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Caneca de Letras

Caneca de Letras

07
Nov19

“Mães” Que Nunca O Deveriam Ser...

Filipe Vaz Correia

 

Estava agora a ver as noticias e não pude deixar de agarrar no teclado e escrever, escrevendo compulsivamente a raiva que em mim habita, nesse grito a gritar a tristeza que me invade.

Como é possível?

Mãe?

Não ofendam todas as Mães deste mundo, aquelas que abraçam todos os dias os seus filhos e aquelas que já não abraçando, vivem na memória destes eternamente.

Existem mães que nunca deveriam ter sido Mães.

Esta é a frase que me ocorreu, a primeira ideia que se acendeu ao ouvir as palavras, ao ver as imagens, ao me aperceber de quão baixo pode descer o Ser Humano.

Uma “mãe” que abandonou um recém-nascido num caixote do lixo, sem qualquer agasalho, numa zona escondida, abandonando aquele pequeno Ser a um destinado fim...

À morte.

Felizmente, este menino, foi salvo por um Sem-Abrigo...

Mãe?

Poderão dizer que ninguém sabe a vida daquela pessoa, que desconhecemos as motivações e o desespero, que existirão mil e uma razões para tamanha barbaridade...

Não aceito!

Aqui nem contesto o abandono, pois se quer abandonar que o faça, dependendo dos casos, até posso aceitar ser um acto de amor, desesperadamente por amor.

No entanto, se quer largar o bebé, então que o deixe à porta de uma casa, toque e fuja, que deixe dentro de um autocarro, que deixe num hospital, perto de uma esquadra...

Num caixote do lixo, afastado de tudo, sem qualquer tipo de agasalho?

Isto não é abandono...

É Infanticídio!

Existem “mães” que nunca o deveriam ser.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Set19

Poderia Ter Sido Diferente? Ainda Bem Que Não Foi...

Filipe Vaz Correia

 

Espero sempre que o telefone toque...

Que seja a tua voz que se encontra do outro lado, nesse encontro perdido e que amiúde me invade, buscando reencontrar o doce timbre de um aconchegante passado.

Olho pela porta entreaberta, por entre, as frestas da janela nessa imaginada procura que não chega, não chegará e que se perdeu sem compreender o tempo que o tempo traz e leva, resgata e afasta, mata e esventra, em cada pedaço do que fica na desprendida memória.

Como poderia ser diferente?

Vezes sem conta ligo para aquele número gravado na memória do telefone, ouvindo repetidamente aquele gravador, como se algo, por um segundo, se tivesse alterado, modificado, sendo diferente, nesse perder que ainda amarga e dói, queima e arde, esmaga e faz arrepiar.

Tenho saudades...

Por vezes esqueço, mesmo não querendo, pois o tempo na sua infinita crueldade, acaba por atenuar a dor, acalmar o ardor que constrói a solitária imensidão de um desesperado vazio...

Mas aqui regresso.

Como poderia ser diferente?

Como poderia?

Se de cada vez que respiro, o faço também por ti, se de cada vez que sorrio, o faço também contigo, se de cada vez que choro, contigo o faço no pensamento.

Se de cada vez...

Se de cada vez que te procuro e não te vejo, sei bem que foi verdade, a crua realidade de uma despedida eterna.

Mas mesmo assim continuo a procurar, a questionar, a tentar reencontrar cada momento marcante nesse destino partilhado, desencontradamente preciso.

Poderia ter sido diferente?

Se calhar não...

Porque foi intensamente perfeito.

Amo-te, minha querida Mãe...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

05
Mai19

Dia da Mãe: Um Dia Repleto De Amor, Saudades E Memórias...

Filipe Vaz Correia

 

Dia da Mãe...

Há oito anos que se desfez este dia, nesse celebrar presente, simplesmente, guardado em mim ou nessas memórias que me pertencem.

Já não compro presentes, nem vislumbro aquele teu sorriso ao receber com amor cada pedaço de querer que sempre te quis demonstrar.

Foi a minha Mãe que me ensinou a amar, em cada gesto dessa ternura sua, em cada toque vindo do seu mais entrelaçado sentir.

Olho para um frasco repleto de arroz, um pequeno frasco de arroz tingido de azul e rosa, com letras gravadas a tinta...

"Feliz dia da Mãe!"

Os beijinhos que encerravam essa mensagem, ali permanecem desde aquele dia em 1981...

Tinha eu 4 anos.

Claro está que a letra era da minha educadora, a querida Zita, mas marca, eternamente, esse saudoso amor que sempre em mim viveu...

Esse amor por ti.

Esse amor que continua a pulsar em mim, por ti, por nós.

Obrigado por tudo minha querida Mãe, neste dia tão especial...

Onde quer que estejas, talvez nesse céu estrelado para onde tantas vezes olho, buscando te reencontrar.

Beijinhos meu primeiro e verdadeiro amor deste filho que te ama, amará, infinitamente.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

22
Abr19

Quem Faltou Ao Almoço De Páscoa?

Filipe Vaz Correia

 

Páscoa...

A vida é passageira, imutavelmente passageira, levando com ela momentos, pessoas, abraços e carinhos, palavras e sentidos.

Nesta Páscoa, sentado à mesa de almoço, num momento familiar, não consegui deixar de recordar o que ficou para trás, aqueles que se entrelaçaram com as memórias perdidas do destino.

Neste dia senti falta de Santa Luzia, da casa de minha Tia, do Monte dos meus Avós.

A minha Avó Nininha, Avó Paterna, sempre foi uma referência para mim, por todas as razões e mais algumas...

Pelas suas agruras no fim de vida, pela forma digna e altiva como sempre as enfrentou, por esse amor que sempre me deu, mesmo que a rispidez fosse característica intrínseca da sua personalidade.

A sua relação com minha Mãe era tocante, como Mãe e Filha, num carinhoso acto de afecto, sem que, muitas vezes, isso pudesse ser visível, àqueles que a conhecessem menos bem.

Tenho saudades de cada palavra sua, em cada ensinamento seu.

Guardo de si as memorias mais calorosas, próximas, nessa forma de me fazer sentir especial, por entre, um olhar quase intimidante mas que era desarmado sempre que esse olhar, se cruzava com o meu.

Nesta Páscoa recordei sorrisos e gestos, por entre, os lugares vazios que não podem ser recuperados, guardando cada pedaço de saudade junto ao coração.

A vida é passageira, tão passageira como prazerosa, sobrando à alma juntar numa tela imprecisa todos os recantos de um caminho...

Repleto daqueles que nos ensinaram a amar.

E por falar em amor...

Como tenho saudades tuas, minha Mãe.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

18
Abr19

No Caneca Com... A 3ª Face!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Isto de ser mãe

 

A minha filha mais velha sempre adorou o mar. De tal maneira que cheguei a pensar que teria sido sereia noutra encarnação.

Mal se segurava em pé e já entrava na água como se fosse o seu mundo. Simplesmente avançava...

Um dia, em vez de a agarrar, coloquei-me atrás e deixei-a ir (quem conhece a Lagoa de Albufeira sabe que são águas paradas, sem perigo). Ela foi caminhando, segura e serena, e nem mesmo quando a água lhe tapou a boca e o nariz, quis recuar. Eu só a levantei quando sentiu a aflição de não conseguir respirar.

Não sei se aprendeu a lição mas eu aprendi.

Aprendi que ser mãe não é antecipar os perigos ou impedir certos percursos. Não vale a pena!

É deixar que decidam e que avancem, em busca daquilo que querem.

É permitir que errem em águas serenas.

É estar atrás, pronta a agarrar quando já não há caminho.

 

Talvez por isso, ganharam confiança e aprenderam a voar atrás dos sonhos.

Embora eu, passadas quase duas décadas, continue apenas um passo atrás, em estado de prontidão. Afinal, a vida dos jovens quase que se resume a escolhas incessantes e nem sempre os trilhos conduzem ao melhor destino.

 

Ainda não tenho a certeza se é isto que é suposto ser mãe.

Mas pelo resultado, parece que não me saí lá muito mal.

 

3ª Face

 

 

 

 

19
Mar19

Fazer Anos, Por Entre, Saudades e Recordações...

Filipe Vaz Correia

 

O tempo voa, passa num pequeno pestanejar, como se fosse areia numa mão, vento por entre um momento, um singelo momento intemporal.

Cada ano que passa vamos perdendo pessoas, deixando para trás memórias, histórias, laços que se quebram, sem retorno.

Parece que se acalma silenciosamente a impulsiva vontade de correr, de viver intensamente sem parar, sem esperar, desesperando nesse receio desencontrado por um outro sentir.

O tempo passa, voa, entrelaça a alma pueril à sua idade real, à descoberta desse caminhar das nuvens por entre o céu, do viajar da água por entre o rio, do ondular das ondas no mar.

Caminhando sempre no mesmo sentido, sem regressar...

Como tenho saudades, de mim e dos meus, daqueles que hoje não se encontram a meu lado, nesse abraço perdido, que jamais voltarei a sentir.

Como tenho saudades dos cheiros, desses mesmos cheiros que um dia me pertenceram...

Como tenho saudades do escuro da manhã, de mãos dadas com minha Mãe a caminho do colégio.

Como tenho saudades das viagens para o Alentejo, das vozes carregadas de alma em cada ruela de Santa Luzia.

Como tenho Saudades de correr por entre os corredores da minha escola, sem temer o tempo, desconhecendo que cada pequeno instante, seria importante para mim.

O tempo passa, voa...

Por entre as vitórias e perdas de um destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

27
Fev19

Caneca De Sabores: As Favas Do Meu Alentejo...

Filipe Vaz Correia

 

Nenhum prato me faz recordar tanto de minha Mãe, como as suas maravilhosas Favas...

De certa forma, durante muito tempo, não gostava deste prato, para grande infelicidade de minha Mãe, que como boa Alentejana se orgulhava muito das suas Favas com Chouriço e Toucinho frito.

Parece que ainda consigo sentir o cheiro das Favas esvoaçando pela cozinha da nossa casa de Lisboa ou mesmo daqueles corredores no nosso Monte em Santa Luzia...

Parece que foi ontem.

Depois de sua morte, dediquei-me a pôr em prática as belas Favas à Alentejana, num estilo mais light, mas tentando resgatar o "velho" sabor.

 

IMG-20190221-WA0003.jpg

 

Ingredientes:

 

. 1Kg de Favas

. Chouriço

. Linguiça

. Toucinho Entremeado

. Malagueta

. Coentros

. Orégãos

. Azeite

. Vinho Branco

. Sal

. Folha de Louro

. Alho

 

Num tacho com água a ferver, colocar as Favas e deixar cozer um pouco, depois reservar essa água.

Numa frigideira aquecer o Azeite, para fritar o Toucinho entremeado à parte.

No tacho colocar uma Folha de louro com Azeite e Alho, acrescentar Sal e Orégãos, sem esquecer dos Coentros picados...

Após uns minutos, misturar o Chouriço e a Linguiça fatiada, deixando que os ingredientes se envolvam.

Misturar as favas, assim como, o Toucinho Frito e acrescentar o Vinho branco, envolvendo tudo com mais um pouco de Coentros...

Mexer bem e colocar a água reservada da cozedura das favas, criando assim um molho que envolva todos os sabores.

Tapar e deixar cozinhar.

Corrigir sabores e aguardar até que as Favas tenham uma consistência de acordo com o pretendido.

Por fim, acrescentar o resto dos Coentros, a Malagueta e Orégãos, para que sobressaia o seu sabor.

Experimentem mais uma receita da Caneca de Sabores, numa viagem pela Memória Alentejana de Minha Mãe.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

30
Jan19

Caneca de Sabores: Empadão de Arroz com Atum

Filipe Vaz Correia

 

 

Mais uma receita, mais uma Caneca de Sabores...

Um prato fácil e rápido de fazer, que me traz memórias da minha infância.

A primeira vez que comi um empadão de arroz com atum, foi no meu Colégio, feito pelas mãos da Professora Jesuína, que além de ser uma das Directoras do Colégio, era também minha Diretora de Turma, assim como, responsável pelo refeitório.

Um empadão de Atum delicioso, que fazia as delícias de todos os alunos...

Nesse dia cheguei a casa completamente rendido, implorando para que a minha Mãe o fizesse.

Claro que a minha Mãe, queridíssima Mãe, logo conseguiu a receita com a sua muito amiga Jesuína, passando a fazer este prato em nossa casa, para delícia desta, outrora, criança.

O tempo foi passando e adquiri o gosto por cozinhar, adaptando este prato às minhas inevitáveis invenções.

Aqui fica a receita:

 

. Arroz em quantidade para preencher um tabuleiro

. Um Pimento

. Coentros

. Orégãos

. Sal

. Uma embalagem de 200 Gr de Bacon

. Uma lata de Azeitonas

. Quatro latas de Atum em Azeite

 

IMG_20190126_220201.jpg

 

 

Fazer o arroz normalmente, enquanto isso, dispôr num tabuleiro o Bacon em pedaços, o pimento cortado em pequenas tiras,  misturar tudo com os orégãos e o sal a gosto.

Pôr o tabuleiro no forno a 200 graus e deixar alourar o Bacon e os pimentos.

Após o arroz estar pronto no tacho, retirar o tabuleiro do forno, passar o Bacon e os pimentos, já preparados, para um prato à parte.

Preencher o fundo do tabuleiro com Arroz branco criando uma cama para espalhar, por cima, o Bacon misturado com os Pimentos e os Coentros frescos em pedaços...

Adicionar as quatro latas de Atum, misturando com os restantes ingredientes.

Depois, tapar tudo com uma nova camada de arroz, camuflando na perfeição o recheio do empadão.

Por cima, acrescentar as Azeitonas da forma que melhor vos aprouver, no meu caso, é sempre de forma abstracta, como se pode comprovar.

Levar tudo para o forno, até que o Arroz e as Azeitonas fiquem dourados.

Experimentem e espero que gostem.

Receitas fáceis e rápidas, sem ciência mas com amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

16
Jan19

Caneca de Sabores: Os Esses Da Minha Avó...

Filipe Vaz Correia

 

Misturar letras com sabores, será a melhor maneira de descrever esta rúbrica no Caneca...

Todas as Quartas, o Caneca de Letras passará a ser, a Caneca de Sabores.

Adoro cozinhar, receber amigos e partilhar boas conversas acompanhadas por um belo repasto.

Não podia começar este espaço com outra receita, pois estes bolinhos fazem parte dos sonhos da minha infância...

Da pequenina Mariana, minha Mãe, da jovem Alice, minha Avó e de sua Mãe, minha Bisavó.

Por isso espero que gostem e experimentem os Esses de Azeite da Avó Alice, pois é uma receita fácil de fazer, artesanal e caseira.

 

IMG_20190116_003928.jpg

Ingredientes:

 

. 4 Ovos

. 1DL de Azeite

. 125 Gr de Açúcar

. Raspas de Limão a gosto

. Farinha com fermento

 

Preparação:

Juntam-se todos os ingredientes e bate-se muito bem.

Junta-se progressivamente a farinha até tender, ou seja, até conseguir formar os Esses, sem que estes se peguem às mãos.

Polvilha-se o tabuleiro com mais farinha e colocamos os Esses, mantendo uma pequena distância, uns dos outros.

Deixar repousar alguns minutos e depois levar ao forno bem quente.

Assim que estiverem "douradinhos", é devorar como se mais nada existisse.

Não esquecer de polvilhar as mãos com farinha, enquanto da feitura dos Esses para que estes não se colem às mãos.

Com carinho...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

14
Jan19

Amor de Mãe...

Filipe Vaz Correia

 

Estava a mexer em papéis, antigos, de minha mãe...

Minha querida Mãe.

Oito anos se passaram, oito tristes anos de saudade, ausência, eterno amor.

Oito anos que, por vezes, pareceram ontem, outras vezes pareceram uma eternidade.

No meio dessa busca, minha, por memórias, afagos perdidos, pedaços de algo que me pudesse reconfortar, nessa batalha constante contra a tamanha dor que se tornou presente.

Nessa busca, no meio da imensa confusão, papelada, esse pedaço de papel teu...

 

"Quando o dia nascer;

Acorda com coragem,

Crê em Deus, podes crer,

A vida vai "viver" uma nova viragem...

 

Ajuda, só de Deus;

Essa que irá chegar,

Olha com fé para os céus,

Que o sol te irá sempre brilhar...

 

Um beijo com amor;

Meu filho querido,

É com muito fervor,

Que sempre estarei contigo."

 

Por entre, uma soluçante vontade de te abraçar, escassearam as palavras, numa penetrante viagem pelas memórias tão minhas, tão nossas, que batem neste meu coração, tão teu, só teu, eternamente teu...

Obrigado Mãe!

Por tanto amor, por todas as lições que ecoam em mim.

Amo-te sem fim, pois sem fim foi esse amor que de ti sempre recebi.

Um beijo deste teu filho...

 

"Poesia da autoria de Mariana Vaz Correia"

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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