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Caneca de Letras

Caneca de Letras

14
Jul20

No Templo De Zeus...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Escrever, escrever, escrever, regurgitar o que na alma vai, minha, tua, das tamanhas solidões que se desencontram nas ruas, despidas e cruas, para sempre caladas por entre as cerradas janelas da vida. Nada pode ser mais sentido do que esse vazio colectivo, o sentir superficial do demasiado, sem que nada seja completo, intensamente fechado num ciclo bastante, agonizante e turbulento. Um quadro esborratado de todas as cores, tamanhas, misturadas na complexidão do exaustivamente quantitativo, sem que dele transborde nada, sumo, sequência. A exactidão perfeita da imperfeição, fraca e incompleta, que se afigura de somenos. Esse foi sempre o medo maior... a ausente sensação de sentir. Desse mal não sofro, sendo que de tantos outros me confesso, na exacta precisão de minhas fraquezas, diminuídas formas de querença. Respiro intensamente, de forma primeira e inteira, como se fosse ela a derradeira, tudo de uma vez. Caminho seguro na beira do passeio, equilibrando os sentidos, na beira desse abismo que me consome. Caio ou não caio... não importa, pouco importa, desde que vivido por dentro, pulsando a alma nessa confusa mistura de tempos. Para tantos o caminho se faz caminhando, trilhando espaços e palcos, pincelados uma e outra vez, numa repetida "História" de encantar. Porque não? Ou... Porque sim? Sei lá. O quadro vazio, demasiadamente vazio oferece sempre a oportunidade de nova imagem, novo desenho, novo e intenso sonhar... num novo dia, num novo querer que por vezes magoa, até esventra se o ardor for tamanho, mas sempre permitirá sentir de forma única, como se aquele sentimento fosse intemporalmente verdadeiro... verdadeiramente intemporal. E isso é que torna  belo o Olimpo. Nem todos o saberão, nem mesmo aqueles que o julgam saber, por vezes, talvez acreditem se recordar, mas nas asas das nuvens, desse Olimpo de poucos, sobrará, longuiquamente, pedaços de sorrisos, desfeitos, daqueles que ousaram tentar. Despojos ardentes de dores e feridas, de tantos... nesse caminho imperfeito ousarei continuar a buscar essa perfeição perdida no templo de Zeus.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

09
Jul20

Amor Da Minha Vida

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Amor da minha vida

que me fazes perder o sentir

esse respirar que se suspende

que só a alma compreende.

 

Desejo o teu cheiro

em cada momento inteiro

sabor primeiro

nunca derradeiro 

e assim infinitamente.

 

Por ti vivo

e morro

suspiro e deliro

me perco e reencontro

tudo de uma só vez.

 

E de todas as vezes

sem receio

te abraço

eternamente.

 

 

04
Jul20

O Amor...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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O amor, esse pedaço de tudo que se transforma em respiração, em toque e sobressalto, em olhar perdido que se entrelaça no silêncio, em partilha intensa desmedidamente entregue.

O amor, palavra sacra e vã, tantas vezes atirada para o ar nesse querer que se torna mundano, nesse vazio impreciso tornado verdade, no entanto, no seu sacro esvoaçar se eterniza, em escassos momentos, raros amantes, por entre vidas...

Vidas distantes, tornadas uma só nessa entrelaçada explicação da alma, do terno e sensível coração.

O amor de Shakespeare, de todos os Shakespearianos, se esconde desencontrado nas estradas poeirentas e mundanas do destino, é escrevinhado a pena, desenhando letras que num ápice se fundem, num precioso e raro instante.

Nesse amor, o sacro, raro, floresce a inexplicável vontade de amar, esse entrelaçar de dedos que fortalece, esse quebrar de barreiras que solidifica, esse saber maior que nos une.

Amor, tamanho amor que bate e pulsa, que grita e se torna em melodia, que fundido num abraço nos torna um só.

Desse amor, o das imortais Odes, poucos serão os comuns mortais a o experimentar, salpicando as suas vidas nessa busca vã do nada que sobra.

Para as imortais almas que sobrevivem ao desgaste do tempo, que insistem nessa busca entre vidas, procurando incessantemente aquele eterno momento, onde pela primeira vez o sol insistiu em quebrar a barreira dos céus...

Para esses, os raros de Shakespeare, o tempo não passa, o toque não se perde, o cheiro não desaparece, o abraço é igual ao da tamanha descoberta.

Para esses, tudo é singelamente belo, nesse infinito olhar que tudo sabe, soletra, soletrando poeticamente a incerta certeza de um desmedido amor.

E viagem após viagem, no preciso sorriso desse desencontrado encontro, se repetirá, todas as vezes, a primeira.

A infindável primeira vez, naquele entrelaçado olhar que nos uniu...

Num inexplicável unir de almas.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

25
Jun20

Uma Estrada Chamada De Destino...

Filipe Vaz Correia

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A melodia invade, os acordes ecoam, as palavras se cruzam, tanto e tamanho o confuso encruzilhar de querer que acaba por desvanecer...

Nos acordes de uma poesia, tristonha e desconexa, se encontram os enigmas sombrios de pequenas questões, desenhos uniformes carregados de estupidez.

No olhar perdido daqueles que se tornam parte de mim, vejo reflectido esse absurdo narrativo do que parece inverosímil...

As arestas por limar dos que se atrevem a viver.

Por entre as melodias, os arrebatados passos, os entrelaçados gestos de hesitação...

Buscarei sempre essa verdade que se tornará indispensável.

De mãos dadas, sem medos, viverei novamente os arrepios, calafrios, interrogações constantes somadas às incongruências do tempo.

Pode ser mais fácil gritar...

Mas o grito será sempre parte desse libertador acto de resistência.

E a pueril parte de mim se envergonha, se intimida, se perde nas entrelinhas de um traço que parece definitivo.

Contínuo a viver...

Vida após vida.

Um abraço

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

19
Jun20

Ziguezagueante...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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De cada vez que olho para aquela criança perdida, com medo, seus medos, sinto que numa aguarela sentida se pincela a contradição Humana, esses receios que nos moldam, se agigantam e nos fazem caminhar por estradas diferentes.

Nesse rumo ziguezagueante, se somam as cicatrizes armazenadas na alma, aquelas secretas lágrimas que sobram, marcam, ficam...

Em silêncio, silenciosamente sussurradas nas noites frias em que a luz apagada anunciava monstros e urros, trevas e pânico.

O abrigo maior, esse abraço quieto e acolhedor, chegava, nem sempre antes do estremecer da alma, no entanto, retemperador e pacificador dessa inquietação maior.

Num olhar da janela da imberbe experiência, a correria que parecia calmaria, o serpentear de palavras e ideias confusas, complexas que amarravam a respiração, num entediante jogo de semáforos, onde se descrevia o correcto e o incorrecto.

Aprendizagens...

De cada vez que olho para aquela criança perdida, à espera do tempo, recordo o aprender constante, o moldar presente, num percorrer sem parar de uma construção imperiosa da personalidade.

Esconder medos, afastar fantasmas, tomar as rédeas de tanto sem que o tempo permitisse os tropeços num puzzle cristalino e irrequieto.

Será sempre assim?

Julgo que sim...

O medo de perder, desse perder que chega, daqueles que nos pertencem, dos que ainda não chegaram, dos que partindo se desapegaram de nós.

A criança perdida com medo de crescer, dessa pressa descrita num texto de um estimado amigo...

Olho para trás, em busca dessa criança, desse olhar pueril que outrora ambicionava querer, desejando não temer o que temendo, se guardava nas entranhas da esperança.

Olho tantas vezes para trás...

Os dias percorrem o seu destino, o nosso, nesse passo atrevido e vazio, nesse vazio a passo buscando o atrevimento solto de um tempo por resgatar.

São as palavras, nesse enredado pedaço de tela, que se atrevem a descodificar com tempero o piscar de olho, o suspiro profundo, o sorriso matreiro ou a despedida hesitante...

São elas, as palavras, que se atrevem a traduzir o que esconde o olhar, esse guardião da alma, esse bater literal do coração, esse regente secreto da memória.

De cada vez que olho para essa criança perdida, sinto as saudades de tudo, de tanto, daquilo que sonhei sonhar, das conversas e risadas pelas madrugadas, do nexo e reflexo por mais complexo que possa parecer.

Um dia...

Nas entrelinhas da memória, num encontro desconexo, talvez volte a encontrar essa criança, numa outra vida, pedaço solto de todos os pedaços de lembrança, num outro ambicionado destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

17
Jun20

Vai Voando...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Poema, poesia

contraditória superação

na inglória vontade 

deste entrelaçado coração

que sobe e desce

corre e sussurra

tropeça e cresce

sem saber

que atrás se esconde

outra vez

o mesmo abismo.

 

Um, dois, três

escrevinha o poeta

de pena ao vento

despejando a secreta

forma de tormento

que esmaga e penetra

o tortuoso sofrimento.

 

vai voando

por entre a imaginação

a doce melodia

buscando a entoação

no piano, velharia 

encostado ao canto da janela.

 

vai voando

sem parar

vai sonhando

a cantar

vai voando

mais perto do sol

dos Deuses

do nada que se transforma na imensidão de tudo.

 

vai voando

pequeno poeta

sem medo de voar

pois a queda será certa

tão certa como derradeiro esvoaçar.

 

vai voando.

 

 

 

 

16
Jun20

Fará Sentido Sentir?

Filipe Vaz Correia




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Nas entrelinhas das estrelas

voam soltas

pequenas partes da memória

vagabundeando sem cerca

aperto ou ferida

os laços de uma história

soterrada na vontade

de cada um...


na desapegada saudade

sobrevivem recordações

de tempos idos

palavras desaparecidas

amores perdidos

almas esquecidas...


e voltando atrás

escreveria novamente a mesma carta

partindo rumo ao destino

sabendo que ao chegar

vazio estaria o lugar

do prometido mar que jamais chegou...


mas o que fazer

se o coração não aprende

a soletrar cada letra dessa sorte

desespero ou morte

no ferido desapego

da infinita liberdade

de amar.


27
Mai20

O Livre Pensamento Ou A Querença De Saber?

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Nada para mim tem tanto valor quanto a lealdade, esse sentir em desuso mas que nesta alma minha ganha cada vez mais força.

Foi assim que me construí, enquanto pessoa, nessa caminhada que se tornou vida.

Estou mais velho, cada vez mais velho, sendo que a idade no BI ainda me confere o estatuto de um velho jovem, ou seja, aquele que estando nos quarentas da vida ainda não tem direito a reclamar o epíteto de velho.

Fiz-me entender?

No meio deste looping de costumes e ideias, lá me fui adaptando, amarrado a ferramentas que recebi no berço e a outras que me foram dadas por estimados amigos...

E de tropeço em tropeço lá me fui adaptando, aprendendo, decorando.

Tantas são as vezes que me apetece dizer, no meu tempo, e tantas são as vezes que silencio essa vontade, em nome de um querer maior, esse entrelaçado tempo que não pára de caminhar.

Se fosse, hoje, o mesmo que fui há trinta anos se calhar votaria num qualquer Ventura que me aparecesse à frente, aplaudindo uma qualquer ideologia que gritasse aos ventos a revolta e a gaiola ideológica onde fui forjado.

Felizmente não sou essa pessoa...

Cresci.

Estarei a explicar-me bem?

Aprendi através de pessoas, de escritos ou vozes, que importa a latitude de mundo, a querença desbaratada do outro, mesmo que esse outro seja o mais diferente lado de uma moeda que nos arrepia.

Esse contraponto, desde que civilizado, não deve ser considerado algo de somenos, antes pelo contrário, deve ser visto como um pormaior no debate de ideias.

Não era assim que eu via o mundo, trancado nas entrelinhas ideológicas do meu casulo...

Mudei?

Mudei.

Mantendo muito do que bebi no berço, os traços do desenho original, atrevi-me a deixar entrar luz sobre a pintura, a arejar a mente e a decifrar, por mim mesmo, as cores e significados dessa aguarela que o destino me entregava.

Somente isso.

Em todos os aspectos, em todos eles, olho hoje para o mundo tentando observar nas suas cores a compreensão de tamanhas escolhas, sabendo de onde parti, por onde desejo ir mas buscando sempre um significado para tão precioso destino.

Com lealdade mas sem medo de questionar.

Grato a todos os que contribuíram para esta caminhada, minha, que percorro com este infindável desejo de saber...

Não será este o desígnio de todos nós?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

05
Mai20

Destino...

Filipe Vaz Correia

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Quero lá saber

se por entre saber,

sabedoria bacoca

de mente oca,

se reescreve a história

a destemperada memória,

redesenhando algures

um pedaço de mim.

 

Porque não retenho promessas

palavras vãs ou remessas,

no meio dos dislates de alguém

escrevinhados que ficam aquém,

do que outrora foi prometido

romanceado, pedido.

 

Porque mil anos que viva

mil noites se passem,

guardarei para mim

cada estrela perdida,

cada esvoaçar sentido

sem receio de voar.

 

Pois esse voar

é o mais perfeito pincelar,

nessa tela desnuda

e muda...

 

Vagamente decifrada

por Destino.

 

 

 

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