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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Forma de Amar

 

 

 

Amar-te é contar;

Incessantemente contar,

Os momentos em que ausente estás,

Ansiosamente esperando,

Que esse regresso se apresse,

Para amenizar o sofrimento,

Que sentindo me sufoca,

Sufocando me desespera,

Sem parar...

 

Até a esse momento;

Espécie de rajada de vento,

Em que te torno a ver,

Vislumbrando assim,

Esse pedaço de mim,

Que em teu coração bate...

 

É esse pequeno amor;

Que se torna grande em meus olhos,

Se expressa em teu sorriso,

Se liberta nesta alma minha,

Que é tua...

 

É simplesmente assim;

Que me atrevo a descrever,

Esse querer sem fim,

Eterno escrever,

Da melodia...

 

Desta melodiosa forma;

De amar.

 

 

 

Todos Os Meus Dias São Teus...

 

Uma sala vazia, silenciosamente vazia...

Por cada silencio, despido de tudo, se inquieta a memória, esse pedaço de uma história que se cumpre todos os dias, nesse compasso temporal, infinito.

No olhar se encerram palavras, repletas de sinceridade, encontros e desencontros, laços entrelaçados, em dias e noites de desesperada emoção...

Portas entre-abertas, vislumbrando de soslaio as vidas que ficaram presas nesse amor, nesse desejo, recanto desencontrado.

Será que se pode cumprir, o que sente um tímido coração?

Será que se pode cumprir, o que se esconde na imberbe alma?

Dúvidas que insistem em permanecer, que permanecem insistentes, repetindo as interrogações sem resposta.

Numa viagem sem retorno, num vai e vem, caminhar, percorrendo sem regresso tantos e tantos destinos entrelaçados...

E nesse intervalo de esperança, nesse cruzar de um pormenor, deixo livremente voar, essa pequena partícula de mim que te conhece...

Que desconhecendo te pertence, que te pertencendo se completa.

Mesmo que não se entenda, perdido por entre o baralhar de tantas vidas, mesmo assim...

Nesse intervalo somente nosso, saberemos sempre que assim é, que assim foi, que assim eternamente será.

Porque só assim faz sentido, sentindo desmesuradamente em cada sorriso teu, a cada olhar tão teu, que nada mais tem importância...

Nada mais é importante.

Pois todos os meu dias são teus.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Tantas Estrelas...

 

Todas as estrelas caídas no chão, transformadas em pedra da calçada, sem brilho, sem luz, sem vida...

Todas as estrelas do céu se desprenderam, perderam as invisíveis asas que as sustentavam ali em cima, no alto dos sonhos, tão perto de Deus.

O vento intensificava a sua vontade, arremessando a saudade de um brilho que se esfumou, extinguiu.

A escuridão abraçava o horizonte, carregando de desesperança o olhar de todos, os que sem pressa, se afundavam no breu...

Num breu desesperante que insistia em arrancar dos silêncios, o injustificado sentido desse destino.

Caminhei por entre esse silêncio, por entre tantas estrelas mortas, mortificadas, esquecidas desse sentido que outrora parecia eterno.

Como não chorar, deixando que dentro de mim se liberte a inesperada razão, para que continue a bater esse coração meu, perdido por entre as estrelas que insisto em descrever...

Por entre o brilho ausente que insisto em referir...

Por entre essa estranha dor que aumenta sem parar, que não pára de aumentar, que desmedidamente me sufoca sem silenciar o grito surdo de tamanho abismo...

Como?

Caminhei sem olhar para trás...

Como se lá atrás, ficasse guardada eternamente a mágoa, a indiferença de erros e contradições, de desejos perdidos, perdidamente apaixonantes.

Nada poderia mudar, nem o brilho das minhas estrelas resgatar...

Nada.

Continuei a caminhar, olhando para o céu, despido de tudo, coberto de nada, dos tamanhos nadas que constroem esta história...

Tantas historias que ficando por escrever, poderiam aqui encaixar.

Talvez um dia o meu céu volte a brilhar, a ter estrelas nele a cintilar, mas até lá...

Vou continuar a sonhar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Dia Da Mãe

 

 

 

Tantos dias como este;

Singela ausência,

Da tua presença,

Amarrado desgosto,

Do desaparecido rosto,

Teu...

 

Tantos momentos se passaram;

Nesta busca intemporal pelo teu cheiro,

Pelas palavras que me aconchegavam,

Por entre esta dor...

 

Tanto vazio;

Que se quebra nas memórias,

Nessas valiosas recordações que ficaram...

 

Como quero chorar;

De cada vez que sinto,

Essa falta tua,

Amor meu...

 

Dia da Mãe;

Sem te poder abraçar,

Olhando para o céu,

Tentando nele descobrir,

Um teu sinal...

 

Mas sobra o amor;

Esse pedaço de mim,

Que eternamente será teu,

Essa pequena palavra,

Que me ensinaste a soletrar...

 

No meu coração;

Todos os dias,

São teus...

 

Minha querida Mãe.

 

 

 

 

Vezes Sem Conta!

 

 

 

Tenho tanta vontade de sentir;

Novamente sentir,

O sentido bater,

Contraditório fugir,

Da alma a querer,

Querendo pedir,

Que volte a viver,

Repetidamente,

Vezes sem conta...

 

Vezes sem conta;

No mesmo lugar,

Vezes sem conta,

Aquele abraçar,

Vezes sem conta,

Nossas mãos entrelaçar,

Vezes sem conta,

O desmedido amar,

Vezes sem conta,

No teu olhar...

 

Tenho tanta vontade;

De resgatar da saudade,

Essa asfixiante verdade,

Sem fim...

 

Amo-te inteiramente;

Eternamente,

Como se fosse sempre,

A primeira vez.

 

 

Como Dói Um Grande Amor?

 

Não tenho palavras para esta despedida...

Pois palavras não existem para descrever o que dita a ingénua alma que um dia acreditou na eternidade de tamanho sentimento.

Não existe céu capaz de cobrir a imensidão do que se esconde por entre o silêncio ruidoso, ruidosamente soletrando o que desabridamente se expressa no olhar.

Não cora o rosto que sabendo deste adeus, disfarça timidamente para que nada se torne eterno na mente entristecida, retrato de um desgosto indisfarçável.

Não grita a voz, embargada pelas memórias só nossas...

Tão nossas que se diluíram neste destempero tornado em realidade.

São assim as despedidas de amor ou talvez não...

Talvez poucas se possam mostrar tão doloridas, tão dolorosas como a centelha que incendeia a triste alma, tão cortantes como a dor de tamanha separação.

Não sei viver sem esse respirar teu que me completa, essa parte de mim que se perde em ti, mesmo que despedaçada, despedaçadamente procurando um teu sinal...

Mas não basta buscar esse amor, essa partícula imaculada de um cristalino sentimento, tão puro quanto raro, tão meu que ao mesmo tempo se confunde contigo.

Não basta querer voltar encontrar, quando se perderam por entre as palavras renegadas, por entre as vontades esquecidas, as tristes lágrimas que insisti em esconder...

Não basta querer acreditar que poderemos sobrevoar o tempo, uma e outra vez, voando sem asas, sem esperança ou fé.

Tantas palavras por escrever, por gritar, sussurrando ardentemente o descompasso em que se tornou o triste olhar meu.

Mas sabes bem...

Sabes bem que o compasso deste sentimento se renova sem explicação, se mantém sem mais nada, singelamente fiel a cada pedaço dessa História que nos pertence.

E por isso sem palavras, apenas gritando o silêncio...

Se despede o eterno amor, discretamente contando que numa bela noite de verão, partiu esse último recanto do meu coração.

Até sempre meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

A Minha Montanha

 

 

 

Do alto da minha montanha;

Vislumbro ao longe,

Bem ao longe,

Quase se perdendo no olhar,

As asas que timidamente,

Insisto em não usar...

 

Do alto dessa montanha;

Hesito em partir,

Deixar para trás a presente tristeza,

Que persiste em ferir,

O que há muito desvaneceu...

 

Do alto daquela montanha;

Vejo passado e o presente,

Esse futuro que se pressente,

O querer agora ausente,

Só mágoa,

Tão minha...

 

Do alto desta montanha;

Me despeço de ti,

E abraço sem fim,

Essa parte de mim,

Que ainda é capaz de sonhar...

 

Sonhar!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sorriso...

 

 

 

Vai se perdendo o sorriso;

Sem deixar de sorrir,

Mesmo que esse sorriso,

Seja apenas a fingir...

 

Fingindo que é verdade;

A ausente tristeza,

Que não é saudade,

Essa incerta certeza,

Que sinto...

 

Sentindo sempre a bater;

Esse amor no coração,

Espécie de sofrer,

Sofredora desilusão...

 

E vai sobrando esse sorrir;

Estranha forma de disfarçar,

Essa mágoa a ferir,

Em que se tornou,

Este amar.

 

 

 

Quem Já Sofreu De Amor?

 

Gritos e mais gritos, silêncios e mais nada, vozes sussurradas sem alma, despojadas de um querer desamparado.

Poética contradição, desesperada forma de expressar aquilo que se guarda no secreto recanto do Ser, dessa parte secreta que sendo discreta, não se cansa de sentir.

Palavras soltas, reflectindo tantas e tantas voltas imperfeitas, sabores e odores, ódios e amores, imprecisos no olhar.

Já não sei como escrever, sendo a escrita amargurada, já não sei como gritar, o tamanho grito envergonhado.

Não vou fugir, voar por entre o céu pejado de nuvens, as mesmas nuvens que servem de abrigo às lágrimas, que há muito me aprisionam...

Não quero fugir de um abraço, distante regaço, que já não me pertence.

Poderia escrever eternamente, mesmo que as palavras se tornassem ausentes e que as letras me brindassem com o vazio...

Mesmo que esse vazio fosse o único destino da minha alma.

Por vezes é difícil descrever a infinita dor de uma tristeza, tão grande tristeza, meio nobreza, de uma eterna separação...

Por vezes é difícil explicar ao coração, que esse sentir não passará de ardor, que aquele sofrer se tornará eternamente dor e que por fim...

Por fim a distancia será a constância desse viver.

Mas apenas isso se tornará...

Apenas esse momento ficará.

E vai passando o destino, se afastando o encontro, adiando o desencontro que não fugirá.

Restará cada segundo que valeu a pena, cada momento sem arrependimentos, cada pedaço sincero vivido...

Sem medo, sem receio, sem olhar para trás.

Sempre sorrindo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Perdi-me...

 

 

 

Perdi-me no meio do nada;

Um vazio constante,

Perdidamente triste,

Saudade penetrante,

Olhando para trás,

Para trás hesitante,

Tentando descodificar,

Esse medo sufocante,

Que sufocando,

Me aprisiona...

 

Perdi-me sem saber;

Que me perdendo perderia,

Essa espécie de querer,

Que querendo amputaria,

Este meu coração...

 

Perdi-me...

 

Para não mais te encontrar.