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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Recomeçar: O Deslumbrante Mundo De Tim Bernardes...

Filipe Vaz Correia, 17.06.19

 

Tim Bernardes...

Este nome que me chegou do outro lado do Atlântico, num dia como outro qualquer, numa explosão de sentimentos e melodias, nesse Recomeçar imenso que se amarrou a minha alma, desmedidamente constante.

Já aqui escrevi sobre ele, sobre a forma como a sua escrita transposta em música se entrelaça com o âmago desse intenso sentir provocador, desconstruindo o formigueiro extasiante que se instala, que nos assalta num singelo segundo, eterno pequeno segundo.

Tudo é imenso, imensamente curto, intervalado com a imensidão longínqua desse espaço estelar que ecoa a cada pedaço de letra, cada verso, cada rima, cada sentido pormenor.

Por estes dias assistindo a uma sua entrevista me deparei com as palavras de Caetano Veloso...

" Uma maravilha de afinação, controle da dinâmica, refinamento, execução instrumental e liberdade na elegância do uso do palco e da luz - além das composições personalissimas de caminhos fascinantemente desviantes... Tive a certeza de que a música Brasileira é forte para sempre. Quem vê um show de Tim Bernardes não pode nem acompanhar o movimento mental de quem diz que nossa canção hoje não tem valor. "

Caetano expressou através das suas palavras o espantoso talento deste jovem músico, num gesto de grandeza e sapiência de um mestre, sabendo valorizar o que de melhor fazem aqueles que continuarão o seu legado.

Tim emocionado contou que havia sido Salvador Sobral a apresentar o seu álbum "Recomeçar" para Caetano Veloso, numa irónica encruzilhada do destino, nesse abraçar dos dois lados do Atlântico.

Caetano precisou de vir a Portugal para conhecer o trabalho absolutamente deslumbrante deste seu conterrâneo.

Da minha parte apenas referir o quanto admiro este álbum, o artista e a melodiosa poesia saltitando por entre os acordes da sua viola ou das teclas do seu piano.

Desnudado de folclore, de tamancos ou subterfúgios, assim é Tim Bernardes, despido em palco de distracções, apenas a sua voz e o imenso talento que lhe pertencem.

Como é bom conhecer e apreciar a genialidade dos melhores...

Um impressionante privilégio.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

#Fica Madonna

Filipe Vaz Correia, 19.02.19

 

Meu Deus...

A Madonna vai partir deste nosso País à beira mar plantado.

Demos parqueamentos, noites de fado, chouriços e vinho tinto, praias Alentejanas, bairros típicos, carinho e amor.

Até o recato de um tal Liceu Francês ou um clube de futebol para o seu filho jogar tranquilamente e mesmo assim...

Mesmo assim, parece não ter chegado.

Mas o que anda a fazer o Governo para que uma desgraça destas possa ter acontecido?

Será que isto não tem nada a ver com as greves?

Ou será que o senhorio da nossa Madonna, lhe aumentou a renda?

Questões que urge responder, pois algo tão grave não pode ficar sem culpados.

Não existirão desculpas, caso se verifique esta notícia, restando a esperança de que até Setembro, na pior das hipóteses, continuemos a ter a Senhora Dona Ciccone.

Que bom...

Pelo menos o verão, está garantido.

Fica Madonna, é o apelo que me apraz lançar...

Por favor partilhem:

#Fica Madonna

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Carinho Meu...

Filipe Vaz Correia, 30.11.18

 

 

 

Dou-te a mão;

Uma vez mais,

E uma vez mais,

Parece pouco tempo...

 

Num intervalo estrelar;

Inebriada vontade,

Amarrado olhar,

Carregada saudade...

 

Dou-te a mão;

Sem hesitar,

E volto a me perder,

Em ti...

 

Pois é amor;

O que sinto;

Intenso ardor,

Faminto...

 

É nesse mundo paralelo;

Que se esconde tamanha beleza,

Nesse quadro tão belo,

Que se entrelaça a certeza...

 

Dou-te a mão;

E a alma,

O secreto coração,

Que sendo meu...

 

Só a ti pertence.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Poética Melodia De Tim Bernardes...

Filipe Vaz Correia, 26.10.18

 

De vez em quando surpreendo-me com descobertas que me amarram, se aproximam e me entrelaçam na voz, na letra ou simplesmente na mera ausência de nexo...

Arte ou simplesmente um reencontro da alma com a imperfeita busca pela musicalidade do tempo.

Já escrevi, en passant, sobre ele...

Mas não posso deixar de partilhar convosco, este mero gosto de repetir uma canção, um sonoro encantamento enquanto escrevo um poema ou simplesmente um ténue sorriso, levemente perdido, por entre, a desmedida vontade de ouvir...

Ouvir.

Descobri Tim Bernardes no seu álbum Recomeçar, uma espécie de arrebatador sentido que se mistura, por entre, a busca poética e a indisfarçável insatisfação da musicalidade.

Ouçam...

" No corcovado quem abre os braços sou eu, Copacabana essa semana o mar sou eu, E as borboletas do que fui pousam demais, Por entre as flores do asfalto em que tu vais, E as paralelas dos pneus n'água das ruas, São duas estradas nuas, Em que foges do que é teu..."

Somente a genialidade de Belchior, na canção Paralelas, amarrada no piano e na voz de Tim Bernardes.

Continuarei a caminhar, por entre,  esse Recomeçar que na minha alma soa a Descobrir...

Viva a poesia Lusófona, encantadora forma de amar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Mano A Mano: Salvador E Caetano!

Filipe Vaz Correia, 13.05.18

 

Não pensei escrever sobre o Festival da Canção, pois para ser honesto mal o acompanhei, no entanto, como poderia deixar de aqui relatar, essa parte de mim, que emocionadamente não consegue esconder o contentamento maior, entrelaçado com a sublime beleza de um momento...

Salvador Sobral!

Assistir àquele instante em que Salvador subiu ao palco, acompanhado ao piano por Júlio Resende, para cantar "Mano a Mano", foi para mim mais do que arrepiante, um retrato mágico, deslumbrantemente perfeito.

Em cada expressão da sua voz se contorcia a melodia, em cada palavra pintada no seu olhar, se enternecia a vontade minha de querer suspender eternamente aquele pedaço de prazer.

Sem palavras...

Uma espécie de apogeu, descompassadamente arrepiante, repetidamente arrepiante.

Ainda não refeito daquele instante, tive de suportar o passo seguinte...

Caetano no palco para um momento a dois, cantando "Amar pelos Dois", transformando lentamente a Eurovisão, num recanto imaginário de pura eternidade.

A eterna querença do belo, inquietantemente sedutor, como um quadro de Rembrant ou um poema de Pessoa, como um texto de Vinicius ou uma invenção de Da Vinci.

Foi essa sensação que ali senti, prendendo-me através da alma ao sentido sentir que só o esplendor consegue arrebatar.

Por tudo isto, valeram a pena os cinco minutos de Festival da Canção a que assisti...

Cinco eternos minutos que repetiria vezes sem conta, como se de um sonho se tratasse.

Obrigado Salvador e Caetano.

 

 

Filipe Vaz Correia