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Caneca de Letras

Caneca de Letras

14
Abr20

Avé Maria

Filipe Vaz Correia

 

Amarga amargura que te moldas em mágoas,

palavras separadas em tempos de tristeza,

sábias e cicatrizadas feridas que não calam,

marcam compassadamente os mortos,

os rostos apagados, esquecidos, remarcados,

por entre lágrimas secas de outrora,

no alto mar tempestuoso de uma vida,

tantas vidas redesenhadas.

 

No meio da dor,

essa espécie de orfandade de sentimentos,

sobrevive a angustiada expressão incógnita,

esse ardor desesperado numa mistura,

mescla ardente do vazio que sobra,

transborda em prantos,

por todos os recantos da Humanidade.

 

Já não sei escrever, expressar por palavras a confusa obliquidade,

esse adeus profundo a uma realidade,

que desvaneceu.

 

Oiço ao longe o ressoar daquela voz,

solitariamente só na Catedral Duomo,

na Praça de São Pedro,

nas ruas deste mundo despido,

desnudado, ferido.

 

Avé Maria...

 

Avé Maria...

 

 

 

 

31
Mar20

Dúvidas Em Tempos De Pandemia...

Filipe Vaz Correia

 

Umas vezes sobram palavras, outras vezes escasseiam silêncios, umas vezes distribuem-se abraços, outras vezes desaparecem os afectos, umas vezes nos inundam de sorrisos, outras vezes nos circundam as lágrimas, umas vezes...

De tantas e tantas vezes o mundo palmilha dias e noites, sempre em andamento, caindo bombas e sobrando gritos em soturnas temporadas de medo.

Noites escuras que encobrem os dias, os fazem cinzentos, tristonhos, mas sempre do outro lado do horizonte se prometem as alvoradas que ameaçam findar com as trevas.

O mundo avança...

Mesmo que silenciosamente, distante, sufocando com a intransigente  ausência das gentes.

Como fazer diferente?

Nada mais faz sentido, nesse sentir que se instala, por entre, estádios vazios, igrejas cerradas, estradas despidas e ruas silenciadas...

Já não sorriem os meninos de manhã, a caminho da escola, já não buzinam os atarefados senhores que correm para o trabalho, nem aceleram os autocarros e comboios apinhados de gente.

Já nada parece igual...

Nada parece ser igual.

Neste entrelaçado caminho que nos une, pretos e brancos, ricos e pobres, muçulmanos e cristãos, de todas as crenças, géneros ou pátrias...

Nada nos separa diante deste medo maior, deste flagelo imenso, desta Pandemia que chega e nos reduz à nossa singela insignificância.

Somo pequenos diante da Mãe Natureza e dos seus caprichos...

Tão pequenos que num instante somente a quarentena nos poderá valer da ameaçadora devastação.

Que iremos vencer ninguém dúvida...

Mas se iremos aprender com tudo isto?

Disso já sobram dúvidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

19
Fev20

Portugal: Uma História Carregada De Cores!

Filipe Vaz Correia

 

O primitivo sentir que por vezes vem ao de cima...

Nesta polémica de Marega, assim como em outras ao longo dos tempos, se separam as águas, saltam ao de cima princípios e valores, características civilizacionais.

Um grande amigo disse-me:

É uma questão de empatia como Ser Humano, consegues ou não te colocar na situação do outro, imaginar o que terá sentido o "tal" de Marega.

E tem toda a razão.

Alguns dizem ou escrevem que o rapaz é mesmo parecido com um macaco e que outros em similar situação tomaram atitudes diferentes ou não tiveram o mesmo tipo de solidariedade.

Enfim...

Justificações gerais, para escapar da situação concreta.

Recuso o argumento de que Portugal é um País racista, recuso de forma veemente, pois a nossa História e cultura tem muitas provas desse caminho construído por várias raças, com várias cores, num quadro intemporal de riqueza e deslumbre.

Claro está que neste percurso momentos bons se mesclaram com outros menos bons, no entanto, olhando para a pintura quase milenar, teremos de abraçar o legado Lusitano como uma magnífica História de inclusão e globalidade.

Dito isto...

Em Portugal existem racistas, como em todas as partes do mundo, racistas Brancos e Pretos, Ciganos ou Amarelos,  Vermelhos ou de outra raça qualquer.

E todas essas formas de preconceito são absolutamente repugnantes.

Numa sociedade que vive o trauma Ventura/Joacine, irmãos no mediatismo, capazes de tudo para se alimentarem das clivagens na nossa sociedade, este tipo de casos permitem o vociferar de alguns em nome das suas intrínsecas frustrações.

Cabe a todos os que acreditam no lado Humano da nossa espécie, esta que sendo colorida é também rica em laços de fraternidade, saber afastar os que se alimentam destas fracturantes questões para se sentirem um pedaço melhor.

Vale sempre a pena não sucumbir ao boçalismo, a esse estranho ódio que se instala e em outros momentos da História levou a Humanidade por caminhos de terror.

O que importará gritar é a indignação nestes casos, os Maregas pretos num campo em Guimarães, os Maregas encarnados na recôndita Amazónia, os Maregas amarelos nas montanhas do Tibete ou os Maregas Brancos na África do Sul ou no Zimbábue...

Todos são vítimas de um boçal e repugnante sentir.

Deste nosso País sobrará o orgulho de quase em uníssono, Quase, se ter levantando a voz da civilidade de um Povo contra os ignorantes urros de alguns...

O nobre Povo Lusitano.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

29
Out19

E Esta, Hein? Somos Todos Primos...

Filipe Vaz Correia

 

Há muito que cientistas concluíram que o Homem moderno havia nascido em África faltando, no entanto, aprofundar o local exacto para essa afirmação.

Pois bem, chegou esse tempo.

Então não é que se descobriu que o berço da Humanidade fica ali para os lados da Namíbia, quase a chegar ao Zimbabué, nas margens do Rio Zambeze.

As coisas que descobrem...

Um estudo publicado na revista científica Nature, afirma que conseguiram isolar o gene descodificador do berço da Humanidade, desnudando assim a razão para tamanhas “históricas”  desavenças.

Descobriram que somos todos “Família”.

Parece, segundo o mesmo estudo, que descobriram o gene fundador de todos nós, proveniente de marcadores genéticos maternos do tempo dos Homo Sapiens Sapiens, 200 mil anos, e que regista um antepassado comum a todos os Homens, de uma tribo denominada Khoisan.

Devido às alterações climáticas, já nesse tempo, tiveram que iniciar deslocações, actualmente denominado de refugiados, buscando novas terras e uma nova vida.

"E esta hein?" Citando o queridíssimo Fernando Pessa.

Somos todos primos?

Parece que sim...

Ora isto fará de si, meu caro leitor, primo ou prima do Cristiano Ronaldo, assim como, de Donald Trump ou do Pablo Escobar, da belíssima Sara Sampaio ou de José Sócrates...

Credo!

Bem...

Assim fica, também, provado que nem tudo é mau mas nada é exactamente perfeito.

Nunca uma conversa em família teve tanta propriedade como após esta esplendorosa descoberta...

Afinal todas as conversas são em família.

Um bem haja.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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