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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Ministro Cabrita, Be Quiet!

Filipe Vaz Correia, 27.11.17

 

Parece que Instituições Internacionais avaliaram Portugal como o 3º País mais seguro do mundo...

Desconhecia este honroso pódio, esta constatação de uma realidade tão nossa, tão feliz, tão importante.

Portugal tem de facto uma posição feliz e ímpar num panorama mundial cada vez mais inseguro, menos tranquilo, no entanto, apenas tomei conhecimento desta classificação, através das palavras do Senhor Ministro Augusto Cabrita, num encontro em Beja, sobre o Contrato Local de Segurança...

O Ministro tem todo o direito de estar feliz com esta posição Lusitana, sentir certamente um contentamento rejubilante, porém ao ouvi-lo debitar estas palavras que agora ganham eco na comunicação social, senti uma imensa vontade de lhe gritar:

Esteja Calado!

A nossa segurança interna, não me parece advir de uma imensa capacidade para prevenir atentados, para controlar terroristas, mas antes de uma conjugação resultante da nossa dimensão geográfica e escassa importância no xadrez politico mundial.

Por estas razões parece-me pouco indicado esta espécie de bazofia política, meio bacoca e não aconselhável...

Pois se na verdade, como diz o Senhor Ministro, esta avaliação será importante para cativar empresários e turistas, não será despiciente dizer que poderá também atrair indesejáveis olhares.

Se depois de um Verão prolongado, onde todos assistimos à incapacidade de Governo e estruturas de segurança na luta contra os fogos e às suas consequentes tragédias, é no mínimo contra producente, imaginar que a nossa segurança Interna estará ao nível do lugar que agora nos atribuem.

Por isso aqui deixo o meu conselho ao Senhor Cabrita:

Por favor, Be Quiet.

 

 

Filipe Vaz Correia 

O Novo Ministro!!!!!

Filipe Vaz Correia, 18.10.17

 

Eduardo Cabrita é o novo Ministro da Administração Interna, substituindo Constança Urbano de Sousa, numa tentativa de dar um novo folgo a este Governo, liderado por António Costa.

Escrevi aqui anteriormente, que o Primeiro-Ministro deveria escolher um nome acima de qualquer dúvida, uma referência que trouxesse consigo peso político, e reconhecimento público...

Eduardo Cabrita, não é esse nome.

O novo Ministro é uma solução resgatada ao núcleo duro deste Governo, um nome que demonstra um curto espaço de recrutamento, assim como, um desconfortável sentimento existente, no olhar do próprio António Costa.

Não serei daqueles que gritam aos ventos a morte política do actual Primeiro-Ministro, pois apesar de não ter uma provecta idade, já vivi o suficiente, para presenciar a renascimentos improváveis.

Por essa razão, aguardemos com paciência, os próximos capítulos na cena política, os novos assuntos, polémicas que infelizmente abafarão as mortes e a dor destes malfadados dias, sendo que o País não perdoará, outra tragédia que esventre, uma vez mais, este nosso Portugal.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A Carta De Demissão!

Filipe Vaz Correia, 18.10.17

 

A carta que Constança Urbano de Sousa entregou, pedindo formalmente a demissão de MAI, é na verdade, um esclarecimento inequívoco, do erro gigantesco de percepção, de António Costa.

Nesta carta, não restam dúvidas, de que até a Senhora ex-Ministra acreditava não ter condições para continuar no cargo, desde a tragédia de Pedrógão Grande...

Pedrógão Grande!

Não posso deixar de aqui escrever, para ser fiel às minhas convicções, que as palavras escritas por Constança Urbano de Sousa, demonstram carácter e lealdade, duas características que muito aprecio, lamentando que essas características tenham servido para António Costa, deixar a ex-Ministra entregue à sua sorte, exposta ao longo de meses na cena pública.

O Primeiro-Ministro enfrenta agora, as consequências dos seus actos, num mistura política suicida, de certezas e enganos, que o deixam fragilizado, perante o coro de criticas que o perseguem...

Costa terá agora de escolher toda uma nova equipa do MAI, e essa opção será determinante para o futuro desta solução Governativa, pois caso o nome do novo Ministro, não esteja investido de uma gigantesca capacidade política, assim como, de um reconhecido conhecimento das funções, provavelmente, estaremos diante um dos últimos actos da Geringonça.

Não existe margem para erro.

Por fim, termino citando a ex-Ministra da Administração Interna:

"Considero que estão esgotadas todas as condições para me manter em funções, pelo que lhe apresento agora, formalmente, o meu pedido de demissão, que tem de aceitar, até para preservar a minha dignidade pessoal."

Com estas palavras sai de cena esta Ministra da Administração Interna, e infelizmente para Constança Urbano de Sousa, a sua dignidade pessoal, ficou aprisionada à decisão do Senhor Primeiro-Ministro, de a deixar em funções, contra sua vontade, após Pedrógão Grande.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

O Discurso Do Presidente!

Filipe Vaz Correia, 17.10.17

 

Depois do miserável discurso de António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa falou ao País, dando expressão à sua função de Presidente da República, aconchegando a alma dos que muito perderam, credibilizando o papel político que exerce.

Marcelo falou de vários pontos, não se furtou às questões, compreendendo o momento delicado que vivemos, dando razão às dores, que a todos atormentam.

Marcelo falou ao País real, do País real, da perda, da dor, da tragédia e das responsabilidades...

O Presidente da República, indicou o caminho, não se coibiu de apontar o rumo que teremos de seguir, nesta "última oportunidade para levarmos a sério a floresta".

Pediu que o Governo não deixasse de retirar consequências de toda esta tragédia, numa clara assunção de responsabilidades, tentando demonstrar que um novo ciclo não poderá passar pelas mesmas pessoas, pelas mesmas políticas.

Tentou ainda alertar para a importância de incluir todos nesta reforma da nossa floresta, numa solução que terá de ser, evidentemente, inclusiva...

Passar por todos os Partidos.

Uma das frases que mais gostei de ouvir, foi aquela que na minha opinião, me pareceu dirigida a António Costa e ao seu discurso naquela malfadada madrugada:

" Pensar a médio ou longo prazo, não significa convivermos com estas tragédias."

Muito obrigado, Senhor Presidente da República.

Sobre a Moção de Censura apresentada pelo CDS, ficou o pedido para a Assembleia clarificar o real apoio do actual Governo, deixando assim o recado a PCP e a BE.

Por fim, o lado fraterno e carinhoso de um Presidente, que não se inibe de pedir desculpas ao País, algo que apenas o dignifica, o aproxima ainda mais das pessoas, se mostra como mais um de nós.

Marcelo esteve, na minha opinião, muito bem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

LUTO!

Filipe Vaz Correia, 16.10.17

 

O País está de luto, carbonizadamente de luto, enlutado pelos mortos que tombaram em mais uma tragédia incendiária ou pelos vivos que sobrevivendo, estão submersos em mais um pesadelo impregnado de dor.

Um retrato a preto e branco deste nosso Portugal, carregado de cinzas, enublado por entre as poeiras da incompetência de políticos, governantes, destino menor desta nossa triste alma Lusitana.

Gentes com memórias queimadas, esperanças incineradas, casas destruídas, vidas suspensas...

Já não existem palavras suficientes para descrever o olhar das pessoas, o desespero na expressão do rosto, a ausência de esperança, no meio de tamanha desesperança.

O que fica de Portugal, deste nosso querido País, é uma devastadora sensação de dor, de amargura, de abandono que as populações sentem, sentiram, e segundo o Primeiro-Ministro poderão voltar a sentir.

Abandono sentido no meio de florestas, em aldeias, cidades, estradas, em todo o lado por onde deflagrou este miserável pesadelo.

Através das imagens passadas pelas televisões, fica um retrato de devastação, de terrorismo, como diria o meu caro, O Último Fecha a Porta, de equívocos e erros acumulados durante décadas.

Não existe mais tempo para reflexões, não temos mais tempo para discussões, apenas sobra tempo para agir, para de uma vez por todas resolver esta repetitiva maldição.

Chove lá fora, do lado de fora da minha janela...

Por um momento, um instante, parece ganhar cor, a dor imensa deste meu querido País.

Que chova, que continue a chover, e que essa chuva se misture com as lágrimas da nossa dor, do nosso dolorido fado.

 

 

Filipe Vaz Correia