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Caneca de Letras

Caneca de Letras

11
Jun19

Brasil: Nem Política, Nem Justiça!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Por cá andamos entretidos com a chegada de Jorge Jesus a terras Brasileiras, no entanto, por lá novidades preocupantes ganham força e tornam-se conhecidas do grande público.

Por estes dias foram reveladas mensagens trocadas entre o Procurador e o Juiz encarregues da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sérgio Moro, actual Ministro da Justiça.

Sinceramente não é algo que me surpreenda, pois como já aqui várias vezes escrevi, tenho absoluta aversão a Juízes providenciais ou a Justiceiros populares.

Sei bem que num tempo de grande revolta e desencanto em vários pontos deste nosso globo, as sociedades e os seus cidadãos tendem em buscar na individualidade "divina", vulgo Homem Providencial, a resposta para combater as injustiças sentidas pelo "Povo".

Normalmente dá errado.

Não tenho dúvidas, convicção sustentada pelas peças jornalísticas saídas do processo, que Lula da Silva é culpado de corrupção, que a política Brasileira está apodrecida e envolvida em casos escandalosos, condenáveis não só criminalmente, como moralmente.

No entanto, a base de uma justiça saudável e confiável é a Imparcialidade do seu julgamento, o assegurar que todos, sem excepção, poderão contar com um tratamento irrepreensível da parte do julgador...

Aqui reside o problema da questão, Sérgio Moro já tinha dado indícios da sua extrema parcialidade neste caso da Lava Jato, já tinha dado sinais da sua pretensão política, aceitando entrar para o jogo político tendo sido ele parte efectiva nesse mesmo jogo que levou à eleição de Bolsonaro.

As mensagens reveladas por estes dias, expressam não só uma relação perigosa entre Juiz e Procurador, como também demonstram uma participação quase tutorial da parte do Juiz em relação ao Procurador, o que desvirtua completamente a noção isenta de Justiça.

Mais uma vez, nada que me surpreenda, apenas me indigne, pois estas pessoas nesse arrombo justicialista não se apercebem que mais do que deter um político corrupto, elas acabam por desvalorizar a sentença que o condena.

Aos olhos de quem vê este triste espectáculo, apenas a preocupante sensação de que ninguém está bem neste retrato...

Nem os corruptos que corroem as instituições políticas, nem aqueles que os deveriam julgar imparcialmente, acabando por ser cúmplices na construção de uma profunda desconfiança no sistema judicial.

E quando nem o poder político, nem o poder judicial dão respostas dignas aos anseios de uma sociedade, abrem alas para o Caos...

E do Caos nasce sempre o conflito.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

22
Mar19

Presidência do Brasil: Curriculum ou Cadastro?

Filipe Vaz Correia

 

Michel Temer foi preso...

Já era coisa de se "temer".

Sinceramente nada me surpreende na política Brasileira, muito menos alegações de corrupção, políticos envolvidos em maracutaias, próprias de máfias organizadas e que há muito dominam os meandros do poder, naquele País.

Rumores de jogos de poder, tráfico de influência ou enriquecimento ilícito à força das balas, pululam pelas esquinas das ruas Brasileiras, num misto de insatisfação e revolta.

Por tudo isto, cada notícia que chega de uma detenção, não espanta a alma mais atenta, o observador mais curioso.

No entanto, convenhamos que prender um Antigo Presidente da República, não é coisa de somenos, mesmo para os dias que correm.

Depois de Lula, chegou a vez de Temer, num processo que ameaça tornar-se num "Status Quo" no pós Planalto.

Se estivesse no lugar de Jair Bolsonaro, tratava de mudar a Lei do cárcere Presidencial, legislando para que qualquer antigo Presidente pudesse cumprir a sua pena em Casa...

Obrigatoriamente em Casa.

Depois tratava de comprar uma Casa espaçosa, com piscina e campos de futebol, pois provavelmente será onde irá passar grande parte da sua aposentadoria.

Mas é só uma ideia.

Enfim, em qualquer dos casos, não me escandaliza, Lula e Temer provêem do mesmo terreno, sendo de Partidos ideologicamente diferentes, ambos "chafurdaram" no mesmo terreno político, na mesma corrupção que corroeu o panorama político Brasileiro.

Antes deles, já Collor de Mello havia experimentado a mesma sensação, um Ex-Presidente detido e caçado, por entre, os pecados de sua governação.

Só Fernando Henrique Cardoso escapa, por entre, a lamacenta e bacoca aliança entre corruptos e poder, dinheiro e favores.

Sendo assim fica a pergunta:

Presidência do Brasil...

Curriculum ou Cadastro?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

11
Fev19

Uma "Party" Na Prisão...

Filipe Vaz Correia

 

Isto há coisas...

Então não pode uma pessoa comemorar os seus anos com os "compinchas" de condomínio, para que lhes caia tudo em cima.

Tudo bem que estão presos, numa prisão lá para o norte, mas também são gente.

Claro que a musica estava alta, que os açucares abundavam nos bolinhos e sangria, que o pó não estava limpo...

Mas o que se pode esperar de uma festa de anos de um "suposto" traficante?

Que não houvesse pó?

Estão a ser muito duros com os "pobres" dos presos.

O Sindicato dos Guarda Prisionais veio salientar que escasseia pessoal nas Prisões Portuguesas e que nesse dia estavam apenas 4 Guardas destacados para aquele espaço...

Afirmação já desmentida, por uma qualquer Instituição Governamental.

Não eram quatro...

Eram cinco.

Graças a Deus!

Eu estou do lado dos presos, por entre, as suas divertidas "kizombadas" e "Lambadas" que devem ter animado aquelas aprisionadas almas.

Mas devo admitir...

O que me chocou foi o filme divulgado no Facebook, ou seja, 40 minutos com uma fraca qualidade de imagem, muito aquém da qualidade exigida para uma festa com tamanha relevância mediática. 

Mas enfim, não se pode ter tudo...

Haja "Party"!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

07
Dez18

"Entre Marido E Mulher Não Se Mete A Colher?"

Filipe Vaz Correia

 

Isto, por vezes, sobram as palavras...

Por outras escasseiam.

Este caso de um "animal", peço desculpa a qualquer animal que se sinta ofendido, e com razão...

Este caso de um "animal" que agrediu a sua "Mulher" grávida de nove meses, já é em si mesmo, um escândalo, uma dolorosa exposição de deformação Humana, no entanto, quando diante de todo aquele horror, parecemos estupefactamente perdidos, nada nos prepara para o que suplanta a alma, desarma a credibilidade do Ser.

Um Juiz analisou o caso e deixou o respectivo "animal" em Liberdade, mas decretando a proibição de contacto com a vítima.

Mas que Justiça é esta?

Que idiota é este que foi habilitado para julgar?

Alguém acredita que uma "besta", capaz de agredir uma pessoa nas condições em que se encontra aquela Mulher, irá respeitar a proibição de um Juiz?

Provavelmente quando a matar, com ou sem criança no ventre, se o prenda duramente, talvez um par de anos, para servir de exemplo.

Triste País, triste Justiça, triste tristeza em que se encontra a alma Humana.

Pois triste me encontro, ao observar este caso que esventra uma parte de nós, aquela parte que ainda quer acreditar no seu semelhante.

É esta impunidade que cria o populismo e os Bolsonaros de plantão.

Assim fica difícil.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

06
Dez18

Contestação Ao Estilo Português Feat Instabilidade Prisional...

Filipe Vaz Correia

 

Todos protestam...

Juízes, Bombeiros, Médicos, Enfermeiros, Professores, "Doutores "em geral, Taxistas, Lojistas, Maquinistas, Cobradores, Agricultores, Carteiros, Soldadores, Polícias e até...

"Ladrões".

Parece que as prisões Portuguesas estão a ferro e fogo, pois os reclusos não estarão a sentir os seus direitos respeitados...

No meio de tudo isto, temos Guardas Prisionais vendo sonegados, durante anos, efectivos e condições, entregues à sua sorte.

Observando a reportagem televisiva de ontem que desnuda a realidade de alguns presídios Portugueses, percebemos que os reclusos têm acesso, em muitos casos, a internet, telemóveis, droga...

Usando esses "direitos" para contactar, "livremente", com o exterior, em alguns casos, continuando assim a actividade criminosa...

Enfim, faltará receberem delivery da Uber Eats ou entregas mais festivas para animar as paródias de fim de noite.

Na SIC compareceu uma representante de uma Associação de Presos, uma espécie de Arménio Carlos, ao estilo Humanista...

E no meio de tudo isto, continua a novela nos canais de televisão, a polémica acessa entre políticos e comentadores.

A Sorte da Geringonça, é Bruno de Carvalho e José Sócrates estarem em "Liberdade", pois se estes estivessem na prisão, liderando a tamanha revolta prisional...

Meu Deus!

Já teríamos um novo partido...

Ou uma explosiva claque de coletes amarelos à Portuguesa.

Para terminar, não posso deixar de reparar...

Mais uma greve à Sexta Feira.

Viva a contestação.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10
Out18

Alcochete: De Dentro Para Fora?

Filipe Vaz Correia

 

Infelizmente é sempre assim...

A prisão e constituição como arguido de Bruno Jacinto, funcionário do Sporting Clube de Portugal, com a função de ligação aos adeptos, entre outras, traz o caso das rescisões de contrato, por parte dos jogadores do Clube, para um patamar muito diferente.

Se conseguirem provar que funcionários do Sporting estavam a par e tiverem uma qualquer cumplicidade neste acto aberrante...

Então a possibilidade de existir justa causa ganha proporções alarmantes.

Mais ainda se por alguma razão, se verificar a participação de Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting à data dos factos.

O que espantaria?

Detesto o acéfalo vociferar, aquele que ganha dimensão através da "carneirada", habituada a repetir as palavras de ordem que são soletradas pela maioria ou pelos seus lideres.

Nunca fui assim...

Detesto pessoas assim.

Admiro quem pensa pela sua cabeça, argumenta sem receios de dar a sua opinião construtiva, baseada em factos e valores...

Foi o que sempre tentei fazer desde o dia em que vi ser eleito para presidente do "meu" Clube, um homem impreparado, boçal, com sinais de autoritarismo e trauliteiro.

Muitos dos que hoje o criticam ferozmente, foram seus discípulos fervorosos, caninamente repetindo os gritos e desmandos por ele ordenados...

Ex-presidentes acusados ou expulsos, tiques e teatros amadores, boçalidades encenadas, tiros e mais tiros repetidamente disparados contra os próprios pés.

Mas isso pouco importava pois o Marco era um canalha, o Carrilo um traidor, o Dier um palhaço e os jogadores...

Esses malandros pouco profissionais.

E aumentava o clima de terror, de uma inquietação que marcava presença em Alvalade para quem se atrevia manifestar a sua descrença contra tal "política".

"É preciso estarmos todos unidos, não criticar o Presidente..."

Ouvi tantas vezes, desde os primeiros tempos do Brunismo, apoiado pelos Sampaios e Barrosos que ainda por lá continuam, sem que por um instante se usasse a "mioleira" para compreender aquele estilo, o conteúdo, a forma e a belicosidade constante.

Por isso em momento algum tive a tentação para criticar, no geral, aqueles que rescindiram, sendo evidente que esse seria o cenário que mais me aterrorizava...

Ver partir Rui Patrício, por exemplo, foi das maiores tristezas que vivi como Sportinguista, pela estima que sempre por ele tive e também por sentir essa estima pelo Clube em cada intervenção sua, entrelaçada em cada olhar seu.

Porém chegados aqui e com a maioria daqueles que até ao fim estiveram ao lado do Brunismo, a esmagadora maioria, numa encapotada "Gestapo" das massas, transformados agora em empedernidos críticos desse tempo...

Resta não esquecer todo o caminho e jamais cometer os mesmos erros.

O Bruno Jacinto deve ser mais ou menos uma espécie dos "Barbinis" da actualidade, sem nada para acrescentarem a não ser o seu poder entre as claques e os seus  batalhões de plantão.

Lutarei sempre contra esse lado que nos sufoca e torna menores...

Inferiores ao sonho idealizado por aqueles que nos fundaram.

Viva o Sporting.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

  

 

24
Set18

Ai,Ai,Ai... Angola?

Filipe Vaz Correia

 

Querem ver?

O filho de Zédu está preso segundo noticiam, para minha absoluta surpresa, os telejornais.

Querem ver que terei de reescrever a minha opinião sobre esta mudança no Regime Angolano, ou seja, esta mudança de Regime em Angola.

Das três uma:

1- Existe verdadeiramente uma mudança neste País, valorosa e séria, gerido durante décadas por um déspota corrupto, José Eduardo do Santos.

2- Estamos a presenciar uma vingança pessoal que apenas representa a substituição de um poder corrupto por outro.

3- Um enigma surpreendente jamais desvendado.

Antes desta noticia apostaria na terceira ou na segunda opção, pois tenho profunda desconfiança das elites Angolanas ligadas ao MPLA, no entanto, tenho de reflectir diante dos factos que desta ex-colónia nos parecem chegar.

Será?

José Filomeno dos Santos está preso, um primeiro patamar de higiene nacional que antevê esperança para um povo, há muito, espoliado da sua dignidade.

Para já...

Muito bem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

13
Fev18

As Grades Da Minha Cela...

Filipe Vaz Correia

 

As grades na janela, a escuridão meio encoberta que daqui vislumbro...

Encarcerado, aprisionado a este desgosto, destemperado gosto, de um passado que aqui me amarrou.

Não sou dono de mim...

Não me pertence este destino, dentro da alma que vive com os erros desmedidos, que desmedidamente tenho de abraçar.

As grades desta janela, que me separa do mundo e que ao mesmo tempo é a minha porta para ele...

É através dela que consigo respirar lentamente, vendo os pássaros no céu, livres, esvoaçando como se nada mais existisse.

Como tenho saudades...

Saudades de mim, dessa parte de mim mesmo que ainda é senhora de si, dessa liberta vontade de gritar.

Gritar loucamente, sem nada sufocando o sonho, que eu mesmo tratei de matar.

Sozinho...

Na madrugada gélida, silenciosamente ternurenta, sem grilhos, sem cárcere, sem algozes.

Nesse momento, levanto-me desta maltrapilha cama e aproximo-me dessa mirífica janela, ignorando as mesmas grades, sempre elas, que me impedem de voar...

Nesse momento volto a ser livre, volto a querer ser livre novamente.

Mas só nesse instante, pequeno instante em que pareço esquecer o que jamais poderá ser esquecido, por entre as lágrimas que me invadem, esmagam essa finita crença impossível.

As estrelas que brilham na noite fria, as vozes caladas que parecem saber o quão importante é para mim, aquele singelo segundo, onde me encontro desencontrado...

As grades da minha janela voltam a cintilar, a brilhar em contraste com o meu perdido olhar, recordando-me de que não passo de um número.

Um número sem vida, sem alma, sem nada.

Apenas a soma desses pecados que eternamente expiarei...

Que eternamente tentarei expiar, desde a janela, desta cela que me pertence.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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