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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Gal Costa: Morreu Mais Um Pedaço De Minha Mãe…

Filipe Vaz Correia, 10.11.22

 

 

 


Morreu Gal Costa...

Perdi mais um pedaço de minha mãe.

Minha mãe era uma admiradora confessa de Roberto Carlos mas também de Gal Costa, uma cantora que aprendi a amar nas infinitas canções que percorriam as paredes de minha casa, nas mais infindáveis melodias, naquela voz aguda e inconfundível, mistura de divino e pecado.

Uma notícia que não se esperava, inconveniente e chocante, como tão bem expressou Bethânia, como tão bem chorou Gil...

Ainda dói, como dói a beleza da sua voz no último espetáculo de Cazuza no Canecão, na entrelaçada melodia da sua voz misturada com a de Gal cantando Brasil.

Tão actual, tão cortante, tão arrebatador.

Gal cantou, há pouco tempo,  no Campo Pequeno, soube mas não fui, ainda havia tempo para um regresso mas afinal não havia...

Há espaço para a saudade, para a tristeza, para a inimaginável extinção de um tempo, de uma Era.

O único consolo nesta triste notícia é a de que uma voz como a de Gal, uma artista como Gal Costa não morre, é eterna na sua arte, no seu talento, na nossa memória...

Obrigado Gal Costa.

Te amo.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Velho Poeta

Filipe Vaz Correia, 08.06.22

 

 

Tristeza no olhar;

pele marcada a tracejar,

infelicidade no rosto,

salgado desgosto,

num fio a brilhar,

no sol de agosto.

 

Velha e matreira dor;

flamejada da brava saudade

um sentir sofredor

entrelaçado na idade.

 

E volta o tempo a voar;

nas asas de um condor

infelizmente sem regressar

aos braços de meu amor.

 

Chuvas de Verão

Filipe Vaz Correia, 06.06.22


Estampado no rosto;

entre chuva de verão

se constrange o desgosto

na palma da mão.

 

Na ombreira da porta;

por entre sombrias melodias

reza a velha torta 

afagando as suas fantasias.

 

Sem sonhos para sonhar;

lágrimas para chorar

sem anseios a suspirar

ou vontades a chegar.

 

E foi escrevendo o velho poeta;

cada linha desta oração

afastando os medos que despertam 

despertares do coração.

 

Porque amar é a singela e derradeira

vontade cimeira

de eternamente sentir.

 

 

 

 

Parabéns Mãe

Filipe Vaz Correia, 02.06.22

 

A minha Mãe faria hoje 87 anos, partiu há quase 12...

O tempo na sua infinita crueldade e contraditória calmaria traz esse doce amargo de boca que é a relativização da dor, da perda.

No entanto, pelo menos no meu caso, a ferida permanece aberta, flamejante, pujante na saudade, nesse arfar quase sufocante de um adeus que não pode ser real, do cortar de um cordão umbilical que se torna espiritual.

O dia de sua partida foi o mais triste de minha vida, este dia 2 de Junho era habitualmente um dos mais felizes do ano.

Ia quase sempre à casa batalha onde facilmente encontrava um presente que fosse a cara de minha querida Mãe, colares, anéis, encharques...

Hoje apenas escrevo estas linhas, perco-me no pensamento, busco em mim partes que lhe pertencerão.

Parabéns Mãe.

Amor da minha vida.

 

Do sempre teu;

 

 

Pipo

 

 

Interminavelmente…

Filipe Vaz Correia, 01.06.22

 

 

Vou tentar descrever;

Escrevendo o que sinto por ti,

Sem saber como dizer,

O quão imenso é...

 

É uma forma de sonhar;

Um sorriso discreto,

Um simples escutar,

Desse bater secreto,

Da minha alma...

 

É um querer constante;

Uma verdadeira constatação,

Um prazer viajante,

Viajando pelo meu coração...

 

É um desejo indescritível;

Um carinho arrebatador,

Um mundo indecifrável,

Denominado de amor...

 

É um pedaço de ternura;

Voando através do tempo,

Guardando a eterna candura,

Do meu sentimento...

 

É ardor sem temor;

É buscar sem parar,

Na alegria ou na dor,

Abraçar, Amparar...

 

É tudo isto; 

Interminavelmente...