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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Parabéns Mãe

Filipe Vaz Correia, 02.06.22

 

A minha Mãe faria hoje 87 anos, partiu há quase 12...

O tempo na sua infinita crueldade e contraditória calmaria traz esse doce amargo de boca que é a relativização da dor, da perda.

No entanto, pelo menos no meu caso, a ferida permanece aberta, flamejante, pujante na saudade, nesse arfar quase sufocante de um adeus que não pode ser real, do cortar de um cordão umbilical que se torna espiritual.

O dia de sua partida foi o mais triste de minha vida, este dia 2 de Junho era habitualmente um dos mais felizes do ano.

Ia quase sempre à casa batalha onde facilmente encontrava um presente que fosse a cara de minha querida Mãe, colares, anéis, encharques...

Hoje apenas escrevo estas linhas, perco-me no pensamento, busco em mim partes que lhe pertencerão.

Parabéns Mãe.

Amor da minha vida.

 

Do sempre teu;

 

 

Pipo

 

 

Dor de Filho. 11 Anos de Saudade…

Filipe Vaz Correia, 22.12.21

 

 


Ontem foi um um dia triste, a minha Mãe morreu nesse dia há 11 anos...

Nunca mais fui o mesmo, nunca mais senti o mesmo.

Todos os medos que me perseguiam nesse medo de a perder cá permanecem só que transformados em solidão, por mais acompanhado que me encontre, por maior que seja o amor que me amarre.

As saudades que subsistem por aqui continuam, mais amenas mas insistentemente acesas, mais disfarçadas mas em ferida...

Nessa ferida que não sara, nessas lágrimas que não secam, nesse amor infinito.

Assim deixo aqui um poema que escrevi há tempos, num celebrar desse amor, desse colo teu que sempre foi minha casa, nesse regaço que sempre me pertenceu como amparo.

 

 

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Nunca fui tão feliz, como no colo de minha mãe;

O seu cheiro, o seu perfume,

O timbre da sua voz, enfim...

 

O calor do seu amor.

 

A mão que me embalava no berço;

O olhar que seguia os meus passos,

O desejo que acarinhava o meu destino,

O meu bem querer...

 

Ai as saudades que não findam;

Os tesouros que se escondem na terra,

Os sons que se calaram,

Ó Mãe!

 

Mãe;

Palavra tão bela que me ensinaste,

Que aprendi a rimar com amar,

Que aprendi a ter como minha...

 

Minha Mãe!

 

 

 

 

Monte Alentejano “Homenagem Aos Meus”

Filipe Vaz Correia, 10.12.21

 

 

 

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fotografia aleatória 

 


Em cada recanto daquele monte alentejano;

vejo os rostos dos meus avós

em cada retrato naquelas paredes

oiço o som desnudado de sua voz

em cada quarto, sala

encontro esse tempo só

do que sobrou

se tornou pó

vida que não regressa...

 

Em cada sorriso, agora, calado;

encontro um pedaço de mim

por cada momento, agora, silenciado

uma memória sem fim

de um tempo imaginado

que sobrevive assim

na minha alma...

 

E ali guardados;

quadros vivos pendurados

contando pincelados

os momentos reencontrados

desse passado

de antepassados

meus...

 

Em cada recanto daquele monte alentejano;

somente naquele lugar

somente debaixo daquele luar

ouso me reencontrar...

 

Naquele monte alentejano.

 

 

 

 

Regaço Perdido

Filipe Vaz Correia, 23.11.21

 

 

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Era uma vez um menino;

que não sabia chorar

era triste e franzino

com a tristeza no olhar...

 

Era uma vez uma história;

cheia de dor e sem fim

com lágrimas presas à memória

guardadas dentro de mim...

 

Era uma vez um adolescente;

que sozinho enfrentou o mundo

tinha um silêncio pela frente

e um desgosto profundo...

 

E por vezes ao deitar;

ao adormecer de cansaço

ouvia aquela canção a recordar

o embalar daquele regaço...

 

O regaço perdido;

da mãe que nunca encontrou!

 

 

 

 

Caminhando

Filipe Vaz Correia, 03.09.21

 

 

 

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Ainda custa soletrar cada pedaço de nada

soluçar esse pedaço de arca moida

esperando a minha mãe do outro lado da porta do quarto

nesse entretanto que hoje me parece distante.

 

Queria mais...

tanto mais que o não consigo expressar nestes versos

nesse vazio imenso que me sobra

na inconstante versão de nós mesmos.

 

Queria voar e gritar,

ser maior do que as asas,

e em cada pedaço de mim libertar

os medos que me agrilhoavam.

 

Queria olhar para aquele menino e o abraçar

explicar que medos e segredos rimam

mesmo que pareçam maiores do que a vida

do que a realidade construída em seu presente.

 

Já sei soletrar e escrever,

mas anseio por esse chamamento do outro lado da porta,

do fim de brincadeira que se extinguia na presença de um adulto

desse crescimento que faria de mim  um homem.

 

O tempo passou;

o mundo mudou

parte do meu sorriso findou,

e os medos permaneceram...

 

Mas já não te tenho Mãe!

 

Frias se tornaram as ruas,

tristes se tornaram as poesias,

sombrios ficaram os versos,

no final de cada dia.

 

E eu...

continuo a caminhar.