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Caneca de Letras

Caneca de Letras

02
Jun20

Uma Carta Numa Caneca... Para Ti, Minha Mãe!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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"Nenhuma outra imagem nos poderia representar tão bem"

 

Minha querida Mãe, mais um dia 2 de Junho longe de ti, não tão perto, nesta década que se completa onde a tua partida vai sussurrando essas saudades que se eternizam.

Palavras soltas que nos ligam, num amor sempre presente, nunca menor, intensamente marcado em nosso olhar.

Incondicional, incondicionalmente marcado nesse cordão umbilical nunca cortado, no toque das mãos, no colo presente, na voz que acalmava a minha desmedida rebeldia.

Nesse conforto aconchegante me senti em casa, nos teus braços, no regaço cantado por ti em meus imberbes dias, em todos os momentos, tão nossos...

As saudades que me invadem, todos os dias, não diminuem essa falta que sempre saltará de mim, em cada partilhar de recordação de minha alma.

Farias 85 anos...

Como estou mais velho querida Mãe, sendo que ao espelho, nesse espelho da memória, ainda se encontra o teu menino, esse que vias independentemente da idade.

Essa sensação de musicalidade na expressão, sempre buscando um caminho que me permitisse o sorriso, mesmo que nele contido pouco siso, mesmo que o mundo voasse em sentido contrário.

Foste tu que me ensinaste a amar, a sentir sem receio cada parte intensa de mim mesmo, sabendo que nesse pequeno eterno instante se poderia extinguir a imortalidade.

Um dia chegou...

A tua partida chegou e o céu se cobriu de cinzento, o mar revolto se acalmou, a brisa deu lugar a esse nada que se instalou.

Meu amor...

Parabéns.

Olharei para os teus retratos espalhados em minha casa e neles buscarei, como faço sempre, esse sorriso que tantas vezes me resgatou de tristezas, de contraditórias inquietações, desse caminhar da vida carregada de ilusões.

Obrigado por tudo...

Amor de minha vida.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03
Mai20

Para Mim, Todos Os Dias São Dia Da Mãe...

Filipe Vaz Correia

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Mãe...

Sentimento que busco no fundo de minha alma para descrever o que esta palavra me traz, o que resgata em mim.

Perdi, fisicamente a minha Mãe há 10 anos, num dia frio de inverno, no dia que marcou a chegada desse inferno.

Se por alguma razão tivesse que descrever a minha Mãe em uma palavra, essa seria certamente...

Incondicional.

Tão simples e singela escolha, sem hesitações ou timidez, somente esse amor tão desmesurado que sobra dentro de mim, que pulsa misturado com as saudades que não calam, se libertam, ofuscam a tristeza maior que subsiste em cada poro do meu corpo.

Amor...

Se fosse buscar a essência desta palavra, e para a descrever tivesse de encontrar uma imagem, seria a da tua mão ao encontro da minha, entrelaçando os dedos, apertando forte, tão forte como esse querer que ainda me faz chorar ao escrever, sorrir ao recordar, amar...

Amar...

Amar-te.

Mais do que nunca te agradeço por tudo, por esse tudo que me parece imenso, eterno, nosso.

Para os dias que correm, talvez esse teu amor fosse criticado, pelo incondicionalismo que sempre esteve presente, essa ligação que me fez voar através dos teus olhos, esse conforto maior que sempre buscaste para mim, essa palavra certa que me fazia sentir a pessoa mais importante do mundo.

Uns dirão mimo...

Eu direi amor, o teu amor que me construiu e me fez forte, determinadamente acreditando nessa certa, certeza, guardada nos teus poemas, na minha escrita esculpida nestas linhas carregadas de carinho.

Sabia que mesmo que o mundo estivesse ali do outro lado, contra mim, estarias a meu lado, sem questionar, de olhar meigo e confiante, enfrentando tudo e todos, à minha frente, por mim, sempre por mim...

Essa foi a diferença Mãe.

Esse foi o sentir maior que alguma vez invadiu minha alma, incondicionalmente.

Mesmo nesse fim, mesmo nos últimos instantes, as tuas palavras foram para me proteger, à tua maneira, ali firme, despedindo-te da vida e ao mesmo tempo tentando que esse jovem, homem, sofresse menos...

Mas como seria isso possível?

Nunca esquecerei...

Nada esquecerei.

Cazuza escreveu um dia:

"Quem não recebe o amor de Mãe fica "aleijado" para sempre..."

"E que só as Mães são felizes."

Não posso concordar com esta segunda parte...

Como filho, fizeste de mim o mais feliz de todos.

Obrigado meu amor...

Até ao dia do nosso reencontro.

Amo-te!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

21
Dez19

Poema De Um Filho (9 Anos De Saudade)

Filipe Vaz Correia

 

Volta tempo...

 

Volta tempo para trás;

Buscando as palavras perdidas,

As dores sentidas,

Lágrimas escorridas,

Por entre palavras,

Abraços e regaços,

De histórias e memórias,

Que não regressam...

 

Tantas vezes no secreto resguardo da noite;

Peço que voltes...

 

E por vezes;

Escondida nas entrelinhas de um momento,

Te revejo,

Ao longe,

Desnudadamente sorrindo para mim...

 

E sempre volta a realidade;

Esventrando a esperança,

Misturada querença,

De um órfão...

 

Pois é assim que me sinto;

Há nove anos...

 

Nove anos sem ti...

 

Minha Mãe...

 

Meu eterno amor.

 

 

07
Nov19

“Mães” Que Nunca O Deveriam Ser...

Filipe Vaz Correia

 

Estava agora a ver as noticias e não pude deixar de agarrar no teclado e escrever, escrevendo compulsivamente a raiva que em mim habita, nesse grito a gritar a tristeza que me invade.

Como é possível?

Mãe?

Não ofendam todas as Mães deste mundo, aquelas que abraçam todos os dias os seus filhos e aquelas que já não abraçando, vivem na memória destes eternamente.

Existem mães que nunca deveriam ter sido Mães.

Esta é a frase que me ocorreu, a primeira ideia que se acendeu ao ouvir as palavras, ao ver as imagens, ao me aperceber de quão baixo pode descer o Ser Humano.

Uma “mãe” que abandonou um recém-nascido num caixote do lixo, sem qualquer agasalho, numa zona escondida, abandonando aquele pequeno Ser a um destinado fim...

À morte.

Felizmente, este menino, foi salvo por um Sem-Abrigo...

Mãe?

Poderão dizer que ninguém sabe a vida daquela pessoa, que desconhecemos as motivações e o desespero, que existirão mil e uma razões para tamanha barbaridade...

Não aceito!

Aqui nem contesto o abandono, pois se quer abandonar que o faça, dependendo dos casos, até posso aceitar ser um acto de amor, desesperadamente por amor.

No entanto, se quer largar o bebé, então que o deixe à porta de uma casa, toque e fuja, que deixe dentro de um autocarro, que deixe num hospital, perto de uma esquadra...

Num caixote do lixo, afastado de tudo, sem qualquer tipo de agasalho?

Isto não é abandono...

É Infanticídio!

Existem “mães” que nunca o deveriam ser.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Set19

Poderia Ter Sido Diferente? Ainda Bem Que Não Foi...

Filipe Vaz Correia

 

Espero sempre que o telefone toque...

Que seja a tua voz que se encontra do outro lado, nesse encontro perdido e que amiúde me invade, buscando reencontrar o doce timbre de um aconchegante passado.

Olho pela porta entreaberta, por entre, as frestas da janela nessa imaginada procura que não chega, não chegará e que se perdeu sem compreender o tempo que o tempo traz e leva, resgata e afasta, mata e esventra, em cada pedaço do que fica na desprendida memória.

Como poderia ser diferente?

Vezes sem conta ligo para aquele número gravado na memória do telefone, ouvindo repetidamente aquele gravador, como se algo, por um segundo, se tivesse alterado, modificado, sendo diferente, nesse perder que ainda amarga e dói, queima e arde, esmaga e faz arrepiar.

Tenho saudades...

Por vezes esqueço, mesmo não querendo, pois o tempo na sua infinita crueldade, acaba por atenuar a dor, acalmar o ardor que constrói a solitária imensidão de um desesperado vazio...

Mas aqui regresso.

Como poderia ser diferente?

Como poderia?

Se de cada vez que respiro, o faço também por ti, se de cada vez que sorrio, o faço também contigo, se de cada vez que choro, contigo o faço no pensamento.

Se de cada vez...

Se de cada vez que te procuro e não te vejo, sei bem que foi verdade, a crua realidade de uma despedida eterna.

Mas mesmo assim continuo a procurar, a questionar, a tentar reencontrar cada momento marcante nesse destino partilhado, desencontradamente preciso.

Poderia ter sido diferente?

Se calhar não...

Porque foi intensamente perfeito.

Amo-te, minha querida Mãe...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

05
Mai19

Dia da Mãe: Um Dia Repleto De Amor, Saudades E Memórias...

Filipe Vaz Correia

 

Dia da Mãe...

Há oito anos que se desfez este dia, nesse celebrar presente, simplesmente, guardado em mim ou nessas memórias que me pertencem.

Já não compro presentes, nem vislumbro aquele teu sorriso ao receber com amor cada pedaço de querer que sempre te quis demonstrar.

Foi a minha Mãe que me ensinou a amar, em cada gesto dessa ternura sua, em cada toque vindo do seu mais entrelaçado sentir.

Olho para um frasco repleto de arroz, um pequeno frasco de arroz tingido de azul e rosa, com letras gravadas a tinta...

"Feliz dia da Mãe!"

Os beijinhos que encerravam essa mensagem, ali permanecem desde aquele dia em 1981...

Tinha eu 4 anos.

Claro está que a letra era da minha educadora, a querida Zita, mas marca, eternamente, esse saudoso amor que sempre em mim viveu...

Esse amor por ti.

Esse amor que continua a pulsar em mim, por ti, por nós.

Obrigado por tudo minha querida Mãe, neste dia tão especial...

Onde quer que estejas, talvez nesse céu estrelado para onde tantas vezes olho, buscando te reencontrar.

Beijinhos meu primeiro e verdadeiro amor deste filho que te ama, amará, infinitamente.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

22
Abr19

Quem Faltou Ao Almoço De Páscoa?

Filipe Vaz Correia

 

Páscoa...

A vida é passageira, imutavelmente passageira, levando com ela momentos, pessoas, abraços e carinhos, palavras e sentidos.

Nesta Páscoa, sentado à mesa de almoço, num momento familiar, não consegui deixar de recordar o que ficou para trás, aqueles que se entrelaçaram com as memórias perdidas do destino.

Neste dia senti falta de Santa Luzia, da casa de minha Tia, do Monte dos meus Avós.

A minha Avó Nininha, Avó Paterna, sempre foi uma referência para mim, por todas as razões e mais algumas...

Pelas suas agruras no fim de vida, pela forma digna e altiva como sempre as enfrentou, por esse amor que sempre me deu, mesmo que a rispidez fosse característica intrínseca da sua personalidade.

A sua relação com minha Mãe era tocante, como Mãe e Filha, num carinhoso acto de afecto, sem que, muitas vezes, isso pudesse ser visível, àqueles que a conhecessem menos bem.

Tenho saudades de cada palavra sua, em cada ensinamento seu.

Guardo de si as memorias mais calorosas, próximas, nessa forma de me fazer sentir especial, por entre, um olhar quase intimidante mas que era desarmado sempre que esse olhar, se cruzava com o meu.

Nesta Páscoa recordei sorrisos e gestos, por entre, os lugares vazios que não podem ser recuperados, guardando cada pedaço de saudade junto ao coração.

A vida é passageira, tão passageira como prazerosa, sobrando à alma juntar numa tela imprecisa todos os recantos de um caminho...

Repleto daqueles que nos ensinaram a amar.

E por falar em amor...

Como tenho saudades tuas, minha Mãe.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

18
Abr19

No Caneca Com... A 3ª Face!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Isto de ser mãe

 

A minha filha mais velha sempre adorou o mar. De tal maneira que cheguei a pensar que teria sido sereia noutra encarnação.

Mal se segurava em pé e já entrava na água como se fosse o seu mundo. Simplesmente avançava...

Um dia, em vez de a agarrar, coloquei-me atrás e deixei-a ir (quem conhece a Lagoa de Albufeira sabe que são águas paradas, sem perigo). Ela foi caminhando, segura e serena, e nem mesmo quando a água lhe tapou a boca e o nariz, quis recuar. Eu só a levantei quando sentiu a aflição de não conseguir respirar.

Não sei se aprendeu a lição mas eu aprendi.

Aprendi que ser mãe não é antecipar os perigos ou impedir certos percursos. Não vale a pena!

É deixar que decidam e que avancem, em busca daquilo que querem.

É permitir que errem em águas serenas.

É estar atrás, pronta a agarrar quando já não há caminho.

 

Talvez por isso, ganharam confiança e aprenderam a voar atrás dos sonhos.

Embora eu, passadas quase duas décadas, continue apenas um passo atrás, em estado de prontidão. Afinal, a vida dos jovens quase que se resume a escolhas incessantes e nem sempre os trilhos conduzem ao melhor destino.

 

Ainda não tenho a certeza se é isto que é suposto ser mãe.

Mas pelo resultado, parece que não me saí lá muito mal.

 

3ª Face

 

 

 

 

19
Mar19

Fazer Anos, Por Entre, Saudades e Recordações...

Filipe Vaz Correia

 

O tempo voa, passa num pequeno pestanejar, como se fosse areia numa mão, vento por entre um momento, um singelo momento intemporal.

Cada ano que passa vamos perdendo pessoas, deixando para trás memórias, histórias, laços que se quebram, sem retorno.

Parece que se acalma silenciosamente a impulsiva vontade de correr, de viver intensamente sem parar, sem esperar, desesperando nesse receio desencontrado por um outro sentir.

O tempo passa, voa, entrelaça a alma pueril à sua idade real, à descoberta desse caminhar das nuvens por entre o céu, do viajar da água por entre o rio, do ondular das ondas no mar.

Caminhando sempre no mesmo sentido, sem regressar...

Como tenho saudades, de mim e dos meus, daqueles que hoje não se encontram a meu lado, nesse abraço perdido, que jamais voltarei a sentir.

Como tenho saudades dos cheiros, desses mesmos cheiros que um dia me pertenceram...

Como tenho saudades do escuro da manhã, de mãos dadas com minha Mãe a caminho do colégio.

Como tenho saudades das viagens para o Alentejo, das vozes carregadas de alma em cada ruela de Santa Luzia.

Como tenho Saudades de correr por entre os corredores da minha escola, sem temer o tempo, desconhecendo que cada pequeno instante, seria importante para mim.

O tempo passa, voa...

Por entre as vitórias e perdas de um destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

27
Fev19

Caneca De Sabores: As Favas Do Meu Alentejo...

Filipe Vaz Correia

 

Nenhum prato me faz recordar tanto de minha Mãe, como as suas maravilhosas Favas...

De certa forma, durante muito tempo, não gostava deste prato, para grande infelicidade de minha Mãe, que como boa Alentejana se orgulhava muito das suas Favas com Chouriço e Toucinho frito.

Parece que ainda consigo sentir o cheiro das Favas esvoaçando pela cozinha da nossa casa de Lisboa ou mesmo daqueles corredores no nosso Monte em Santa Luzia...

Parece que foi ontem.

Depois de sua morte, dediquei-me a pôr em prática as belas Favas à Alentejana, num estilo mais light, mas tentando resgatar o "velho" sabor.

 

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Ingredientes:

 

. 1Kg de Favas

. Chouriço

. Linguiça

. Toucinho Entremeado

. Malagueta

. Coentros

. Orégãos

. Azeite

. Vinho Branco

. Sal

. Folha de Louro

. Alho

 

Num tacho com água a ferver, colocar as Favas e deixar cozer um pouco, depois reservar essa água.

Numa frigideira aquecer o Azeite, para fritar o Toucinho entremeado à parte.

No tacho colocar uma Folha de louro com Azeite e Alho, acrescentar Sal e Orégãos, sem esquecer dos Coentros picados...

Após uns minutos, misturar o Chouriço e a Linguiça fatiada, deixando que os ingredientes se envolvam.

Misturar as favas, assim como, o Toucinho Frito e acrescentar o Vinho branco, envolvendo tudo com mais um pouco de Coentros...

Mexer bem e colocar a água reservada da cozedura das favas, criando assim um molho que envolva todos os sabores.

Tapar e deixar cozinhar.

Corrigir sabores e aguardar até que as Favas tenham uma consistência de acordo com o pretendido.

Por fim, acrescentar o resto dos Coentros, a Malagueta e Orégãos, para que sobressaia o seu sabor.

Experimentem mais uma receita da Caneca de Sabores, numa viagem pela Memória Alentejana de Minha Mãe.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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