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Caneca de Letras

Caneca de Letras

08
Jan20

Retaliação Iraniana Ou O “Início” De Um Conflito Histórico?

Filipe Vaz Correia

 

O Irão resolveu começar a sua retaliação à morte do General Soleimani, atacando uma base militar no Iraque onde se encontram soldados Americanos.

A base de Ain Al-Assad serviu de alvo a uma vingança prometida pela liderança Iraniana, dando seguimento a uma escalada bélica iniciada pelo erro Americano aquando da morte de Soleimani.

Se deste ataque resultarem mortos Americanos estará desenhado o cenário de catástrofe resultante desta "estúpida" brincadeira.

Sejam rockets ou mísseis balísticos todo este cenário nos leva a crer que o Médio Oriente e o Mundo estão agora presos em suspense às mãos irresponsáveis de um e de outro lado.

Enquanto escrevo este artigo vou recebendo informação...

Possíveis baixas Americanas em uma base, aviões Americanos levantando de uma base na Arábia Saudita, naquilo que poderemos chamar de uma ofensiva em larga escala.

Parece que podemos estar a reviver a primeira noite da invasão ao Iraque nos anos 90...

Nuno Rogeiro, sempre ele, alertando, avisando, noticiando...

Parece que Donald Trump deixará o seu legado na História...

Infelizmente, um legado da mesma dimensão da sua reconhecida e boçal estupidez.

Mais uma noite negra em pleno Golfo que certamente atingirá o Mundo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

31
Jan17

As Crianças de Mossul!

Filipe Vaz Correia

 

Em Mossul, no Iraque, estão neste momento 350 mil crianças encurraladas, numa cidade cercada, à mercê do Daesh ou de artilharia pesada da coligação nesta batalha sem honra que já dizimou Milhões de pessoas.

O mundo está de facto perdido...

Ao ouvir esta notícia, admito que tive de a rever para acreditar e não pude deixar de me questionar se algum dia, aprenderemos algo com os ensinamentos da história.

O que poderá ser mais importante, do que, este facto?

O que poderá valer mais a pena, do que, estas 350 mil crianças...

350 mil!

Mais ou menos a população de um país como a Islândia.

O que mais me aterroriza, é que no quadro político, populista, do mundo de hoje, parece que existem valores superiores a um drama como aquele que se vive em Mossul...

Muros e expulsões, raças ou religiões, ocupam hoje as prioridades desconexas deste novo tempo, transformando-se aos olhos de muitos, como as razões para as clivagens existentes nas mais variadas sociedades ocidentais.

No entanto, não consigo parar de pensar naqueles meninos e meninas aprisionados em Mossul:

Fechem os olhos e imaginem um prédio escuro, sem eletricidade, numa noite fria numa ponta do Iraque...

Imaginem os olhos temerosos de cada um daqueles meninos, enquanto as bombas caem, enquanto as carrinhas do Daesh varrem a cidade e estas crianças escondidas, perdidas, tentam respirar...

Tentam sobreviver.

Não existe política sem esperança, sem humanismo, sem futuro e que futuro estaremos a construir deixando estas pequenas pessoas de amanhã, abandonadas e entregues ao nada...

Ao desesperante medo de morrer.

Quero acreditar que será possível ter esperança e que como nos filmes, existirá sempre um final feliz, no entanto, olhando para o ecrã da minha televisão, começa a ser difícil...

Mas continuo a acreditar.

Que Deus vos proteja, Meninos de Mossul.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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