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Caneca de Letras

Caneca de Letras

15
Out20

“Sempre Tive Medo”

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Sempre tive medo de te perder;

Sempre tive medo de crescer

Sempre tive medo, esse ter...

 

De não saber caminhar;

De enfrentar esse sol a nascer

Esse rumo a escolher...

 

De me perder na encruzilhada;

Não conseguir encontrar essa estrada

Tive medo, do nada...

 

Sempre tive medo;

De enfrentar o mundo sem ti

De caminhar sozinho...

 

Porque o mundo é meu;

Mas o meu mundo...

 

És tu.

 

 

14
Out20

Até Ao fim dos Tempos...

Filipe Vaz Correia

 

Noite e dia

repetindo o ciclo da vida

em cada passo de mortalidade

substituindo egos

afagados e gigantes

que se apagam em cada repetição desse mesmo dia.

 

Amiúde reencontramos os inevitáveis imperadores

"de papel"

pequenos ditadores que se sentem inexpugnáveis

mas que num instante solitário

se extinguem na sua pequenez,

fragilidade,

temporalidade...

 

noite e dia

se repete o palco,

a peça reescrita

na repetida desdita, 

 em novas roupagens

se renovam as imagens,

desta selva inusitada.

 

noite e dia...

 

até ao fim dos tempos.

 

 

 

 

13
Out20

As Estrelas Do Céu

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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Contei todas as estrelas do céu;

Uma a uma, cada uma

Olhei para elas despidas

Na bruma, discreto

Escutando as perdidas

Naquela imensidão...

 

Decorei o seu brilho;

Vislumbrei o seu reflexo

Questionei o seu destino

Desafio sem tino

De um universo em desatino...

 

Contei todas as estrelas do céu;

Uma vez mais interrogando

De onde vieram, para onde irão

Nesse mistério desesperando

Por uma resposta em vão...

 

Contei todas as estrelas do céu;

E continuei a contar, devagar

Sem saber que no meu olhar

Também elas se podiam vislumbrar...

 

E assim sem parar;

Mais uma vez, devagar

Contei todas as estrelas do céu.

 

 

11
Out20

“Eu Preciso Dizer Que Te Amo”

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Num tempo onde parece dificil usar essa palavra, amor, trazer este poema de Cazuza, feito numa tarde e cantado por Dé, Cazuza e Bebel Gilberto, simboliza um pedaço liberto de suspiro nesta Caneca de Letras...

E quantas destas letras foram sobre um dos maiores poetas que alguma vez tive o gosto de ler, ouvir, abraçar.

Cazuza...

O Mestre do amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

10
Out20

Todas As Noites São Boas Para Voar...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Todas as noites procuro por ti;

Por encontrar aquela voz

Aquele desejo escondido tão profundamente

Tão secretamente

Tão no intimo da minha mente...

 

Todas as noites procuro aquele sentimento;

Aquele secreto, segredo

Que espantosamente ao vento

Não voa com medo

Com o receio de ser cedo

Para voar...

 

Todas as noites insisto, sem insistir;

Tentando não escutar

Esse pedido a fugir, rugir

Dentro de mim a falar

A gritar, vociferar...

 

Todas as noites nesse céu estrelado;

Imagino o dia em que poderei contar

O que este coração encurralado

Há tanto tempo está a guardar...

 

E talvez nessa noite, o sol apareça;

A lua se possa esconder

E o meu coração aqueça

Sem temer

Dizer...

 

Que te amo. 

 

 

09
Out20

Salvem-Se Os Poetas...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

As minhas palavras foram, desde cedo, entrelaçadas aos grandes poetas, àqueles que puseram em palavras os sentidos maiores desses temores que nos perseguem...

A todos.

Desde pequeno que fui apresentado a este sentimento maior que nos estrangula e deixa sedentos, que nos abraça e liberta, nos ensina a viver e reviver pelos trilhos da dimensão Humana.

Nessa ânsia de caminhar, leia-se escrever, ler, fui tropeçando na boçalidade que amiúde saltava dos ignorantes com quem me fui cruzando mas também ressaltando daqueles que me deram a mão, me ensinaram a olhar e escutar, soletrando as suas ideias, sussurrando as questões que perturbavam os dogmas instalados...

Desses, os últimos, fui bebendo, retirando o melhor, em prosa, em verso, nas intermináveis poesias que simbolizavam os enigmas escondidos nas esquinas da alma.

Tenho medos e anseios, saudades imperfeitas em perfeitas e solitárias vontades...

Como admiro Pessoa, na sua pequenez agigantada, Cazuza, na sua irreverente vontade de viver que inevitavelmente o guiou até ao imberbe fim de seus dias, Drummond de Andrade, na gentil forma de ser intemporal, Vinicius, nesse copo de Whisky que ainda tilinta nos mais requintados bares de Copacabana, Camões, pelo singelo facto de ser na sua pena que se amarra cada parte dessa descoberta constante de um imenso Povo...

O nosso.

Na Carta a Dani, onde Cazuza escreve as primeiras palavras após ter assumido a sua doença, essa que naqueles dias certificava o fim mais cruel desde o tempo da lepra, se pode sentir a corajosa coragem, a repetição por vezes faz sentido, podendo encontrar o verdadeiro sentido de um poema...

Despido, real, mais além do que qualquer retrato.

Coragem, Humano, de uma dimensão escassa, singela...

Cazuza escreveu um dia:

"Que morrer não dói"

Mas dói a insensibilidade destes tempos desumanos, bem explicita na encíclica papal Fratelli Tutti, onde o Papa Francisco cita Vinicius de Moraes.

E se na divina palavra de um Papa cabe um trecho do "Samba da Benção"...

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida"

Talvez seja a hora de em cada parte de nossas vidas conseguirmos olhar para o outro, para cada verso de nossos dias, com a fraterna expressão de um poeta.

Sem receio de amar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

30
Set20

Versos Soltos Em Tempos Revoltos...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Arde e queima

a semente desalinhada

sofre e teima

a mágoa passada...

 

Traço e compasso

na beira da alma

ruído e espaço

na busca da calma...

 

Mas o ardor a persistir

o torpor a aumentar

a velha alma a desistir

desse sofredor amar...

 

Cai a noite destemperada

no vazio dessa solidão

escapando da poesia desamparada

o adeus de uma ilusão...

 

A iludida ilusão

de uma desiludida desilusão.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Comentários recentes

  • BC

    ….

  • Filipe Vaz Correia

    Minha querida BC...Como gosto de sentir o carinho ...

  • Filipe Vaz Correia

    Minha querida BC...Obrigado.Um beijinho imenso

  • BC

    ohhhh… "Porque o mundo é meu; Mas o meu mundo… És ...

  • BC

    Tenho olhado para elas todos os dias de manhã… que...

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