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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Christopher Hitchens: O Segredo Da Estimulante Discordância!

 

Escrever este post sobre Christopher Hitchens é um privilégio para mim, pois apesar de dele discordar demasiadas vezes, é sempre estimulante ouvir pessoas fascinantemente inteligentes.

Em primeiro lugar agradecer a um irmão, JB, pois mais uma vez através dele vejo-me confrontado com essa obrigação de raciocinar, voando pelas palavras inquietantes e desconcertantes deste conselho seu...

Ora bem, falemos então de Mister Hitchens, esse pedaço de intelecto interrogativo, incapaz de adormecer diante da inevitabilidade do onanismo e questionando com a sua inquietude de pensamento os dogmas, a fé, os tabus e até a mortalidade.

Aquela maneira chocante como trespassava, verbalmente, os seus oponentes num duelo, perdão debate, como abalava através das suas palavras as ideias pré-concebidas que por vezes nos condicionam desde o berço, tornavam-se na verdade, estimulantes para aqueles que dispostos a pensar se questionam e procuram em cada ideia um sentido para no mínimo, entender a base argumentativa com que nos contrariava.

E nada melhor do que debater, trocar ideias de forma descomplexada e por vezes até violenta, respeitando as opiniões mas não tendo medo de pensar pela própria cabeça.

Admito que a primeira vez que o meu caro amigo JB, me mostrou um dos famosos debates de Christopher Hitchens, achei tudo aquilo um pouco brutal, agressivo e até chocante pois mexia verdadeiramente com os valores mais intrínsecos em que acredito, no entanto, foi esse mesmo choque transformado em fascínio que me fez questionar esses mesmos valores, para no fim poder crer neles com maior profundidade.

Cada vez mais acredito que é importante ter dúvidas e questiona-las, pois só assim, ouvindo muitas vezes os argumentos daqueles com quem discordamos, poderemos evoluir...

Por tudo isto, muito obrigado Mister Hitchens e um obrigado maior ainda meu caro Jaime, por mais um desafio ao meu humilde intelecto.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Francisco, O Peregrino!

 

O Papa Francisco já chegou a Portugal, trazendo com ele essa vontade imensa de ser mais um, aos pés da Virgem Santíssima...

Ser mais um peregrino entre muitos, na nossa intemporal, Fátima.

A simplicidade e afeto que marcam o seu pontificado, têm permitido o aproximar das pessoas à Igreja Católica, resgatando fiéis perdidos neste mundo agitado, sem tempo para reflexões, assim como, as suas palavras e actos têm tocado Ateus e Agnósticos que descobrem em Francisco uma janela para a Fé cristã, mesmo que dela não partilhem...

É através dessa singularidade que o Santo Padre nos deslumbra, desarmando mesmo aqueles que sempre se afastaram das religiões,  centrando muitas vezes o seu discurso na essência humana, na verdadeira partilha e solidariedade tão escassa por entre os dias que correm.

Esta visita relâmpago a Fátima e só a Fátima, exemplifica uma vez mais, o que para Francisco importa, ou seja, a proximidade com as pessoas, com os seus pensamentos, as suas dores, as suas incertezas, dúvidas...

Ao demonstrar quotidianamente esse caminho, ao demonstrar que essas encruzilhadas fazem parte dessa descoberta que é a Fé, não punitiva mas acolhedora, o Peregrino de Branco, junta-se a esta comunhão de gente que celebra em Fátima, o verdadeiro sentido da condição Humana...

E assim chegou Francisco, o Peregrino de Roma, mais um entre nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Eutanásia!

 

Esta é uma discussão para a qual, admito, tenho complexos e receios, preconceitos e anseios, dificuldades em desligar os dogmas incutidos na infância, e que bem ou mal fazem de mim o homem que hoje sou.

Sou cristão, católico, e por isso esta discussão reveste-se de uma imensa complexidade, no entanto, reconheço que tem de ser feita e debatida numa sociedade plural como aquela que temos, nestes meados do séc. XXI.

Não me julgo dono da verdade, não conheço esse tremendo sofrimento que muitos assistiram, através da dor prolongada de entes queridos, ou mesmo, esse desesperante sentimento de não se ser senhor, da nossa própria morte.

Para mim, admito, é algo em que evito pensar, não consigo lidar bem com essa ideia de que chegará um dia, espero bem longe, definitiva e arrebatadora.

Por não lidar bem com essa palavra, revestida de tamanha brutalidade, é que respeito imenso o tema e o seu debate,  apesar de ser contra esse direito concreto, de pôr um termo à vida, direito esse que acredito pertencer apenas a Deus, concordo que seja importante definir de uma vez por todas, qual o caminho que o país deve seguir.

A única coisa que me parece indiscutível, para mim, é a forma como este debate deve ser feito, deve de ser decidido...

Pelas pessoas.

Se querem levar por diante esta discussão, esta decisão, então julgo que esta deve ter o mesmo tratamento, que teve a discussão sobre o Aborto...

Ou seja referendo.

O Parlamento e os partidos, não devem legislar sobre uma medida desta natureza, desta complexidade, sem dar a voz aos seus cidadãos, deixando que estes possam expressamente demonstrar através do voto, qual a vontade sobre tão importante assunto.

E assim, feita a discussão, decidido o lado em que cada um se colocará, o país ficará mais esclarecido e certamente a decisão será mais consciente.

E depois, seguirão as dúvidas e continuarão as incertezas, pois num tema tão delicado e fracturante será sempre a fé ou a falta dela a definirem muito do nosso pensamento.

 

Filipe Vaz Correia