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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Mão...

 

 

 

Uma mão vazia;

Carregando essa vida despojada,

Em pedaços de maresia,

Memória reservada,

De tempos passados...

 

Uma mão calejada;

Marcadas incertezas,

Mágoas guardadas,

Incertas belezas,

De um destino...

 

Uma mão sem par;

Solitariamente desencontrada,

Não sabendo soletrar,

A hesitação recordada,

De tamanhas recordações...

 

Uma mão escrevinhadora;

Poetizando tremulamente,

As imprecisões de um tristonho...

 

Coração!

 

 

 

 

Benedictus João...

 

João Benedito apresentou hoje a sua candidatura à Presidência do Sporting Clube de Portugal...

Uma sala cheia, um olhar profundamente emocionado, carregando o peso do momento, a esperança inerente à dimensão do cargo.

Tinha muita curiosidade em ver como se comportava o "nosso" querido João, esse atleta que sempre nos encheu de orgulho, o líder que sempre foi merecedor da nossa confiança, o homem que sempre demonstrou a raça e a elevação que agora leva como lema.

Um verdadeiro Leão.

Há muito que observava as várias soluções perfiladas para estas eleições, sem encontrar alguém em que me revisse, aquela personalidade que me parecesse a ideal para liderar os destinos do "meu" Sporting, enfim o projecto mais capaz...

Fiquei feliz, pelas palavras, pela emoção, pela presença de pessoas e vozes, memórias e uma certa mística que necessita de ser recuperada, aglutinando, unindo este mundo Leonino extremamente fracturado.

Talvez tenha chegado a hora de João Benedito, um dos maiores atletas da História Leonina, ter a oportunidade de resgatar esse destino vencedor com que os Sportinguistas tanto sonham e que há muito nos foge.

Eu acredito e mais do que convencido...

Estou convictamente conquistado.

Viva o Sporting

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

A Louca Viagem De Donald Trump...

 

Donald Trump viajou pelo Continente Europeu, num périplo carregado de inconveniências, deslizes, faltas de educação e uma constante boçalidade inerente ao personagem.

Estes dias foram marcados por gaffes habituais, misturadas com aquele estilo cowboy popularucho que caracteriza o Presidente do Estados Unidos.

Em primeiro lugar a visita ao Reino Unido...

O comportamento de Trump com a Rainha Isabel II, a falta de conhecimento do protocolo, as palavras endereçadas à Primeira-Ministra Britânica, sugerindo que esta fosse substituída pelo anterior Ministro dos Negócios Estrangeiros, numa clara ingerência em assuntos internos da política Britânica, foram apenas alguns apontamentos deste tresloucado "rapazola".

A sugestão para que Theresa May processasse a União Europeia,  em vez de com ela negociar o Brexit, ao mesmo tempo em que se sentava na poltrona de Churchill, durante a visita que fez à casa Museu dedicada ao Estadista Inglês, apimentavam ainda mais o incomodo e a fúria Inglesa.

"How Dare You"...

Gritou o Daily Mirror, através da sua primeira página, libertando assim a revolta e indignação existente na maioria dos cidadão Britânicos.

As palavras sobre os parceiros da Nato, num conflito aberto contra os Estados Europeus, persiste e guia cada vez mais os Estados Unidos a um isolamento histórico e sem paralelo, junto de aliados que sempre foram de uma estratégica importância.

Por fim, a cimeira com Putin...

Um Trump diferente, com uma postura submissa, encolhida e aprisionada, parecendo refém do enquadramento geopolítico que marcou todo este encontro.

Ali, em Helsínquia, Trump não se insurgiu ou barafustou com Vladimir Putin,antes pelo contrário, concordou com o Presidente Russo, mesmo que isso significasse pôr em causa os Serviços Secretos Americanos e a sua veracidade...

Em Helsínquia, Trump sorriu, ouviu, desfez-se em delicadezas e vergou-se, acicatando ainda mais as dúvidas sobre esse seu servilismo Russo.

Nos Estados Unidos, em choque com tamanha vergonha ou um acumular de vergonhas, Democratas e Republicanos saíram à rua, numa onda de choque que já obrigou o "traquinas" Trump, vir a terreiro desmentir o que anteriormente havia dito e certamente o que no futuro voltará a dizer.

Pois com Donald Trump tudo é instável, nada é controlável e acima de tudo...

Tudo é desmedidamente grosseiro.

Desmedidamente vergonhoso.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

A Centelha...

 

Poderia escrever sobre este amor;

Mas não existiriam palavras para o descrever,

Tamanha a imensitude,

Deste imenso bater...

 

Que bate descompassadamente;

A cada pedaço de ti,

Cada parte de nós,

Pincelado, por entre, uma vida...

 

És a parte de mim que mais amo;

Essa parte de ti que mais desejo,

Desatino infernal,

De um amor intemporal...

 

És a centelha da alma;

O sentir do coração,

A certeza que acalma,

Por entre um turbilhão...

 

És apenas tudo;

Como se tudo fosse imenso,

Como se imenso fosse capaz,

De significar...

 

O que verdadeiramente;

És para mim.

 

 

 

Palavras Perdidas De Um Grande Amor...

 

Nas entrelinhas de uma carta podem se ler muitas verdades, muitas tremulas sinceridades guardadas a sete chaves e que ganham vida, na transparência de palavras trancadas na inusitada alma.

Nas entrelinhas de um texto, se perdem lágrimas amarguradas, se escondem sorrisos imperativos, se entrelaçam desejos inconquistáveis, se amarram amores impossíveis...

Mas deixarão de ser sentidos aqueles sentimentos, esborratados pela tinta da nobre e solitária caneta, que obreiramente insiste em despejar para o papel, o que vai soletradamente surgindo pela frente?

Deixarão de doer aquelas feridas?

Deixarão de arder aquelas magoas?

Deixarão de existir cada pedaço da tamanha contradição?

Talvez sim...

Talvez não.

Nas entrelinhas de uma carta, de despedida ou de amor, sobejam virgulas e pontos finais, disfarçando o indisfarçável sentir, encobrindo racionalmente o que não pode ser racional...

O indisfarçável bater do coração.

Cartas em papel, num papel por vezes amarrotado, tão amarrotado como as pedras de um caminho inesperado, tão inesperado como aqueles fantasmas que nos acompanham a cada noite, por noites que se transformam em dias, penosos dias que se perpetuam no destino de uma vida.

Mas servem também essas cartas para expiar, quando possível, a definitiva partida de um grande amor...

De um intenso amor, desapegada forma de querer, onde nada mais importa do que esse sorriso teu, perdido no meio da multidão, nessa imensa multidão que circunda, envolve, enevoa...

E mesmo assim o descubro, sei onde está.

Mas também para isso servem...

Num adeus singelo, esventrada maneira de expiar sem força o que parece impossível fazer olhos nos olhos, encarando o tudo e o nada que representas.

E num adeus, uma vez mais adeus, partem as palavras, deixando as recordações, as mesmas que sobreviverão por entre o tempo, para por vezes arder, por outras doer, mas sempre significar...

Amor!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Solitário Gatilho...

 

Pistola na mão...

Na mão calejada de tristeza e desilusão, de uma amargurada história que se incompleta, na incerta certeza que tarda em chegar.

Um quarto vazio, tão intensamente vazio, que se quebra o silencio com a tamanha solidão que não cala, ruidosamente maior do que o desejo em mim de a silenciar.

Na rua um rebuliço carregado de esperança, essa que há muito me abandonou...

No quarto ao lado, beijos e abraços, desejos soltos, gritos e gemidos perdidos, ecoando pelas paredes desnudadas, desnudando esse pedaço de vida esquecida.

E eu preso a tamanhos fantasmas...

A estes fantasmas que me perseguem.

Pistola na minha mão...

Lágrimas escorrendo pelo rosto, recordando cada uma delas, as alegrias, pequenos pedaços onde fui feliz, carregadas de rostos que me pertenceram, me preencheram.

Já nada faz sentido...

Encosto a mim o cano da pistola, num gesto lento, moribundamente lento, como que desejando que alguém por ali entrasse e impedisse este acto desesperado.

Sustenho a respiração...

Fecho os olhos...

O rebuliço na rua, os gemidos do quarto ao lado e um gigantesco quadro na minha alma, repleto de imagens, de memórias.

Primo o gatilho...

Primo o gatilho daquela pistola.

Um rebuliço na rua, por entre, desejos e gemidos no quarto ao lado...

E continua o tempo a passar, a vida a correr, o destino a percorrer o seu curso, desmedidamente egoísta para perceber que se perdera uma poética alma...

Na ponta de um solitário gatilho.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

A Carta De Cristiano Ronaldo A "El Chiringuito"......

 

Cristiano está na Juventus, como se isso fosse de somenos, partindo assim desse mundo Madridista que viveu sob a sua genialidade, um dos mais importantes momentos da sua História, senão o mais importante.

Ronaldo será sempre uma lenda Madridista, pelo que jogou, pelo que ganhou.

Será sempre um dos maiores jogadores da História do jogo, senão o maior...

Mas é na dimensão humana, tantas vezes criticada, que se vê o quão especial ele é.

A carta escrita por Cristiano ao programa televisivo Chiringuito, despedindo-se de todos, os que o defenderam, amigos e Madridistas, assim como, os que sempre estiveram contra si, demonstra o lado cordial, afável e humano deste super jogador.

O lado emocional de tal gesto ficou marcado no rosto de todos, daqueles jornalistas que representam o mais importante programa desportivo da televisão Espanhola.

São pormenores, singelos pormenores que constroem a verdadeira essência deste monstro do futebol Mundial.

Cristiano partiu para Turim, mas soube partir...

Soube despedir-se, mesmo vendo negado um adeus oficial no Santiago Bernabéu, soube deixar mais do que saudades do seu futebol, as mais sinceras manifestações de respeito e carinho pelo homem.

E é também por isto que serás eterno...

Cristiano Ronaldo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

Modric Ou Geraldes?

 

Quando oiço que querem vender o Chico Geraldes, algo em mim se arrepia...

Num desespero imenso, questiono-me se será possível tamanha estupidez.

Será que não percebem?

Será que sou só eu?

O Chico é a personificação do romantismo no futebol, aquela parte do jogo que se foi extinguindo com a robotização, cada vez mais presente, no futebol moderno.

O Chico é o pensador, o pausador de serviço que temporiza e agita, que modera e apimenta, que num simples momento acalma e acelera...

É o Modric da academia de Alcochete, num momento pensador noutro silenciador, num segundo um marcador de livres noutro um recuperador de bolas.

Ele pensa o jogo, numa Era em que se busca quem rompa e esventre os momentos, criando espectáculo e fogo de artificio...

Neste misto de contra-senso, assisto com receio às manchetes dos jornais e ao interesse do Frankfurt...

A sério?

Recuso-me a desperdiçar tamanho talento, tamanha ligação ao "nosso" Sporting...

Recuso-me a aceitar tamanha estupidez!

Quero ver o Chico no Sporting, como Modric está no Real Madrid...

O talento, condição primeira, não engana.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

O Meu Amigo Imaginário...

 

Tive um amigo imaginário, tão imaginário aos olhos de outros, como real nesse sentir que até hoje me pertence.

Tantas e tantas vezes me acompanhou...

Em férias a sós com meus Pais, solitariamente entregue às brincadeiras que eu mesmo imaginava, no primeiro dia de escola, enfrentando os receios próprios desta minha timidez, no caminhar pelo trilho de uma infância.

Nesse mundo, só meu, aquela personagem se tornava real, companheiro de aventuras e desventuras, confidente inigualável nos mais variados momentos.

A minha querida Mãe ao se aperceber deste traço, de mim mesmo, das conversas aparentemente solitárias, apressou-se a levar-me a um Psicólogo, amigo da família, alguém entendido nestas coisas da mente, vulgarmente intitulado, em meados dos anos 80, de "maluquice".

Mas que mal tem falar com um amigo imaginário?

Pensava o menino...

E refutava o imaginário, no fundo da minha alma, sabendo bem a pueril mente que era somente na imaginação que vivia esse, tão fraterno amigo.

Talvez esse traço, vulgo consciência, me tenha retirado da área dos "malucos", ou então, esse dito amigo de meus Pais era, também ele, um grande "maluco".

Também?

Sabe-se lá...

"Deixem o rapaz brincar e expressar-se à vontade, isso é apenas um reflexo da sua imensa capacidade de imaginação, a escapatória por ser um menino num mundo de adultos.

O tempo passou...

Cresceu o menino, buscando da vida outras realidades, construindo reais amizades, vivendo intensamente cada pedaço de emoção solta, por entre, as melodiosas formas de um destino.

No entanto, de quando em vez, lá me vem à memória a imagem daquele amigo, conselheiro, companheiro incessante dos primeiros anos de uma vida...

E mesmo sabendo que fisicamente ele não existe, nunca existiu, não fez parte desta realidade que denominamos de vida, mesmo assim, em mim...

Na minha alma estará sempre presente a sua imagem, buscando nessa certeza, o pedaço dessa criança que em mim, felizmente, sobrevive.

Obrigado por tudo Gó.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

O Estranho Mundo De Bruno...

 

Nem tenho palavras para qualificar este espectáculo tresloucado que nos foi ofertado por Bruno de Carvalho e seus apoiantes...

Não posso, uma vez mais, evitar memórias das minhas aulas de História, ou mesmo, de horas de infinito gosto a ver o Panorama BBC.

Ali, naquele espaço, revi diversos lideres que em algum momento do seu caminho se sentiram demasiadamente poderosos, extremamente perfeitos, para que alguém, um dia, os pudesse derrubar...

E assim levaram, até ao limite, a irracionalidade do seu desmedido querer.

Hitler no Bunker em Berlim, Ceausescu naquela varanda em Bucareste, Baptista no seu palácio em Havana, Nicolau II nos salões do Palácio Imperial em São Petersburgo, o Xá da Pérsia nos recantos de Teerão ou Mussolini nas ruas de Roma.

Todos eles acreditaram, até ao fim, que seriam inatingíveis, que nada havia mudado na sua relação de poder com os muitos que os suportavam...

Eles acreditaram numa realidade paralela e Bruno também acredita.

O que está nesta génese é o pensamento, a mente patologicamente desvirtuada, entrelaçada com a perfeição criada em si mesmo, de si mesmo...

Estes lideres passaram a acreditar, não na realidade, mas sim naquela imagem construida por aqueles que o rodearam, criando assim, a tempestade perfeita para a sua queda.

Naquela sala, onde Bruno apresentou a sua recandidatura, as vozes vociferavam descontroladamente, os olhares enraivecidos acompanhavam a imagem do seu "Fuhrer", ao som de...

Viva o Bruno!

Bruno!

O Sporting esteve menos presente naquela euforia do que Bruno, sempre Bruno, irresistivelmente Bruno.

É este, mais um indicador, desta patológica verdade ditatorial.

No entanto, notou-se a degradação do poder, daquele poder arrasador, ameaçador, com que Bruno de Carvalho estrangulava quem dele discordava...

Nesta encenação sobrevive o "pequeno líder", através desta efémera esperança se alimentam os poucos que com ele marcham, acreditando até ao fim nesse lado teatral que os mantém vivos.

Um triste espectáculo no fim de um reinado.

 

 

Filipe Vaz Correia