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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Letras Imprecisas De Uma Adormecida Poesia...

Filipe Vaz Correia, 09.12.19

 

Uns dias absorvido em mim;

Nesse trautear da melodia,

Num obscuro sentir,

Que se confundia com o ruído,

Saído das catacumbas da alma,

Numa misturada fórmula,

De um intransigente querer...

 

Noutros dias a depressão;

Esse aprender que se esconde,

As mágoas entrelaçadas ao orgulho,

Por entre dores e desamores,

Lágrimas e sorrisos,

Momentos imprecisos,

Apagados na areia...

 

Escrevo sem parar;

Num grito por segundo,

Soluço intemporal,

De um caminho irracional,

Que sussurra ao luar...

 

Adormeci:

E sem saber reescrevia,

Cada soletrada explicação,

Eternizada na desmesurada emoção,

Deste meu solitário coração...

 

Adormeci...

Para não recordar.

 

 

 

 

 

Até Um Dia Amor!

Filipe Vaz Correia, 04.12.19

 

Tinha tantas coisas para te escrever...

Tantas e ao mesmo tempo nenhuma, num viajar disfarçado pelas estradas mais sofredoras do destino.

Palavras e mais palavras, esvoaçando ao vento, sem rumo nem destino, desatinadamente desprendidas dessa realidade que esventra e separa, que se atreve a calar, vezes sem conta, os desenhos mais entrelaçados de uma alma desapegadamente voadora.

Foi de traço ténue que pincelei cada pedaço dessa tela que para ti soletrei, nesse soletrar devagarinho que se tornou pintura, aguarela esborratada de uma noite de verão.

O céu azul, tão límpido e sereno, parece não antecipar cada toque entre nossas mãos, cada beijo escapado, sorrateiramente escapado, cada vontade amarrada nesse presente ausente, ansiosamente esperado.

No olhar...

Nesse olhar se perdeu, sem aviso, cada promessa de eternidade que fizemos, cada entrelaçado pedido, perdido, de um cântico intemporal.

Nada mais se pode pedir...

Ao som de uma melodia vai sobrando esse contemplar de cada promessa de amor que ficou para trás, de cada segundo de ardor que misturadamente no coração se eternizou.

Sei bem que o amor tem os seus encantos, recantos de espantos, por vezes cantos, outras vezes prantos, num desalinhado acreditar que impossibilita a escrita de o descrever.

E assim, sonolentamente se vai escondendo o sol, timidamente se despedindo desse momento, dos seus momentos, dos nossos, num viajar constante e irreverente, tal e qual cada pedaço dessa nossa abreviada canção.

E nem que seja uma vez mais, voltarei a deixar tocar tal melodia, numa despedida sentida de cada cheiro e sabor, nesse arrepiante tocar da alma.

Até um dia Amor!

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Só, Li, Dó

Filipe Vaz Correia, 20.06.19

 

Só,li, dó;

Letra musical,

Pedaços de nó,

Nessa arte especial...

 

Numa letra da canção;

Outrora virgem iludida,

Soletrando só, li, dó,

Solidão desferida...

 

E cantando a plena voz;

Esquecendo a tamanha dor,

Reescrevendo essa pena atroz,

Que vai ardendo sem pudor...

 

E repetindo o refrão;

Escrito pelo poeta,

Vai soltando o coração,

A vontade já deserta...

 

Deserta e afinada;

Uma e outra vez,

A cantiga apaixonada,

De um singelo amor cortez.

 

 

 

 

 

 

O Telemóvel Do "Conan"...

Filipe Vaz Correia, 18.02.19

 

Fui alertado, há pedaço, por um grande amigo para o cantor que agita o momento...

- Já conheces o Conan? Questionava-me esse amigo.

O Conan? Pensava para mim.

Bem...

- Eu conheço o Conan, o homem rã...

- Conheço o Conan, o Bárbaro. Respondia meio a medo.

Seria desse Conan que estávamos a falar?

Não era.

Sem desvendar, esse amigo pediu-me que fosse ao Youtube e escrevesse:

Conan Osiris no festival da canção.

Assim fiz...

E num breve momento, passei a conhecer Conan Osiris.

Em primeiro lugar, um instante de solidariedade, pois também eu parti um telemóvel, numa noite de 25 de Dezembro, que havia recebido como presente de Natal, de minha Mãe.

Um Ericsson azul, muito pequeno, o último grito de 1997...

Também eu chorei, também eu bebi para esquecer, essa dor e mágoa que me marcaria até estes dias.

Porém, compreendendo a tamanha tristeza do "artista", não posso deixar de escrever o que me ocorreu ao pensamento, enquanto, Conan e seu bailarino actuavam em palco, numa espécie de ataques epiléticos, misturados com estranhos gemidos....

"O que é isto?"

E não é que Conan, depois de tão estimada prestação, conseguiu passar à Final do Festival da Canção, podendo vir a representar a Nação Lusitana, em Israel.

Se nos recordarmos da canção Israelita que venceu a Eurovisão do ano passado, em Lisboa, talvez esta canção de Conan faça sentido, mas se nos recordarmos da melodia de Luísa e Salvador Sobral...

Então meus caros, o telemóvel de Conan, ao som de um Spectum riscado, esventra e envergonha a alma do "nobre" Povo.

E tudo isto, por causa de um telemóvel.

Conan...

Conan, também não era razão para tanto alarido.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Só Mais Uma Vez!

Filipe Vaz Correia, 26.06.17

 

 

 

Toca só mais uma vez;

Essa nossa canção,

Num leve despertar,

Despertando o coração...

 

Liberta assim a derradeira melodia;

Memórias de um dia,

Ansiada harmonia,

Que entretanto perdi...

 

Toca só mais uma vez;

Essa distante lembrança,

Em forma de música,

Pedaço de esperança...

 

Toca por favor;

Só mais uma vez,

Essa canção que um dia me pertenceu.