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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Se Um Dia Te Esqueceres...

Filipe Vaz Correia, 12.03.21

 

 

 

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Não escondo as palavras, dentro de mim...

Elas ecoam sonoramente, cintilando na minha alma como recordação constante desse bater que um dia se tornou descoberta.

Foi assim como um dia de sol irrompendo a noite, o anoitecer deslumbrante de um fascinante verão.

Sem ruídos, silenciosamente, como quer esse sentimento imenso, essa forma de querer sem dizer, dizendo sem poder, calando o que não se sabe gritar.

Escrevinho tremulamente, temendo que possa sair de cada uma destas linhas, cada letra, cada palavra...

Mas não se perde o que se sente, não se desvanece o que faz parte do ser, não se extingue a chama intemporal do que verdadeiramente importa.

São esses pedaços de nada que valem tudo, essas pequenas coisas que se tornam relevantes, esses gestos que apenas "nós" entendemos...

No fundo do coração, perdido por entre medos, receios que amarram, passa o tempo devagar, lentamente desesperando o intenso sentir...

Sentindo o sentir sentido que atravessa alma.

Tudo isto para dizer que te amo, que amarei eternamente sem esquecer cada momento guardado em mim...

E se um dia te esqueceres ou nos desencontrar a eternidade, deixarei voar esta folha, solta através do vento, fugindo por entre o tempo, para que possa perdurar em cada estrela presa ao céu, estas palavras minhas...

Meu amor!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Carta “Perdida” Nas Ondas De Uma Vida...

Filipe Vaz Correia, 02.05.20

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Antigamente...

Palavra crua, dura e sentida, meio perdida, inebriada, que reflecte o sentir pulsante do que ficou por viver ou sendo vivido se perdeu, esboroou, na penumbra do passar dos dias.

Não posso voltar atrás, não o posso fazer, nem reescrever cada pedaço de beijo entrelaçado, cada abraço embaraçado, cada olhar calado incapaz de soletrar esse amor esmagado por tanto, por tão pouco, por gigantes passos de outros...

Mesmo assim, escrevo silenciosamente as linhas mal escritas de um texto desgarrado, desgarradamente gritando à poesia a solidão de um destino desejado, emocionado, envergonhado, nebulosamente guardado nas melodias da velha canção.

Amar-te, sem reticências, foi mais do que um conto a meio da noite, um poema à beira-mar, uma bebedeira que surgiu na esquina de um sonho...

Amar-te é a palavra maior de um redesenhado desenho, um pincelar singelo, por entre, a solidão dessa imensa pintura no meio da multidão.

Tantas pessoas, tantos passos, tamanhas as palavras libertas no querer, nesse querer que se cala, esconde...

Mas sei que num recôndito lugar, distante, no horizonte de tantas vidas, ele sobreviverá, existirá sempre, longe de todos, perto de nós, mesmo que esse nós seja longínquamente difícil de decifrar.

Um dia...

Voltaremos a ser nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

A Última Carta De Um Velho...

Filipe Vaz Correia, 18.11.19

 

A lareira acesa...

A noite que cairia e eu ali sentado, no mesmo sitio de sempre, por entre, o infinito vazio.

Esse vazio que respira e se faz sentir, nesta casa outrora repleta de gritos e movimentos, de calor humano e alegria.

Ainda aqui estou...

Só.

A velha manta ao meu colo, repleta de buracos de cinza ardida, destes cigarros que continuam a ser o laço que me une a esse passado.

O copo de Whisky a meu lado...

A luz do candeeiro, o rádio ligado enquanto as mãos me tremem, tremendo cada vez mais.

Como passou tão depressa...

Como passou?

Oiço as mesmas canções, melodias que significaram tanto, tamanho querer que desvaneceu.

Os meus olhos cansados já não conseguem discernir as letras do jornal sem a ajuda de uma lupa, para me manter informado das novas que o mundo tem para contar, esse mundo que tanto mudou, se transformou, radicalmente se transmutou.

Faltam-me as forças, aquelas que antigamente me sobravam, num entrelaçado enigma em que se pincelou a minha vida.

Foram ficando para trás todos os momentos, rostos e pensamentos, até sobrar este nada que tanto significa, tanto abrange, tanto me sufoca.

É a ele, este nada, que me agarro com todas as forças para viver, num desconexo, incompreensível e inexplicável querer.

O meu coração já não pulsa, somente soluça, aqui e acolá enganado por uma ou outra pastilha receitada pelo Senhor Doutor...

Doutor?

Agora são todos “Doutores”...

Desde a empregada doméstica até ao moço dos jornais.

Não percebo nada deste mundo...

Aqui estou rodeado de retratos e rostos, feridas abertas em meu peito, dores e aflições que chegam e partem silenciosamente.

Já vos perdi, sem nunca me ter apercebido de vos ter tido...

Era tudo tão corrido, mesmo os jantares, mesas repletas, nessa azáfama que desassombradamente me escapou.

A lareira acesa...

Tenho tanto frio, tanto sono, tanto medo.

Já não sei escrever nem decorar o saber, perdido que me encontro neste labirinto de emoções que me persegue.

Para onde foram os amigos?

Os filhos?

E tu meu amor...

Para onde foste?

Todos partiram para esse lugar incerto, tantas vezes explanado na fé, essa que me foi abandonando à medida que só me encontrava, nesse desabitado coração meu...

Estou solitariamente entregue a este refúgio, nesta sala, neste museu de relíquias minhas, empoeiradas e amordaçadamente sombrias.

Estou só...

À espera de partir, de finalmente sentir esse encontro prometido na infinita sabedoria de Deus.

Deus?

Só espero que também Tu, não me tenhas abandonado...

Deus Meu.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Tenho Lágrimas Nos Olhos

Filipe Vaz Correia, 08.11.19

 

Tenho lágrimas nos olhos, amargura nessa esperança caída, esventrada na desesperança em cada desfolhada, em folha, desesperadamente solitária.

Essa solidão que nos viu nascer abraça e amarra, desnudadamente impregnada em nós, como se fosse esse ninho maior aonde regressaremos, numa qualquer viagem sem retorno.

Como deve ser frio esse partir, solitário despedir de tudo e todos que pareciam vida mas que não passavam de acessório, parte de um todo vazio, repleto de interrogações que se esboroam num singelo instante.

Quero inteiramente gritar, num grito inteiro, desmesuradamente desesperador, libertando esse amor que me recuso a traduzir, a expressar nitidamente.

Passaram dias, anos, momentos, instantes que não voltam, perdidos entre vozes e olhares, em cada toque e beijos.

Tenho lágrimas nos olhos...

E em cada lágrima uma palavra, em cada dor uma letra, em cada pedaço de espaço uma frase, em cada parte de mim nada.

Esse nada em cada pequena melodia, esse tudo na tecla do piano, esse silencio que se impõe e quebra a monotonia, ardor constante que não se apaga.

Tenho lágrimas nos olhos...

E já não sei se te voltarei a encontrar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Carta Para Ti... Meu Amor!

Filipe Vaz Correia, 11.09.19

 

Ao longe, ao ouvido de uma estrela, sussurrei o teu nome, baixinho, devagarinho, num entrelaçar de emoções, emocionada esperança que invade a minha querença...

Escasseiam as letras, mesmo numa Caneca repleta delas, para descrever como pulsa o meu coração, nesse bater sem razão, aquele sentir que não se explica, sente-se, caminhando sem medo de voar.

Tantas vezes disse que te amava, te amo, nessa misturada forma de expressar cada momento que juntos construímos, que de mãos dadas insistimos em percorrer.

Não seria a mesma pessoa se não te tivesse conhecido, nem sei se teria sobrevivido à dura pena que um dia me amarrou na velha sala da minha antiga casa...

Nessa dura despedida, enquanto caia rumo ao infinito e tenebroso vazio, senti a tua voz, a tua mão, a tua presença a amparar a queda, a segurar essa parte de mim, despedaçadamente estilhaçada.

Sempre tu...

Por entre o olhar, o teu, esse que me aponta o porto seguro, soube, sempre soube, que encontraria o destinado amor, esse amar eterno que se confunde com destino, que se transforma em felicidade.

Não sei se poderia saber, se te conseguirei descrever o que no bater da alma, no pulsar deste meu coração, se desencontra em cada lágrima tua, se descompassa em cada pedaço de tristeza que sinto em ti...

Porque és o meu mundo, tão intenso e profundo que num breve segundo se mistura na alma desarmada, na brisa desbravada, em busca de te dizer o que significas para mim.

Amo-te...

E de mãos dadas, bem velhinhos, por entre a despedida de um tempo longínquo sobrará a certa, certeza, de que valeu a pena.

Disto tenho a certeza:

Bem velhinhos...

Meu amor!

 

 

Filipe Vaz Correia