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Caneca de Letras

Caneca de Letras

No Caneca Com... José Da Xã!

Filipe Vaz Correia, 21.03.19

 

Nós… os obnóxios!

“…mais vale sonhar a vida que vivê-la, mesmo que vivê-la seja sonhá-la..."

Marcel Proust

 

Quando folheio as longas páginas das minhas memórias fico sempre com aquela sensação de que a determinada altura optei por veredas ínvias, arriscadas mas altamente estimulantes, em vez de ter escolhido um caminho mais aberto, quiçá menos perigoso, todavia sem grande interesse.

Estamos invariavelmente reféns das opções tomadas no passado, numa espécie de condenação perpétua e para a qual não há qualquer recurso. No fundo a maior parte da nossa vida resume-se às decisões que optámos, tenham sido elas fantásticas ou profundamente desastrosas.

Contudo cada vez vejo mais pessoas a desculparem as suas opções com os erros dos outros… Então na política e no desporto… é demasiado frequente!

Sempre que abrimos as televisões lá escutamos as já cansadas desculpas de uma (má) decisão de um qualquer governante com a célebre expressão “herança do passado”.

Então que dizer à boa herança recebida e que por opção política se desbaratou durante a vigência de um governo?

Reparo, cada vez mais, que a nossa classe política está cansada, sem ideias, sem fulgor e onde as caras são quase sempre as mesmas. A bipolarização governativa que vamos aceitando sem grandes ondas, não obstante alguns recentes e estranhos exercícios de colagens, é o exemplo perfeito de como convém nunca mexer no “status quo ” estabelecido por alguns iluminados lusos. Sejam de esquerda trauliteira ou moderada e de direita obtusa e incoerente.

O desporto sofre outrossim do mesmo problema da política. Os dirigentes de clubes, federações, SAD’s ou mesmo treinadores desculpam-se na maioria das vezes dos maus resultados invocando gestões anteriores. Detestam, por assim dizer, assumir a sua quota-parte nos insucessos!

É assente nesta triste e reles postura de fuga às responsabilidades, plasmada numa anormal impunidade que os portugueses têm vivido no último meio século. A liberdade custa-nos muito, mas muito dinheiro!

Retorno às minhas memórias para evocar uma expressão que um professor certa vez me disse: errar é humano mas permanecer no erro é estupidez!

Ora, pegando nesta última ideia concluo que das duas uma: ou os portugueses são estúpidos pois continuam a insistir no mesmo erro durante todos estes anos ou são burros pois nem têm inteligência para perceberem onde está o erro!

 

 

LadosAB

 

 

Óscar Pérez: Assassinato Em Directo!

Filipe Vaz Correia, 16.01.18

 

O regime de Chávez, de Maduro, matou Óscar Pérez...

Assassinaram-no.

Óscar Pérez, o ex-militar que em meados de 2017, pilotou um helicóptero e disparou contra edifícios Governamentais e o Supremo Tribunal...

O líder de um grupo de homens que se dispuseram a lutar contra um regime ditatorial, cruel, e que em Dezembro último, tentou tomar um dos mais importantes quartéis, do exercito Venezuelano.

Óscar Pérez deveria saber os riscos que corria, o preço que iria pagar, desde o momento em que decidiu afrontar, um Governo, com um estilo máfia Siciliana.

Maduro, o motorista de autocarro, que comanda um País ouvindo um passarinho...

Que domina as ruas através de milícias armadas, montados em motas, disparando contra todos aqueles que um dia se opuseram ao seu regime.

Óscar Perez sabendo o que se aproximava, não deixou que a História fosse contada através da lente dos seus algozes, deste miseráveis e abjectos Seres Humanos...

Pérez usou o seu telemóvel como testemunha, como voz intemporal de um assassinato, de um cobarde assassinato.

A sua voz ficará marcada na minha mente, o seu olhar permanecerá na minha memória, mas essencialmente estas imagens servirão de garantia, de que na Venezuela, existe alma e gente capaz de dizer não, a este regime.

O seu último gesto, imensa coragem de testemunhar a crueldade de um déspota, como Maduro, deixa ao mundo um derradeiro grito de revolta, num derradeiro acto de um herói.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Pequena Criança...

Filipe Vaz Correia, 13.01.18

 

Já não vai cantarolando aquela criança, sentada no beiral da porta, onde todos os dias parecia se deixar perder, por entre melodias intermitentes.

Vai ficando o silêncio, o vazio de vozes, de vida, de um descompassado existir.

Uma montanha de cores, de cheiros, marcando as viagens de tamanhos caminhos, disposto através do olhar daquele menino, pedaço de vida sem igual.

Ali sentado, onde outrora estava, repito estava, apenas se encontra a memória daqueles que por ali passavam, sempre apressados, desatentos...

Essa memória desatenta, mas que melodiosamente era despertada por pequenos acordes, do acordeão encardido, raspado, vivido.

Para onde terás ido?

Porque nunca ninguém parou, para te perguntar?

Nessa ausência, impregnada de nada, vazia, a ferros arrancada das profundezas desta oca Humanidade, vai desalmadamente carregando de arrependimento, os que deixaram de ouvir, o pequeno trautear daquela voz infantil, tristonhamente irrequieta.

O mundo avança, o tempo voa...

E mais vazia aquela rua, mais despida aquela porta.

Já não vai cantarolando aquela criança!

Aquela criança, que poucos poderiam descrever, desatentos ao seu olhar, à expressão do seu rosto, à imensa vontade de ser mais um, como nós.

Mas aquele cantarolar, aquela tristeza inerente à sua voz, tristeza perdida de um destino amargo, essa...

Essa grita ao mundo, as palavras que ainda ecoam através do vento, naquela ruela, naquela porta, naquele pedaço de mundo.

Para onde foste, pequena criança?

Para onde foste?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Os Bilhetes De Mário Centeno!

Filipe Vaz Correia, 08.01.18

 

Mas porque raio, anda Mário Centeno a pedir bilhetes ao S.L.B?

Porque raio, o Ministro das Finanças, tem de andar a pedinchar bilhetes para se deslocar à Luz?

Gosto de Centeno, já o escrevi, surpreendendo até a minha desconfiança inicial, da Geringonça no geral e do Ministro em particular...

No entanto, independentemente do seu desempenho Ministerial, existem princípios que não devem ser esquecidos, uma certa aparência que apesar de não ser requisito exclusivo, também conta.

A polémica que a partir de aqui se instala, com a isenção fiscal, IMI, a um dos filhos de Luís Filipe Vieira, é apenas uma consequência, deste aparente favor, esta triste coincidência que deixa no ar todo o tipo de especulações.

O Ministro defende-se, dizendo que não deixará de ir ao estádio da Luz, ver jogos do Benfica, como fez durante os últimos 45 anos...

Mas quem lhe pede para deixar de ir ao estádio da Luz, ver os jogos do seu clube?

O que me parece importante, é que o Senhor Ministro compre os seus bilhetes, num gesto nobre e decente...

Nem que seja para não ficar num terreno pantanoso, de especulação e desconfiança.

Importante referir que com as declarações do Ministério das Finanças, validando a veracidade do pedido de bilhetes, por parte de Mário Centeno, terminam as insinuações de que os Emails divulgados, poderiam não ser verdadeiros...

Já se percebeu que são.

Assim, depois de mais um pedaço de promiscuidade, se compreende como a política e o futebol, continuam entrelaçados, por entre sorrisos e favores.

Uma vergonha ou simplesmente burrice?

Mário Centeno que responda.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Caneca de Letras: Um Ano Depois!

Filipe Vaz Correia, 01.11.17

 

Um ano depois...

Precisamente há um ano, comecei esta aventura a que chamei de Caneca de Letras, um pedaço de mim em forma de blog, mistura de opiniões e desabafos, de contos e poemas, de lágrimas e alma.

Um ano de linhas e palavras, post diários, quase sem falhas, sem obrigação apenas dedicação, vontade intrínseca ou compulsiva de escrever e partilhar.

Escrever é uma parte significativa de mim, uma espécie de lado lunar da alma, de bater descompassado do pensamento.

Comecei a medo, sem saber como fazer ou o que escrever...

Em primeiro lugar, quero agradecer a toda a equipa do Sapo, pelo carinho e atenção que sempre deles senti, pelos destaques, pela experiência única de me sentir apreciado, acarinhado.

Ao longo deste ano, muitas foram as pessoas que marcaram este espaço, muitas aquelas que não conhecendo as senti como minhas...

O primeiro favorito, Does a Name Matter, os primeiros comentários da minha querida Roxie, do meu querido Anjinho ou do sempre presente Anónimo em Lisboa. 

O tempo passou e a família do Caneca de Letras foi crescendo, foram chegando novas pessoas, refrescantes opiniões, repetidas visitas:

O Último Fecha a Porta, Robinson Kanes, Ventania, A Desconhecida, Mami, Cheia, Beia Folques, A Rapariga Do Autocarro, Sérgio Ambrósio, David Marinho, MJ, Andreia, Terminatora, A Lady, Travellight World, Pedro Rodrigues, Malik e tantos outros.

Um ano de encontros e reencontros, de gentes e gestos, de memórias e desejos.

Sempre guardei para mim o que me ditava a alma, envergonhada maneira de me expressar...

Ao expor a minha escrita nesta Caneca, acabei por desnudar essa vergonha que asfixiava a minha inquieta vontade de dar asas à imaginação.

Um ano...

Um ano de amizade, velhos reencontros, histórias perdidas, pedaços de vidas que já me havia esquecido.

Um agradecimento especial  a um dos meus mais fiéis leitores:

O meu Tio Jaime.

Por fim, mas certamente a parte mais importante, agradecer a infinita paciência da minha querida mulher, que vezes sem conta, ouve atentamente poesias ou prosas, antes de as publicar...

Repetidamente, vezes sem conta.

Obrigado a todos e que venha mais um ano desta Caneca, impregnada de sonhos e Letras.

 

 

Filipe Vaz Correia