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Caneca de Letras

Caneca de Letras

27
Ago20

Pé Ante Pé

Filipe Vaz Correia

 

Pé ante pé,

vou escavando a imensidão de sentimentos,

pequenos pedaços de fé,

cravados em tantos momentos,

submersos em mim...

 

Sussurrando soletradamente,

as surpreendentes angústias desgarradas,

pedaços de  estrelas cadentes,

que partem desamparadas...

 

E em cada retrato ao luar,

dessas partes esquecidas de nós,

vou repetindo sem parar,

esse adeus tão só...

 

Só e pestilento,

como só a crua tristeza sabe impor,

esse triste arrepio,

esse estranho torpor,

entorpecendo sombrio...

 

Pé  ante pé;

vou cantando bem baixinho,

cada letra do esquecido poeta

transformando água em vinho.

 

Pé ante pé...

 

até ao derradeiro entorpecer do querer.

 

 

 

 

 

20
Ago20

Todas As Palavras Que Importa Escrever...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Quando me sento para escrever;

para desabafar...

 

Tento escutar as entranhas minhas;

as vozes de poetas que sussurram ao longe,

palavras essas que se alvoroçam,

desbravadamente se inquietam na dimensão obliqua do desmedido prazer.

 

Mudei-me, assim, para bem longe;

numa intrínseca latitude que não consigo descrever,

Imbuído desse medo que se agiganta,

nestes tempos que se apresentam,

num desabitado palco.

 

Por entre fugas;

vai escapando esse querer maior,

sobrando a temerária incerteza,

de que não será a última vez...

 

E mesmo que o seja;

essa última vez descrita na melodia,

trauteada na voz trémula de uma poesia,

sobrevive a crença de que resistirá o sonho,

nesse pedaço de amar esperado, 

desenhado na desesperada vontade de um solitário amor.

 

E se assim for;

que seja eterno,

nas soletradas palavras que importa escrever.

 

 

 

 

 

 

23
Abr20

Palavras Desconexas Por Entre Prosa E Poesia, Sem Nexo Ou Sentido, Na Busca De Um Pedaço De Vento.

Filipe Vaz Correia

 

Tanto amor, desamor, tantas viagens, caladas, tantas vontades silenciosas, por entre ruídos, tamanhas provações, em sonhos humedecidos, sorrisos entravados, com medo de voar, pedaços de sentir, escondidos em burkas, palavras mansas, perdão soltas, estúpidas celebrações, de coisas que não fazem sentido, estranhos contextos, desconexos textos, sapos e letras, palavras e tretas, cansado que estou...

Nada me faz querer, perdido se encontra, a razão de amar, soletrada descontracção, mergulho no mar, na cama da perdição, entrelaçado olhar, observando na escuridão, o braseiro aceso, tão quente de paixão, vai e volta, vai e volta, vai e volta...

Os cheiros que sobram ao longe, tão longe que parece perto, tão míope o olhar, queira DEUS, num adeus pedido, programado e fodido, choram as lágrimas no horizonte, escalopes de bisonte, ao longe...

Um dia...

Um dia volta a esperança, esse desejo que balança, desejo de ser Pai, de ser Mãe, de ser teu e meu ao mesmo tempo, de ser gigante e pequeno, ao sereno, de ser desmedido e comprido, tão vesgo e ferido que possa passar desapercebido, como a folha que cai de uma árvore nos primeiros pingos do outono.

Um dia serei Neptuno e Sereia, serei mão cheia de nada, diamantes e rubis, serei o respirar e vislumbre de querença, serei o bater desse coração que ama sem parar...

Em cada instante, por cada asfixiante segundo que se perde por entre a eternidade de nossas vidas.

Será demais dizer?

Amo-te!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18
Abr20

Tenho Saudades... De Não Ter Saudades!

Filipe Vaz Correia

 

Tenho saudades...

Saudades dos meus, daqueles que me fazem falta, nesse grito maior que um telefonema não pode bastar.

Palavras que ganham desmedidamente valor, tentando descrever esse calor que falta, esse abraço que não chega, esse sorriso que se perde, por entre, as imagens do Watshaap ou do House Party.

Sei bem os tempos que vivemos e as medidas que temos de cumprir, no entanto, não será demais libertar essa "raiva" escondida em mim...

E aqueles que se encontram trancados sozinhos, sem ninguém com quem partilhar pelo menos o desabafo, o resmungar, o inevitável desespero que chega?

Distantes dos que mais queremos, de alguns dos que mais queremos, parece que este sentimento, a saudade, cresce, aumenta, desassossega o sentir maior.

Por vezes, no quotidiano, não damos valor aos pequenos momentos que se tornam hábito, aquele encontro diário com pessoas que se tornam "normalidade", até os vizinhos do prédio, da rua, encontros fortuitos se assemelham agora a "família", rostos do dia a dia que se tornaram pertença, aquele assemelhar de realidade perdida, perdida vontade de resgatar algo que sabemos perdido.

Um rosto sem máscara, um olhar desbravado de preocupações, por entre, vozes e silêncios.

Tenho saudades dos meus...

De mim.

Fecho os olhos buscando esse sentido meio entrelaçado à nostalgia que me assalta, nestas linhas ressaltada sem receios ou vergonhas, pois em cada gota de chuva que vai caindo do lado de fora da janela, busca a alma minha esse lavar de esperança, no nascer de novo, no querer desnorteado, na trémula escrita que se pretende firme e crente.

Tenho saudades...

Saudades de não ter saudades.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03
Mar20

As Montanhas Dos Meus Sonhos...

Filipe Vaz Correia

 

Subi montanhas, inimagináveis montanhas, presas aos sonhos inacabados de outrora, aos arrependimentos de agora, às promessas caídas, hesitantes e feridas, a tantos desvelos, em incertos novelos, transbordando de querer...

Subi montanhas, essas tamanhas, onde se escondem tacanhas, as amarguras de uma vida.

Montanhas...

Montanhas agrestes, epidemias e pestes, marcando as vestes de um singelo abandonado.

Já não sobram as marcas, das arranhadelas tortuosas, lágrimas salgadas, palavras sinuosas, de enganos e reparos, esquecidos ao vento, pesado arrependimento, que jamais se repara.

O tempo passa, as escolhas precisas, as mágoas se escapam, por entre, armadilhas vazias, nessa imensidão de esperança que cede lugar ao entediante percurso marcado no trilho de Deus.

Olho para trás...

Bem ao longe...

Buscando as silhuetas de mim, dos meus, dos outros...

Olho para trás...

Para a frente...

Nessa presença, presente, que insiste em se fazer sentir.

Subi montanhas...

Subo montanhas...

Esperando no cimo de todas elas, encontrar esse almejado paraíso que tantas vezes sonhei e encontradamente desencontrar as incertas certezas que temerosamente, por vezes, me invadem.

Subi montanhas...

Para te reencontrar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

24
Fev20

Palavras Para Quê?

Filipe Vaz Correia

 

Palavras para quê?

Silêncios e comentários...

Vozes e nada...

Quebras quebradas de uma asa tornada expressão maior de tamanhos anseios.

Um trautear do vento, uma inquieta brisa desfeita, um abrasador tornear dessa corrente de ar que se impõe.

Tão vazio como a ventania solar, tão intenso como as palavras no mar, tão repleto como a maresia ao longe, despida de tudo, carregada de tanto, desnudada de si.

A longínqua esperança que aquece e avança, que esmaga e seduz, num momento reluz e noutro se cala desesperançadamente.

Silêncios e comentários...

Palavras para quê?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

06
Fev20

No Caneca Com... A Mami!

Filipe Vaz Correia

 

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Fotografia da Pixabay

 

 

Caneca de letras é um nome sui generis, que desperta a curiosidade e nos dá energia - assim como um bom café, quente e forte pela manhã -, que inspira interpretações – como as folhas de chá numa cultura indígena - ou que nos pode levar a devaneios mentais – como beber um chocolate quente junto ao sena no final de uma tarde de outono.

escrever nestes meandros é de alta responsabilidade! sobretudo para não defraudar as expectativas de quem gentilmente me convidou a cá deixar umas palavras.

tenho andado de caneca meio vazia. as letras, embora esvoacem na minha mente, teimam em não se organizar para formar as palavras que tanto gosto de partilhar - não por vaidade, mas por liberdade.

falar, escrever, partilhar o que pensamos, o que acreditamos, o que sentimos, dar significado às nossas vivências, torna-las pontos de contacto com outros em situações semelhantes, são das melhores dádivas que esta capacidade tão humana – de comunicar - nos dá! mas por vezes, temos tudo em nós, menos a competência, a soltura, para transformar toda a riqueza da matéria-prima que em nós existe … em palavras. estamos cheios e, em simultâneo, vazios.

é esta consciência que dispara a nossa frustração e nos leva, por vezes, ao desespero, a desistir da paixão de escrever e comunicar, de nos encontrarmos com o outro neste mundo virtual que muitas vezes é feito de proximidade e não da distância de que muitos o caracterizam.

o bloqueio de quem escreve por paixão é doloroso. mas não é o fim. devemos procurar a terapêutica adequada e tomá-la junto com uma reconfortante caneca de letras.

 

 

Mami

 

 

 

30
Dez19

Estrada... De Deus

Filipe Vaz Correia

 

A velha estrada;

Sempre a velha estrada,

Carregando pedaços de nada,

Traços e pinceladas,

De memórias passadas,

Imagens empoeiradas,

Que insistem em regressar...

 

A velha estrada;

Desfiladeiro de Deus,

Ousando a caminhada,

De um breve aDeus,

Indecifrável destino,

De "Zeus"...

 

A velha estrada;

Onde se escondem,

Amores e desamores,

Palavras e letras,

Rimas soltas e versos imprecisos,

Num rebuliço tão terno,

Como a brisa de um sorriso,

Que se estende de mão em mão,

Por entre o infinito...

 

A velha estrada;

A melodiosa vida,

Estrada inacabada,

De velhas feridas,

Cantadas em poemas,

Soletrados dilemas,

Que se perderão...

 

Em cada alma,

Em cada passagem,

Por essa estrada...

 

Estrada de Deus.

 

 

 

20
Dez19

Escrever... Amor... Amar!

Filipe Vaz Correia


Escrever...

Escrever sem parar, nessa incansável busca pela escrita perfeita, não ortograficamente, mas sim desse querer maior de uma insanável insanidade que se perde, por entre, a desesperança pueril de um conto.

Não tenho palavras nem amorfas melodias, somente desespero e sentimentos, nesse entrelaçar de letras, misturadamente sentidas até ao infinito, infinitamente curiosas.

Queria tanto contar o peso de cada palavra, as sentidas e as fingidas, as correctas e as politicamente incorrectas, mas que nesse alucinado debitar de pensamentos se perdem no peso de cada uma, de todas elas.

Nem sabedoria nem desconhecimento, somente uma folha em branco, desnudada como uma bela mulher, ali deitada, aguardando o seu amante, nesse amor que se promete sem palavras, sem amarras, sem promessas ou amanhãs...

Naquele instante, precioso instante de um amor em ferida, se sobrepõem os beijos, a pele, o bater da alma...

Assim como as palavras, as belas e entrelaçadas palavras que compõem um orgasmático poema, rebelde, livre, disperso no pensamento ou na forma.

O que importam as regras se o que sobra é a força desse querer desgarrado que se recorda, desse cheiro que fica e se mantém pelo tempo, no tempo, para sempre no tempo...

O cheiro da cama, do corpo, o sabor de cada partícula de um amor que não respeita nada para além do olhar, nosso, intemporal.

Escrever...

Escrever sem parar, de forma crua, desnuda, singelamente pura...

Como sempre, para sempre...

Teu.



Filipe Vaz Correia



09
Dez19

Letras Imprecisas De Uma Adormecida Poesia...

Filipe Vaz Correia

 

Uns dias absorvido em mim;

Nesse trautear da melodia,

Num obscuro sentir,

Que se confundia com o ruído,

Saído das catacumbas da alma,

Numa misturada fórmula,

De um intransigente querer...

 

Noutros dias a depressão;

Esse aprender que se esconde,

As mágoas entrelaçadas ao orgulho,

Por entre dores e desamores,

Lágrimas e sorrisos,

Momentos imprecisos,

Apagados na areia...

 

Escrevo sem parar;

Num grito por segundo,

Soluço intemporal,

De um caminho irracional,

Que sussurra ao luar...

 

Adormeci:

E sem saber reescrevia,

Cada soletrada explicação,

Eternizada na desmesurada emoção,

Deste meu solitário coração...

 

Adormeci...

Para não recordar.

 

 

 

 

 

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