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Caneca de Letras

Caneca de Letras

18
Set17

A Quadratura Do Círculo De Mário Centeno!

Filipe Vaz Correia

 

Mário Centeno prometeu esta noite um desagravamento fiscal para todos os contribuintes Portugueses, neste próximo Orçamento, que se avizinha uma espécie de batalha num cenário conflituoso, de uma negociação improvável.

Muitos afirmam que este será o mais complicado de todos os Orçamentos, acredito que sim, afirmam ainda que este será o verdadeiro teste a Centeno...

Tenho a certeza de que será.

O trajecto económico Português está longe de ser brilhante, apesar da euforia evidente em certos sectores da Geringonça, e por essa razão, torna-se extremamente fundamental a posição intransigente do actual Ministro das Finanças.

Centeno foi desde o inicio da Legislatura um dos elos mais fracos deste Governo, enlaçado por entre polémicas da CGD ou mesmo por declarações infelizes, no entanto, com o passar do tempo, com os resultados da economia, este Ministro improvável transformou-se num dos pontos mais sólidos e consolidados da famosa Geringonça.

Mário Centeno enfrentará neste Orçamento o desafio maior, a quadratura do circulo de satisfazer os parceiros de Governo, sem que se aniquile o rigor que tantas e tantas vezes, lhe granjearam elogios.

Portugal virou a página da Austeridade, esteja ou não a mesma ainda presente, mas certamente voltará a essa realidade se numa primeira oportunidade, se deitar pela janela todo o esforço conquistado ao longo dos anos.

Acredito que Centeno sabe disso, tem consciência deste pormenor e que lutará contra o BE, o PCP e parte do PS, para manter as regras Orçamentais que nos guiaram até aqui...

Chamem-lhe cativações ou outra coisa qualquer, sem rigor nas contas, jamais existirá crescimento e sem uma percepção de justiça social, jamais existirá a essencial paz social.

Aqui está a quadratura do círculo de Mário Centeno.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

15
Set17

Bye Bye Lixo!!

Filipe Vaz Correia

 

Portugal saiu do lixo...

Esta frase um pouco indigna, contrasta com a ideia de uma nação quase milenar, de gente brava e acolhedora, cheia de História e que jamais poderia ser considerada de lixo, no entanto, neste mundo economicista em que nos encontramos, esta noticia assume um papel absolutamente crucial.

Ao fim de seis anos, Portugal volta a estar num patamar de credibilidade para uma agência de Rating, se não contarmos com a DBRS, agência de Rating da União Europeia...

Por essa razão esta classificação da Standard and Poor's, reveste-se de uma importância essencial, não na evolução do investimento na nossa divida, pois apesar de tudo com BBB-, continuarão muitos fundos de investimento proibidos de investir na divida Portuguesa, no entanto, a percepção que fica, a imagem que se instala, contribui para esta cavalgada sedutora deste novo Portugal.

Talvez aqui se encontre o grande teste à actual plataforma Governativa e essencialmente a Mário Centeno, pois se esta noticia traz consigo um certo alivio após tantos anos de sacrifícios, a percepção de que estamos livres da lixeira para onde em 2011 fomos atirados, poderá levar a um crescente movimento reivindicativo dos grupos sindicais, na busca de retirarem do erário publico o maior tipo de vantagens, para cada uma das suas corporações...

É aqui que se testará o Ministro das Finanças e a sua capacidade de controlo das contas publicas, assim como, a força com que este se poderá opôr às reivindicações do PCP e do BE.

Se Centeno não ceder e mantiver as suas cativações, o rigor do deficit, sem evidentemente esquecer as pessoas pois são elas o mais importante, então talvez possamos verdadeiramente acreditar que o pior já passou.

Independentemente de tudo isso,  podemos discretamente abrir um espumante, pois apesar de tudo, já estamos a caminho da reciclagem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

07
Jun17

Reino Unido Ou Desunido?

Filipe Vaz Correia

 

Estas eleições de amanhã, estão cada vez mais marcadas por uma incógnita inesperada...

Todos, principalmente os Conservadores, estavam convencidos de que a vitória de Theresa May seria clarissima, inevitável e que provavelmente acrescentaria mais lugares à sua actual maioria absoluta, no Parlamento.

Um líder fraco como opositor, Jeremy Corbyn, perspetivava um passeio triunfal para a Primeira-Ministra em exercício, no entanto, estas últimas semanas têm trazido um espectro de pânico e desespero aos apoiantes do Partido Conservador...

As sondagens, tem acentuado a cada momento, em cada inquérito, uma queda descontrolada no número de votantes que apoiam a Senhora May, chegando mesmo algumas delas a colocarem os Trabalhistas a apenas um por cento de distância, numa disputa inimaginável pela vitória.

O que me parece claro, é que quem quer que seja o vencedor destas eleições no Reino Unido, muito dificilmente poderá ver suportada a sua política numa maioria absoluta, o que poderá transformar o futuro Britânico, num autêntico pesadelo...

Depois da indefinição do Brexit, desta luta permanente contra o terror Islâmico implantado na Europa, especialmente em França e Inglaterra, já só faltava aos Britânicos, este possível impasse eleitoral.

Assim, espero que apesar destas sondagens, o resultado eleitoral de amanhã, possa de maneira categórica permitir a vitória de um projecto, de um caminho, seja ele qual for, Trabalhista ou Conservador, mas que o seja sem indefinições.

Boa sorte Reino Unido, pois bem precisarão dela.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17
Mai17

António Costa: O Babysitter...

Filipe Vaz Correia

 

A resposta de António Costa a João Miguel Tavares, na sequência do desafio feito por este na sua crónica do Público, é genial...

Ficará o Senhor Primeiro-Ministro com os meus filhos?

António Costa disse que sim e ficou com as crianças durante a manhã no Palácio de São Bento, pois à tarde tinha que se deslocar a Fátima para estar com o Papa Francisco.

Absolutamente desarmante e estrategicamente uma jogada de mestria política...

António Costa além de ser um otimista é também um homem simpático, que cria sistematicamente empatia, seduzindo de maneira despudorada os seus amigos mas essencialmente os seus inimigos políticos.

Esta arma que o Primeiro-Ministro usa de forma insistente e inteligente, permite-lhe granjear apoios ou pelo menos reduzir antagonismos, com aqueles que inicialmente desconfiavam da sua capacidade para liderar.

O contraste entre Costa e Passos vai muito para além da governação, dos apoios parlamentares, da maneira como se relaciona com a União Europeia ou com os mercados, essa diferença é essencialmente marcada na expressão com que fala, como comunica com os outros, com a ideia otimista como transmite o que pensa.

Passos Coelho traz consigo um negativismo insuportável, um certo drama atrelado às palavras, à tragédia com que ansiosamente aguarda pelo futuro, carregado de nuvens e demónios...

Passos Coelho faz me lembrar o Ferrão da " Rua Sésamo", sem evidentemente a parte cómica da coisa.

Quanto a António Costa continua a seduzir os Portugueses como fez com os filhos de JMT, com engenho e arte, contando com o apoio de Marcelo Rebelo de Sousa e dos astros divinos que têm surpreendentemente, encaminhado a Economia Portuguesa.

E depois disto os Portugueses já sabem, na próxima tolerância de ponto, é escreverem antecipadamente para São Bento e deixar lá os pequenos com o Babystitter Costa...

Regressarão felizes e carregados de optimismo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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