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Caneca de Letras

Caneca de Letras

01
Mai20

Ayrton De Senna... Do Brasil!

Filipe Vaz Correia

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Faz hoje, dia 1º de maio, 26 anos que morreu Ayrton de Senna...

Ayrton de Senna do BRASIL, era assim que gritava ao microfone da Globo o intemporal comentador Galvão Bueno, nesse misto de samba e emoção, de golo e meta, que de forma transcendente ligava Senna ao Automobilismo, ao Desporto, à sua Nação.

Senna não era do Brasil, era do mundo, por aqueles anos, talvez fosse mesmo o mundo para a grande maioria dos admiradores de Fórmula 1.

Nunca fiz parte desse rol, antes pelo contrário...

Eu era anti-Senna, sempre fui, desde os tempos em que corria no seu Lótus preto, debaixo de chuva nas curvas do Estoril, vencendo ali a sua primeira corrida no escalão maior do Automobilismo.

Recordo-me dessa corrida, a que assisti em casa de uns amigos de meus Pais, Senna vencia para alegria de Adriano Cerqueira e Domingos Piedade.

Desde esses tempos, sempre estive do outro lado...

Em primeiro lugar porque "adorava" Nelson Piquet e em segundo lugar porque aprendi a gostar daquele menino que revolucionaria a Fórmula 1 e se atreveria a enfrentar tudo e todos...

Michael Schumacher!

Nesse ano de 1994, que marca também o primeiro titulo mundial de Schumy, a Fórmula 1 e o mundo do desporto viveriam um dos seus momentos mais trágicos, essa partida e morte de um dos seus maiores.

Nessa corrida em Imola, que me recordo perfeitamente, Ayrton de Senna tentava reduzir o atraso que levava, no campeonato, para Schumacher, tentando assim resgatar essa posição de favorito que lhe era apontada, não só pelo seu talento absolutamente extraordinário mas também pelo facto de a Williams ser a mais poderosa "Scuderia" da época.

Nesse dia, quando observei o despiste de Senna, festejei, sorri e pensei:

- Vamos! - Força Schumy!

Mas rapidamente me sentei, silenciei aquela rivalidade trivial que apimenta o desporto e temi, temendo que algo mais sério pudesse estar para acontecer.

Não era difícil imaginar o pior quando na véspera havia morrido Roland Ratzenberger.

Fui para a sala onde o meu Pai via na televisão a mesma cena, o meu Pai adorava Ayrton de Senna,  olhei para o seu rosto, o seu olhar fixo na televisão,  aquele invisível arrepio na espinha.

No meio dos escombros Senna mexeu a cabeça, um pequeno esgar que, por um momento, me deu a certeza de que estava tudo bem...

Mas não.

Talvez aquele momento tenha sido o princípio desse anunciado fim, o suspirar da alma desbravando os últimos instantes desta vida terrena.

Senna morreu, partiu há 26 anos, deixando um rasto de tristeza no mundo inteiro, um silêncio calado, profundo, imenso.

Recordo-me de estar no colégio e todos, mesmo todos, seguirmos a chegada do corpo de Senna ao Rio de Janeiro, o seu percurso pelas ruas, a tristeza das gentes, a voz embargada de uma Nação.

Passaram 26 anos, tempos diferentes dos dias de hoje, onde já nem vejo Fórmula 1, um desporto onde os pilotos e o seu talento passaram a ser acessório.

Desde Schumacher que o meu interesse foi esboroando, desaparecendo.

Ayrton de Senna do Brasil como gritava Galvão Bueno partiu há muito tempo, num outro século, numa outra existência, sem YouTube ou Instagram, sem Twitter ou Facebook mas isso não o impediu de ser eterno, de ter marcado uma geração, uma Nação, tantos e tantos que por esse mundo a fora choraram, calaram, sem idades ou cores, credos ou pensamentos políticos.

Foi assim Ayrton de Senna, tão eterno como permite a memória Humana, passando de geração em geração como só os maiores de "Nós" ousaram conseguir.

 

Até sempre, Ayrton de Senna... do MUNDO!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

28
Out19

A Era Da Política “Espetáculo” Ou The Show Must Go One?

Filipe Vaz Correia

 

As saias do assessor deram brado nas redes sociais, o assessor da Joacine, de saia rodada esventrando o Status Quo Parlamentar, os costumes sociais que se chocam...

Saia?

Um Homem?

Uma saia rodada?

Antecipam-se terramotos políticos nesta disputa entre uma esquerda cada vez mais radical, em contraponto com uma direita cada vez mais extremada...

Não no número de deputados mas na composição do seu elenco, pois convenhamos que contar com a presença e palpite do “mui” estimado André Ventura, trará um acréscimo de salitre ao debate.

No entanto, como devem saber, o sal é desaconselhado pela Organização Mundial de Saúde...

Por aqui passaremos a discutir as saias parlamentares, mais vezes, os gostos mais rocambolescos de um ou outro deputado da Nação, percorrendo o caminho até esse encontro com as sugeridas castrações químicas do “mestre” André, numa mistura imperceptível de ignorância trauliteira.

Discutiremos lugares e cadeiras, conversas sem eira nem beira, espectáculo teatralizado em cada gesto, em cada penacho de insatisfação que possa garantir aqui ou acolá uns “conscientes” votos eleitorais.

Antevê-se assim uma agitada legislatura, carregada de soturnas imperfeições, nomes e discussões soletrados na inovadora politiquice que grassará, por entre, as paredes daquela Assembleia da República.

Todos os Partidos, estes que agora aqui chegam ou os outros que há muito por aqui andam, irão puxar para si esse espalhafato mediático da coisa, os gritos e os holofotes do povo, da nação que urge influenciar.

Veremos quem neste tempo saberá moderar a coisa, chamar a si a responsabilidade adulta num recreio carregado de irritantes excitamentos...

Deste tempo, de saia rodada ou de mão em riste, tudo se poderá esperar, como num “circo”, num palco, onde o Show Must Go One.

Até lá...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18
Mar17

O Rating, O Lixo E A Nação...

Filipe Vaz Correia

 

Admito que já não consigo ouvir falar das agências de rating, das suas opiniões, das constantes preocupações, os interesses meio velados, as conclusões sempre crispadas...

Os anos passam e o massacre continua, trimestre após trimestre, sempre nublado, sombrio, adivinhando os temporais que felizmente, tardam em chegar.

Aqui não me interessa julgar a sua importância para a regulação global, a supervisão permanente para os investidores atentos, tendo em conta, aqueles países e empresas mais próximos do risco...

O que aqui me interessa discutir, é o que sinto diante destas constantes interrogações sobre o futuro deste solarengo país, ignorando a capacidade Lusitana para encontrar soluções, onde os outros apenas veem problemas...

Para o desenrascanço Português.

Já sabemos que a divida é gigantesca, impagável, pelo menos com estes juros, que a banca Portuguesa enfrenta dilemas, que a economia se depara com infindáveis desafios...

E então?

A divida Americana, é menor?

O déficit Francês, é menor do que o Português?

A solução política Holandesa, é menos confusa do que a nossa?

Quem é afinal, o campeão da Europa de futebol?

A que país pertence, Cristiano Ronaldo?

Tudo conclusões que não entram nos relatórios dessas agências de rating, que amiúde se recordam de acompanhar o senhor Schauble, nos desejos sombrios, sobre o céu nacional.

Pois aqui, formulo aquela que deveria ser a nossa resposta, a estes insuportáveis, pregadores de desgraças:

Pedir ao Procurador Rosário Teixeira e ao Juiz Carlos Alexandre que iniciassem uma investigação, sobre os fundamentos e os propósitos destas agências de rating e as suas insistentes conclusões e se possível as prendessem preventivamente, de maneira a que pelo menos no próximo ano, não pudessem emitir qualquer boletim sobre o nosso país...

Se possível ponderassem também, sobre o FMI e transformassem a nossa divida, numa saborosa indemnização, que nos livrasse dos vários Milhões de Milhões, ainda por pagar...

As noticias mudariam e passaríamos a ser nós enquanto país, a avaliar trimestralmente, a situação destas mesmas entidades e a sua respetiva liberdade.

Já estou a imaginar, os noticiários na CMTV e os seus respectivos comentadores, a discutirem horas a fio, o destino destas instituições, os prazos para os seus julgamentos e os intermináveis interrogatórios...

Garantíamos paz, sossego e audiências...

E certamente diversão. 

 

Filipe Vaz Correia 

 

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