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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Pijamas Riscados

Filipe Vaz Correia, 12.11.21

 

 

 

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Sempre que via um comboio a partir;

imaginava esse mundo

descobrindo sem fugir

esse longínquo e profundo

desejo de sentir

o meu ausente destino...

 

Sempre que abriam os portões;

daquele campo maldito

imaginava os corações

daqueles interditos

olhares que me fugiam

dos que um dia imensamente amei...

 

Sempre que chegava o amanhecer;

desconfiado caminhava

querendo adormecer

na esperança que em mim habitava

de que poderia ser diferente...

 

Ia seguindo amordaçado;

amordaçando a alma já cansada

presa num corpo desanimado

àqueles pijamas riscados...

 

Assim, em cada partida;

a cada fuga perdida

em cada dia, ferida

ia se aproximando a minha vez...

 

E aí descobri que me haviam roubado tudo;

até a esventrada esperança

mas que apenas eu

era o dono da minha alma!

 

 

 

 

 

 

 

 

A Vida Da Gente...

Filipe Vaz Correia, 30.03.20

 

Lisboa vazia, sem cores ou rostos, sem alma, com as almas escondidas em casa, carregada de medos, medos justificados, que servirão de salvação no meio de tamanha Pandemia.

Os cheiros deram lugar à inodora solidão, ao insonso e desnudado confinamento que nos circunda.

Queira Deus que nos protejamos, que passe este tempo, parado tempo que suspende a vida, as vidas, encontros e desencontros que nos constroem, nos moldam.

País e filhos afastados, avós e netos à distância, amigos separados nesse desfasamento pouco Humano.

O que fazer?

O que fazer a não ser insistir?

Insistir sem olhar para trás, de portas trancadas, janelas fechadas para o mundo, esperando, esperando, esperando...

Como iremos sobreviver e sorrir no pós Pandemia?

Como soletrar ou trautear uma melodia quando os dias voltarem a ser corridos, a agitação rotina, o querer livre?

Nestes tempos até escrever é triste, até sonhar custa, até expressar a singela alma parece infinitamente distante.

Estou cansado...

Cansado mas firme, triste mas esperançado, enclausurado mas esperando o tempo onde possamos todos ousar voar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A Busca Poética

Filipe Vaz Correia, 25.02.20

 

Não busco o sol

nem a sua abrasadora verdade,

Não busco a lua

nem a sua secreta saudade...

 

Busco o olhar que se perdeu

as mágoas por contar,

Aquela ilusão que desvaneceu

 desvanecendo o triste amar...

 

Busco as entrelinhas de um poema

na entrelaçada emoção,

Busco os fantasmas nesse dilema

Teorema ou equação...

 

Busco tanto e tão pouco

viajante desesperado,

Busco esse lado louco

na melodia do exagerado...

 

Busco letras e palavras

pedaços de contradição,

Amarras intemporais

Memórias sem paixão...

 

Busco e volto a buscar

sem saber descodificar,

O delírio de encontrar

essa parte de mim...

 

Sem volta.

 

 

“Ode” Aos Inesquecíveis Amores... Que Ousaram Se Eternizar.

Filipe Vaz Correia, 25.10.19

 

Tantas vezes sorri, perdidamente sorri, como se nada mais fosse importante, suficientemente importante para me esquecer desse pedaço de destino, onde timidamente me perdia em ti, por palavras, silenciosas palavras que decifravam cada entrelinha disfarçada nesse sentir que traduz o que escondido reluz, aquilo que importando se apaga, por entre, o espalhafato do quotidiano.

Foi assim...

Foram tantas vezes assim que se tornou pele e sangue, parte indisfarçável de um texto desconexamente sofrido.

Sofrimento, esse grito melodioso, que nos amarra, esmaga, que tantas vezes se agiganta como uma onda sem fim, cobrindo o horizonte e ligando o mar e o céu, num quadro poético, incapaz de ser descrito.

Tantas vezes a turbulência me tomou de assalto, me quebrou num pranto, nesse espanto que chegava e partia, desnudava e cobria, gritava mesmo que sem palavras...

Como explicar?

Como descrever o que, um dia, tão forte se fez sentir...

Esse bater do coração em tua presença, esse acelerar na tua ausência, descompasso de um compassado poema.

Pouco importará, nesse tempo futuro, se se perdeu cada toque e promessa, se desvaneceu cada eterno sentir que parecia inexpugnável...

Nada importará, nada mais do que cada memória amarrada a esse amor, tão imenso e intenso, capaz de resistir até mesmo ao seu fim.

Pois o fim, mesmo chegando, só é capaz de exterminar o que verdadeiramente se esquece...

E este amor será eternamente inesquecível.

Como sempre foi...

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A Finita Infinitude De Um Amor...

Filipe Vaz Correia, 17.10.19

 

Não sobrevive a canção;

Nem o nobre poeta,

Não escreve a imaginação,

Aquela letra certa,

Capaz de dar emoção,

Àquela parte deserta,

Que sobrou...

 

Mas porque insistes;

Em caminhar?

 

Porque resistes;

A esse renegar?

 

Porque persistes;

Nesse porfiar?

 

Talvez um dia ao clarear;

Sem mais nenhum pormenor,

Se descubra que partiu,

Esse pedaço de ardor,

Que outrora coloriu,

Um desmedido amor...

 

Tao desmedido como finito.