 

 

 

 

 

"Coração De Esferovite"

 

 

 

Por vezes parece desistir;

Outras fraquejar,

Tantas vezes quer insistir,

As mesmas que sente hesitar,

Nesse eterno existir,

Que não quer findar,

Somente fugir,

Escapar...

 

Mas nada;

Se permite,

Tudo, tudo,

Se omite,

Pequeno,

Coração de esferovite...

 

Bate e pulsa;

Como se fosse verdadeiro,

Sente e chora,

Como se permanecesse inteiro,

Grita e se agita,

Num amor derradeiro...

 

E guardada na memória;

Sobrará a vontade,

De uma bela história,

Carregada de saudade,

Num singelo gesto de carinho...

 

Leve, leve;

Permanecerá o querer,

Voando sem medo,

De sofrer...

 

O pequeno coração de esferovite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aquele Inverno...

 

É inverno...

Chove do lado de fora da janela, por entre, a escuridão que cobre as ruas, que desnuda a solidão daqueles que se entrelaçam com o destino, sem saberem reescrever a sua canção.

Na melodia de uma vida, carregada de solidão num inverno, mora essa destemperada vontade de correr rumo à infinitude maior, desse Ser Humano sem sentido.

Já  outrora Cartola cantou que "o mundo é um moinho", num desafiar lírico do querer, do entendimento menor da imensidão humana.

Mas o que fazer?

O que gritar...

Se no olhar das gentes se perde a querença, em cada pedaço de tempo se vai desvanecendo, se vai cedendo, perante os dias corridos diante do espelho reflectido de nós mesmos.

É inverno...

Sem vozes ou brilho, sem abraços ou afagos, sem nada que aqueça a alma, pois a alma desnudada, espantada está com o correr do tempo.

Sempre o tempo, levando o momento para a eternidade dos arrependimentos...

Dos nadas que se transformaram em tudos, dos rostos perdidos jamais repetidos, das noites estreladas outrora brilhantes e agora desencontradas.

É inverno e está a chover...

E eu sem ti, sem nada que me resgate nesse tempo, para num momento te voltar a beijar.

É inverno...

Meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Carinho Meu...

 

 

 

Dou-te a mão;

Uma vez mais,

E uma vez mais,

Parece pouco tempo...

 

Num intervalo estrelar;

Inebriada vontade,

Amarrado olhar,

Carregada saudade...

 

Dou-te a mão;

Sem hesitar,

E volto a me perder,

Em ti...

 

Pois é amor;

O que sinto;

Intenso ardor,

Faminto...

 

É nesse mundo paralelo;

Que se esconde tamanha beleza,

Nesse quadro tão belo,

Que se entrelaça a certeza...

 

Dou-te a mão;

E a alma,

O secreto coração,

Que sendo meu...

 

Só a ti pertence.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte De Mim...

 

 

 

É difícil;

Para mim...

 

Viver sem ti;

Respirar ardentemente,

Sem esse cheiro,

Que é teu,

Esse sabor que se mistura,

Na alma...

 

É difícil;

Assim...

 

Disfarçar no olhar,

O querer sem fim,

Que se torna em amar,

Sempre que o coração bate...

 

É difícil;

Sonhar...

 

Sem saber encontrar,

Esse pedaço de amor,

Suave definidor,

De um destino...

 

Pois se te magoa;

Me fere,

Se te mata,

Me trespassa,

Se te atinge,

Me consome...

 

Porque é mais do que um amor...

 És parte de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Equinócio D'Amor...

 

Por entre os espaços silenciosos da consciência, se escondem vontades e saudades desse ninguém que um dia fui...

Esse ninguém por construir, sem passado, folha em branco carregada de ambição, esperança e determinação.

Num sono pueril, aquela puerilidade imensa que se entrelaça em nós, onde tudo é possível, faz sentido, em contraponto, com esse destino que nos arrasa, nos derruba, nos desconstrói...

Nesse sono, tão terno, sobram lágrimas inexplicáveis, amores abrasadores, palavras e gestos perpétuos no querer da alma.

E é nesse misto de coragem cobarde que se encontra a doce amargura.

Sim...

Porque, por vezes, pode ser doce a amargura, embevecida tristeza desses inesquecíveis momentos tão secretos.

 

Não me arrependo de um segundo;

Nem por um segundo me arrependo,

Pois não existe arrependimento,

Num tão gigante sentimento,

Que arrebata completamente,

Completando secretamente,

O que incompleto parecia estar.

 

Por isso amo;

Incondicionalmente te amo.

 

E se voltasse atrás, se conseguisse regressar no tempo e viajar impunemente, serias tu a minha eterna escolha, o meu desmedido destino, sem remorsos ou desilusões...

Pois um amor como este, por vezes se confunde, por outras até se perde mas vale sempre a pena.

Valerá sempre a pena...

Meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

Linhas, Traços, Desenhos E Rabiscos...

 

Escrever uma carta nem sempre é fácil, ficando pelas entrelinhas, tantas vezes, letras perdidas, palavras meio feridas e moribundas ideias que permanecerão soltas por entre o papel.

A cada linha se encontram virgulas e "entretantos", desconexas vontades...

Em cada parágrafo uma mudança de linha que nem sempre representa uma mudança de texto, de sentir, de querença.

Por entre a tinta que acarinha cada palavra se entrelaçam gritos e silêncios, memórias e saudades, jamais desnudadas por completo.

A complexidade de escrever uma carta, quando ela se pinta da mesma cor da alma ou segreda o que habita no coração, será esse desvendar do Ser, esse despir da tímida alma.

Num abraço em forma de desenho ou num carregado adeus desenhadamente derradeiro, se perde a temporalidade que se transformará nessa intemporal inevitabilidade...

Da intemporalidade do que escrito está.

É assim mais difícil, por vezes, escrever do que gritar...

Falar com esse espelho de nós mesmos que se reflecte a cada instante quando revês o que se foi libertando de ti, ganhando forma, cor, intensidade.

E como por vezes é belo?

Outras dolorosamente belo?

Outras ainda...

Apenas vazio.

E assim neste desabafo em forma de carta se revê a tímida desesperança, carregada da imensa esperança que se prende a quem escreve...

Numa carta repleta de linhas, traços, desenhos e rabiscos, salpicados com uma pitada de poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Voando Pelas Estrelas!

 

Olho para as estrelas...

Só.

Com o cair da noite, vislumbro em cada uma delas pequenos momentos tão meus, alguns que esforçadamente gostaria de esquecer mas que se avivam, assim como, aviva a tamanha dor que se prende à memória, desgostosamente reluzente em cada pedaço de luz que nessa noite me preenche.

Mas também sorrisos, momentos imprecisos, melodias desafiantes, beijos asfixiantes, abraços inebriantes, querer...

Esse querer que apenas naquele momento, nesse pedaço de tempo em que suspenso parece estar o mundo, soletra devagarinho um silêncio profundo transformado em ruído...

Silencioso ruído dos nossos corações.

Como parece simples escrever, deixar o coração soletrar estas palavras...

Este conjunto de frases que insistem em soltar-se e nelas esvoaçar a imensa vontade de dizer que te amo.

Olho para as estrelas...

Só.

Sorrindo desmedidamente somente porque na minha memória permanece intacto esse cheiro teu, esse sabor teu, esse entrelaçar tão nosso.

E nessa memória...

Tudo será intemporal, meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Não Existe Tempo, Para O tempo Voltar Atrás...

 

São tantas as palavras que parecem se perder em mim.

Parecem perdidas aguardando que as escolha, sem escolher...

Que as pinte, sem pintar...

Que as soletre, sem falar...

Que as perpetue no papel, sem que o tempo as apague.

Neste misto de contradição amarrada à imensidão de memórias, se mistura a desmedida vontade, entrelaçada com os sonhos que ficaram, por entre, o tempo...

Essa viagem de vida onde, por vezes, se confunde o viver com a passagem dos dias e noites.

Sentei-me à janela, nessa janela onde tantas vezes ousei sonhar, vendo o mundo lá fora correndo sem parar.

Mas ousei quedar-me em espera, aguardando serenamente por um destino enevoado, com receio de que as asas, minhas, se quebrassem nesse voo desconhecido.

As estrelas permanecem nos mesmos sítios, mas não as mesmas, o céu permanece silencioso, talvez o mesmo silêncio, acompanhado pela lua...

A lua que continua altiva, brilhante, capaz de arrebatar um qualquer, perdido, coração.

Terá valido a pena sonhar, sem que fosse capaz de caminhar, por entre, esse desejo de fugir sem temer, de ousar sem voltar, de escapar destemperadamente...

Terá valido a pena?

Se calhar sim, se calhar não.

Nunca o saberei...

Pois não existe tempo, para o tempo voltar atrás.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Vezes Sem Conta!

 

 

 

Tenho tanta vontade de sentir;

Novamente sentir,

O sentido bater,

Contraditório fugir,

Da alma a querer,

Querendo pedir,

Que volte a viver,

Repetidamente,

Vezes sem conta...

 

Vezes sem conta;

No mesmo lugar,

Vezes sem conta,

Aquele abraçar,

Vezes sem conta,

Nossas mãos entrelaçar,

Vezes sem conta,

O desmedido amar,

Vezes sem conta,

No teu olhar...

 

Tenho tanta vontade;

De resgatar da saudade,

Essa asfixiante verdade,

Sem fim...

 

Amo-te inteiramente;

Eternamente,

Como se fosse sempre,

A primeira vez.