Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

16
Abr21

Diz-me Se Sabes Voar...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

487227B1-931E-46F7-BADE-718609ACC66F.jpeg

 

 

 

Diz-me o que vês, sem medo de sentir, sem receio de querer, sem nada a temer, como se nada importasse ou nenhum vislumbre de temor ganhasse cor, por entre, o céu azul despido que se impõe no horizonte.

Diz-me...

Palavras que ganham força na expressão ensaiada, sem barreiras, artimanhas, arte e manhas, contradição constante que se aprisiona no fundo do sentir inquieto, desse inquietante sentir que amolga e esventra, grita e ensurdece, se perde e se esquece.

Nas entrelinhas, entre copos, vão ganhando vida as pinceladas de cada passo, pegadas, marcadas na caminhada, por essa entrelaçada estrada sem sentido...

Tamanhos sentidos num vai e vem que confunde mas amarra, descobre e aperta, seduz e apega.

Beijos em nuvens, sorrisos em ondas, vagas de abraços no meio de sonhos, peças perdidas que se atrevem a contar pequenas partes não vividas, pedaços de mim que não esqueci, não sabendo que já vivera.

Sabes lá...

Na expressão maior de um conto, vão escorrendo pelo rosto lágrimas que não sabia me pertencerem, mágoas despidas que não sabia feridas, amarguras de inéditas aventuras que julgava pertencerem a outro olhar, num outro lugar, sem medo de amar, sem receio de voltar, de voltar a mergulhar nesse mar...

Que afinal também me pertence.

Ruas e ruelas, estranhas vielas, doces encontros com sabor a canela que marcam eternamente a solitária pena que vos escreve.

Diz-me só mais uma vez, onde se perdeu cada vírgula desta história que regressa a mim, em mim, de ti.

Diz-me se será amor esta espécie de odor que me invade em cada sonho, a cada  desgosto medonho que sorri do outro lado do querer.

Tantas coisas para dizer, por dizer, que querendo dizer permanecerão nessas entrelinhas que se tornaram sua casa...

Pedaço de asa onde, por vezes, se atreve a voar.

Diz-me então se sabes voar, pequeno, retrato de outrora.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

01
Abr21

Imaginava... Imaginar!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

As luzes do palco ligadas...

A sala cheia, repleta de gente, olhares, sussurros quase murros desnudando a solitária alma de um artista.

E o sorriso, o meu, como escudo da terna e frágil criança, que se esconde temendo a tamanha voracidade, desse desconhecido desconhecer.

As luzes ligadas, a sala repleta de pessoas e eu...

Caminhando de um lado para o outro desse palco, contando os momentos, cada momento, em que o sofredor sentimento pudesse se libertar, numa mistura de batimentos que aceleram o coração.

Cada passo, entrelaçado, vai fazendo disparar o raciocínio, que sendo meu se agiganta, ultrapassa o sonho e se imortaliza num gigantesco abraço com a recordação...

Mesmo se perdendo, desvanecendo, desaparecendo, sem retorno.

Já não existem "papões" escondidos debaixo da cama, nem buracos negros no tecto, apenas desencantamento no olhar, num desencantar que melodiosamente permanece, se entranha, se amarra.

As luzes do palco...

Apagaram as luzes do palco...

Sobrando o silêncio, o vazio, aquele abraçar que só a imaginação te pode dar.

Ninguém como companhia, e o sorriso de partida, como capa despida, mostrando no escuro a leve ferida que perdura.

Sem luzes, sem gente, adormece a dormente esperança de um poema declamado, de um beijo salgado, de um futuro já passado, de tudo o que um dia imaginei...

Ou que imaginava, imaginar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

31
Mar21

Menino...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Suspenso no ar;

Numa redoma de encantar,

Vai caminhando o menino,

Buscando esse destino,

Que desmesuradamente perdeu,

Quando a ternura desvaneceu,

E lhe sobrou a tristeza,

Pedaço de dor sem beleza,

Que é solitária e ardente,

Sufocando loucamente,

Como se um dia,

Se pudesse tornar poesia...

 

E perdido o menino se encontrou;

Por entre a mágoa que chegou,

Sorrindo disfarçado,

Num desabafo entrelaçado,

Olhando para trás no tempo,

Procurando aquele momento,

Que para sempre ficou marcado,

Como o dia amargurado...

 

De tua partida.

 

 

27
Mar21

Noite Estrelada...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Em alto mar espreitei o céu;

Desesperadamente estrelado,

Num brilho desmedido,

Que acendia em mim,

Um desejo sem fim,

De reencontrar...

 

O que não sei.

 

Nesse misterioso sentir;

Amarrei na alma,

Cada pedaço de estrela envergonhada,

Que brindava a minha curiosidade,

Numa mistura encantada,

De amor e saudade...

 

E em alto mar;

Sonhei...

 

Do alto desse mar;

Chorei...

 

No sobressalto daquele mar;

Acreditei,

Que poderia voar...

 

E voando;

Sobrevooei a tamanha eternidade,

Para te encontrar.

 

 

26
Mar21

Porque Sim...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

557EE1E7-9EF7-4537-A778-E174ED795C19.jpeg

 

 

Porque terá de ser assim? Porque dói a tamanha dor, sem disfarçar o ardor que arde desmesuradamente, fogo ardente que não se apaga... Jamais... Porque se enchem os olhos de maresia, se sabe bem o coração que as ondas não voltam, não regressam, nem no tempo, nem no disfarçado sofrimento que em algum momento se reacende. Por vezes faltam as palavras, as mesmas que sobram a cada recordação, por vezes se calam as certezas, dando lugar ao vazio que sempre volta. Esse vazio que se transforma em vida, sempre que ausente se encontra aquele bater, tic tac, carregado de timidez, silenciado em nome de um destinado imprevisto, chamado de amor. E em fuga se encontra, continuando escapando, vezes sem conta, sem olhar para trás com o receio desse medo maior... Porque terá de ser assim? Quantas questões... Reflexões perdidas diante do mar que não se cala, pois esse chega e abala, não pedindo permissão, apenas assistindo silencioso, num agigantar que nos suplanta, arrebata, esmaga. E sentado na areia, molhando os pés... Misturando as lágrimas do rosto com aquelas que brotam da imensidão desse mar que por um instante me pertence, me interrogo... Porque terá de ser assim? E porque não teria? Se é maresia, de noite ou dia, enquanto doía e tenuemente sorria, sempre assim... Despida, em ferida, a alma escondida que finge saber sentir. Porque terá de ser assim? Sem mais... Porque sim.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

11
Mar21

Ó Velho

Filipe Vaz Correia

 

 

 

50034A49-25C0-425A-A74B-26BCC6C75276.jpeg

 

 

Vejo nessas rugas;

A passagem do tempo,

Alegrias e tristezas,

Marcado sofrimento,

Que ficou aprisionado ao rosto...

 

Nessas mãos enrugadas;

Palavras e feridas,

Mágoas passadas,

Lágrimas sentidas,

Inesquecivelmente...

 

Nesse olhar distante;

Amarguradamente gasto,

Regressam memórias sufocantes,

Que pareciam silenciadas...

 

Em cada parte de ti;

Ó velho...

 

Em cada parte de ti;

Vivem pedaços dos teus,

De cada um que contigo se cruzou,

Nesse pedaço de vida,

Que foi a tua história...

 

Em cada parte de ti;

Ó velho.

 

 

 

 

10
Mar21

O Céu E o Tempo...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

24022EB7-18C3-41DC-87FC-3BF4E88D9512.jpeg

 

 

Estou cansado de escrever, por entre linhas e linhas de prosa ou poesia, a melancólica dor que invade, em cada pedaço deste céu, os meus solitários pensamentos...

Límpido e cristalino, carregado de histórias indecifráveis, de recordações memoráveis, desejos e esconderijos, sonhos e arrependimentos, vãs palavras ou singelos gestos de afecto.

Quantos olhares se perdem neste instante, por debaixo deste mesmo céu?

Quantas lágrimas correm pelos mais variados rostos, enquanto se entrelaçam renovadas gargalhadas em forma de contraste?

Quantos se perderam a olhar para o estrelado céu antes de uma batalha, de uma decisão, de uma despedida, de um findar daquele imenso amor?

Um calor abrasador...

Tão abrasador como sedutor, numa mistura insinuante de vida, de um intemporal sentir que parece reacender despudoradamente.

Quantas vozes buscam o ecoar da sua alma?

Quantas almas procuram por entre o brilho desse luar, aquele mágico momento, onde fará sentido o bater esperançoso de um destino?

Quantas...

Tamanhos os mistérios num rebuliço permanente, onde as gentes caminham loucamente sem parar, não conseguindo amarrar a cada pedaço desse destino, o sonho que desejaram resgatar.

Não existe tempo, nem tempo para existir...

Encerro aqui estas desconexas linhas, as tamanhas interrogações intermitentes que parecem buscar um sentido, mesmo que desencontradamente desalinhadas ou desalinhadamente desencontradas.

Apagam-se as luzes, escuta-se o silêncio, a contraditória saudade que se perdeu, daquilo que ficou por conquistar, cobardemente esquecido em tempos perdidos...

E continua o céu a sobrevoar o tempo, de todos nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Comentários recentes

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts destacados

Pesquisar

Calendário

Abril 2021

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930

Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Em destaque no SAPO Blogs
pub