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Caneca de Letras

Caneca de Letras

28
Jan21

O Desafio De Adolfo Mesquita Nunes...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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Adolfo Mesquita Nunes, num texto publicado no Observador, ousou colocar o dedo na ferida sobre a realidade do CDS e consequentemente da Direita Portuguesa.

Este desafio lançado à liderança de Francisco Rodrigues dos Santos tem tanto de realista como de corajoso, de esperançoso como de incisivo.

Tenho como certo que para Adolfo Mesquita Nunes seria infindavelmente mais confortável estar como Administrador Executivo da GALP, usufruindo de um bem estar particular, do que sair a terreiro para se envolver na luta partidária com as consequências inerentes a este "mundo" político.

O chafurdar de lama em que está submersa a política Portuguesa, com particular ênfase nesta "nova" Extrema Direita cá do burgo, tão desvalorizada, ou melhor valorizada, por tantos afasta muitas pessoas...

Por essa razão, ainda gostei mais destas palavras, da sua visão sobre esse futuro que desafia e acima de tudo desse vislumbrar de um rumo para recuperar uma espécie de sensatez política.

Tenho por Adolfo Mesquita Nunes a maior das estimas, uma admiração pelo seu papel político e público.

Adolfo Mesquita Nunes é alguém que denota a fundamental educação, aquela que se bebe no berço, a instrução de excelência que se absorve na escola e o raciocino cristalino, tão raro por estes dias, que acompanha as pessoas inteligentes.

Estou esperançoso que o CDS saiba aproveitar esta oportunidade para se reencontrar com os trilhos do seu passado, com esse futuro que a qualidade de alguns dos seus quadros lhe poderá reservar.

Com Adolfo Mesquita Nunes, o CDS poderá recuperar nomes como Cecília Meireles, António  Lobo Xavier, António Pires de Lima ou Francisco Mendes da Silva, pessoas que estão arredadas dos principais palcos do Partido, ausência essa que caracteriza a pobreza de discurso dominante na Democracia Cristã.

Que se cumpra o futuro...

A bem do CDS, da Direita, de Portugal.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11
Nov20

“A Clareza Que Defendemos”... Ou Um Grito Da Direita Democrática?

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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De facto existem momentos na vida em que os valores não podem ser relegados para segundo plano, julgo que em nenhum momento o devem ser, momentos decisivos para nos diferenciar de certo tipo de gente...

A carta pública "A Clareza Que Defendemos", abaixo assinado, divulgada esta terça-feira por um conjunto vasto de pessoas do Centro Direita e da Direita mais tradicional ou liberal, repudiando este acordo entre o PSD e o CDS com o Chega nos Açores, serve de alerta sobre uma definitiva linha que não deveria ser ultrapassada.

Miguel Poiares Maduro, José Eduardo Martins, Miguel Esteves Cardoso, Pedro Mexia, Francisco José Viegas, Samuel Úria, José Diogo Quintela, Francisco Mendes da Silva, Sebastião Bugalho, Raquel Vaz Pinto, Teresa Caeiro, Miguel Monjardino, Henrique Burnay, Carlos Guimarães, Ana Rita Bessa ou Adolfo Mesquita Nunes, entre outros, são algumas das personalidades que decidiram ser este o momento para levantarem publicamente a sua voz num sinal de protesto para com esta ligação de Partidos da Direita democrática com um Partido radical de Extrema-Direita.

" Uma coisa são os movimentos nacional-populistas, xenófobos e autocráticos assumirem aquilo que são, outra mais grave, é o espaço não socialista deixar-se confundir com políticos e políticas que menosprezam as regras democráticas, estigmatizam etnias ou credos, acicatam divisionismos, normalizam a linguagem insultuosa, agitam fantasmas históricos, degradam as instituições."

"Trump não é Lincoln, T. Roosevelt ou Reagan, a democracia liberal Húngara não é aceitável num Partido Popular Europeu de tradição democrata-cristã, tal como, o neo-franquismo não é o herdeiro da direita espanhola de transição e do pacto constitucional. E o espaço do centro-direita e da direita portuguesa não é o do extremismo, seja esse extremismo convicto ou oportunista."

" A democracia liberal precisa de soluções consistentes e exequíveis não de discursos demagógicos, incendiários, revanchistas. É preciso deixar bem claro que as direitas democráticas não têm terreno comum com os iliberalismos. É essa clareza que defendemos."

Nesta posição clara e exacta este conjunto de cidadãos marca a posição daqueles que não condescendem com o populismo e os seus bacocos apelos ao pior de todos nós, a esse querer divisionista que busca criar na clivagem o terreno apropriado para o ódio e a segregação.

O erro de Rio e do PSD, assim como do CDS, é absolutamente indescritível, não só legitimando a mensagem da Direita xenófoba e radical, como ultrajando o passado histórico do seu Partido.

Miguel Poiares Maduro conclui explicando como a justificação de Rui Rio é absurda...

"Se o Chega moderar poderá haver diálogo com esse partido, para um acordo a nível nacional." Palavras de Rui Rio.

"O PSD até pode vir a fazer uma coligação com o PCP se o PCP for diferente daquilo que é hoje em dia." Miguel Poiares Maduro dixit, considerando que a questão não pode ser colocada nestes termos.

"Para mim o Chega é o que é hoje e o que é torna incompatível qualquer acordo do PSD com o Chega." Conclui o Professor Universitário.

Expressado nestas linhas a essência deste abaixo assinado publicado por alguns cidadãos da Direita tradicional Portuguesa, importa salientar a minha absoluta concordância com a substância deste texto, com a importância de saber o momento e o lugar onde quero estar...

E sem dúvida que em momento algum quero perder a oportunidade para expressar o quão me repugna este acordo e o que simboliza, num entrelaçar de destinos que poderá sair caríssimo à Democracia Portuguesa e consequentemente à Direita que sempre olhei como minha.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

24
Jun20

Um Tempo Para Populismos?

Filipe Vaz Correia

 

 

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De soslaio, no canto do olho, moram os radicais, aqueles que num pedaço de palavra encontram a desculpa perfeita para incendiar tudo à sua volta.

Aqueles que nas fracturas desenham o caos, encapotados pela carícia das suas prosas, disfarçadas nas entrelinhas do politicamente correcto.

Não vivemos tempos para disfarçes, muito menos para disfarçados discursos de conveniência, no entanto, importa medir o rumo, a melodia entrelaçada num mundo cada vez mais dividido.

Olho pela janela do meu quarto, para a rua despida de gente, no silêncio dos grilos e busco...

Vou buscando significado para a tamanha imbecilidade, para aqueles que copiam e se inspiram em Lenine, para os que recuperam Mussolini, para os que disfarçam o facto de terem se entusiasmado com Bolsonaro ou Trump.

Essa tralha de gente que insiste em caminhar pelas amargas entrelinhas da História, dela nada tendo retirado, a não ser a insistência nos seus erros...

Nem Deus ou o Diabo poderiam ter pincelado tamanha construção para o caos, tantos entrelaçamentos desenhados no desespero das gentes.

Boçais, possidónios, ressabiados, ingénuos ou simplesmente tontos, assim se constrói parte das massas que aglomeram estes que agora desfilam e que anteriormente seriam silenciados por um coro de sensatez.

Mas que nestes tempos reinam...

Por entre, Instagram. Twitter ou Facebook.

Da minha parte apenas obterão o desprezo, a gritante repugnância pelas suas ideias, pelo caminho...

Mas isso, solitariamente, chegará?

Temo que não...

Neste mundo carregado de idiotas, parece pulular a crença, daqueles que imbuídos no seu pensamento insistirão em redesenhar o comportamento Humano, por entre, os traços totalitaristas dos seus ideais.

Irá caber a todos nós, Sociedade, decidir o rumo de nossos destinos enquanto comunidade...

E como isso me deixa desconfortável?

É só revistar a, "nossa" , História...

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

27
Jan20

Chicão: O Exterminador Implacável!

Filipe Vaz Correia

 

Francisco Rodrigues dos Santos é o novo Presidente do CDS...

O Chicão venceu o congresso.

O CDS decidiu, os seus militantes, enterrarem em Aveiro o legado de Paulo Portas, resgatando do seu passado o CDS de outros tempos.

Ficou para trás o PP criado nas entrelinhas de Portas e reapareceu o CDS mais conservador, mais rural, mais de acordo com a sua matriz cristã e de direita.

De todos os candidatos à liderança do Partido, Filipe Lobo d'Ávila era aquele que eu acreditava poder caracterizar uma mudança serena mas efectiva, concreta mas pacífica, porém logo se percebeu que esta disputa estaria entre João Almeida e Francisco Rodrigues dos Santos, dois candidatos vindos da juventude popular ou centrista, que simbolizavam dois mundos diferentes.

João Almeida um projecto à imagem de Paulo Portas e Chicão um exterminador desse legado.

Venceu o segundo, de forma inequívoca, numa verdadeira expressão de querença daqueles militantes, num tempo onde o CDS vê ameaçada a sua posição no quadrante político nacional.

Esta fuga para a frente, este passo rumo a um futuro arriscado, encontrou nessa esperança Centrista, o caldo de cultura ideal para justificar esta ruptura.

O CDS será um Partido verdadeiramente de direita, encostado ao lado conservador do País, de facto fazia falta, podendo assim disputar esse eleitorado que se entregou desesperadamente ao populismo de André Ventura.

O desafio maior de Chicão será descobrir um caminho sólido para recuperar gente, resgatar pessoas e ideais sem cair no populismo do Chega, mas sem medo de se assumir com a matriz identificadora dos princípios fundadores do Partido.

Um facto me apavora...

Chicão fazia parte da direcção do SCP de Francisco Varandas.

Não é um bom augúrio.

Num País carente de oposição, Francisco Rodrigues dos Santos e a sua liderança têm em mãos um trabalho hercúleo, carregado de dificuldades depois da fraquíssima "liderança" de Cristas.

Neste salto em frente, o CDS encontra um dos seus maiores desafios...

A refundação ou a extinção.

De uma coisa estou certo...

Chicão, o exterminador implacável, matou o PP.

Viva o CDS.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

10
Jan20

PSD: Entre Um Erro E Um Intervalo...

Filipe Vaz Correia

 

Este é um artigo carregado de penitências...

Penitências plasmadas em algumas linhas deste texto.

Em primeiro lugar penitenciar-me pela citação extraída da intervenção de Daniel Oliveira no Eixo do Mal e que dá titulo a este post...

"Um erro e um intervalo". 

Onde isto irá parar?

Já estou a citar o estimadíssimo Daniel Oliveira?

Depois...

Uma segunda penitência por todos os meus textos onde expressei a esperança em Rui Rio e nessas suas ideias que julgava poderiam transformar o partido, assim como, dar um novo rumo ao Centro-Direita Português.

A poucos dias das directas do PSD, julgo ser acertado dizer que Rio não será mais do que um intervalo na disputa eleitoral, nesse futuro laranja, Social Democrata.

No entanto, não obstante as desilusões Canequianas deste vosso amigo em relação ao candidato Rui Rio, não posso deixar de escrever o desmedido erro que seria se o PSD voltasse, por um instante, aos tempos do Passismo, ou seja, buscando através de Luís Montenegro um caminho que anteriormente se revelou equívoco e desagregador.

De Miguel Pinto Luz não gastarei muita dessa tinta imaginária que pincela este texto, não só pela falta de substância do candidato, como também pelo desnorte de rumo que se traduziram as suas posições.

Penitências minhas...

Penitências de um PSD que tarda em se reencontrar.

Neste fim de semana, nesse acto eleitoral que envolverá, somente, 30 ou 40 mil militantes, o PSD buscará uma resposta para as batalhas internas, demasiadas, que se somam nestes últimos anos, no entanto, será avisado explicar que não se afigura provável essa tranquilidade ou clarificação tão ansiada por tantos militantes e simpatizantes...

Pois dessa escolha entre um intervalo e um erro raramente poderá nascer esperança.

A esperança de uma verdadeira alternativa política.

Enfim...

Que venha o sol pois as laranjas vão podres.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

08
Out19

E O Chega... Chegou!

Filipe Vaz Correia

 

E o Chega...

Chegou!

André Ventura e o seu partido conseguiram, nas eleições legislativas deste domingo, eleger um deputado à Assembleia da República.

Muitos estão estupefactos, até indignados, com esta ascensão da Extrema-Direita em Portugal, no entanto, não deveremos esquecer que no parlamento Português, há muito, que estão representados partidos da Extrema-Esquerda que entre outros valores, defendem regimes ditatoriais como a Coreia do Norte ou a Venezuela.

É bom manter sempre a coerência como ponto de partida para avaliações políticas.

Infelizmente, um partido como o Chega encontrou na sociedade Portuguesa eco para as suas “odiosas” reivindicações, para o constante destilar de ódio com que olha para o País e a sua construção, sendo os portadores de princípios quase “hitlerianos” como base para o populista discurso com que nos brindam.

André Ventura, o líder destes herdeiros do PNR, conseguiu passar a sua mensagem para um nicho da população que serviu para o eleger, capaz de alimentar os ódios encapotados, por entre, frases sussurradas em surdina ou medos crescentes em algumas partes do nosso País.

O Chega representa, representará, uma ideia política perigosa, não podemos recear as palavras, uma busca pela segregação e divisão de uma sociedade Global, Multicultural e aberta ao mundo.

Este perigoso caminho, na minha opinião, segue uma tendência já observada em vários pontos do globo, Trump, Marine Le Pen, Orban ou Farage...

Um caminho que se alimenta do descontentamento das gentes, muitos deles que nada têm a ver com as elites mas sim com o proletariado, o dito povo, abandonado e cerceado por essa avassaladora Globalização e Modernização que mudou a face das civilizações.

Assim, este discurso divisionista, segregador, tacanho e populista, acaba por responder à singela ignorância daqueles que temendo, escolhem o autoritarismo como plano de fuga às agruras da vida.

Importa não optarmos pelo caminho mais fácil, aqueles que se opõem a estes ideais, mas sim tentar entender as causas que levaram a esta eleição de André Ventura e tentar desmascarar o discurso que o suporta.

Extrema-Direita, Extrema-Esquerda ou quaisquer outro tipo de extremismos, deverão causar o mesmo tipo de indignação, a mesma forma de repulsa, o mesmo tipo de condenação.

De uma coisa não nos deveremos esquecer...

A principal causa para o fortalecimento de um partido como o Chega é o enfraquecimento dos partidos da Direita tradicional, o que deverá aconselhar a uma maior contenção ao contentamento, daqueles “esquerdistas” que comemoraram um dos piores resultados do PPD/PSD e do CDS.

Porque em cenários destes, o que menos se espera tem lugar...

E o Chega, chegou!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

06
Ago19

E Que Tal, Uma Greve Às Greves?

Filipe Vaz Correia

 

Está na ordem do dia esta discussão em torno da Greve dos motoristas de matérias perigosas e as suas reivindicações.

Ameaças de paralisação do País e das suas estruturas produtivas, fazem parte do rol com que somos brindados pelo advogado do sindicato, o Dr. Pardal.

Há dias, ouvi o Ministro da Economia, Siza Vieira, expressar a sua vontade de mexer na lei da Greve, tentando ajustar essa lei aos tempos actuais, dando a certa medida de defesa ao Estado para lidar com chantagens e medidas desproporcionadas que acontecem em muitos casos.

Logo um coro de criticas se levantou, da esquerda até a alguns sectores do centro direita, numa expressão pequena do bem comum.

Aqui, nesta Caneca, já expressei que sou contra a existência de Greves, sou por principio contra, sem desmerecer a opinião de muitos amigos “Canequianos” que me demonstraram, através das suas opiniões, o mérito de um pensamento contrário, para defesa daqueles que necessitam de reivindicar os seus direitos.

Respeito esse ponto de vista mas continuo sem ver, nessa forma de manifestação, a bondade que muitos amigos relatam.

Antes pelo contrário, vejo nas Greves de transportes uma forma de chantagear o Governo, através do desespero daqueles que necessitam desses mesmos transportes para se movimentar, para ganhar os seus salários.

Greves pontuais em hora de ponta, naqueles horários que sabem criar mais mossa na vida do cidadão comum...

Médicos e Enfermeiros usando a vida de cidadãos como moeda de troca para regalias, certamente merecidas, ou mesmo Professores guardiões dessas mentes do futuro e que as usam como escudo para se fazerem ouvir.

Dir-me-ão que é a única forma de fazerem ouvir as suas vozes...

Então não gritem, escrevam.

Nos dias de folga encham o País de alto a baixo, telefonem para as televisões, boicotem congressos partidários, paralisem a Assembleia da República, isso se calhar não é necessário pois os Deputados são especialistas nesse requisito, façam o que quiserem...

No fim de semana, nos dias de folga, nos dias de férias mas não usurpem o dia a dia do cidadão comum, nem adensem as “nossas” quotidianas preocupações.

Assim, sou favorável a que se altere a lei da Greve, não a exterminando do mapa, como aconselharia a minha opinião, mais radical neste tema, mas para um novo reestruturamento dessa balança que impossibilite chantagens ou arruaças, exageros ou cartelizações, demagogias ou as sempre “normais” pontes.

Por tudo isto...

Façam Greve às Greves!

O País agradece.

 

 

Filipe Vaz correia

 

 

 

30
Jul19

Santana Lopes No "Maluco Beleza"!

Filipe Vaz Correia

 

Pedro Santana Lopes foi ao Podcast do Rui Unas, Maluco Beleza...

Ou seja nada mais apropriado, sendo o "enfant terrible" da política um grande "Maluco", com todo o respeito, assim como um grande apreciador da "beleza", com um respeito ainda maior.

Santana sentou-se durante quase duas horas naquele cenário, despido de receios ou artimanhas, respondendo ao seu interlocutor, assim como às perguntas do público, num encontro descontraído mas carregado de substância.

A vida pessoal, o percurso político, o novo partido ou até o "seu"  Sporting, tudo passou por aquele estúdio, por aquela agradável conversa.

Sinto ser minha obrigação fazer aqui um ponto de ordem, aliás julgo já o ter feito noutras páginas desta Caneca...

Sou de direita e durante a minha adolescência, aquele período Cavaquista que tanto me entusiasmou, era verdadeiramente Santana Lopes que me entusiasmava, movia parte da esperança dessa minha geração, num acreditar que me colava aos Congressos, às intervenções públicas carregadas de rebeldia e visão.

Era assim que me sentia, que crescia essa crença numa liderança Santanista.

Santana foi tanta coisa...

Presidente do"meu" Sporting, de Câmaras, comentador político e de futebol, tanto e tão pouco num turbilhão de emoções que acabariam por ditar as armadilhas de um destino que muitos auguravam brilhante.

Lentamente este jovem, que vos escreve, cresceu e a ingenuidade com aquele mundo Laranja se foi esboroando, com Cavaco, com aquele período e com o ídolo de outrora...

Pedro Santana Lopes!

A sua ida para o Governo, Primeiro-Ministro, a criança na incubadora, os familiares que queriam bater na mesma criança...

Enfim, tamanhos e entrelaçados erros acumulados ao longo do tempo e que acabaram por descredibilizar o político, sendo em grande medida, esses erros responsáveis pela imensa taxa de reprovação que ainda sustenta.

Mas não posso negar...

Santana esteve no Maluco Beleza como nos Congressos do PPD/PSD, aqueles Congressos do antigamente, com a mesma energia, a mesma desenvoltura, a mesma forma de nos amarrar à mensagem, seja ela política ou corriqueira, numa conversa que me trouxe momentos que pensava perdidos no passado.

Gostei...

Francamente foi um gosto imenso.

Este Santana poderá não vencer eleições, até por culpa própria, pela imagem de si construída, mas acrescenta à vida política, a essa Direita ausente do debate, da disputa pública.

Num mundo de Direita, preenchido por "eunucos", gente capaz de nada dizer sobre esse nada que os habita, Santana aporta um outro discurso, uma forma de agitar as águas sem receio de ir à luta.

Como ele mesmo definiu:

Este projecto, Aliança, é radicalmente moderado.

E assim caminha buscando ideias e gente nova, indo ao encontro das pessoas, as reais, que habitam para lá das paredes da Assembleia da República ou das "cortes" de Lisboa.

Gostei desmedidamente deste Maluco Beleza.

Perdão...

Deste, rejuvenescido, Pedro Santana Lopes.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

18
Jun19

Radicais, Absolutamente, Livres!

Filipe Vaz Correia

 

Existem momentos ou situações que não conseguem ser descritos na sua plenitude, muito menos pormenorizados, pelo significado que têm, pela beleza que assumem...

É assim na amizade, nesse amor fraterno chamado amizade.

O texto de Jaime Nogueira Pinto em homenagem a Rúben de Carvalho é apenas um pequeno pedaço desse momento, de uma bela amizade forjada na diferença, nessa gigantesca diferença capaz de encurtar divergências, de ligar pólos opostos.

Um Comunista e um Nacionalista, tão diferentes como inteligentes, tão afastados como coerentes.

Nessa genialidade livre, nessa radicalidade fraterna, se manifesta a capacidade de dois homens discutirem sem populismos bacocos, sem hipocrisias menores, sem as amarras tão habituais na política de corrimão.

E é assim que se dá o exemplo, que se honra a grandeza maior da nossa História, do legado dos que souberam construir o que somos, o que nos moldou como Nação.

Estaria sempre ao lado de Jaime Nogueira Pinto, por princípio, convicção ou valores, no entanto, isso jamais me impediria de admirar, respeitar o passado e a memória de alguém como o radical, absolutamente, livre que era Rúben de Carvalho.

E isso, nos tempos actuais, já é uma valiosíssima lição a recordar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

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