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Caneca de Letras

Caneca de Letras

23
Abr19

Meu Caro Joe Berardo...

Filipe Vaz Correia

 

Meu querido Joe...

Não posso deixar de lhe escrever, com a certeza de lhe enviar a minha solidariedade, nesta perseguição que lhe é feita.

Então o meu querido amigo, passa uma vida a escavar terra em busca de diamantes, investe em obras de arte para as colocar ao serviço da mui nobre Nação...

E é assim que lhe agradecem?

Tudo bem que o senhor pediu um ou outro empréstimo, que as somas desses empréstimos deverão rondar as centenas de Milhões de Euros, no entanto, ninguém consegue prever o infortúnio.

Que culpa tem o meu caro amigo, das crises financeiras ou das derrocadas bancárias?

E agora...

Agora que o caro Joe está completamente na "pobreza", apenas com uma garagem para viver, aliam-se bancos e instituições para o processar...

Que vergonha!

Assim, receba estas minhas palavras como forma de apoio nestes tempos carregados de "injustiça".

Para terminar...

Se fosse possível dar-me o contacto do gerente bancário que lhe arranjou os ditos empréstimos, ficava grato, pois tenho umas "acções" para comprar...

E já agora...

Fiador?

Pode ser?

Um abraço solidário...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

22
Abr19

Quem Faltou Ao Almoço De Páscoa?

Filipe Vaz Correia

 

Páscoa...

A vida é passageira, imutavelmente passageira, levando com ela momentos, pessoas, abraços e carinhos, palavras e sentidos.

Nesta Páscoa, sentado à mesa de almoço, num momento familiar, não consegui deixar de recordar o que ficou para trás, aqueles que se entrelaçaram com as memórias perdidas do destino.

Neste dia senti falta de Santa Luzia, da casa de minha Tia, do Monte dos meus Avós.

A minha Avó Nininha, Avó Paterna, sempre foi uma referência para mim, por todas as razões e mais algumas...

Pelas suas agruras no fim de vida, pela forma digna e altiva como sempre as enfrentou, por esse amor que sempre me deu, mesmo que a rispidez fosse característica intrínseca da sua personalidade.

A sua relação com minha Mãe era tocante, como Mãe e Filha, num carinhoso acto de afecto, sem que, muitas vezes, isso pudesse ser visível, àqueles que a conhecessem menos bem.

Tenho saudades de cada palavra sua, em cada ensinamento seu.

Guardo de si as memorias mais calorosas, próximas, nessa forma de me fazer sentir especial, por entre, um olhar quase intimidante mas que era desarmado sempre que esse olhar, se cruzava com o meu.

Nesta Páscoa recordei sorrisos e gestos, por entre, os lugares vazios que não podem ser recuperados, guardando cada pedaço de saudade junto ao coração.

A vida é passageira, tão passageira como prazerosa, sobrando à alma juntar numa tela imprecisa todos os recantos de um caminho...

Repleto daqueles que nos ensinaram a amar.

E por falar em amor...

Como tenho saudades tuas, minha Mãe.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

21
Abr19

Tantas Vezes...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Tantas vezes se perderam;

Nas estradas de uma vida,

Os olhares e as palavras,

Por entre mágoas e feridas,

Num soluçar envergonhado,

Numa tela incompreendida,

Desenhando o que a imaginação,

Imaginava entretida...

 

Tantas vezes se questionou;

O amargurado coração,

Sem saber se acabou,

O que ditava a ilusão...

 

Tantas vezes ficou por escrever;

Tantas as vezes por contar,

As mesmas vezes a tecer,

Essas linhas a fiar...

 

Tantas vezes...

 

Tantas as vezes num sonhador poema;

Escrevinhando as lágrimas de um destino.

 

 

 

 

19
Abr19

Palavras...

Filipe Vaz Correia

 

Existem palavras pequenas que carregam consigo desmedidos pensamentos, outras gigantes que, mesmo assim, não conseguem medir a dimensão de um querer...

Existem frases curtas, intensamente envergonhadas, que entrelaçam vontades, sinceras saudades, sem tamanho.

Outras frases mais alongadas, carregadas de vírgulas, disfarçando, sem querer, o sentir tão preciso, ao mesmo tempo conciso, num longo abraço de querença ou desesperançada esperança.

Existem palavras silenciosas, timidamente perdidas, por entre, silêncios, palavras nunca ditas ecoando mais longe do que gritos anunciados...

Porém, existem outras palavras ruidosas, que vociferadas à distância, conseguem imensamente amarrar toda a expressão de um singelo instante.

Somente palavras, sempre palavras, numa enlaçada pintura...

Umas vezes quente, outras gélida, pincelando com beleza, porventura crueza, os destinos que nos constroem...

Numa desconstrução que insiste em desnudar o sentido das coisas.

Por vezes amar é simplesmente isso...

Uma espera ausente de palavras sentidas, num desencontrado querer que nos amarra.

Amo-te!

Está dito.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

18
Abr19

No Caneca Com... A 3ª Face!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Isto de ser mãe

 

A minha filha mais velha sempre adorou o mar. De tal maneira que cheguei a pensar que teria sido sereia noutra encarnação.

Mal se segurava em pé e já entrava na água como se fosse o seu mundo. Simplesmente avançava...

Um dia, em vez de a agarrar, coloquei-me atrás e deixei-a ir (quem conhece a Lagoa de Albufeira sabe que são águas paradas, sem perigo). Ela foi caminhando, segura e serena, e nem mesmo quando a água lhe tapou a boca e o nariz, quis recuar. Eu só a levantei quando sentiu a aflição de não conseguir respirar.

Não sei se aprendeu a lição mas eu aprendi.

Aprendi que ser mãe não é antecipar os perigos ou impedir certos percursos. Não vale a pena!

É deixar que decidam e que avancem, em busca daquilo que querem.

É permitir que errem em águas serenas.

É estar atrás, pronta a agarrar quando já não há caminho.

 

Talvez por isso, ganharam confiança e aprenderam a voar atrás dos sonhos.

Embora eu, passadas quase duas décadas, continue apenas um passo atrás, em estado de prontidão. Afinal, a vida dos jovens quase que se resume a escolhas incessantes e nem sempre os trilhos conduzem ao melhor destino.

 

Ainda não tenho a certeza se é isto que é suposto ser mãe.

Mas pelo resultado, parece que não me saí lá muito mal.

 

3ª Face

 

 

 

 

17
Abr19

Greve Ou Chantagem? Podem Escolher...

Filipe Vaz Correia

 

Quem passa pelos postos de abastecimento de gasolina, em Lisboa, presumo que seja igual no resto do País, observa um cenário de corrida desenfreada às últimas gotas de gasolina.

Uma espécie de racionamento de combustível, num crescente receio invadindo os cidadãos.

Sinceramente não consigo compreender esta fragilidade evidente, que coloca à mercê de uns quantos, o "destino" de tantos.

Alertas do Governo, notícias alarmantes nos meios de comunicação social, pedidos de prioridade por parte dos meios de socorro.

Um cenário, ridiculamente, preocupante.

A Greve dos motoristas de substâncias perigosas, deixa desnudada, uma vez mais, a incapacidade das Sociedades actuais, para responderem num cenário de chantagem, como este exemplo torna claro.

Uma corporação ameaçando paralisar o País, em virtude das suas reivindicações...

Justas?

Talvez.

Mas absolutamente repugnantes, na forma como se fazem valer.

Sou, sempre o escrevi, contra Greves, desde a minha tenra existência, numa convicção sustentada nestes actos selvagens que acabam por capturar a vida de todos nós.

Enfermeiros que obrigam a anular cirurgias, professores que ameaçam impedir exames, transportes que bloqueiam o quotidiano, por si só sofrido, de passageiros obrigatoriamente reféns desse meio de locomoção para sobreviverem.

Este tipo de gestos, greves, chantagem, como melhor vos aprouver designar, faz crescer em mim, a certeza de que num próximo tempo, as populações se virarão contra aqueles que ameaçam cercear esse destino colectivo.

Por momentos, por entre notícias, num singelo segundo, julguei que tinha sido tele-transportado para a Venezuela, num dia de racionamento petrolífero...

Mas não, estava em Lisboa.

Enfim...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

16
Abr19

Eternidade de Papel

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Vales e montes encantados, bosques escondidos e entrelaçados, campos floridos e desencontrados, florestas de pedra, gélida pedra por derreter.

Caminhos e estradas, construções renegadas, por entre, letras sofridas de querença, de uma esperançada querença que se atreve a gritar.

Sonhos que se repetem, vozes que se agigantam, gentes e rostos que se amarram no olhar de quem habita na alma...

Na soletrada alma de um texto, numa prosa construída nas entrelinhas da imaginação, na desgarrada acentuação, como um desenhar geométrico, compassadamente descompassado, perigosamente desenhado.

Ventos e montes encantados...

Tantas e tantos momentos para escrever, formas de escrever, pinceladamente encobertas pelo, silencioso, silêncio de uma eternidade de papel.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

15
Abr19

Notre-Dame: Oito Séculos De História A Arder...

Filipe Vaz Correia




Está a arder a Catedral de Notre-Dame...

Nesse fogo que a consome, ardem séculos de História, de histórias, memórias, memória Nossa.

Quantas almas ali, outrora, se esconderam ou se perderam, quantos segredos ali se eternizaram, olhares se cruzaram, palavras silenciadas por entre o vento, no tempo...

Quanto tempo, contará o tempo, sobre o tempo deste singelo monumento que vai desabando diante de nós, ardendo entre chamas, nessas chamas que queimam a alma de todos os Franceses, de todos Europeus...

Enfim, de todos nós.

Estive ali, naquela Catedral de Notre-Dame, em 1995, pequeno, imberbe adolescente...

Fui rever fotografias, recuperar sensações, tentando resgatar emoções, que se vão esfumando naquelas paredes, por aquelas paredes, nesse trágico cenário que se mantém na minha Televisão.

Continua a arder...

Oito séculos de História a arder.



Filipe Vaz Correia





15
Abr19

As "Amarguradas" Previsões De Cavaco Silva...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

O Professor Cavaco Silva prevê que, lá para 2050, a idade da reforma deva ser aumentada para os 80 anos.

Talvez?

De facto, até pode fazer sentido pois o Professor Aníbal está para aí com uns 150 anos e continua a brindar o País com os seus doutos conselhos.

Mais do que discutir a veracidade dos seus estudos e cálculos, importa também registar a falta de tacto, a falta de capacidade para comunicar desta ilustre personagem.

Até aos 80 anos?

Estará o Professor a contar que a esperança média de vida seja de 100 anos?

Na verdade, ao Ser Humano, importa sonhar e de cada vez que ouvimos Cavaco Silva, somente pesadelos nos assombram, numa cascata de perdigotos e sussurradas palavras.

Por falar em reformas...

Como tenho pena que o Sr. Professor não se tenha reformado da política aos 60 anos, pois tinha poupado todos nós, a dez medíocres anos em Belém, assim como, destas continuadas e opinativas intervenções.

Tenhamos condescendência, para com as amarguradas previsões Cavaquistas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

15
Abr19

Sinfonia Poética...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

De cada vez que dói;

De cada vez que magoa,

De cada vez que destrói,

Cada vez em que se esboroa...

 

De cada vez que se torna ardente;

De cada vez que é imenso,

De cada vez em que cresce incandescente,

Cada vez mais intenso...

 

De cada vez que parecendo derradeira;

Se torna primeira,

Nascendo inteira,

Da mesma maneira,

Secretamente cimeira...

 

De cada uma dessas vezes;

Volto a ti,

Amando-te,

Sempre assim.

 

 

 

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