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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Bipolaridade Catalã...

Filipe Vaz Correia, 11.10.17

 

Todos aguardavam as palavras de Carles Puigdemont no Parlamento da Catalunha, temendo-se uma Declaração Unilateral de Independência que acabasse por agudizar os ânimos, estreitando ainda mais o sinuoso caminho, que parece ensombrar os destinos da velha Espanha.

A surpresa ficou reservada para o tom moderado e esclarecido com que o Presidente da Generalitat, resolveu estender a mão ao Governo Central, procurando um suposto entendimento, ou pelo menos, simulando-o...

Para esta atitude muito terão contribuído as reacções internacionais, a fuga de empresas e capitais, deixando no ar um ameaçador isolamento.

Puigdemont falou no Parlamento da Catalunha para o mundo, para aqueles Catalães que se opõem a este grito libertário mas também, não menos importante, para os Espanhóis espalhados pelas mais variadas regiões Autonómicas...

Tentou passar uma ideia de ponderação, de abertura e equilíbrio, reforçando a fé numa Nação Catalã, ao mesmo tempo, que tentava através desta surpreendente moderação, conquistar a opinião pública e credibilizar a sua causa.

O que fará Rajoy?

Que resposta chegará de Madrid?

Este é um tempo vital para a unidade de Espanha, e será essencial para essa mesma unidade, a forma como Mariano Rajoy e o Governo Espanhol, resolverem actuar a partir daqui...

Na minha modesta opinião, é importante aproveitar esta bipolaridade da Generalitat Catalã, para empreender uma espécie de diálogo que aproxime, ou seja, deixe a percepção em todos de que ainda será possível encurtar diferenças, fazendo renascer um processo Autonómico na Catalunha, há muito adiado.

Se Rajoy não o conseguir fazer, voltando a desperdiçar uma oportunidade para desarmar este discurso bipolar das Autoridades Catalãs, então, talvez seja mesmo difícil voltar atrás...

Por agora, surpreendentemente, parece que ainda será possível.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

E Agora Espanha?

Filipe Vaz Correia, 21.09.17

 

Volto a escrever sobre Barcelona, consoante a minha estupefacção pelo caminho extremado, por onde resolveram seguir as duas partes desta discórdia...

A Catalunha de orgulho ferido, grita aos quatro ventos, a determinação em resgatar a dignidade amordaçada pelos invasores de Madrid, recuperando a figura do Generalissimo Franco como justificativa para a repressão imposta pela Guardia Civil.

Nas Calles da Catalunha nota-se a revolta, o destemido momento em que as pessoas quiseram sair à rua, para se juntarem àqueles que no seu entendimento defendiam o Ser Catalão e é aqui que poderá se confrontar, o passado e o futuro de Espanha.

Rajoy como ainda ontem escrevi, não entendeu o favor que fazia aos Independentistas Catalães, ao endurecer as medidas repressoras para com aqueles que organizavam este referendo, permitindo uma percepção de injustiça, que une...

Que contribui para a narrativa separatista.

Este caminho apocalíptico, de confronto despudorado, poderá traçar um desmembramento Espanhol, frágil em certos domínios, silenciado mas não adormecido e que reflectido nesta revolta Catalã, poderá despertar como um furacão impossível de travar.

O que esperar do País Basco perante uma Independência catalã?

Como controlar as reivindicações de outras regiões?

O futuro de Espanha joga-se neste referendo, nesta disputa entre o centralismo democrático e a vontade orgulhosa de um povo...

A Catalunha é uma das regiões mais ricas de Espanha e isso não pode ser dissociado da questão Independentista, no entanto, o esventrar dessa unidade, do Ser Espanhol, terá repercussões inimagináveis na arquitectura da Nação Castelhana.

Assim, sobrevoando toda a inquietude que por estes dias toma lugar pelas Calles da Catalunha, não será demais dizer...

Que o futuro de Espanha, será também, o resultado deste referendo.

 

 

Filipe Vaz Correia