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Caneca de Letras

07.02.20

 

Parece que Autarquia e Governo irão avançar com uma lei que proibirá o estacionamento de carros não eléctricos nas zonas da Avenida da Liberdade, Baixa e Chiado, Avenida Almirante Reis, Alfama, Castelo, Bica e Bairro Alto, entre as 6h30 e a meia noite.

Esta noticia veiculada pela App NIT avança ainda nas excepções para carros fabricados a partir de Janeiro de 2020 ou pesados do ano anterior...

Claro que moradores e táxis deverão estar a salvo destas leis mais restritivas, no entanto, a noticia levanta uma questão:

Se quiser convidar alguém para jantar em sua casa, morando nestas zonas, como o conseguirá fazer?

Pergunta pertinente e que obtém uma resposta absolutamente "generosa"...

Parece que os legisladores pensaram neste caso e amavelmente permitirão que os moradores possam convidar até 10 pessoas com carros não eléctricos para o visitarem em sua casa.

Que amabilidade.

Antes, porém, terá de registar a matricula dos seus amigos numa app ou por telefone, para que a Instituição da ZER - Zona de Emissões Reduzidas - lhe conceda os convites desejados.

Findos esses 10 convites, os seus convidados terão de se deslocar de Uber, Táxis, Transportes Públicos ou a pé.

Isto de comprar casa e depois definir quem convidar para a mesma está a ficar um pedaço complicado...

Se calhar julgavam que isto era a República das bananas?

Amigos, amigos... Carros à parte!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

03.07.18

 

Isto de ser estrela pop e mudar-se para Portugal, não é tarefa fácil.

Ainda por cima se essa estrela, for a estrela...

A "nossa" tão querida Madonna.

Ora a Senhora vem para cá viver, traz os seus filhos mais "pequenos", inscreve os marotos em colégios de Lisboa, dá visibilidade a esta cidade magnifica e mesmo assim...

Mais...

Querendo uma rápida ambientação, Madonna, percorre a cidade e os seus recantos, por entre, casas de fado e museus intemporais, canta nas ruas com uma cerveja na mão, emociona-se a cada golo desta nossa Selecção, e mesmo assim...

Mete o seu filho, rapaz de múltiplos talentos, desde o piano até ao futebol, a jogar no Benfica, num gesto promissor e claramente indicador de uma forte ligação a este nobre povo...

E mesmo assim não contenta o povo das Janelas Verdes?

Será por serem verdes?

Ou o estacionamento está mesmo difícil para aqueles lados?

Ainda por cima, Madonna não recebe aqueles 300 metros de estacionamento, nas traseiras de um palacete, de borla, pois paga quase uns 800 Euros mensais.

E mesmo assim...

Isto assim é difícil de agradar.

E não fico por aqui, porque acredito ser bastante alarmante toda esta publicidade, pois agora toda a gente sabe onde moram os " carrinhos" da "nossa" querida Madonna, o que poderá obviamente se tornar deveras apetitoso para um qualquer gang de Automóveis.

Só quero ver se roubarem um desses carros das traseiras daquele desabitado palacete...

Nem o Prof. Marcelo nos salva.

Eu estou com a Madonna, assim como assim, só são 15 "carrinhos"...

Ali para os lados de São Bento, acho que há uns lugares de estacionamento gratuitos, para umas duas centenas de Senhores e nesse caso até me parece que os ditos personagens ainda recebem qualquer coisa.

Prefiro a "eterna" Madonna...

Ainda por cima uma Madonna à "Portuguesa".

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

11.02.17

 

Schumi, carinhosamente tratado por tantos, como eu, que dele gostavam, gostam, admiram, marcou sem dúvida, uma geração de pilotos de fórmula 1, talvez mesmo, toda a história desse desporto.

Eu era um admirador de Nélson Piquet, piloto brasileiro, que fazia as delicias da minha imberbe infância...

Não tenho memória, das suas vitórias na Brabham, mas guardo com a mesma intensidade aquele louco ano, com Nigel Mansell, na Williams Honda, que levou ao seu terceiro titulo mundial, de fórmula 1.

Piquet foi o meu primeiro ídolo, por quem chorei, praguejei, torci, de maneira fervorosa, volta após volta, adversário após adversário...

E eram muitos, de qualidade, desde o novato Ayrton de Senna, Nigel Mansell, Alan Prost entre outros, sempre empenhados em circuitos míticos, alucinantes, por entre voltas emocionantes e desfechos imprevisiveis.

Quando em 1991, Piquet resolveu abandonar o Circo da fórmula 1, um vazio ameaçava este menino de 14 anos, orfão desse ídolo que deixava o seu lugar, reservado na história do automobilismo...

Superior a ele, até então, só Fangio com os seus cinco títulos mundiais.

No entanto, um jovem, começava nos velhinhos Jordans, aparecia na cena automobilistica, chegando até à Benetton, última equipa de Piquet...

Parecia mais um, mais um nome, um prodigio como tantos outros, que entretanto por ali tinham passado, só que ao entrar no cockpit do seu carro, voando pelo asfalto daqueles circuitos, daquelas tardes de corrida, tudo mudara...

Senti logo uma imensa ligação, uma intensa admiração por aquele menino que enfrentava Senna, Prost, sentado no seu carro, lutando sem medo contra esses monstros que aprendera a ver no seu televisor.

Esse jovem Schumacher, pontuou pela primeira vez em Spa, voltou lá mais tarde para vencer pela primeira vez e depois brilhou, anos sem fim, numa dança permanente com as curvas desse labirintico destino.

Acompanhei todas as corridas, todos os momentos, todo o percurso que o guiou até aos seus sete titúlos mundiais.

Os carros menos seguros, o trabalho exaustivo, a busca constante pela perfeição que acabava por sobressair em cada paragem na box, em cada pingo de chuva que teimava em cair.

Schumi, à chuva distanciava-se dos demais, tal como Senna o fazia, porque nesse instante, apenas o talento poderia servir de vantagem em relação ao medo, à imensa insegurança de ser melhor.

Aprendi a segui-lo, continuei a admirá-lo, rejubilei com cada vitória...

No fim de toda a história, emocionei-me na sua retirada, nunca reencontrando a paixão por este desporto, que acabou por esmorecer em mim, com a inevitável despedida de uma época.

Quando apareceu pela primeira vez, esse rapaz desconhecido, ninguém esperaria que ao se despedir, o faria no patamar superior da galeria dos intocáveis, o mais intocável entre iguais.

Até aos dias de hoje, nesta luta pela vida que agora trava, mantenho-me fielmente como mais um Tiffosi, acreditando que na última curva, no derradeiro momento, ele vencerá...

E aí, voltarei a emocionar-me, recordando cada vitória, cada lágrima, diante da pequena televisão do meu quarto, onde podia voar através das rodas do seu Ferrari, pelo sucesso de um eterno campeão.

Boa sorte Schumi!

 

 

 

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