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Caneca de Letras

Caneca de Letras

09
Out20

Salvem-Se Os Poetas...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

As minhas palavras foram, desde cedo, entrelaçadas aos grandes poetas, àqueles que puseram em palavras os sentidos maiores desses temores que nos perseguem...

A todos.

Desde pequeno que fui apresentado a este sentimento maior que nos estrangula e deixa sedentos, que nos abraça e liberta, nos ensina a viver e reviver pelos trilhos da dimensão Humana.

Nessa ânsia de caminhar, leia-se escrever, ler, fui tropeçando na boçalidade que amiúde saltava dos ignorantes com quem me fui cruzando mas também ressaltando daqueles que me deram a mão, me ensinaram a olhar e escutar, soletrando as suas ideias, sussurrando as questões que perturbavam os dogmas instalados...

Desses, os últimos, fui bebendo, retirando o melhor, em prosa, em verso, nas intermináveis poesias que simbolizavam os enigmas escondidos nas esquinas da alma.

Tenho medos e anseios, saudades imperfeitas em perfeitas e solitárias vontades...

Como admiro Pessoa, na sua pequenez agigantada, Cazuza, na sua irreverente vontade de viver que inevitavelmente o guiou até ao imberbe fim de seus dias, Drummond de Andrade, na gentil forma de ser intemporal, Vinicius, nesse copo de Whisky que ainda tilinta nos mais requintados bares de Copacabana, Camões, pelo singelo facto de ser na sua pena que se amarra cada parte dessa descoberta constante de um imenso Povo...

O nosso.

Na Carta a Dani, onde Cazuza escreve as primeiras palavras após ter assumido a sua doença, essa que naqueles dias certificava o fim mais cruel desde o tempo da lepra, se pode sentir a corajosa coragem, a repetição por vezes faz sentido, podendo encontrar o verdadeiro sentido de um poema...

Despido, real, mais além do que qualquer retrato.

Coragem, Humano, de uma dimensão escassa, singela...

Cazuza escreveu um dia:

"Que morrer não dói"

Mas dói a insensibilidade destes tempos desumanos, bem explicita na encíclica papal Fratelli Tutti, onde o Papa Francisco cita Vinicius de Moraes.

E se na divina palavra de um Papa cabe um trecho do "Samba da Benção"...

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida"

Talvez seja a hora de em cada parte de nossas vidas conseguirmos olhar para o outro, para cada verso de nossos dias, com a fraterna expressão de um poeta.

Sem receio de amar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

24
Mai19

Camões e Chico: Uma Infindável Dança Poética...

Filipe Vaz Correia

 

Chico Buarque da Holanda venceu o Prémio Camões 2019...

Ao receber esta notícia senti aquela sensação de pertença que só os grandes génios conseguem transmitir.

Não poderia estar mais distante de Chico Buarque ideologicamente, no sentido político da coisa, pensando diferente, sentindo diferente, posicionando-me quase sempre nas antípodas do seu pensamento político.

No entanto, a arte tem destas coisas, a mistura da beleza e pureza de um artista é fazer encurtar etapas, amarrar proximidades, entrelaçar sentimentos de forma discreta mas intensa, certa mas carregada de uma incerteza que nos faz suster a respiração.

Chico Buarque era ouvido em minha casa, nesse local conservador mas sempre aberto à genialidade de todos, com precisão, com insistência, com um intemporal gosto que até hoje me persegue.

Nesse berço, que era o meu, Chico foi Rei, acompanhado por Vinicius, Drummond de Andrade, Caetano, Bethânia, Elis Regina, entre outros que nos chegavam do outro lado do Atlântico, brindando através da língua Portuguesa  a esse esplendor maior de escrevinhar.

Parabéns Chico Buarque...

Parabéns Poeta.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

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