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Caneca de Letras

Caneca de Letras

O Páteo…

Filipe Vaz Correia, 04.10.21

 

 

 

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Olho para o páteo do recreio e estou só;

nada sobrou

ninguém voltou

tantos partiram

sem regresso.

 

Desapareceram aqueles que nunca tiveram importância;

aqueles que nunca me recordarei

os que sempre odiei

os que porventura amei

e até tu...

 

Partiram tantas partes de todos nós;

pedaços ilusórios sem voz

na solidão desse recreio vazio

abandonado num deserto de almas...

 

Já lá não mora ninguém;

nem correrias nem sofrimentos

nem dramas nem tormentos

nem jovens almas nem velhas esperanças...

 

Tornei-me um homem;

despeço-me daquela criança

nessa espécie de desesperança

buscando em cada pedaço de vento

a promessa que fizemos...

 

Que um dia aqui voltaríamos juntos;

num abraço imortal.

 

 

 

 

Retratos…

Filipe Vaz Correia, 23.09.21

 

 

 

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Nos retratos de um tempo;

vivem tantos que desconhecemos

que conhecendo guardavam segredos

novelas e enredos

que se perpetuam.

 

Nos retratos ao vento;

esvoaçando na correria

se soletram estrelas e firmamentos

de angustias e alegrias.

 

Olhos tristes e solarengos;

como tardes de verão

fantasmas e desamores

amarrados à velha canção.

 

E em todos os retratos;

se repetem as histórias

letras soltas na eternidade

de tamanhas memórias.

 

Retratos e mais retratos;

folhas de papel

segredando em lágrimas de tinta

o verdadeiro significado da palavra...

 

Saudade.

 

 

 

 

 

 

Insano…

Filipe Vaz Correia, 20.09.21

 

 

 

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Faltam palavras para descrever;

se é amor este torpor

num instante ardor

outrora cabo do adamastror

libertando um grito de clamor

gemido de tambor

linha de uma dor

incomensurável.

 

Será verdade que é maldade;

questão de insanidade

ou simples realidade

este pedaço de saudade

que nos define.

 

Mesmo que seja somente uma poesia;

pequena expressão de uma alma

valerá a pena de mais um dia

desde que livre...

 

tão livre como o mais liberto dos insanos.

 

 

 

 

 

Correria de Versos

Filipe Vaz Correia, 09.09.21

 

 

 

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Corro e corro sem parar;

como se o fôlego não tivesse fim

e continuo a caminhar

a caminhar em busca de mim.

 

Corro como se estivesse numa maratona;

numa estrada infinita

por entre miragens e delírios

rosas e lírios.

 

Corro sem esperança;

há muito perdida nos versos de Caetano ou Cazuza,

ao mesmo tempo que o meu coração balança

balançando por entre os versos de uma abstracta poesia.

 

Corro...

sem fim à vista.

 

 

Tudo e Nada

Filipe Vaz Correia, 08.09.21

 

 

 

503B1AB4-8E91-421C-B985-4E47335C4859.jpegTenho nódoas na alma;

caminhando sobre brasas

buscando nas entrelinhas desse teu cheiro

a razão para tamanho encantamento.

 

O adeus;

traduzida despedida de Zeus

plasmada nas escrituras dos fariseus

nas partituras de Deus

repetidos pecados meus...

 

E insisto em viajar mundo a fora;

por entre, o céu estrelado e aventureiro

amarrando os desmedidos sorrisos de agora

a esse futuro derradeiro.

 

Vamos partir;

todos iremos partir

então que seja a sorrir

ousando sentir

as memórias e agruras desse passado.

 

Deixo cair a pena;

estendo a mão àqueles que ficticiamente se abeiram de mim

enquanto sossego o desespero saltitante

e levemente me transformo em mar e terra,

em vento e céu...

 

Em tudo e nada.