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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A Palmada “Papal”!

Filipe Vaz Correia, 03.01.20

 

Adoro o Papa Francisco...

Sendo Católico da vida toda, há muito que me sinto distante de alguns sectores dominantes da Igreja Católica, algo que tem sido lentamente alterado, segundo a minha percepção, desde a chegada deste  Papa.

Uma das coisas que mais me fascina em Francisco é este lado humano da sua "personna", esta forma "desnudada" de cumprir a sua missão, tentando aproximar, verdadeiramente, as pessoas daqueles que devem servir e divulgar a palavra de Deus.

Infelizmente nem sempre tem sido compreendido, principalmente pelas alas mais conservadoras da Igreja que olham com alguma desconfiança ou descrença para essas iniciativas renovadoras ordenadas pelo Papa Francisco.

Nesta Terça-Feira, Francisco esteve no epicentro de uma polémica captada pela câmara do Pontificado...

Uma mulher, que se encontrava na multidão, aproveitou o facto de o Papa Francisco estar naquele local, a abençoar uma criança, para o agarrar pelo braço de forma ríspida e inadequada, provocando uma reacção de repúdio e indignação do Santo Pontífice.

Francisco reagiu energicamente tentando libertar-se do puxão, aproveitando para dar à dita senhora uma ou outra, veemente, palmada.

Sinceramente...

Gostei imenso.

Como mais tarde disse, num pedido de desculpa:

"Muitas vezes perdemos a paciência. Até eu às vezes."

Muito sinceramente, acho que não deveria ser o Papa a pedir desculpa pelas palmadas dadas mas sim a dita senhora a se desculpar pela boçal e rude atitude.

Francisco demonstrou ser um Ser Humano, alguém que apesar da sua posição também se irrita, se indigna e até é capaz de dar um ligeiro correctivo a uma ovelha do seu rebanho.

Para os puristas talvez este acto seja condenável, para mim é absolutamente aceitável e até compreensível.

Como é libertador e reconfortante olharmos para um Papa que não se vê como um Santo mas sim como mais um de nós...

Um homem de Deus.

Um Santo ano...

Papa Francisco.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

O Amante, A Mulher E O Morto...

Filipe Vaz Correia, 06.12.19

 

Fui surpreendido ao ligar a televisão, na SIC Notícias, com a seguinte informação...

“Amante sai em liberdade”

Em primeiro lugar era necessário descobrir de quem era o/a amante, quem era o/a amante e porque razão estaria preso/a.

Enfim...

Em letras pequenas, passando na parte inferior do ecrã, lá aparecia o nome de António Joaquim, o amante de Rosa Grilo, acusado pelo Ministério Público de ser o co-autor do assassinato do triatleta Luís Grilo.

Libertado?

As imagens sucedem-se...

O advogado do amante aparece diante das câmaras de televisão vangloriando-se da argumentação da defesa em contrapondo com aquilo que parece ser a “trapalhada” feita pela acusação, num processo que nos leva à estupefacção.

Nem pulseira electrónica ou prisão domiciliária?

Parece que não...

No meio de toda esta novela, muito se escreveu, muitas as cartas elaboradas pela viúva, pelos comentadores televisivos, opiniões misturadas com incertas certezas, no entanto, o que sobra é esta desmesurada confusão que resta desta incompreensível justiça.

O amante está em liberdade, a mulher em prisão, por entre, cartas e juras de amor ao amante.

E o morto?

Esse é o único que não terá recurso nem ponderação, somente esse destino traçado à mão de um qualquer assassino.

E onde estará o assassino ou assassinos?

Bem...

Essa era a resposta que todos esperávamos da Justiça.

Esta mediática justiça cada vez mais desnudada nas capas de jornais ou nos holofotes das redes sociais.

To Be Continue...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

No Caneca Com... O Triptofano!

Filipe Vaz Correia, 14.03.19

 

 

 

Mulher: O Eterno Objecto

 

Depois de ver os programas actuais da televisão nacional que tem como finalidade o casamento não pude deixar de pensar na cerimónia em si, e infelizmente constatei que a mulher sempre foi vista mais como um objecto, e que por mais que queiramos mentir a nós mesmos e pensar que a sociedade está mais avançada a verdade é que não está!

Já alguma vez se questionaram porque é que a noiva no dia do casamento entra na Igreja acompanhada por um homem, seja o seu pai, padrasto, irmão ou mesmo em alguns casos do filho?

 

Podem pensar que é uma tradição amorosa e fofinha, só que antigamente as mulheres eram propriedades dos homens, e em algumas sociedades havia mesmo o dote, que era um preço que o noivo pagava aos pais da mulher de forma a adquiri-la.

 

O entregar a mulher no dia do casamento não é mais do que uma espécie de escritura imobiliária, onde um homem transfere a autoridade e propriedade a outro homem.

 

E desenganem-se se acham que não há muitos homens que quando trocam alianças não pensam que adquiriram direitos ilimitados sobre o corpo, a mente e a alma do objecto com que casaram, objecto esse que só por acaso não é inanimado e responde pelo nome de noiva.

 

As mulheres deviam preferencialmente entrar sozinhas, de cabeça erguida, mostrando que casam porque querem, e que também se for preciso descasar que não vão ter medo de o fazer, que não vão aturar abusos, desrespeitos, que não são cadelas amestradas levadas à rua com trela curta.

 

As mulheres deviam mandar à fava essa história da tradição e porque é bonito e é assim que se vê nos filmes e pegar nas rédeas da sua vida.

 

Mandarem uma mensagem clara aos homens que um relacionamento é como os carris de um comboio, lado a lado, sempre à mesma distância, para evitar descarrilamentos com mais ou menos feridos.

 

E aquelas que mesmo assim ainda vão choramingar ao ler este texto porque querem ter desde meninas o seu dia de princesa, a essas só tenho a dizer que deviam era sim ambicionar uma vida de rainhas, de imperatrizes, de chefes de estado.

 

As mulheres não são nem devem nunca ser tratadas como um objecto, mas são também as mulheres as primeiras que devem largar as âncoras que as impedem de navegar a toda a velocidade, mesmo que por causa disso as considerem revolucionárias feministas.

 

Se na época dos Descobrimentos nunca tivéssemos sequer construído uma nau como é que quereríamos ter descoberto metade do mundo?

 

 

Triptofano

 

Um Juíz Ou Um Boçal?

Filipe Vaz Correia, 09.03.19

 

Na capa do Jornal Expresso, desta semana, uma frase marcante do já célebre Juiz Neto de Moura...

"Os casos que julguei, não são particularmente graves."

Et voilá!

Uma pérola de sapiência judicial, diria mesmo, de sabedoria ancestral na voz de um doto Magistrado.

Na verdade, não posso deixar de concordar com o Senhor Doutor Juiz, pois apesar de inicialmente ter ficado estupefacto, consigo compreender a plenitude e alcance de suas sábias palavras.

Em nenhum dos casos julgados pelo Juiz Neto de Moura, a vítima foi assassinada, morta, decapitada, logo a gravidade destes casos é absolutamente relativa.

As Senhoras poderão, em alguns destes casos, ter levado um par de bofetadas, uma ou outra cabeçada, um ou outro pontapé, o que analisando bem, em nada difere de um jogador de futebol ou de um pugilista profissional, encaixando assim no patamar de normalidade, aos olhos do "nobre" Juiz e provavelmente do seu "Deus".

Num desses casos, a Mulher terá levado com uma, "pequena", moca de pregos e noutro desses casos terá ficado com um tímpano perfurado...

Casos estes que têm levado, incompreensivelmente, ao histerismo da opinião pública.

Mas a dita Mulher não tem, ainda, um outro tímpano em bom estado?

Não consegue adquirir um daqueles aparelhos auditivos que estão sempre a anunciar nas televisões?

Não estão vivas? 

Se sim...

Para quê tamanho alarme?

De facto, no meio de todas as incredibilidades que vamos ouvindo e lendo, sobre este Magistrado, torna-se claro que não se tratará, apenas, de uma questão de lhe retirarem os casos de Violência Doméstica...

Na minha opinião, é caso para questionar se o dito Juiz estará na posse de todas as suas faculdades ou será apenas uma questão de Boçalidade bafienta, meio empedernida, por entre, o pó de uma qualquer caverna, de onde terá saído.

Haja paciência e já agora Justiça.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

No Caneca Com... Robinson Kanes!

Filipe Vaz Correia, 14.02.19

 

A Chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.
Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".
 
Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".
Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual "hype", são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham. São também as mesmas que vivem infelizes no sexo e que até já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.
 
Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá "likes" e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e pseudo-solidário.
 
Mas quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status?
 
Sim... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é "cool" ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!
 
As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (e muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria e, portanto... Muito se fala da questão dos filhos. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 
 
Será crime dizer que não se quer ter filhos porque se quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas as pessoas que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar.
 
Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revela toda a sua desumanidade e tornam-se portante, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia. 
 
Andamos muito atentos e participativos nos "hypes" das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver.

 

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Fotografia da autoria de Robinson Kanes

 

Robinson Kanes