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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Parabéns Mãe

Filipe Vaz Correia, 02.06.22

 

A minha Mãe faria hoje 87 anos, partiu há quase 12...

O tempo na sua infinita crueldade e contraditória calmaria traz esse doce amargo de boca que é a relativização da dor, da perda.

No entanto, pelo menos no meu caso, a ferida permanece aberta, flamejante, pujante na saudade, nesse arfar quase sufocante de um adeus que não pode ser real, do cortar de um cordão umbilical que se torna espiritual.

O dia de sua partida foi o mais triste de minha vida, este dia 2 de Junho era habitualmente um dos mais felizes do ano.

Ia quase sempre à casa batalha onde facilmente encontrava um presente que fosse a cara de minha querida Mãe, colares, anéis, encharques...

Hoje apenas escrevo estas linhas, perco-me no pensamento, busco em mim partes que lhe pertencerão.

Parabéns Mãe.

Amor da minha vida.

 

Do sempre teu;

 

 

Pipo

 

 

Interminavelmente…

Filipe Vaz Correia, 01.06.22

 

 

Vou tentar descrever;

Escrevendo o que sinto por ti,

Sem saber como dizer,

O quão imenso é...

 

É uma forma de sonhar;

Um sorriso discreto,

Um simples escutar,

Desse bater secreto,

Da minha alma...

 

É um querer constante;

Uma verdadeira constatação,

Um prazer viajante,

Viajando pelo meu coração...

 

É um desejo indescritível;

Um carinho arrebatador,

Um mundo indecifrável,

Denominado de amor...

 

É um pedaço de ternura;

Voando através do tempo,

Guardando a eterna candura,

Do meu sentimento...

 

É ardor sem temor;

É buscar sem parar,

Na alegria ou na dor,

Abraçar, Amparar...

 

É tudo isto; 

Interminavelmente...

 

 

Sangue Do Meu Sangue… “Uma História No Paquistão”

Filipe Vaz Correia, 27.05.22

 

 

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Sangue do meu sangue...

Nada mais irónico e trágico para o caso das duas irmãs Paquistanesas, Arooj e Aneesa, que se viram assassinadas às mãos da sua própria família, neste caso irmãos e primos.

As duas jovens, residentes em Espanha, terão sido atraídas ao Paquistão com a encenação de que a sua Mãe estaria a morrer, falsidade esta que fez parte de um plano para levar a cabo este crime de "honra".

O crime que as levou a este triste fim foi simplesmente o facto de as duas quererem o divórcio dos seus maridos, casamentos arranjados contra a sua vontade.

Este desfecho traz à liça esta espécie de horror que se pratica em alguns países do mundo, Índia e Paquistão são apenas alguns exemplos, e que nos recorda de como estamos muito longe de um mundo coadunante com os direitos humanos e a liberdade de escolha.

Basta percorrer esta história para se arrepiar a alma de todos aqueles que defendem o direito à individualidade e ao livre arbítrio de todos, homens ou mulheres.

Nestes casos, assim como no caso dos dois jovens mortos no Irão por serem homossexuais foram as suas famílias os seus algozes, os seus carrascos, os seus executores...

Um pormenor que se torna um pormaior e que faz pensar que o sangue por vezes é menos relevante do que as normas retrógradas, bárbaras e selvagens de algumas sociedades.

Que nos sirva de lição...

Mas infelizmente acredito que não.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Sem ti…

Filipe Vaz Correia, 25.05.22

 

 

 

Sem ti;

faltam-me dedos na mão;

unhas e pele,

falta-me sangue nas veias,

pestanas e sobrancelhas...

 

Falta-me uma perna e um braço;

e um pequeno pedaço do nariz

mas não vejam esta imagem como um embaraço

ou um desenho traçado a giz...

Faltam-me por vezes as palavras;

palavras carregadas de intenções,

expressões preparadas,

para desarmar as minhas maldições.

Falta-me força de vontade;

e asas para voar,

sob as penas da saudade,

do que outrora se atreveu a passar...

 

Falta-me tanto e tão pouco;

nesta aventura desventurada,

meio trajecto louco,

inventado numa berma de estrada...

 

E assim vou caminhando;

solitariamente despedaçado

em busca de te encontrar

meu outro lado imaginado.

 

E se a lua tem duas faces;

e o sol duas moradas,

então continuarei a buscar,

em cada amanhecer,

a cada anoitecer,

um rastilho de ti.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Livro de Cabeceira

Filipe Vaz Correia, 24.05.22


Tenho medo de voar, do rosmaninho e da salsa, dos coentros e dos espargos, da generalidade dos receios.

Tenho vontades e saudades, contradições de sobra, demasia repleta de preto, orvalho que antecipa trovoada.

Tenho soletradas canções em noites de luar, perpetuando a musicalidade escondida em teus abraços.

Prosas e poesias de encantar, nesses beijos em forma de toque, em cada partícula de teu sabor perdido em mim, perdido no meu.

Quero, quero muito, nesse querer que se entrelaça na tua pele, nesse adeus que insistimos em manter...

Volta o tic tac do relógio, o desespero plasmado em teu rosto, ou será no meu?, as voltas empedernidas do quotidiano.

Soletro cada parte de ti na memória, esperando que se guarde a nossa história num bonito livro de cabeceira.

E se um dia sonhares, tentando recordar o que fomos, que pinceles numa tela em branco o pulsar do nosso amor...

Ou o cantar de um trovador.

 

 

Filipe Vaz Correia