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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Dor de Filho. 11 Anos de Saudade…

Filipe Vaz Correia, 22.12.21

 

 


Ontem foi um um dia triste, a minha Mãe morreu nesse dia há 11 anos...

Nunca mais fui o mesmo, nunca mais senti o mesmo.

Todos os medos que me perseguiam nesse medo de a perder cá permanecem só que transformados em solidão, por mais acompanhado que me encontre, por maior que seja o amor que me amarre.

As saudades que subsistem por aqui continuam, mais amenas mas insistentemente acesas, mais disfarçadas mas em ferida...

Nessa ferida que não sara, nessas lágrimas que não secam, nesse amor infinito.

Assim deixo aqui um poema que escrevi há tempos, num celebrar desse amor, desse colo teu que sempre foi minha casa, nesse regaço que sempre me pertenceu como amparo.

 

 

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Nunca fui tão feliz, como no colo de minha mãe;

O seu cheiro, o seu perfume,

O timbre da sua voz, enfim...

 

O calor do seu amor.

 

A mão que me embalava no berço;

O olhar que seguia os meus passos,

O desejo que acarinhava o meu destino,

O meu bem querer...

 

Ai as saudades que não findam;

Os tesouros que se escondem na terra,

Os sons que se calaram,

Ó Mãe!

 

Mãe;

Palavra tão bela que me ensinaste,

Que aprendi a rimar com amar,

Que aprendi a ter como minha...

 

Minha Mãe!

 

 

 

 

Monte Alentejano “Homenagem Aos Meus”

Filipe Vaz Correia, 10.12.21

 

 

 

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fotografia aleatória 

 


Em cada recanto daquele monte alentejano;

vejo os rostos dos meus avós

em cada retrato naquelas paredes

oiço o som desnudado de sua voz

em cada quarto, sala

encontro esse tempo só

do que sobrou

se tornou pó

vida que não regressa...

 

Em cada sorriso, agora, calado;

encontro um pedaço de mim

por cada momento, agora, silenciado

uma memória sem fim

de um tempo imaginado

que sobrevive assim

na minha alma...

 

E ali guardados;

quadros vivos pendurados

contando pincelados

os momentos reencontrados

desse passado

de antepassados

meus...

 

Em cada recanto daquele monte alentejano;

somente naquele lugar

somente debaixo daquele luar

ouso me reencontrar...

 

Naquele monte alentejano.

 

 

 

 

Regaço Perdido

Filipe Vaz Correia, 23.11.21

 

 

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Era uma vez um menino;

que não sabia chorar

era triste e franzino

com a tristeza no olhar...

 

Era uma vez uma história;

cheia de dor e sem fim

com lágrimas presas à memória

guardadas dentro de mim...

 

Era uma vez um adolescente;

que sozinho enfrentou o mundo

tinha um silêncio pela frente

e um desgosto profundo...

 

E por vezes ao deitar;

ao adormecer de cansaço

ouvia aquela canção a recordar

o embalar daquele regaço...

 

O regaço perdido;

da mãe que nunca encontrou!

 

 

 

 

Filho Do Meu Coração

Filipe Vaz Correia, 16.11.21

 

 

 

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Não nasceste do meu ventre;

mas da minha alma

não te esperei nove meses

mas uma vida inteira

não te reconheci ao nascer

mas na esperança desse encontro

não soube do teu sofrimento

até te encontrar...

 

Não descobri essa palavra;

até te conhecer

não senti a amargura

até ter medo de te perder

não entendi a ternura

até perceber

a desentendida procura

de te ter...

 

E assim;

encontrada com os meus desencontros

com os recantos de mim mesma

descubro em cada sorriso teu

parte desse destino

só nosso.

 

 

Pijamas Riscados

Filipe Vaz Correia, 12.11.21

 

 

 

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Sempre que via um comboio a partir;

imaginava esse mundo

descobrindo sem fugir

esse longínquo e profundo

desejo de sentir

o meu ausente destino...

 

Sempre que abriam os portões;

daquele campo maldito

imaginava os corações

daqueles interditos

olhares que me fugiam

dos que um dia imensamente amei...

 

Sempre que chegava o amanhecer;

desconfiado caminhava

querendo adormecer

na esperança que em mim habitava

de que poderia ser diferente...

 

Ia seguindo amordaçado;

amordaçando a alma já cansada

presa num corpo desanimado

àqueles pijamas riscados...

 

Assim, em cada partida;

a cada fuga perdida

em cada dia, ferida

ia se aproximando a minha vez...

 

E aí descobri que me haviam roubado tudo;

até a esventrada esperança

mas que apenas eu

era o dono da minha alma!