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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Tantas Estrelas...

 

Todas as estrelas caídas no chão, transformadas em pedra da calçada, sem brilho, sem luz, sem vida...

Todas as estrelas do céu se desprenderam, perderam as invisíveis asas que as sustentavam ali em cima, no alto dos sonhos, tão perto de Deus.

O vento intensificava a sua vontade, arremessando a saudade de um brilho que se esfumou, extinguiu.

A escuridão abraçava o horizonte, carregando de desesperança o olhar de todos, os que sem pressa, se afundavam no breu...

Num breu desesperante que insistia em arrancar dos silêncios, o injustificado sentido desse destino.

Caminhei por entre esse silêncio, por entre tantas estrelas mortas, mortificadas, esquecidas desse sentido que outrora parecia eterno.

Como não chorar, deixando que dentro de mim se liberte a inesperada razão, para que continue a bater esse coração meu, perdido por entre as estrelas que insisto em descrever...

Por entre o brilho ausente que insisto em referir...

Por entre essa estranha dor que aumenta sem parar, que não pára de aumentar, que desmedidamente me sufoca sem silenciar o grito surdo de tamanho abismo...

Como?

Caminhei sem olhar para trás...

Como se lá atrás, ficasse guardada eternamente a mágoa, a indiferença de erros e contradições, de desejos perdidos, perdidamente apaixonantes.

Nada poderia mudar, nem o brilho das minhas estrelas resgatar...

Nada.

Continuei a caminhar, olhando para o céu, despido de tudo, coberto de nada, dos tamanhos nadas que constroem esta história...

Tantas historias que ficando por escrever, poderiam aqui encaixar.

Talvez um dia o meu céu volte a brilhar, a ter estrelas nele a cintilar, mas até lá...

Vou continuar a sonhar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Questões Filosóficas...

 

Corre o tempo sem parar, sem deixar sons e silêncios suspensos através dos dias e noites amontoados em cada rosto, por cada alma, em cada pedaço de gente.

Nessa mistura de histórias, de contos, amarrados às linhas de um destino, encontram-se mágoas e risos soletrados pacientemente, impacientemente  desencontrados com tantos outros momentos segredados apenas ao coração...

Vejo gentes nas esquinas, atravessando ruas, saltitando por entre as poças de chuva que teimam  em se esconder nas pedras da calçada, almas apressadas em viver, esta vida, sem freio.

Uma agitação constante, corrupio desalmado que absorve a parte de nós que se esquece que um dia, o pôr do sol se extinguirá, a noite chegará eternamente...

Num sombrio amanhã, que se repetirá silencioso.

E o amor?

Onde se esconderá esse desbravado sentimento, explanado em tantas linhas de Shakespeare, em tantos poemas de Vinicius, em tantas canções de Caetano, na voz de Nat...

Onde se esconde esse sentimento, intenso, maior, sufocantemente abrasador?

Nos rostos dessas gentes, apressadamente correndo para mais um dia, para mais uma obrigação, se dilui no olhar o bater do coração...

Essa pressa de viver tudo intensamente, em cada beijo, em cada abraço, a cada cheiro, por inteiro, sem arrependimento.

Só existe tempo para num piscar de olhos, deixar a vida passar, passando com ela, um imenso mar de sentimentos, perdidos por entre o frenesim sem fim...

De tantos destinos.

Poetizando em prosa, sobre os rostos que passam por mim na rua, pergunto-me, se ao receber de volta aqueles olhares que insistentemente questiono, não serei eu também alvo, das mesmas questões que me assolam.

Neste cruzamento de vidas, destinadamente desencontradas, vidas passadas e presentes, misturadas em nós, busco reencontrar, aquele desencontro que há muito desencontrei...

Ou perder-me eternamente por entre estas linhas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Melodiosa Infelicidade...

 

Uma estrada longínqua, distante, caminhada interminável sem olhar para trás, esquecendo as amarguras, as dores que a alma insiste em recordar, recordando ansiosamente esses eternos momentos que para sempre nos definirão...

Em cada momento, a cada sentido sentimento, buscando em olhares perdidos, os reencontros que se foram, que parecendo eternos se diluíram nessa realidade sofrida ou no sofrimento real que nos invade.

Uma estranha beleza poética descrita por palavras, por vezes omitidas, outras ainda silenciadas, num repetido afastamento, quase bailado, num cenário cristalino, imaginário, tão inexpugnável como a fortaleza de areia que outrora se encontrava altiva, numa qualquer praia...

Palavras amarradas umas às outras, aprisionadas numa corrente de memórias, desconexas, embaciadas pelo tempo, o mesmo que outrora nos fizera voar e percorrer sem amarras os mundos escondidos, na irrealidade imortal de um destino...

Os céus pejados de nuvens, de medos e anseios, de gritos e receios, de futuros adiados, numa esperança interminável, de reencontrar em cada olhar, em cada pessoa, o mesmo sorriso, a mesma expressão, que sem recordar ainda guardo sem saber.

E pincelando com letras, a folha de papel, escrevinhando soletradamente as divagações entrelaçadas que parecem se libertar secretamente, numa melodiosa desesperança, tornada canção...

Uma a uma, pintadas nesse quadro como o som de um piano, a leveza de um violino, a simplicidade de uma lágrima tão discreta como infeliz.

Mas sempre poética, sempre guardada na beleza verdadeira de um singelo e sentido querer, que nunca deixou de o ser...

Verdadeiro.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

  

 

 

 

Era uma vez...

Era uma vez um blog, chamado Caneca de letras...

Uma vontade imensa de escrever, de soltar a minha alma na ponta da minha caneta...

Ou melhor, do meu teclado.

Este blog falará de poesia, prosa, pequenos contos ou aventuras, crónicas e opiniões, sobre qualquer tema que entenda pertinente.

Não terá limites ou barreiras, tentando chegar a todos aqueles que comigo partilhem este espaço.

Será um espelho dos meus anseios, dúvidas, reflexões mas também daqueles que comigo se cruzam nesta caminhada chamada vida e que de uma maneira ou de outra, acabam polvilhando a minha imaginação, a minha curiosidade.

Espero que em algum momento possa surpreender quem aqui chegue, alcançando com as minhas palavras um pedaço de vós.

Obrigado.

Filipe Vaz Correia