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Caneca de Letras

Caneca de Letras

15
Nov19

Afinal... Quem Salvou O Bebé?

Filipe Vaz Correia

 

Isto está mesmo muito perigoso...

Será que já nem neste bondoso sem-abrigo podemos confiar?

Parece que o dito sem-abrigo do professor Marcelo, aquele que apareceu em Telejornais e afins, intitulado como o salvador do “Salvador”, o bebé abandonado num caixote de lixo perto do Lux, não passa de uma grande charlatão.

Já ofereciam casas ao dito homem, que chegou a fazer diante das câmaras de televisão a reconstituição do salvamento e agora...

Agora aparecem dois outros sem-abrigo, aparentemente a dizer a verdade, como se pode observar pelas imagens do dito salvamento, reivindicando a autoria do gesto que pode ter salvo a vida da dita criança.

Isto de facto está tudo perdido...

E agora?

E agora Professor Marcelo?

Volta ao local para uma nova reconstituição com os verdadeiros salvadores ou os irá receber no Palácio de Belém?

Se calhar...

Se calhar é melhor esperar para se ter a certeza de que são estes, os homens que aparecem nas imagens do resgate.

Francamente...

Já não se pode confiar, mesmo, em ninguém.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

07
Nov19

“Mães” Que Nunca O Deveriam Ser...

Filipe Vaz Correia

 

Estava agora a ver as noticias e não pude deixar de agarrar no teclado e escrever, escrevendo compulsivamente a raiva que em mim habita, nesse grito a gritar a tristeza que me invade.

Como é possível?

Mãe?

Não ofendam todas as Mães deste mundo, aquelas que abraçam todos os dias os seus filhos e aquelas que já não abraçando, vivem na memória destes eternamente.

Existem mães que nunca deveriam ter sido Mães.

Esta é a frase que me ocorreu, a primeira ideia que se acendeu ao ouvir as palavras, ao ver as imagens, ao me aperceber de quão baixo pode descer o Ser Humano.

Uma “mãe” que abandonou um recém-nascido num caixote do lixo, sem qualquer agasalho, numa zona escondida, abandonando aquele pequeno Ser a um destinado fim...

À morte.

Felizmente, este menino, foi salvo por um Sem-Abrigo...

Mãe?

Poderão dizer que ninguém sabe a vida daquela pessoa, que desconhecemos as motivações e o desespero, que existirão mil e uma razões para tamanha barbaridade...

Não aceito!

Aqui nem contesto o abandono, pois se quer abandonar que o faça, dependendo dos casos, até posso aceitar ser um acto de amor, desesperadamente por amor.

No entanto, se quer largar o bebé, então que o deixe à porta de uma casa, toque e fuja, que deixe dentro de um autocarro, que deixe num hospital, perto de uma esquadra...

Num caixote do lixo, afastado de tudo, sem qualquer tipo de agasalho?

Isto não é abandono...

É Infanticídio!

Existem “mães” que nunca o deveriam ser.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

22
Ago19

As Aventuras De Rudy!

Filipe Vaz Correia

 

Já é noite e não vejo estrelas no céu...

Fecho os olhos e pareço voar, levitar levemente, deslizando por entre a ténue atmosfera que me envolve, num momento sonho, num outro realidade.

Abro os olhos e lá estou...

No topo do mundo, olhando para baixo, vislumbrando esse horizonte, deliciosamente, por descobrir.

Um barco de piratas, com as velas içadas, as gentes apressadas em pleno oceano...

O Capitão de espada na mão, com um gancho na outra, incentivando os seus homens a esventrarem aqueles que com eles se cruzassem, nesse mar alto carregado de peripécias por viver, de aventuras por chegar.

Do outro lado do mundo...

Um campo de futebol no pico de uma montanha, no cimo mais alto daquele lugar.

11 jogadores dispostos, frente a frente, duas balizas brancas em lados opostos e um campo verde, tão verde como doce, coberto de açúcar...

Benfica vs Sporting!

O jogo pode começar...

Mas antes de começar a bola a rolar, o meu olhar escapou por entre as folhas de papel, muitas folhas que formavam aquele arranha céus de livros, de histórias, de gentes e personagens.

Um mundo de lágrimas e sorrisos, momentos incertos e imprecisos, onde se pode voar sem medo de cair ou caindo sem temer o regresso ao princípio de cada capitulo.

Cruzo o meu olhar com o do “velho” Cocas...

Reconheço o seu olhar, companheiro de tantas aventuras, de tantos momentos que se entrelaçam nas asas do destino.

Oiço vozes...

Passos...

Acenderam a luz do quarto e tombei sem parar, sem rede, desde aquele céu, aquele infinito, ou seja, o tecto do meu quarto, até entrar nessa realidade deste mundo de adultos.

Deitado na cama olhei para minha Mãe...

- Rudy! Era o meu nome na expressão de sua voz.

Estava na hora do banho, antes de jantar, quebrando-se assim o sonho, alimentado pela imaginação que me desperta, fortifica, ganha asas deslumbrantes sempre que me é permitido regressar ao doce colo da terna infância.

Sonhar...

Sonhar, por entre, o aventureiro mundo de minha alma.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

25
Jul19

O Tempo Onde Era Criança!

Filipe Vaz Correia

 

Como posso dizer?

Escrevinhar sem soluçar, ou mesmo que soluçando, olhando de frente para o futuro sem me recordar daquela criança que brincava em seu quarto, esperançosamente esperando por esse amanhã.

Todos já fomos essa criança...

Não fomos?

Aquele mundo de exclamações e interrogações, de medos e certezas, de anseios e desejos.

Tanto tempo passou...

Tão pouco tempo decorreu.

A noção de tempo é um dos mistérios da existência Humana, desse decorrer de segundos e instantes que chegando se perdem, abraçando se extinguem, amarrando nos libertam.

Tanta gente que se perdeu pelo caminho, olhares que se apagaram, vidas que abandonaram o palco e vivem agora aprisionadas na minha memória.

Tenho tanto carinho por aquela criança, pelos seus sonhos cumpridos ou por cumprir, pela sua vontade de querer, simplesmente, existir.

Tenho saudades...

Saudades que vivem em mim, sem fim, por fim.

Em cada momento, por entre, caminhos e destinos, busco sempre, quase sempre, aquele sentir puro que habitava naqueles largos caracóis, naquelas expressões sorridentes, naquele tempo que parecia não passar.

Infelizmente passou...

Felizmente passou.

Tantas contradições, próprias de interrogações que chegam e que se entrelaçam com a vida de adulto.

Escrevendo este texto liberto um pouco desse tempo perdido nos escritos antigos, nas memórias presentes, recordando nesta Caneca um pouco mais de mim...

Um pouco mais dos meus.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03
Abr19

Peter Pan...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Peter Pan;

Onde estás?

 

Arrancado do coração;

Gritando a alma,

Numa espécie de oração,

Incógnita ilusão,

Num mundo de crescidos...

 

Peter pan;

Pudim flan,

Com pedaços de maçã,

Num inusitado poema,

Renascendo o eterno dilema,

Na memória infantil...

 

Já não podes ser criança;

Nesse renegar de esperança,

Esmagando a lembrança,

Ventania ou desesperança,

Que atormenta...

 

Já não podes ser criança;

Velho poeta...

 

Velho poeta;

Que te recusas a crescer...

 

Que poeticamente;

Te recusas a crescer.

 

Peter pan;

Onde estás?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11
Mar19

A Minha Jangada De Pedra...

Filipe Vaz Correia

 

Mar acima, mar adentro, na minha jangada de pedra, no meio dessa imensidão de água, azul cristalino que me rodeia, num horizonte longínquo, sem fim.

Na minha jangada de pedra, navego por esse mundo a fora, numa viagem sem fim, por entre o que desconheço, sabendo somente que dentro de minha alma, pulsa a curiosa, curiosidade, de um solitário rapazinho.

Nessa solidão, onde me encontro, nascem e renascem fantasmas e animais, gigantes animais, que submersos aguardam por um instante para se revelarem, desnudarem a face e surgirem como um cabo das tormentas, numa sinuosa vertigem, inesperada.

Continuo a remar, sem olhar para trás, fixamente querendo flutuar sobre as águas, gélidas e ameaçadoras, buscando uma razão para interligar o sentir ao querer, o desejar ao temer, o recordar ao viver...

Sempre navegando, sempre continuando.

No meio desse interminável querer, enfrento medos e receios, perco pedaços de um passado desconhecido, meio perdido, por entre, as lágrimas de outrora...

Lágrimas que se foram embora, antes que delas me pudesse recordar, antes que essa parte de mim, escapasse da razão e partisse juntamente com a emocionada emoção de uma criança.

Eu sei lá, se continuarei a percorrer as águas da imaginação ou se nunca mais irei acordar de tamanho pesadelo, pesado desvelo que me amarra sem calar, que me afoga sem nadar, que se entrelaça numa singela jangada de pedra.

Num momento, tão pequeno, ali estou...

Num outro, tão velho, ali me encontro.

Passou, tudo passou, sem rasuras, sem retornos, sem regressões.

Numa jangada de pedra, comigo levo os livros de minha vida, capítulos sem fim do que vivi, por entre, romance e drama, comédia e ficção, desabafos soletrados que me pertencem.

São os livros de minha vida, contando a minha vida, flutuando nessa jangada de pedra...

Numa jangada de pedra.

Na minha jangada de pedra!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

22
Dez18

"Pequena Criança"

Filipe Vaz Correia

 

 

Volta pequena criança;

De outrora,

Carregada de uma esperança,

Que se foi embora,

Uma leve lembrança,

De um velho agora,

Que queria repetir...

 

Queria repetir;

Sem temer,

Voltar a sentir,

Sem perder,

Cada pedaço de mim...

 

Volta pequena criança;

Que um dia fui,

Sem medo da desesperança,

Que chegou...

 

E num qualquer lugar;

Num outro tempo,

Tentarei resgatar,

Essa espécie de momento,

Que eternamente me ficou.

 

 

 

 

 

 

 

13
Jul18

O Meu Amigo Imaginário...

Filipe Vaz Correia

 

Tive um amigo imaginário, tão imaginário aos olhos de outros, como real nesse sentir que até hoje me pertence.

Tantas e tantas vezes me acompanhou...

Em férias a sós com meus Pais, solitariamente entregue às brincadeiras que eu mesmo imaginava, no primeiro dia de escola, enfrentando os receios próprios desta minha timidez, no caminhar pelo trilho de uma infância.

Nesse mundo, só meu, aquela personagem se tornava real, companheiro de aventuras e desventuras, confidente inigualável nos mais variados momentos.

A minha querida Mãe ao se aperceber deste traço, de mim mesmo, das conversas aparentemente solitárias, apressou-se a levar-me a um Psicólogo, amigo da família, alguém entendido nestas coisas da mente, vulgarmente intitulado, em meados dos anos 80, de "maluquice".

Mas que mal tem falar com um amigo imaginário?

Pensava o menino...

E refutava o imaginário, no fundo da minha alma, sabendo bem a pueril mente que era somente na imaginação que vivia esse, tão fraterno amigo.

Talvez esse traço, vulgo consciência, me tenha retirado da área dos "malucos", ou então, esse dito amigo de meus Pais era, também ele, um grande "maluco".

Também?

Sabe-se lá...

"Deixem o rapaz brincar e expressar-se à vontade, isso é apenas um reflexo da sua imensa capacidade de imaginação, a escapatória por ser um menino num mundo de adultos.

O tempo passou...

Cresceu o menino, buscando da vida outras realidades, construindo reais amizades, vivendo intensamente cada pedaço de emoção solta, por entre, as melodiosas formas de um destino.

No entanto, de quando em vez, lá me vem à memória a imagem daquele amigo, conselheiro, companheiro incessante dos primeiros anos de uma vida...

E mesmo sabendo que fisicamente ele não existe, nunca existiu, não fez parte desta realidade que denominamos de vida, mesmo assim, em mim...

Na minha alma estará sempre presente a sua imagem, buscando nessa certeza, o pedaço dessa criança que em mim, felizmente, sobrevive.

Obrigado por tudo Gó.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

13
Jan18

Pequena Criança...

Filipe Vaz Correia

 

Já não vai cantarolando aquela criança, sentada no beiral da porta, onde todos os dias parecia se deixar perder, por entre melodias intermitentes.

Vai ficando o silêncio, o vazio de vozes, de vida, de um descompassado existir.

Uma montanha de cores, de cheiros, marcando as viagens de tamanhos caminhos, disposto através do olhar daquele menino, pedaço de vida sem igual.

Ali sentado, onde outrora estava, repito estava, apenas se encontra a memória daqueles que por ali passavam, sempre apressados, desatentos...

Essa memória desatenta, mas que melodiosamente era despertada por pequenos acordes, do acordeão encardido, raspado, vivido.

Para onde terás ido?

Porque nunca ninguém parou, para te perguntar?

Nessa ausência, impregnada de nada, vazia, a ferros arrancada das profundezas desta oca Humanidade, vai desalmadamente carregando de arrependimento, os que deixaram de ouvir, o pequeno trautear daquela voz infantil, tristonhamente irrequieta.

O mundo avança, o tempo voa...

E mais vazia aquela rua, mais despida aquela porta.

Já não vai cantarolando aquela criança!

Aquela criança, que poucos poderiam descrever, desatentos ao seu olhar, à expressão do seu rosto, à imensa vontade de ser mais um, como nós.

Mas aquele cantarolar, aquela tristeza inerente à sua voz, tristeza perdida de um destino amargo, essa...

Essa grita ao mundo, as palavras que ainda ecoam através do vento, naquela ruela, naquela porta, naquele pedaço de mundo.

Para onde foste, pequena criança?

Para onde foste?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

08
Nov17

Vidas A Correr!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

As bombas ensurdeceram o meu sentir;

A dor emudeceu o meu carpir,

A mágoa escureceu esse intenso colorir,

Fugindo sem fugir...

 

O sangue pintou cada morte,

Cada desaparecer ensurdecedor,

Destino sem sorte,

Fétido fedor...

 

Cada olhar,

De uma vida vazia,

Intenso desesperar,

Dia após dia...

 

Ainda não fiz doze anos;

Nem sei se os farei,

Por entre feridas e danos,

Perdendo tantos que amei...

 

E continua a vida a correr;

A vida a correr,

E eu parado,

No meio deste meu eterno sofrimento.

 

 

 

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