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Caneca de Letras

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20
Ago19

Bas Dost: A Nova Maçã Podre!

Filipe Vaz Correia

 

Bas Dost...

A nova Maçã Podre!

Estava esta manhã a preparar-me para mais um mergulho, quando sou surpreendido pelo comunicado do Sporting, ou seja, mais uma peça de autofagia, em que publicamente se demonstra, pela voz desta direcção, o rosto da nova Maçã Podre.

Depois de Moutinho...

Bas Dost!

É claro para todos que Bas Dost tem sido desvalorizado pela estrutura Leonina, os “mui” sábios Varandas, Beto, Viana e Keizer.

Disso não deve sobrar dúvidas a ninguém.

Agora o que faltava chegar para último acto, era esta tentativa de desqualificar Dost e o seu passado dentro do clube, tentando criar um cenário de antipatia para como o avançado Leonino.

Dost é um jogador especial, daqueles avançados que escasseiam no futebol moderno, vive da “bola” de antigamente, enquadrado num estilo que muitos chamarão de antiquado, preso a essa área, onde vive e respira.

No entanto, sabendo de tudo isto, deveríamos atender aos números para ser mais exactos e esse facto recorda a qualquer um, a excelência do seu jogo, a precisão dos seus apontamentos.

Dost é um matador, um executante dos melhores que passou por Alvalade, certamente dos que passarão por cá e que mesmo nos maus momentos, e de facto foram inenarráveis, soube sempre levar o leão que sustenta ao peito com a dignidade que se lhe exigia.

Assim, olhando para esta polémica, poderemos escolher dois caminhos:

Acreditar no comunicado do Sporting, nessa história que tenta desacreditar o jogador aos olhos dos adeptos, como anteriormente fizeram com Nani ou Matheus.

Ou por outro lado...

Atentar ao padrão, compreendendo a pouca sapiência de quem nos lidera, aqueles que caminhando rumo ao fim de ciclo, queiram ou não, arrastam o clube através das suas incompreensíveis decisões.

Esta Maçã Podre cheira mal...

Muito mal.

Infelizmente, ganhou as eleições.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

27
Jan17

Francisco Geraldes: O Menino Que Tem Asas Nos Pés!

Filipe Vaz Correia

 

Que jogo!

Francisco Geraldes fez ontem aquilo que dele sempre esperei, com a classe e o talento que todos lhe deveriam reconhecer.

O Xico tem a marca da academia de Alcochete, essa formação leonina que tanto e tantos encanta, pela qualidade dos meninos tornados jogadores por entre os relvados daquele mágico local.

Quando o vejo em campo, recordo-me de Andrea Pirlo, fazendo-me regressar no tempo, ao Inter de Milão, onde um jovem menino com o número 10 nas costas, mostrava ao mundo o seu indescritível talento...

Uma capacidade de ler o jogo, fora do normal, rara, tratando a bola com um tal carinho, que acabava por a aprisionar, numa mistura de amor e classe que seduziram durante décadas Milão e Turim.

O Xico é assim, sabe onde a bola vai cair, antes dos outros, sabe onde meter a bola, antes de todos os outros, sabe o que fazer com ela, antes mesmo de esta o sonhar.

Xico Geraldes não é um João Mário, não é um Adrien Silva, não é um Gelson Martins, é talvez uma mistura de todos eles...

O Xico tem a visão de jogo de João Mário, a intensidade e entrega de Adrien Silva e o repentismo para tirar uma finta inesperada, no momento mais inapropriado de Gelson Martins.

O Xico é diferente de todos eles, arrisco dizer, é o melhor de todos eles.

As asas que parecem estar presas aos seus pés, qual guarda pretoriana, dão vida a momentos únicos, de sonho, do pé direito ou de pé esquerdo, conseguindo num instante, transformar com um toque, num simples gesto, um banal movimento, num súblime pedaço de arte...

Neste regresso a casa, espero que Jesus perceba que pode estar nele parte da solução, para resolver os males deste enfadonho Sporting.

Se Geraldes fizer o que João Mário fazia na época passada, o meio campo leonino valerá o dobro do que vale neste momento.

E já agora vejam Podence, Matheus, Palhinha e outros, sem receio de neles apostarem, pois serão sempre melhores do que esses pedaços de nada, pagos a peso de ouro, resgatados a um qualquer clube argentino de meio da tabela.

Apesar da juventude, Dani Bragança, Pedro Marques ou Miguel Luis são também eles meninos, para os quais se deve olhar, sem o receio de neles apostar.

Se o fizermos estaremos mais perto do nosso objectivo.

E assim com essas asas presas aos pés do Xico, permito-me sonhar e regressar aos tempos em que o jovem Pirlo encantava as bancadas do Giuseppe Meazza.

 

Boa sorte Xico Geraldes, um leão de sempre.

 

Filipe Vaz Correia

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