Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

"A Mais Pura Forma De Amor"...

 

 

 

Nos teus lábios;

Se escrevem as palavras certas,

Se libertam os desejos imaginados,

Se pintam as telas mais belas,

Dos sonos encantados...

 

No teu olhar;

Se escondem os abraços,

As dores sofridas,

Os tamanhos espaços,

De vidas outrora vividas...

 

No calor do teu corpo;

Se amarram os segredos,

Que perdurarão por entre o tempo,

Anseios e medos,

Eternos momentos de ternura...

 

De tão nobre ternura;

Tornada aventura,

Dessa candura,

Mais pura...

 

"A mais pura forma de amor"...

 

 

 

Reflexões Poéticas...

 

Como teria sido diferente se tivesse escolhido outro rumo, outro caminho a percorrer, outras voltas...

Se tivesse voado mais cedo e mais cedo escapasse pelo mundo, abraçando a imensidão de um destino, tão vasto como a imaginação mundana da alma.

Mas o que teria perdido?

Como poderia resgatar o que me preenche, quem me preenche?

Tantas interrogações, sendo que pelo meio das dúvidas sobram as certezas, as incertas querenças que se transformam em vontades, entrelaçadas saudades do que desconheço...

Ou que conhecendo não quis perder.

É assim a mundana caminhada de um olhar, de uma alma.

No íntimo desse existir que me pertence, sei bem que nada mudaria ou mudando...

Aqui queria, voltar, a estar.

Como diz a canção:

"Eu quero partilhar, a vida boa com você..."

Assim sem mais, sobra à imaginação, pincelar num quadro de aguarelas, os pequenos traços de um destino, curiosamente preguiçoso, carregado de uma saudade desse passado que adoraria voltar a viver.

Como escreveria minha Mãe:

"Viveria tudo novamente, se soubesse que me traria até ti."

Que saudades.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

"Coração De Esferovite"

 

 

 

Por vezes parece desistir;

Outras fraquejar,

Tantas vezes quer insistir,

As mesmas que sente hesitar,

Nesse eterno existir,

Que não quer findar,

Somente fugir,

Escapar...

 

Mas nada;

Se permite,

Tudo, tudo,

Se omite,

Pequeno,

Coração de esferovite...

 

Bate e pulsa;

Como se fosse verdadeiro,

Sente e chora,

Como se permanecesse inteiro,

Grita e se agita,

Num amor derradeiro...

 

E guardada na memória;

Sobrará a vontade,

De uma bela história,

Carregada de saudade,

Num singelo gesto de carinho...

 

Leve, leve;

Permanecerá o querer,

Voando sem medo,

De sofrer...

 

O pequeno coração de esferovite.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um Amor De Verão...

 

Faça frio ou calor... Faça o tempo que fizer, demore o tempo que demorar, a teus braços regressarei, em teu braços voltarei a estar. Sem medos ou receios, as palavras saiam da boca, descontroladamente aquecidas pelos lábios apaixonados, de um louco e insano querer. Um querer maior do que esse pueril tempo que marcava o momento, os momentos, os intemporais momentos de um verão. Mas como julgar a imberbe juventude? Como interromper essa esperança, incapaz de saber, o que ainda desconhece? Naquele instante faz sentido sentir, aquele sentir maior que é amor, um amor que só aquele coração conhece, reconhece, se atreve a conhecer. Como é belo este imperfeito pedaço de uma perfeita imperfeição e que jamais voltará a ter tamanho valor? Como explicar que nada será tão poético como aquela despedida? Naquele verão se desnudam sentimentos, se amarram dores, se perdem ilusões que se misturam com as lágrimas que percorrem o rosto. Parece que esmaga e esventra, o perder das palavras, o ser efémero... Parece que esventra e esmaga não abraçar aqueles beijos e guarda-los eternamente, não poder escapar, por entre, as páginas de um livro e viver para sempre ali. Voltei várias vezes à mesma praia, aos mesmos locais, olhando para o mesmo horizonte... Busquei-te as mesmas vezes e as mesmas vezes te encontrei. Mas os teus olhos já não eram aqueles que guardei junto a mim, talvez os meus também não, para ti. Aquelas pessoas não eram as mesmas. Crescemos... Mudámos. Voltei verão após verão mas tudo mudou, se transformou, desaparecendo a inocência que alimentara tamanho amor. Sobrou a desilusão, a crescida mudança, carregada desesperança, marcada forma de ser adulto. Apaguei as linhas do caderno, arranquei as folhas acrescentadas e fechei-o... Ali o tempo não passaria, nem morreria o nosso inocente amor, pois naquele caderno, esse verão seria eterno. Assim como eterno deveria ser um amor de verão. 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Um Amor Maior

 

 

 

Tua mão em minha mão;

Teu olhar em meu olhar,

Tua pele na minha pele,

Teu cheiro misturado com o meu...

 

Meu presente sendo o teu;

Nosso instante sendo eterno,

Sem passado ou futuro,

Somente agora...

 

Nesse agora;

Que se mistura com o destino,

Destinadamente pequeno,

Para expressar a imensidão de um amor...

 

Tua mão em minha mão;

Teu olhar em meu olhar,

Tua pele em minha pele,

Teu cheiro misturado com o meu...

 

E assim sempre;

Repetidamente...

 

Pela eterna;

Eternidade.

 

 

 

 

 

Aquele Inverno...

 

É inverno...

Chove do lado de fora da janela, por entre, a escuridão que cobre as ruas, que desnuda a solidão daqueles que se entrelaçam com o destino, sem saberem reescrever a sua canção.

Na melodia de uma vida, carregada de solidão num inverno, mora essa destemperada vontade de correr rumo à infinitude maior, desse Ser Humano sem sentido.

Já  outrora Cartola cantou que "o mundo é um moinho", num desafiar lírico do querer, do entendimento menor da imensidão humana.

Mas o que fazer?

O que gritar...

Se no olhar das gentes se perde a querença, em cada pedaço de tempo se vai desvanecendo, se vai cedendo, perante os dias corridos diante do espelho reflectido de nós mesmos.

É inverno...

Sem vozes ou brilho, sem abraços ou afagos, sem nada que aqueça a alma, pois a alma desnudada, espantada está com o correr do tempo.

Sempre o tempo, levando o momento para a eternidade dos arrependimentos...

Dos nadas que se transformaram em tudos, dos rostos perdidos jamais repetidos, das noites estreladas outrora brilhantes e agora desencontradas.

É inverno e está a chover...

E eu sem ti, sem nada que me resgate nesse tempo, para num momento te voltar a beijar.

É inverno...

Meu amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Carinho Meu...

 

 

 

Dou-te a mão;

Uma vez mais,

E uma vez mais,

Parece pouco tempo...

 

Num intervalo estrelar;

Inebriada vontade,

Amarrado olhar,

Carregada saudade...

 

Dou-te a mão;

Sem hesitar,

E volto a me perder,

Em ti...

 

Pois é amor;

O que sinto;

Intenso ardor,

Faminto...

 

É nesse mundo paralelo;

Que se esconde tamanha beleza,

Nesse quadro tão belo,

Que se entrelaça a certeza...

 

Dou-te a mão;

E a alma,

O secreto coração,

Que sendo meu...

 

Só a ti pertence.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meus Fantasmas...

 

 

 

Tanto rancor no olhar;

Azedume na expressão,

Desconfiança a ficar,

Em cada gesto ou emoção,

Marcadamente a irritar,

O que guarda o coração...

 

Ficaram cicatrizes e feridas;

Que se repetem ao acordar,

Mágoas revividas,

Revividas sem parar...

 

Por isso as noites tanto assustam;

Os dias tanto gritam,

Agitando medos,

Segredos,

Fantasmas...

 

Desesperada felicidade;

Porque te escondes?

Se não alcançam as minhas asas,

O teu destino...

 

Nosso desatino.

 

Sonhei adormecer...

 

E adormeci a sonhar.

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas Asas...

 

 

 

Nas asas da imaginação;

Se esconde o verdadeiro,

Pedaço de sedução,

Que se torna primeiro,

Amarrado à emoção,

Desse beijo derradeiro...

 

Nas asas do vento;

São levadas memórias,

Dores e sofrimentos,

Esquecidas histórias,

Desventurados tormentos...

 

Nas asas da vida;

Se coleccionam páginas,

Por vezes, carregadas de feridas,

Por outras, despojadas de tudo...

 

Nas asas de um texto;

Se vão perdendo lágrimas desencontradas,

Vozes soletradas,

Pedaços de uma canção...

 

Nas asas...

 

 

 

 

Parte De Mim...

 

 

 

É difícil;

Para mim...

 

Viver sem ti;

Respirar ardentemente,

Sem esse cheiro,

Que é teu,

Esse sabor que se mistura,

Na alma...

 

É difícil;

Assim...

 

Disfarçar no olhar,

O querer sem fim,

Que se torna em amar,

Sempre que o coração bate...

 

É difícil;

Sonhar...

 

Sem saber encontrar,

Esse pedaço de amor,

Suave definidor,

De um destino...

 

Pois se te magoa;

Me fere,

Se te mata,

Me trespassa,

Se te atinge,

Me consome...

 

Porque é mais do que um amor...

 És parte de mim.