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Caneca de Letras

Caneca de Letras

10
Ago19

O Bater De Asa

Filipe Vaz Correia

 

Bater as asas...

Frase tão forte e definitiva, tão triste e afirmativa, tão libertadora e saudosista.

Nunca um momento terá a tamanha importância desse bater de asa que se tornará marcante, definitivamente marcante.

Nenhuma poesia ou prosa conseguirá pincelar, com precisão, cada curvilínea parte dessa tela, cada esboço entrelaçado desse instante, cada tremer existente nesse presente segundo.

Quando se bate a asa e se levanta voo, sobra a sensação de perda, desse deixar para trás, sem abandonar, desde partir deixando sempre um pouco de nós.

Mas esse mundo novo que nos espera, essa sensação do que por descobrir está, alimenta a imaginação, a independência que estando por construir seduz, nesse sonho que só a nós pertencerá.

Bater as asas e voar...

Como um pequeno pássaro arriscando saltar do ninho, sem olhar para trás, sem olhar para aquele local onde moram as certezas, as seguranças, enfim, esse passado presente que aconchega.

É nesse bater de asas que se constrói o futuro, esse horizonte carregado de desconhecidos momentos, duros e leves, preenchido de lágrimas e sorrisos, de amores e desamores, talvez dor e ardor.

Nesse futuro pincelado pela nossa mão, sem bússola ou co-piloto, morarão os capítulos dessa história por chegar e que chegando nos levarão ao infinito momento onde nos recordaremos do preciso instante em que, pela primeira vez, batemos as asas.

E aí...

Serão as saudades do ninho que irão valorizar cada bater dessas asas, das nossas asas, rumo ao infinito destino.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

09
Ago19

O Desenho De Tantas Vidas...

Filipe Vaz Correia

 

Não sei explicar, não consigo gritar, não se entrelaça esse expressar que poderia desenhar cada palavra deste texto.

Música ao fundo, silenciosamente tocando, olhos cerrados, meio perdidos em mim, por entre, aquela voz interior que soletra desapegadamente o sentir maior, tão maior como a imensidão da esperança, aquela inocente esperança, outrora inexpugnável, agora despida de crença, amarrada a feridas, sabedorias doridas, de estranhas caídas ilusões.

O palco montado, as luzes presentes, o brilho tornado verdade, numa misturada saudade que não quero perder...

Estranha saudade esta que parece resgatar a palavra, cada palavra, cada dor ardente, amor que se sente, ardor que desmente a tamanha crueldade.

Já me perdi no meio das vírgulas e pontos que se intrometem por este texto, me desencontrei com os prometidos encontros que ficaram nesse passado, esquecido, desmentido, cravado naquele horizonte que já não vislumbro.

Abro os olhos...

Finjo não perceber que a tinta da pena se extinguiu, que se perdeu o rosto e o tempo, transformado em desgosto e tormento, tempero preciso para tão impreciso caminho, árduo caminho de um desatinado destino.

Em cada linha, por cada destemperada linha de um secreto texto, se completa o desenho de tantas vidas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

30
Set17

Geométrico Coração...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Consigo ver através do escuro;

Os silêncios desenhados,

Consigo adivinhar o futuro,

Por entre círculos e quadrados...

 

Formas geométricas;

Destinos coloridos,

Caminhos assimétricos,

Dias repetidos...

 

Lua nova ou minguante,

Pouco importa, para mim,

Lágrima errante,

Que sufoca sem fim...

 

Que sufoca com empenho;

A alma aprisionada,

Aprisionando ao desenho,

A imagem desejada...

 

Feita por rabiscos,

De um geométrico coração.

 

 

04
Mai17

Desenho!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Um pequeno traço;

Um esboço da imaginação,

Cada linha, por cada espaço,

Um retrato de emoção...

 

Uma cor;

E depois outra,

Talvez a dor,

De um perdido amor...

 

Sobra esquecida;

Renovada pincelada,

Quiçá escondida,

Quiçá amargurada...

 

E olhando para o papel;

Descobrindo esse desenho,

Encontrando na ponta desse pincel,

O colorido desencontro do destino!

 

 

 

 

 

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