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Caneca de Letras

Caneca de Letras

28
Dez19

Nem Sempre...

Filipe Vaz Correia

 

Nem sempre sei expressar o quanto te amo...

Nem sempre, por dor ou excesso de amor, consigo construir por palavras as imensas equações poéticas que se conjugam no teu olhar...

Nem sempre sei sorrir quando dói esse ardor, quando se despe sem pudor o ciúme, crescente temor de te perder...

Nem sempre...

Nem sempre, na palavra ausente está presente esse pedaço de querença que se apressa num abraço, pedaço de regaço que se expressa nesse suspender do tempo, quando te tenho...

Nem sempre, no toque de nossas mãos, no cerrar dos olhos, no entrelaçar dos dedos, conseguimos resumir o tudo desse todo, esse silencioso todo maior do que o conjunto de nadas que sobram para lá da janela do mundo...

Nem sempre, neste universo, em todos os universos paralelos, se pode garantir a felicidade, esse desespero transformado em instante, sufocante saudade do que foi vivido, do que ainda não foi vivido...

Contigo.

Nem sempre...

Mas a teu lado, esse sempre será eterno.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

20
Dez19

Escrever... Amor... Amar!

Filipe Vaz Correia


Escrever...

Escrever sem parar, nessa incansável busca pela escrita perfeita, não ortograficamente, mas sim desse querer maior de uma insanável insanidade que se perde, por entre, a desesperança pueril de um conto.

Não tenho palavras nem amorfas melodias, somente desespero e sentimentos, nesse entrelaçar de letras, misturadamente sentidas até ao infinito, infinitamente curiosas.

Queria tanto contar o peso de cada palavra, as sentidas e as fingidas, as correctas e as politicamente incorrectas, mas que nesse alucinado debitar de pensamentos se perdem no peso de cada uma, de todas elas.

Nem sabedoria nem desconhecimento, somente uma folha em branco, desnudada como uma bela mulher, ali deitada, aguardando o seu amante, nesse amor que se promete sem palavras, sem amarras, sem promessas ou amanhãs...

Naquele instante, precioso instante de um amor em ferida, se sobrepõem os beijos, a pele, o bater da alma...

Assim como as palavras, as belas e entrelaçadas palavras que compõem um orgasmático poema, rebelde, livre, disperso no pensamento ou na forma.

O que importam as regras se o que sobra é a força desse querer desgarrado que se recorda, desse cheiro que fica e se mantém pelo tempo, no tempo, para sempre no tempo...

O cheiro da cama, do corpo, o sabor de cada partícula de um amor que não respeita nada para além do olhar, nosso, intemporal.

Escrever...

Escrever sem parar, de forma crua, desnuda, singelamente pura...

Como sempre, para sempre...

Teu.



Filipe Vaz Correia



23
Out19

Velho Olhar...

Filipe Vaz Correia

 

Sabes bem que nas entrelinhas da história;

Mesmo calada, enfraquecida, solitária,

Se reaviva a memória,

Sempre que se desperta esse pedaço de querer,

Que um dia nos uniu...

 

Não sei se num olhar;

Num presente desesperar,

Num abraço a intensificar,

A eternidade ao luar...

 

Não sei se perdidamente;

Me perderei todas as vezes,

Tantas vezes intensamente,

Intensamente por ti...

 

Nos silêncios que tomaram conta deste nós;

Que calaram a melodia que outrora trauteava,

Mesmo aí...

 

Sobrará sempre um tempo;

Para confessar desesperadamente,

Que é amor,

O que vês neste meu, tão teu, velho olhar.

 

É amor.

 

 

 

02
Out19

Pedaço De Mim

Filipe Vaz Correia

 

Vivi um dos dias mais difíceis da minha vida...

A vida que tem destes dilemas, curtos poemas que nos constroem, nos auxiliam neste ensinamento maior que nos amarra e define.

Nada é mais aterrador do que a espera numa sala de um hospital, aguardando que estranhos me venham dizer como estás...

Pondo nas suas mãos a tua vida, essa alma tua que me pertence, pertencerá, somente nós.

Como gostaria que este dia não acarretasse esta dura sensação de medo que me envolve, entrelaça, nessa partida, por entre, o descerrar da cortina, o fechar da porta de um elevador...

Desse afastar, sem que possa te proteger.

Meu amor, aqui estarei...

Aqui estou...

Aqui voltarei a estar.

Nesse entre-tempo, medida temporal que angústia os que verdadeiramente amam, esperarei pelo singular instante em que os teus olhos se abram e nos possamos reencontrar, nesse singelo encontro de almas...

Porque só assim fará sentido.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

14
Set19

Contraditórias Palavras...

Filipe Vaz Correia

 

São contraditórias as palavras;

Meio enraizadas,

Nessa expressão maior,

Misturada dor,

Que se entrelaça na ardente expiação,

Dessa pequena emoção,

Outrora ferida,

E que agora se transformou em recordação perdida,

De uma desassossegada alma.

 

Já não grita a amargura;

Nem a desventurada desdita,

Essa amargurada aventura,

Perdidamente descrita,

Por entre letras soletradas,

Palavras inacabadas,

Momentos infinitos...

 

Um dia voarei;

De asas abertas,

Rumo a esse horizonte,

Que perpetuamente desnudado,

Se definirá como eterno,

Eternamente melodioso...

 

Melodiosamente único.

 

 

11
Set19

Carta Para Ti... Meu Amor!

Filipe Vaz Correia

 

Ao longe, ao ouvido de uma estrela, sussurrei o teu nome, baixinho, devagarinho, num entrelaçar de emoções, emocionada esperança que invade a minha querença...

Escasseiam as letras, mesmo numa Caneca repleta delas, para descrever como pulsa o meu coração, nesse bater sem razão, aquele sentir que não se explica, sente-se, caminhando sem medo de voar.

Tantas vezes disse que te amava, te amo, nessa misturada forma de expressar cada momento que juntos construímos, que de mãos dadas insistimos em percorrer.

Não seria a mesma pessoa se não te tivesse conhecido, nem sei se teria sobrevivido à dura pena que um dia me amarrou na velha sala da minha antiga casa...

Nessa dura despedida, enquanto caia rumo ao infinito e tenebroso vazio, senti a tua voz, a tua mão, a tua presença a amparar a queda, a segurar essa parte de mim, despedaçadamente estilhaçada.

Sempre tu...

Por entre o olhar, o teu, esse que me aponta o porto seguro, soube, sempre soube, que encontraria o destinado amor, esse amar eterno que se confunde com destino, que se transforma em felicidade.

Não sei se poderia saber, se te conseguirei descrever o que no bater da alma, no pulsar deste meu coração, se desencontra em cada lágrima tua, se descompassa em cada pedaço de tristeza que sinto em ti...

Porque és o meu mundo, tão intenso e profundo que num breve segundo se mistura na alma desarmada, na brisa desbravada, em busca de te dizer o que significas para mim.

Amo-te...

E de mãos dadas, bem velhinhos, por entre a despedida de um tempo longínquo sobrará a certa, certeza, de que valeu a pena.

Disto tenho a certeza:

Bem velhinhos...

Meu amor!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

09
Set19

Para Sempre Amor!

Filipe Vaz Correia

 

Não tenho medo de nada;

De nada tenho medo,

E de tudo...

 

De tudo tenho receio;

Sempre que te vejo a dormir,

Que te pressinto a sorrir,

Ou ao longe te vislumbro...

 

A chegar.

 

Tenho medo de te perder;

De o vento te levar,

Tenho medo de te ver sofrer,

De algo te arrancar...

 

Não tenho medo de nada;

De nada tenho medo...

 

Desde que estejas a meu lado;

De mãos dadas,

Nessa eternidade que construímos dia a dia...

 

Para sempre...

 

Para sempre amor!

 

 

12
Ago19

A Despida Tela De Um Desmedido Vazio...

Filipe Vaz Correia

 

Dentro de mim habita o vazio;

Essa mistura de seca e rio,

Numa espécie de calafrio,

Que se vai instalando, pela calada...

 

Dentro de mim se perderam emoções;

Pequenos pedaços de razões,

Razões, outrora, pujantes,

Partes de desnudadas sensações,

Desse nada que ficou...

 

Dentro de mim corre o tempo;

Acelerado sofrimento,

Num grotesco sentimento,

Pincelado na tela intemporal de um desconhecido destino...

 

Dentro de mim...

 

Dentro de mim;

 Habita a enlaçada memória;

De uma inacabada história,

Transformada numa infinita tela de recordações...

 

Numa infinita caminhada de apaixonantes hesitações.

 

 

 

 

29
Jul19

Dicionário Do Amor

Filipe Vaz Correia

 

Amor...

Essa palavra, conjunto de letras inusitado, que parece simplista e desenhada, por vezes dormente ou silenciada, muitas vezes inquietantemente solitária num canto do quadro, num pequeno espaço da folha.

Tanta tinta escrita em seu motivo, gravada em lágrimas ou gargalhadas, em afagos ou desabafos, em sorrisos ou tristonhos retratos imprecisos.

Amor...

Esse sentir que por vezes magoa, destoa, amarra e abraça, outras vezes apenas se apresenta com aquela inevitabilidade própria dos momentos únicos que se impõem ao tempo, pelo tempo, através do tempo.

Como se pode explicar o tamanho sentimento que representa a pequena palavra?

Como soletrar para o papel cada espaço desta palavra, cada sentir de cada uma das letras que a compõem?

Questões soltas, tão desmedidamente soltas como amarradas à confusa tradução deste estranho sentir.

Respirar...

Respirar bem fundo, como se esse fundo não tivesse fim, como se o beijo, esse beijo, não se extinguisse no tocar dos lábios, no entrelaçar da saliva, no bater do coração.

Cada pedaço de amor, desse amor encadernado na imaginação dos poetas, escondido na virgindade das donzelas, no ardor corajoso dos valentes cavaleiros...

Cada pedaço desse amor arde infinitamente, soluça atrevidamente, sonha intemporalmente, como se jamais chegasse esse futuro que ameaça o imediatismo dos amantes, o querer romântico da prosa, o inquietante impulso da alma.

Amor!

Exclamação que nos define, indefinidamente nos completa, sem receio de gritar o que parece somente uma palavra, um pedaço desconexo de uma frase.

O Amor...

Ou simplesmente aquilo que mais importa.

Somente o que mais importará.

Que o tem nem sempre o reconhece e quem o perdeu...

Disfarçadamente sabe que dificilmente o voltará a sentir.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

25
Jul19

O Tempo Onde Era Criança!

Filipe Vaz Correia

 

Como posso dizer?

Escrevinhar sem soluçar, ou mesmo que soluçando, olhando de frente para o futuro sem me recordar daquela criança que brincava em seu quarto, esperançosamente esperando por esse amanhã.

Todos já fomos essa criança...

Não fomos?

Aquele mundo de exclamações e interrogações, de medos e certezas, de anseios e desejos.

Tanto tempo passou...

Tão pouco tempo decorreu.

A noção de tempo é um dos mistérios da existência Humana, desse decorrer de segundos e instantes que chegando se perdem, abraçando se extinguem, amarrando nos libertam.

Tanta gente que se perdeu pelo caminho, olhares que se apagaram, vidas que abandonaram o palco e vivem agora aprisionadas na minha memória.

Tenho tanto carinho por aquela criança, pelos seus sonhos cumpridos ou por cumprir, pela sua vontade de querer, simplesmente, existir.

Tenho saudades...

Saudades que vivem em mim, sem fim, por fim.

Em cada momento, por entre, caminhos e destinos, busco sempre, quase sempre, aquele sentir puro que habitava naqueles largos caracóis, naquelas expressões sorridentes, naquele tempo que parecia não passar.

Infelizmente passou...

Felizmente passou.

Tantas contradições, próprias de interrogações que chegam e que se entrelaçam com a vida de adulto.

Escrevendo este texto liberto um pouco desse tempo perdido nos escritos antigos, nas memórias presentes, recordando nesta Caneca um pouco mais de mim...

Um pouco mais dos meus.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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