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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Quantas Vidas Tem Um Amor?

 

Por vezes a vida escreve por nós o guião, mesmo que tenhamos a ilusão que não...

Que somos nós quem a redige, que é nossa a pena que traça as decisões de um momento, o olhar que se dirige por entre o horizonte.

Os encontros que se aproximam, programadamente ilusórios, de um destino que a muito custo tentamos amarrar aos planos imaginados da pequena alma.

No longínquo passado pejado de escolhas, mora a incerta dúvida que um dia se apresentou, a certeza intermitente que pareceu acertada, a convicção que somos senhores desse destino, tão nosso.

Mas não...

Por vezes não!

Por vezes e só por vezes, chove sem parar, desaba em nós a duvidosa expressão da alma, entrelaçada com a tristeza imensa que parece eterna, somente eterna, para sempre eterna.

Outras vezes, ela se atenua, essa mesma tristeza que desvanece, por entre um sorriso que se encontra ao virar de uma esquina, num reencontro desconhecido, naquele olhar repetidamente irrepetível.

A mesma empatia de sempre, mesmo que esse sempre, seja inexplicável, de tempos em que a memória não alcança, pois não consegue regressar ao lugar, onde se esconde o derradeiro enigma...

A vida!

Todas as vidas!

Cada vez que a morte reclama esse fim, que resgata para si todos os encontros de uma existência, se apagam na dor os pedaços desencontrados, desses mágicos momentos, onde se amou perdidamente...

Onde perdidamente se amou.

Mas por vezes, poucas as vezes, ultrapassando a razão que insiste em se afirmar, deixando para trás a noção terrena de finitude, se desamarra a imaginação, se liberta do universo a velha chama e se reencontra uma pequena parte de mim, que foste tu...

Ou uma imensa parte de ti, que um dia, me pertenceu.

Nesse momento, mágico instante, volta a fazer sentido o inexplicável olhar, a inacreditável dimensão da alma, sem se explicar, pois não tem explicação o que para lá da razão se encontra.

E apenas o amor...

O raro amor, poderá compreender o que se esconde por entre as nuvens do tempo.

O intemporal tempo, de tão infindáveis destinos...

Do nosso infindável destino. 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Consigo...

 

 

 

Consigo sentir-te;

Discretamente distante,

Nas asas do vento,

Contando a história,

Que há muito,

Nos uniu...

 

Consigo vislumbrar,

Esses dias,

Ausentes pinturas,

De um tempo,

Perdido...

 

Consigo descrever;

Em cada palavra,

A dor e mágoa,

Que sobreviveu,

Por nós...

 

Consigo sorrir;

Mesmo querendo gritar,

Consigo fugir,

Querendo esperar,

Por ti...

 

Consigo tanta coisa;

Que não pensava conseguir,

Guardar dentro de mim,

Todas aquelas letras,

Que outrora,

Foram nossas...

 

Consigo;

Contigo!

 

 

 

 

Amor De Mãe!!!!!!

 

 

 

Como explicar ao coração;

Que chegaste e partiste,

Amargurada razão,

Que em mim subsiste...

 

Como lidar com esta dor;

Esta complexa forma de amar,

Este vazio transformado em ardor,

Que parece não mais acabar...

 

Porque meu filho sempre serás;

Pois tão breve foi a nossa eternidade,

O teu nome em mim viverá,

Assim como esta eterna saudade...

 

E partindo tristemente assim;

Este pequeno menino que amo,

Este filho que desejei sem fim,

E que para sempre me pertencerá...

 

Porque a morte;

Nunca será tão forte,

Como o meu amor,

Por ti.

 

 

Estranha Maneira De Amar!

 

Estranha maneira de sentir;

De correr e fugir,

De não enfrentar e partir,

Esse receio de ferir...

 

Temido ardor;

Que invade num torpor,

Num instante, temor,

Arrebata, arrebatador,

O nosso eterno amor...

 

Eternamente aconchegante;

Ilusão tão distante,

Do que um dia hesitante,

Ficou para sempre arrepiante...

 

Sem saber como escrever;

Deixei o tempo descrever,

Nos céus a chover,

As lágrimas a escorrer,

Pelo meu triste rosto...

 

E talvez um dia;

A tristeza vire alegria,

A solidão,

Como que por magia,

Se transforme novamente,

Nessa estranha maneira,

De amar...

O Cão do meu Avô...

 

Quantas vezes terás de correr;

Para encontrar aquele dono,

Esse receio de esquecer,

Uma imagem, um sonho;

Um amigo...

 

Quantas voltas terás de dar;

Para perceber que se foi,

Que acabou por morrer,

Aquele afago ao entardecer,

Aquela presença a aquecer,

Esse pedaço da tua alma...

 

Desespero ou loucura;

Entre um latido, soluçar;

Um olhar de ternura,

Que acabará por encontrar,

A derradeira resposta...

 

Fidelidade sem preço;

Nessa palavra ou amor,

Buscando esse pedaço de apreço,

Que se tornou nessa amizade...

 

Era assim o cão do meu avô;

Que tentou vencer a morte,

Desse dono que sempre amou,

Até à eternidade...

 

E nessa eternidade certamente reencontrou;

Aquele amigo de sempre.

 

 

 

Eterno Amor

 

Já não vejo nesse olhar;

Essa luz que outrora me queria proteger,

Esse amor a gravitar,

Esse sol sempre a nascer...

 

Já não consigo cantar;

Essas letras que compunhas,

Nesses sonhos a recordar,

As nossas viagens...

 

Ninguém pode imaginar;

A falta que me fazes,

E que insisto em procurar,

Mas que não existe mais...

 

Porque nessa aventura;

Que se perdeu...

 

Nessa ternura;

Que desvaneceu...

 

Nessa estranha loucura;

Tão nossa,

Tão pura,

Algo mudou...

 

E assim sem regressar;

A esse tempo que tanto quero guardar,

A essa tristeza hoje a morar,

Nesse coração que já foi teu...

 

E que agora;

É somente meu.