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Caneca de Letras

Caneca de Letras

14
Ago19

Quais Os Enigmas De Um Perdão?

Filipe Vaz Correia

 

Não peças desculpa, nessa meia culpa que invade, essa desculpa que serve de justificação para a culpada consciência, a desmedida irreverência com que se quebrou o laço, esse antigo abraço extinto no meio do fogo de tamanha raiva, tamanha desilusão.

Um ponto...

Meio ponto...

Ou ponto nenhum, pouco importará, nessa janela que se trancou, nesse despir de um sentir que outrora simplificava o olhar, segredava nessa esperança amarrada ao tempo, descodificando o sentimento que aquecia a alma.

A doce alma, a triste alma...

Não peças desculpa, se essa culpa que corrói é maior do que o retrato desse futuro que não chegará, se esse passado escondido no tempo, já não permitir outro sonho, o mesmo sonho, aquele sonho um dia sonhado.

Nesse abraço, regaço, que tantas vezes nos pertenceu, foi nosso, só nosso, moram aquelas memórias tão belas, únicas, que unidas completavam o enigma imperceptível de tantas vidas.

Não peças desculpa nem busques perdão, pois o coração deixou de sentir que valia a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

04
Out18

Um Novo Dia!

Filipe Vaz Correia

 

Sempre que te deixar cair...

Te pedirei perdão, meu coração.

Nessa ilusória estrada, caminho repleto de despojadas lembranças, várias foram as vezes que se coleccionaram as quedas, tristes e desgostosos reencontros com a amargurada realidade.

Nesse rumo, destinadamente complexo, vários foram os tropeços, esse gatinhar antes dos primeiros passos.

Mas sempre te agarrei com carinho, te protegi após cada surpreendente cadafalso.

E sempre insisti...

Sempre destemidamente te disse que valeria a pena errar, sorrindo sem receio de que possa novamente acontecer.

Pela mesma estrada, sempre pela mesma, sob o mesmo sol, o mesmo céu, nessa busca constante do que sempre habitou dentro de ti.

Parecia que nenhum outro lugar, nenhum outro dia, seria tão perfeito como aquele que acabava de nascer, repetidamente perfeito depois de mais uma noite de desilusão, repleta de feridas, impregnada de mágoas...

Mas sempre irrompia um novo dia.

Uma nova querença, esperança desse novo querer.

E repetia-se...

Renovava-se esse intenso amor, essa imensa vontade de amarrar a saudade infinitamente.

Infinitamente, como se o infinito fosse apenas uma pequena parte de ti.

Sempre que te deixar cair...

Sempre que isso acontecer...

Te pedirei perdão, meu coração.

Te pedirei repetidamente perdão, sem deixar esmorecer esse acreditar num novo amanhecer.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

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