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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Os Rabiscos Da Lembrança...

Filipe Vaz Correia, 05.02.19

 

Nas entrelinhas de uma história se escondem pequenos traços, por vezes imperfeitos, de passados entrelaçados, entrelaçadamente reescritos na pena da alma.

Nos espaços de um texto, ficam sabedorias perdidas, perdidamente desconhecidas, nas extremidades de verdades, rabiscadas ao vento.

Mas esses silêncios, gritantes gritos silenciados, justificavam cada letra, cada palavra impressa pelo punho de um escritor.

A folha em branco, confessora de tamanhos segredos, agiganta-se no tempo, por um instante, momento, jamais descodificando despudoradamente cada pensamento secreto.

Na história, de tamanhas memórias, soletradas sem querer, se avivam desabafos, se libertam os passos, de tão descompassado bater...

O bater de um coração, o bater da envergonhada alma.

Assim, sem querença, sem esperança, umas vezes despedaçada, outras vezes acalentada, sobrevive a folha de papel, imaculada, desbravada, aguardando que o tempo, peça permissão ao tempo, para que haja tempo, para tamanho pedaço de um destemperado rascunho...

Meio rascunhado, com os ténues rabiscos da lembrança.

A doce lembrança.

 

 

Filipe Vaz Correia