Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

15
Jan19

As Manhãs Na Cidade...

Filipe Vaz Correia

 

Tanta gente pela manhã, numa corrida desesperada por nada...

Olhares perdidos no horizonte, no ecrã de um telemóvel, na neblina dessa manhã que se assemelha a esconderijo dos tamanhos tudos, vazios de sentido.

Buzinas e palavrões, gritos e silêncios, entrelaçados numa correria constante.

Quem será a alma que a teu lado se senta, no autocarro?

Que destino se esconde nesse carro parado a teu lado?

O que importa?

Numa espécie de experiência laboratorial, como ratos em rodas, se vai perdendo o significado da vida, de tantas vidas, das entrelinhas escondidas, por entre, os anseios e sonhos, receios e pesadelos, pedaços de existência Humana.

Qual será a história daquele que ali dorme, no meio da rua, por entre, aqueles molhados papelões?

Quem sente?

Quem, verdadeiramente, quis saber?

As letras vão escapando, também elas, pela imaginação deste que vos escreve, numa interrogação entristecida e melancólica.

As flores amarradas a um poste, um candeeiro de rua, celebrando uma vida que se perdeu...

Num atropelamento, numa despedida, um tamanho ardor, uma infinita dor.

Tanta gente que se cruza, sem sentir, sem sentido, sem reparar na vida de quem passa, vai passando, sem parar.

Tanta gente pela manhã, numa correria desesperada, por tudo...

Por nada.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

09
Nov18

Os Melhores Pequenos-Almoços Do Mundo...

Filipe Vaz Correia

 

Nunca gostei muito das manhãs, sou mais noctívago, noites de conversa e escrita, de uma preguiça prazerosa.

Desde o inicio deste ano lectivo, mudei um pouco estas minhas rotinas, passando a levar com a minha mulher, o João  e a Matilde, nossos sobrinhos, ao colégio.

Despertador para as sete da manhã, um corrupio agitado, por entre, banho e horários...

Nunca nada me deu tanto gosto, gosto matutino, como estas nossas viagens em família.

O ritual é sempre o mesmo:

Oito da manhã, hora de os encontrar em casa de seu Pai e iniciar a nossa aventura, ao som dos Abba, cantado a plenos pulmões, numa mistura de conversa e ternura, com o Restaurante do Alberto suspenso no horizonte.

Por vezes temos a companhia da Rádio Comercial, outras vezes, divagamos pelas conversas das nossas vidas...

Sempre com esse amor espelhado em nossos olhos.

Sexta-Feira é dia de pequeno-almoço, encontro marcado mais cedo para podermos cumprir o horário de entrada no colégio, carregado de leite com chocolate e umas "merendinhas", apelidadas por nós, como as melhores do mundo...

E são mesmo.

Hoje o João perguntou-me:

" Tio... Já escreveu no Caneca, um texto sobre os nossos pequenos almoços?"

Não tinha ainda escrito mas prometi-lhe que o faria...

E aqui está.

Descrito por palavras, nesta intemporal relação que nos marca, que nos pertence, sabendo, como julgo que sabem, que destes Tios será sempre isso que receberão...

Um amor incondicional para a vida toda, num caminhar destemido, sempre de mão dada, de mãos dadas.

Pois é apenas isso que conta...

Que importará.

Beijinhos aos dois, com um amor do tamanho do mundo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Posts mais comentados

Comentários recentes

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Calendário

Fevereiro 2020

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D