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Caneca de Letras

Caneca de Letras

03
Abr20

Oxalá...

Filipe Vaz Correia

 

Olho pela janela;

E vislumbro os silêncios,

De uma Lisboa despida;

Timidamente escondida,

Receando a coroa;

Que se torna ferida,

Esventrando a alma,

Da esquecida essência Humana...

 

Somos todos sem abrigo;

Neste tempo de pandemia,

Palavras soltas ao vento,

Por entre ondas e maresia...

 

Nada parece fazer sentido;

Tudo parece encoberto,

Nesse futuro entorpecido,

Presente deserto...

 

E por entre a esperança;

Essa que ainda subsiste,

Gritam os sonhos cancelados,

De sonhadores passados...

 

Talvez um dia;

Certamente um dia,

Voltaremos a soletrar,

Cada parte do destino,

Sem medo de sentir,

O "normal" querer de todos nós...

 

Oxalá.

 

 

 

 

23
Mar20

Poesia Enclausurada

Filipe Vaz Correia

 

Poesia, poesia;

Que serves de resistência,

De alucinada maresia,

Enlouquecida paciência...

 

Umas vezes ponto e vírgula;

Outras vezes interrogação,

Estridentes gritos de Calígula,

Por entre vagas de alucinação...

 

E viajando sem demora;

Por esta amargurada quarentena,

 Ansiando a dita hora,

Dessa soltura serena...

 

E do outro lado da janela;

O vazio...

 

Do outro lado da rua,

Um intenso nada...

 

Esse imenso calafrio,

Que tarda em passar...

 

Volta velha esperança;

Vai resgatando a humanidade,

Vai buscando a desaparecida querença,

Vai despertando a eterna saudade...

 

Poesia...

Poesia...

 

Não abandones o pedaço de nós,

Que insiste em suportar,

Os tamanhos medos,

Escondidos em cada sorriso,

Disfarçando o receio,

Da finitude humana.

 

 

 

29
Fev20

Viva Cazuza (Muito Mais Do Que Uma Canção)

Filipe Vaz Correia

 

Volto sempre a Cazuza...

Sempre.

Por vezes triste e amargurado, outras vezes feliz e encantado, sempre regresso ao som de ideologia, aos gritos de exagerado, ao romantismo de faz parte do meu show.

Como é bela a poesia...

A esquecida poesia que hoje se desencontra do sentir comum, perdendo espaço para outras formas de expressão.

Não pela menor importância poética para estes novos tempos, talvez nunca a poesia tenha sido tão importante para compreender o tempo e a forma, mas pela sua exacta falta de pressa, de correria constante que avassaladoramente nos invade...

A poesia é precisamente o contrário das redes sociais ou dos instantâneos vídeos que nos encurralam...

A poesia é tempo e digestão, trago e palato numa intensa e longa degustação, por entre, sentir e observar, por entre, querer e desejar, por entre, um beijo e um abraço.

Cazuza é para mim o entrelaçar da modernidade e do arcaico, da revolta e da coragem, da paixão e do amor, do querer e do desprendimento...

Cazuza é tanto e tão pouco, eterno e breve, sentimento e loucura.

Tudo isso em prosa, em poesia, melodia e canção que ecoa para lá do Atlântico, para cá do mesmo Oceano.

Perdoem-me no decifrarar de suas poesias, sinto cada letra desse ardor que o corroía, que esventrava o seu País, esventra, cada palavra solta tornada livre por si, pela pena de sua caneta em forma de arte.

Cazuza...

Sempre ele, Poeta, Cantor, liberto em cada um de nós que continua a perpetuar o seu extraordinário talento.

Viva Cazuza!

Viva Cazuza, o nome da Instituição que continua o seu legado, legado que tem salvo milhares de crianças com Sida no Brasil.

Também por isso Cazuza permanece vivo, tão imenso como no palco do Canecão.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Fev20

A Busca Poética

Filipe Vaz Correia

 

Não busco o sol

nem a sua abrasadora verdade,

Não busco a lua

nem a sua secreta saudade...

 

Busco o olhar que se perdeu

as mágoas por contar,

Aquela ilusão que desvaneceu

 desvanecendo o triste amar...

 

Busco as entrelinhas de um poema

na entrelaçada emoção,

Busco os fantasmas nesse dilema

Teorema ou equação...

 

Busco tanto e tão pouco

viajante desesperado,

Busco esse lado louco

na melodia do exagerado...

 

Busco letras e palavras

pedaços de contradição,

Amarras intemporais

Memórias sem paixão...

 

Busco e volto a buscar

sem saber descodificar,

O delírio de encontrar

essa parte de mim...

 

Sem volta.

 

 

12
Fev20

Poética Melodia...

Filipe Vaz Correia

 

No olhar o brilho

das incautas palavras

o desgarrado sentir

das imperfeitas frases

o desmedido querer

desse pulsar que esmaga

a vontade de amar

que se impõe.

 

Na triste poesia

se escondem entrelinhas

nas entrelinhas envergonhadas

se entrelaçam lágrimas

salgadas saudades

numa maresia infinita.

 

E nesse ondular azul

repleto de movimento

carregando memórias

intensas histórias

escrevinhadas ao entardecer.

 

Vai e vem

solitária amargura

serenamente ansiando

pelo eterno amanhecer

que teima em chegar.

 

Vai e vem...

 

Vai e vem...

 

Até um dia.

 

 

17
Jan20

Versos Soltos Ou A Incessante Vontade De Rimar?

Filipe Vaz Correia

 

Queria tanto soletrar

desencontradamente soletrar

sem medos ou enredos

que se desenlaçam ao adivinhar

os espinhos pincelados

nesse destinado suspiro solitário.

 

Como explicar à folha em branco

os arrepios e calafrios

somados no olhar

nesse entrelaçado respirar

tão intenso e desapegado...

 

Saberia o verso solto

nas entrelinhas de um poema

que a velha canção se calou

no amargurado saltitar do coração...

 

E um dia...

 

Talvez a voz se faça ouvir

as memórias possam escapulir

esvoaçando intemporalmente

como se o amanhecer jamais tivesse fim.

 

 

 

 

 

30
Dez19

Estrada... De Deus

Filipe Vaz Correia

 

A velha estrada;

Sempre a velha estrada,

Carregando pedaços de nada,

Traços e pinceladas,

De memórias passadas,

Imagens empoeiradas,

Que insistem em regressar...

 

A velha estrada;

Desfiladeiro de Deus,

Ousando a caminhada,

De um breve aDeus,

Indecifrável destino,

De "Zeus"...

 

A velha estrada;

Onde se escondem,

Amores e desamores,

Palavras e letras,

Rimas soltas e versos imprecisos,

Num rebuliço tão terno,

Como a brisa de um sorriso,

Que se estende de mão em mão,

Por entre o infinito...

 

A velha estrada;

A melodiosa vida,

Estrada inacabada,

De velhas feridas,

Cantadas em poemas,

Soletrados dilemas,

Que se perderão...

 

Em cada alma,

Em cada passagem,

Por essa estrada...

 

Estrada de Deus.

 

 

 

21
Dez19

Poema De Um Filho (9 Anos De Saudade)

Filipe Vaz Correia

 

Volta tempo...

 

Volta tempo para trás;

Buscando as palavras perdidas,

As dores sentidas,

Lágrimas escorridas,

Por entre palavras,

Abraços e regaços,

De histórias e memórias,

Que não regressam...

 

Tantas vezes no secreto resguardo da noite;

Peço que voltes...

 

E por vezes;

Escondida nas entrelinhas de um momento,

Te revejo,

Ao longe,

Desnudadamente sorrindo para mim...

 

E sempre volta a realidade;

Esventrando a esperança,

Misturada querença,

De um órfão...

 

Pois é assim que me sinto;

Há nove anos...

 

Nove anos sem ti...

 

Minha Mãe...

 

Meu eterno amor.

 

 

14
Dez19

A Busca...

Filipe Vaz Correia

 

Olha a busca que não pára de se fazer sentir;

Esse querer meio inusitado,

Busca que se mistura a fingir,

Num futuro passado,

Meio a fugir,

Escapar desencontrado...

 

Corre, corre melodia;

Numa desmedida e intrínseca saudade,

Nesse bater de um dia,

Que asfixia a realidade,

Apagando essa alegria,

Que um dia foi verdade...

 

E num ápice se desvaneceu;

Num momento se diluiu,

Nesse abraço que morreu,

E morrendo assim partiu...

 

Olha a busca imperfeita;

O sorriso meio enganador,

A dor desfeita,

Desfeita de amor...

 

Desse amar que se desencontra,

Em cada parcela de uma poesia.

 

 

 

 

09
Dez19

Letras Imprecisas De Uma Adormecida Poesia...

Filipe Vaz Correia

 

Uns dias absorvido em mim;

Nesse trautear da melodia,

Num obscuro sentir,

Que se confundia com o ruído,

Saído das catacumbas da alma,

Numa misturada fórmula,

De um intransigente querer...

 

Noutros dias a depressão;

Esse aprender que se esconde,

As mágoas entrelaçadas ao orgulho,

Por entre dores e desamores,

Lágrimas e sorrisos,

Momentos imprecisos,

Apagados na areia...

 

Escrevo sem parar;

Num grito por segundo,

Soluço intemporal,

De um caminho irracional,

Que sussurra ao luar...

 

Adormeci:

E sem saber reescrevia,

Cada soletrada explicação,

Eternizada na desmesurada emoção,

Deste meu solitário coração...

 

Adormeci...

Para não recordar.

 

 

 

 

 

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Comentários recentes

  • Maria

    "Certamente um dia", espero que esse dia seja brev...

  • imsilva

    Oxalá!

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    Oxalá seja breve A esperança, os sorrisos, o norma...

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    Meu caro Anónimo...Um abraço

  • Anónimo

    Infelizmente é verdade, não é uma daquelas mentira...

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