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Caneca de Letras

Caneca de Letras

09
Jan20

O Entardecer Em Lisboa

Filipe Vaz Correia

 

O entardecer...

Sentado na esplanada de um café acompanho o entardecer em Lisboa, esse cair de tarde que nos suspende e deslumbra, por entre, a fascinante luz da capital Lusitana.

O rebuliço das gentes não permite a muitos de nós esse apreciar que se impunha, pois as pessoas correm entre transportes, se aglomeram entre o percorrer do ponteiro do relógio...

Trabalhos para entrar, filhos para ir buscar, rotinas a cumprir que não esperam nem calam.

Aqui me encontro sentado...

Nos rostos marcados se buscam as preocupações e as alegrias, mãos dadas e finais de cena, luzes e mais luzes dos carros, luzes que parecem reinar e surgir à medida que o entardecer dá lugar ao anoitecer, esse escurecer tão certo como o trilho de um destino.

Volta sempre a cair a noite, volta sempre a raiar o dia, assim sucessivamente nesse entrelaçado mosaico de existência.

As decorações de Natal ainda brilham, mesmo passado o dia de Reis, numa despedida anual...

Gente e mais gente, sorrisos imprecisos e gestos desmedidos, correrias intermináveis e pedaços de melancolia, tudo se encaixa nessa passadeira carregada de riscos e rabiscos que marcam o dia a dia.

Assim neste entardecer pinto esta folha em branco, essa tela de vida que passa em meus olhos, por entre os olhar das gentes, que se cruzam com o olhar deste que vos escreve.

Num blog, neste Sapo, que mais do que relatos nos permite pincelar o quotidiano de cada um.

O entardecer...

O entardecer em Lisboa.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

15
Mar19

Selfie: O "Delírio" Popular?

Filipe Vaz Correia

 

Vinha eu caminhando por Lisboa, desde o Campo Pequeno até ao Corte Inglês, quando me apercebo de algo que me encanita de sobremaneira.

Desculpem lá mas eu até suporto os carros estacionados no passeio, as trotinetas e bicicletas que ameaçam me atropelar, vezes sem conta...

Até os desconcertantes paralelepípedos, fora do lugar, convidando a um entorse, me parecem coisa pequena, quando comparados com essa irritante alucinação em que se transformaram as selfies.

Em cada esquina, na beira do passeio ou no meio da estrada, lá se encontra alguma pessoa, alguém disposto a ser atropelado por uma bela imagem...

Seja uma selfie para o Instagram, Facebook ou WhatsApp.

Mas mesmo isto, eu conseguiria suportar, agora por favor não me incluam.

É que acima de tudo, se não queremos estar num porta retratos, de uma qualquer sala de estar da Suécia, Japão, China, França, Austrália ou mesmo no Cercal do Alentejo...

Então temos de parar, vezes sem conta, sorrindo ou rosnando, esperando que dispare a Selfie, para contentamento "orgasmático" da singela alma, diante de nós.

Haja paciência.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

04
Jan19

Vanessa E Dava: As Meninas Da Vodafone do Campo Pequeno...

Filipe Vaz Correia

 

O meu telemóvel resolveu despedir-se do mundo, após três anos de uma perfeita relação, entre nós.

Silenciou-se, num suicido esperado, devido aos "ferimentos" marcados em si, não me deixando esquecer as quedas e sobressaltos pelos quais passou.

Foi com tristeza e irritação que me apercebi de tal "destino" mas parti, mesmo irritado, em busca de uma solução...

Vulgo, comprar outro.

Essa parte dolorosa, de uma despedida, ficaria ainda marcada por inesperados contratempos que me levaram ao sublime desespero.

Comprei o telemóvel na Rádio Popular, convencido por um "asno", peço desculpa a todos os asnos, no entanto, o que mais me irritou foi ter-me apercebido desse singelo facto...

Se um "asno" me convenceu a comprar aquele telemóvel, o que dirá isso de mim?

Bem...

Poupem-me à resposta.

Mas o mote para escrever este texto, mais do que referir a falta de acompanhamento do empregado da Rádio Popular, é a indescritível simpatia e disponibilidade das "meninas" da Vodafone do Campo Pequeno...

As belíssimas Vanessa Sarah e Dava Lima.

Em primeiro lugar a simpatia, depois a disponibilidade, aliada a uma boa disposição e por último uma espécie de encantamento que fideliza o cliente, neste caso não tinha comprado o equipamento na sua loja mas mesmo assim recebi ajuda como se o tivesse feito.

Sem hesitações, fizeram o trabalho que o "asno" não soube fazer, ou seja, fizeram aquilo que não tinham de fazer.

Saí da loja com o telemóvel configurado, preparado para a primeira chamada, prometendo-lhes que aqui escreveria sobre elas.

Subscreveram o "Caneca de Letras", por acaso a Dava ainda não, mas cá a espero...

Minhas queridas, por tudo isto, um obrigado do tamanho do mundo, sem saber como descrever o quão impressionado fiquei com a vossa simpatia e carinho.

Assim, deixo-vos um beijinho imenso, com a certeza de que sempre que for ao Campo Pequeno, as visitarei, grato por toda a vossa atenção.

As queridíssimas Vanessa e Dava, são o melhor cartão de visita de uma empresa e a Vodafone bem pode se orgulhar destas suas "meninas".

Beijinhos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03
Nov18

Por Favor... Não Percam O "Material"!

Filipe Vaz Correia

 

O trânsito em Lisboa estava, hoje, um pandemónio...

Amoreiras, Marquês de Pombal, Marquês da Fronteira, enfim, um infindável labirinto de carros, de ruas cortadas e policias de trânsito.

Questionei-me o que justificava tal agitação, carros e tanques, aviões e soldados, armas à solta por esta Lisboa...

Elucidaram-me:

Uma parada militar, como há muito não se via, para as comemorações do Dia do Armistício.

Ok...

Mas o Dia do Armistício, não é a 11 de Novembro?

É...

Mas isso não interessa nada.

Milhares de soldados desfilarão por esta Lisboa, Portugueses e não só, num aperaltar das tropas, vociferando o orgulho militar.

A minha preocupação com o trânsito logo se alterou...

Armas, soldados, tropas, tanques e aviões, à solta por Lisboa, entregues a Instituições militares.

Meu Deus!

Por favor, cortem o trânsito, atrapalhem a vida do cidadão, aborreçam o dia a dia das pobres almas...

Mas por favor, contem bem as armas, façam um inventário dos aviões, saibam bem quantos tanques saíram para a rua, apenas para tranquilizar a minha inquieta pessoa.

Pois não me apetece descobrir, num qualquer telejornal, que desapareceu um  "pequeno" F16, pelos ares Lisboetas ou um tanquezinho, verde tropa, ali ao virar da esquina.

Somente isso...

Façam a festa, mas não percam o material.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

26
Set18

Lisboa: Milagres, Roubos, Turistas e Afins...

Filipe Vaz Correia

 

Sentado numa esplanada, no Areeiro, bebendo um café e uma água, como habitualmente, assisto a verdadeiros milagres que deixariam o mais descrente a questionar a sua perplexa perplexidade.

Parece ser ali que dezenas de Romenos e Romenas, estilo quadrilha, se reagrupam depois de um dia de "trabalho"...

Trabalho?

Coxos que subitamente trazem a muleta às costas, cegos que supostamente começam a ver, pernetas que num desconcertante momento recuperam as suas pernas, repetidos "milagres" que estranhamente não são estudados.

Nos dias seguintes se repetem as "enfermidades" e as respectivas "curas".

É caso para expressar a minha incredibilidade...

À mistura todos os dias parecem chegar novos telemóveis, carteiras e afins, provavelmente resultantes dos "peditórios" feitos por esta Fashion Lisboa que acolhe este tipo de gente.

Assim, recordei-me de um episódio do Toda a Verdade, reportagem da BBC em Paris, denunciando uma rede de ladrões que operava na Europa e que estava sediada na Capital Parisiense...

Parece que com a entrada da Capital Portuguesa no roteiro turístico mundial, se deslocaram para cá outro tipo de "investidores".

Enfim...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

25
Set18

Os Pombos E A Infinita Estupidez...

Filipe Vaz Correia

 

Se existe coisa que me irrita, verdadeiramente, são as pessoas que alimentam pombos à mesa de um café...

Tenho vontade de gritar para essas pessoas:

Porcalhões!

Os pombos são provavelmente um dos maiores transmissores de doenças, são assim como todos os animais, criaturas de hábitos e esta atitude permite que estes possam perder o receio e acostumarem-se a estar em cima das mesas na procura de algum alimento.

Para piorar...

Imagine-se o pobre cliente que se sentará ali, depois da "anta" que alimentou os pombos ter saído...

As mãos naquela mesa, depois no rosto ou na roupa, transportando consigo todo o tipo de bactérias inerentes a estes animais.

Querem alimentar pombinhos?

Façam-no, de preferência, à janela de suas casas ou então num parque público...

Não à mesa de um café!

Fico furioso com estes gestos e falta de educação, esta falta de higiene e civismo...

Mas enfim, a estupidez Humana não tem limites.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

10
Nov17

Alerta Taxistas: A Uber Quer Voar!

Filipe Vaz Correia

 

Para quem achava que a Web Summit não teria grande importância, aqui fica uma das mais relevantes revelações destes dias:

A Uber Air, experimentalmente em 2020 e plenamente a funcionar a partir de 2023.

Ora bem:

Não bastava aos taxistas, o facto destes tipos da Uber não pagarem o mesmo tipo de impostos, serem uma espécie de concorrência desleal, segundo os seus Sindicatos,  para ainda por cima, agora ameaçarem voar.

Não bastava o asseio dos carros, os motoristas engravatados, a rapidez e afabilidade, para agora os malandros quererem invadir os céus...

Em plena hora de ponta, hesitarão os clientes entre o eixo norte-sul ou o deslizar pelos céus de Lisboa?

Neste tipo de mundo tecnológico, é caso para dizer:

Qualquer dia, voar não será mais do que uma mera trivialidade corriqueira, com os céus pejados de mini veículos, cruzando incessantemente o horizonte.

O futuro a chegar e ninguém avisava os nossos Taxistas...

Ainda bem, que cá tivemos a Web Summit.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

14
Out17

Adeus Adolescência...

Filipe Vaz Correia

 

Estive na festa de anos de um grande amigo, um almoço descontraído, bem aproveitado, 40 anos de histórias e recordações...

Um dia de encontros, reencontros, pessoas que há muito havia perdido, nos havíamos desencontrado, neste labirinto chamado vida.

Por entre conversas e opiniões, uma me desarmou, deixou estupefacto, desarmadamente incrédulo, perante a memória dessa minha meninice:

- Fechou o T-Club!

- Fechou... Deixei sair de dentro da minha espantada alma...

Perdoem-me o desabafo, mas aqui vai:

Cresci em Lisboa, e parte dessa minha descoberta da noite alfacinha, foi feita no T-Club de Lisboa, nesses momentos guardados por entre os segredos de uma adolescência feliz, pejada de amizades, de vagabundas imagens.

Há muito que havia compartimentado o trauma do adeus ao T-Club de Lisboa, assim como ao Stones, no entanto, juro que jamais me passou pela cabeça, que seria possível o T-Club da Quinta do Lago ou a Trigonometria encerrarem...

Na minha mente isso era impossível.

Era impossível na mente e no coração, por tudo o que ali vivi, por tamanhas histórias guardadas de tantos de nós, que perfazem a minha vida.

Mas fechou...

Mostraram-me o leilão de coisas à venda na Internet, pedaços de memórias minhas, de histórias de outros, de vidas.

Como se atrevem a desarmar o meu passado, num futuro, que jamais adivinharia?

Como encerram, os amores e desamores que vivi na varanda da trigonometria, os momentos em que o mundo me pertencia, na pista do T-Club?

Naquele espaço guardo pessoas que estimo sem tamanho:

Meu Pai, Jaime, Manel, Zé Miguel, Bordini, Daniela...

Não esquecendo o meu querido Tio Jaime, com quem ali partilhei algumas das melhores histórias da minha vida.

Tantos e tantos momentos, encerrados numa frase, num momento, numa vontade dos tempos, em alterar o que jamais imaginei ser alterado.

Ficam as memórias, os tempos áureos, a saudade que ninguém poderá apagar...

Mesmo que tenha de, finalmente, dizer adeus à minha feliz adolescência.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

02
Out17

PSD: Pior É Impossível!

Filipe Vaz Correia

 

O PS e o CDS foram os grandes vencedores da noite eleitoral, o PSD e a CDU os grandes derrotados da mesma...

Vou-me concentrar no PSD por razões especiais e particulares, numa expectativa imensa de poder recuperar esse Partido que já foi o meu.

Pedro Passos Coelho trouxe o Partido até aqui, isolando-o, despedaçando o legado, a influência, a militante esperança que sempre norteou o destino do PPD/PSD...

Este rumo escolhido pela liderança Social-Democrata, esbarrou na vontade popular, na distanciação do Partido com os seus eleitores, dizimando sem memória, qualquer expectativa de continuidade desta desgastada liderança.

Pedro Passos Coelho parece, no entanto, querer esperar, aguardar para reflectir, ou seja, de maneira incompreensível arrastar este desesperante martírio, até ao congresso marcado para daqui a alguns meses...

O líder do PSD não compreendeu que o seu caminho findou, como não o havia compreendido há dois anos atrás, ao contrário de Paulo Portas, e assim insiste numa narrativa catastrófica para o centro-direita Português.

Pedro Passos Coelho é o principal responsável por este trágico resultado eleitoral, e caso não se demita as bases Sociais-Democratas terão a obrigação de tomar em mãos, o futuro político deste grande Partido...

Caso isso não aconteça, e ao invés tenham lugar os normais taticismos, por parte daqueles que continuam escondidos, então todos, mesmo todos, serão responsáveis pela vulgarização do Partido de Francisco Sá Carneiro.

É chegado o momento do confronto, das decisões, da disputa franca por uma liderança essencial ao futuro deste nosso País...

Portugal e o nosso destino, necessita de um PSD determinado, com um projecto alternativo, honesto e impregnado de uma esperança que devolva às pessoas, a vontade de acreditar numa alternativa credível a esta Geringonça.

Por todas estas razões, será impossível disfarçar a derrota eleitoral que o PSD sofreu, talvez a maior de todas, no entanto, poderemos olhar para este momento, como uma infindável oportunidade para reconstruir o futuro Social-Democrata...

Pois fazer pior, é impossível.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18
Set17

A Sondagem Do JN!

Filipe Vaz Correia

 

A sondagem do Jornal de Noticias, publicada esta Segunda-Feira, antecipa um cenário inesperado para Lisboa, mesmo tendo em conta a campanha eleitoral feita, em particular, pelo PSD...

Os resultados publicados confirmam a mais do que expectável vitória de Fernando Medina, muito aquém da herança deixada por António Costa nas anteriores Autárquicas, no entanto, muito perto da Maioria Absoluta...

Digamos até, que este será um problema inexistente para Medina, pois se teoricamente poderá perder a Maioria de que dispõe na Autarquia de Lisboa, na prática, com o resultado surpreendente desta sondagem, facilmente o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa fará um acordo que o possibilitará Governar, com a tão ambicionada Maioria Absoluta.

O CDS e a sua líder, serão se tudo correr de acordo com o JN, os grandes vencedores da noite, pois um resultado de 17% não só legitimará a liderança de Assunção Cristas, como lhe dará o papel de principal Partido da oposição, na Capital...

Estrondosa vitória.

Do outro lado, encontramos o PSD, sucumbindo ao desnorte com que planeou este processo Autárquico, revelando o abismo imenso suportado por esta liderança e os seus apaniguados...

Se o PSD tiver os tais 16%, que indica esta sondagem, e sinceramente não me custa a crer, isto revelará o estado miserabilista em que se encontra, ou seja, a perda de dimensão política na sociedade civil.

O percurso traçado por Pedro Passos Coelho, uma mistura entre o Trumpismo e o PNR, assegurará, caso os militantes não resgatem o Partido, um desaparecimento gradual na esfera de influência política, que sempre foi marca do PPD/PSD.

Teresa Leal Coelho é mais do que um péssima escolha, é o reflexo do pensamento ideológico de Pedro Passos Coelho ou o vazio intelectual que norteia este dito pensamento.

Esta derrota, talvez possa salvar o PSD, mostrando a todos o quão errado está este caminho, pelo qual o estão a levar.

Assim fazendo fé nesta sondagem, quase todos se salvarão, uns melhores do que outros e será certamente na direita, que os opostos mais se farão sentir...

Festa de arromba no Caldas e um Inverno rigoroso na Rua de São Caetano à Lapa.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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