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Caneca de Letras

Caneca de Letras

03
Abr20

Oxalá...

Filipe Vaz Correia

 

Olho pela janela;

E vislumbro os silêncios,

De uma Lisboa despida;

Timidamente escondida,

Receando a coroa;

Que se torna ferida,

Esventrando a alma,

Da esquecida essência Humana...

 

Somos todos sem abrigo;

Neste tempo de pandemia,

Palavras soltas ao vento,

Por entre ondas e maresia...

 

Nada parece fazer sentido;

Tudo parece encoberto,

Nesse futuro entorpecido,

Presente deserto...

 

E por entre a esperança;

Essa que ainda subsiste,

Gritam os sonhos cancelados,

De sonhadores passados...

 

Talvez um dia;

Certamente um dia,

Voltaremos a soletrar,

Cada parte do destino,

Sem medo de sentir,

O "normal" querer de todos nós...

 

Oxalá.

 

 

 

 

31
Mar20

Dúvidas Em Tempos De Pandemia...

Filipe Vaz Correia

 

Umas vezes sobram palavras, outras vezes escasseiam silêncios, umas vezes distribuem-se abraços, outras vezes desaparecem os afectos, umas vezes nos inundam de sorrisos, outras vezes nos circundam as lágrimas, umas vezes...

De tantas e tantas vezes o mundo palmilha dias e noites, sempre em andamento, caindo bombas e sobrando gritos em soturnas temporadas de medo.

Noites escuras que encobrem os dias, os fazem cinzentos, tristonhos, mas sempre do outro lado do horizonte se prometem as alvoradas que ameaçam findar com as trevas.

O mundo avança...

Mesmo que silenciosamente, distante, sufocando com a intransigente  ausência das gentes.

Como fazer diferente?

Nada mais faz sentido, nesse sentir que se instala, por entre, estádios vazios, igrejas cerradas, estradas despidas e ruas silenciadas...

Já não sorriem os meninos de manhã, a caminho da escola, já não buzinam os atarefados senhores que correm para o trabalho, nem aceleram os autocarros e comboios apinhados de gente.

Já nada parece igual...

Nada parece ser igual.

Neste entrelaçado caminho que nos une, pretos e brancos, ricos e pobres, muçulmanos e cristãos, de todas as crenças, géneros ou pátrias...

Nada nos separa diante deste medo maior, deste flagelo imenso, desta Pandemia que chega e nos reduz à nossa singela insignificância.

Somo pequenos diante da Mãe Natureza e dos seus caprichos...

Tão pequenos que num instante somente a quarentena nos poderá valer da ameaçadora devastação.

Que iremos vencer ninguém dúvida...

Mas se iremos aprender com tudo isto?

Disso já sobram dúvidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

30
Mar20

A Vida Da Gente...

Filipe Vaz Correia

 

Lisboa vazia, sem cores ou rostos, sem alma, com as almas escondidas em casa, carregada de medos, medos justificados, que servirão de salvação no meio de tamanha Pandemia.

Os cheiros deram lugar à inodora solidão, ao insonso e desnudado confinamento que nos circunda.

Queira Deus que nos protejamos, que passe este tempo, parado tempo que suspende a vida, as vidas, encontros e desencontros que nos constroem, nos moldam.

País e filhos afastados, avós e netos à distância, amigos separados nesse desfasamento pouco Humano.

O que fazer?

O que fazer a não ser insistir?

Insistir sem olhar para trás, de portas trancadas, janelas fechadas para o mundo, esperando, esperando, esperando...

Como iremos sobreviver e sorrir no pós Pandemia?

Como soletrar ou trautear uma melodia quando os dias voltarem a ser corridos, a agitação rotina, o querer livre?

Nestes tempos até escrever é triste, até sonhar custa, até expressar a singela alma parece infinitamente distante.

Estou cansado...

Cansado mas firme, triste mas esperançado, enclausurado mas esperando o tempo onde possamos todos ousar voar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

25
Mar20

Tic Tac, Tic Tac,Tic Tac...

Filipe Vaz Correia

 

Não tenho vontade de sorrir, de voar ou de sentir, não tenho querer ou esperança, simplesmente desesperança nesta aprisionada existência entre quatro paredes, por entre, os grilhões mundanos.

Cabeças à janela, escondendo medos e anseios, pedaços de desespero pincelados no semblante, no olhar, na alma.

Já não se trocam beijos nem abraços, já não se apertam as mãos, deixando gélido o querer Humano, tão frágil e distante, num plano asfixiante carregado de terror.

Morre gente, muita gente, em todos os cantos dos recantos deste planeta.

E parece não terminar, não findar a angústia, esse pavor que consome o amor, esse fugir sem espaço, correr sem chão.

Faz-se silêncio, tamanhos vazios, secretos silêncios que agora se agigantam tornando hábito o que outrora era irreal.

Parques vazios, ruas despidas, nada e mais nada, numa correria que se perdeu, numa azáfama que cedeu o lugar ao tempo, tempo de espera, desesperada espera.

Apelos e novelos, relatos arrepiantes, que nos demonstram o quão pequeno é o destino diante da Mãe Natureza.

Nada somos...

Nada podemos...

Nada!

Tic tac, tic tac, tic tac...

O relógio não pára de correr, parado no mesmo lugar, assim como o raciocínio, o nosso, das gentes, buscando na memória dias diferentes na vida da gente.

Que Deus nos valha...

Que Deus nos proteja...

 

03
Mar20

As Montanhas Dos Meus Sonhos...

Filipe Vaz Correia

 

Subi montanhas, inimagináveis montanhas, presas aos sonhos inacabados de outrora, aos arrependimentos de agora, às promessas caídas, hesitantes e feridas, a tantos desvelos, em incertos novelos, transbordando de querer...

Subi montanhas, essas tamanhas, onde se escondem tacanhas, as amarguras de uma vida.

Montanhas...

Montanhas agrestes, epidemias e pestes, marcando as vestes de um singelo abandonado.

Já não sobram as marcas, das arranhadelas tortuosas, lágrimas salgadas, palavras sinuosas, de enganos e reparos, esquecidos ao vento, pesado arrependimento, que jamais se repara.

O tempo passa, as escolhas precisas, as mágoas se escapam, por entre, armadilhas vazias, nessa imensidão de esperança que cede lugar ao entediante percurso marcado no trilho de Deus.

Olho para trás...

Bem ao longe...

Buscando as silhuetas de mim, dos meus, dos outros...

Olho para trás...

Para a frente...

Nessa presença, presente, que insiste em se fazer sentir.

Subi montanhas...

Subo montanhas...

Esperando no cimo de todas elas, encontrar esse almejado paraíso que tantas vezes sonhei e encontradamente desencontrar as incertas certezas que temerosamente, por vezes, me invadem.

Subi montanhas...

Para te reencontrar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

29
Fev20

Viva Cazuza (Muito Mais Do Que Uma Canção)

Filipe Vaz Correia

 

Volto sempre a Cazuza...

Sempre.

Por vezes triste e amargurado, outras vezes feliz e encantado, sempre regresso ao som de ideologia, aos gritos de exagerado, ao romantismo de faz parte do meu show.

Como é bela a poesia...

A esquecida poesia que hoje se desencontra do sentir comum, perdendo espaço para outras formas de expressão.

Não pela menor importância poética para estes novos tempos, talvez nunca a poesia tenha sido tão importante para compreender o tempo e a forma, mas pela sua exacta falta de pressa, de correria constante que avassaladoramente nos invade...

A poesia é precisamente o contrário das redes sociais ou dos instantâneos vídeos que nos encurralam...

A poesia é tempo e digestão, trago e palato numa intensa e longa degustação, por entre, sentir e observar, por entre, querer e desejar, por entre, um beijo e um abraço.

Cazuza é para mim o entrelaçar da modernidade e do arcaico, da revolta e da coragem, da paixão e do amor, do querer e do desprendimento...

Cazuza é tanto e tão pouco, eterno e breve, sentimento e loucura.

Tudo isso em prosa, em poesia, melodia e canção que ecoa para lá do Atlântico, para cá do mesmo Oceano.

Perdoem-me no decifrarar de suas poesias, sinto cada letra desse ardor que o corroía, que esventrava o seu País, esventra, cada palavra solta tornada livre por si, pela pena de sua caneta em forma de arte.

Cazuza...

Sempre ele, Poeta, Cantor, liberto em cada um de nós que continua a perpetuar o seu extraordinário talento.

Viva Cazuza!

Viva Cazuza, o nome da Instituição que continua o seu legado, legado que tem salvo milhares de crianças com Sida no Brasil.

Também por isso Cazuza permanece vivo, tão imenso como no palco do Canecão.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

27
Fev20

No Caneca Com... Joana Rodrigues De Almeida!

Filipe Vaz Correia

 

Como posso escrever nesta Caneca de Letras, em forma de agradecimento ao seu autor por tão amável convite, sem temer não estar à altura do desafio?

Esta foi a pergunta que me ocorreu desde que o Filipe me convidou.

Acompanho o blog há pouco mais de um ano e sempre gostei desta forma interligada que por aqui se vive, com partilha e educação, numa troca de ideias sem azedume ou crispações.

Fazem falta espaços assim, onde se pode soltar uma opinião sem que nos caíam em cima, com agressividade e intolerância. Por estes dias vou observando o País real, esse campo onde a polémica impera, com discussões sobre racismo e direitos dos animais, vida ou eutanásia, futebol e mais futebol...

Estou desiludida com esta imagem do País, esta sociedade dividida e cada vez mais submersa numa incapaz gritaria que salienta diferenças, ao invés de nos unir naquilo que mais nos caracteriza.

Somos todos Humanos, iguais nos sonhos, semelhantes nas desilusões.

Sei que poderei ser utópica, sonhadora, perpetuamente incapaz de olhar para esta realidade, sem a esperança de acreditar. Acreditar em nós, todos, como civilização global, sem fronteiras ou barreiras que acentuem divisões, preconceitos ou violência.

Obrigado Filipe por este espaço e por poder, pela primeira vez, experimentar esta sensação de escrever num blog.

Espero não o ter defraudado.

 

 

 

25
Fev20

A Busca Poética

Filipe Vaz Correia

 

Não busco o sol

nem a sua abrasadora verdade,

Não busco a lua

nem a sua secreta saudade...

 

Busco o olhar que se perdeu

as mágoas por contar,

Aquela ilusão que desvaneceu

 desvanecendo o triste amar...

 

Busco as entrelinhas de um poema

na entrelaçada emoção,

Busco os fantasmas nesse dilema

Teorema ou equação...

 

Busco tanto e tão pouco

viajante desesperado,

Busco esse lado louco

na melodia do exagerado...

 

Busco letras e palavras

pedaços de contradição,

Amarras intemporais

Memórias sem paixão...

 

Busco e volto a buscar

sem saber descodificar,

O delírio de encontrar

essa parte de mim...

 

Sem volta.

 

 

22
Fev20

Vasco Pulido Valente: Um "Opinador" No Céu...

Filipe Vaz Correia

 

Vasco Pulido Valente...

Morreu o escritor, filósofo, crítico, o inestimável cronista Vasco Pulido Valente.

Odiado por muitos e estimado por uns tantos, Vasco Pulido Valente faz parte da minha vida desde que me recordo, seja na acção política com Sá Carneiro na AD, ou com Mário Soares nas Presidenciais de 1986.

Corrosivo, intempestivo, temperamental, frontal e destemido, o eterno Vasco Pulido Valente povoou a mente deste "jovem" que aqui vos escreve, fosse no Independente, no Expresso ou no Público.

De recordar, ainda, as suas aparições na TVI, mesmo que fossem na companhia da "revolucionária" Guedes, passando a estender a sua influência a um público mais vasto.

Sempre o respeitei, mesmo quando com ele divergia, e foram algumas as divergências, no entanto, de Vasco Pulido Valente ninguém poderá escrever a acusação de que sofrem parte dos colunistas ou actores políticos dos dias de hoje...

A ausência de substância.

Vasco Pulido Valente era substantivo e repleto, rico na forma e completo no conteúdo, tão maior como aqueles que ocuparam o seu tempo.

Fará falta...

Já fazia nestes últimos tempos de ausência, nessa partida anunciada mas que se escondia na sobrevivência de um destino...

Obrigado Vasco Pulido Valente, sou daquela geração, onde o meu caro amigo serviu de referência...

E que privilégio foi esse, de ter percorrido cada vírgula de suas crónicas, cada peso de suas palavras, cada memória sua que subsistirá.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

21
Fev20

Viajantes De Viagens

Filipe Vaz Correia

Viajam, viajantes de viagens, colibris e andorinhas, ramelas no canto de um olho, zarolho, tristonho, melancólico, esse traço amargo de um alcoólico que se perdeu na beira do ninho, sem saber tropeçou, por entre ruídos sucumbiu, experiência desamarrada de um pequeno recorte num desenho alado, pedaço de enfado que encobre o sorrir.

Palavras entrelaçadas, meio vagas e espaçadas, num blog transcritas, um tanto eruditas, escapulindo de mansinho. Não vou, não quero ir, esse beijo que sobrou, num sonho sonhou, o que a lembrança traída jamais imaginou. Não quero escrever, de repente recordar, cada passo de largada, abraço fachada, na voz repetitiva de um Deus sofredor. Vai e vem, caminho inóspito, pedras e pedras rebolando pela ribanceira, sobranceira questão, altiva multidão que desaparece quando a solidão se instala.

Viajam, viajantes de viagens, por entre, as gentes que sussurram, por entre, as almas que sucumbem, por entre, o tempo ausente que se torna presente sempre que o sol se põe.

Viajam, viajantes de viagens...

 

 

Filipe Vaz Correia 

 

 

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