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Caneca de Letras

Caneca de Letras

24
Ago19

Casas de Banho: O Grito Libertário De Género?

Filipe Vaz Correia

 

De facto as polémicas não findam...

Desta vez o País está em polvorosa por causa de géneros e casas de banho.

Nada mais adequado para um Agosto entre museus e greves, campanhas pré-eleitorais e futebol.

Segundo percebi, e nem sei bem se percebi, esta lei visa libertar jovens transgénero do jugo opressor do desconforto, dessa humilhação de terem de frequentar uma casa de banho para a qual não estão identificados.

Muito bem...

Há anos atrás vi um documentário do 60 minutos, onde abordavam este tema e a forma como na Tailândia tratavam esta temática, desde cedo criando casas de banho próprias para o 3º sexo.

3º sexo...

Era assim que identificavam este tipo de crianças e adolescentes nesse programa.

Nessa altura achei muito estranho todo o processo, assim como, a forma como esse debate me parecia ser feito, mesmo assim absorvi e tentei perceber o alcance de tal medida.

Nos dias que correm, olhando para esta lei aprovada pelo Governo, já não sei se os Tailandeses não estavam cobertos de razão.

Sei bem que muitos gritarão com esse lado dramático de quem vive estigmatizado num corpo que sente não ser o seu, que essa realidade os obriga a viver dentro de um espartilho, onde a sua identificação de género trai a sua própria percepção.

Agora o que não entendo é esta solução meio à lá carte.

Como se sentirá uma menina, quando um rapaz, sei que será supostamente transgénero, lhe entrar pela casa de banho adentro, num resgatar da sua liberdade de género?

Ou um menino numa situação inversa?

E quem definirá esse estatuto transgénero?

Questões que certamente os “entendidos” nesta lei me saberão esclarecer...

Deixemos começar o ano lectivo e esperemos para observar o que desta lei resultará.

De uma coisa estou convicto...

O caminho da Humanidade deverá ser de inclusão e integração de todos, sem excepção, no entanto, com atenção para no meio desta revolução evolutiva, não nos perdermos por entre exageros populistas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

14
Fev19

No Caneca Com... Robinson Kanes!

Filipe Vaz Correia

 

A Chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.
Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".
 
Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".
Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual "hype", são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham. São também as mesmas que vivem infelizes no sexo e que até já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.
 
Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá "likes" e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e pseudo-solidário.
 
Mas quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status?
 
Sim... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é "cool" ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!
 
As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (e muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria e, portanto... Muito se fala da questão dos filhos. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 
 
Será crime dizer que não se quer ter filhos porque se quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas as pessoas que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar.
 
Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revela toda a sua desumanidade e tornam-se portante, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia. 
 
Andamos muito atentos e participativos nos "hypes" das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver.

 

030.jpg

Fotografia da autoria de Robinson Kanes

 

Robinson Kanes

 

 

 

 

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